quinta-feira, 29 de outubro de 2009


Artigo.

Sorte de campeão.


por Marlon Marques.











































Me cansei dessa história de “o campeão voltou”, de jason, etc. Porém hoje me convenci de que o São Paulo pode mesmo ser novamente o campeão do país. Digo isso não pela liderança provisória, mas pelas circunstâncias. O São Paulo é um time mais pragmático do que ótimo. Não está jogando absolutamente nada. Ganhou do Santos (e quem não ganha) jogando um futebol ridículo, fora outros jogos que não me recordo. Como já escrevi em outro artigo, a história se repete tal como profetizou Karl Marx, primeiro como tragédia e depois como farsa. Nesse caso, é só lembrar-mos do ano passado. O Grêmio com uma enorme vantagem (administrada por todo campeonato) deixou o São Paulo chegar, passar e ser campeão. Muito mais por incompetência do tricolor gaúcho do que excelência do tricolor paulista. Pois, não adiantaria o São Paulo ganhar seus jogos caso o Grêmio também tivesse vencido os seus, o mesmo se aplica ao Palmeiras nesse campeonato. E é aí que a história parece se repetir. O São Paulo cresce na hora certa, e o Palmeiras cai na hora errada. Mas o que quero abordar aqui é que tal como Maquiavel em “O Príncipe”, é necessário unir virtú e fortuna. Porém no futebol, basta ter apenas fortuna (entendendo fortuna por sorte) para ter êxito. O jogo de ontem (28.10.2009), entre São Paulo e Internacional, acabado 1 á 0 para o São Paulo, comprova isso. Só deu Internacional. Bola na trave, chuveirinho na área tricolor, chutes, escanteios diversos, jogadas no fundo e mais, milagres do goleiro Bosco. Repito, só deu Internacional quase o jogo todo, e digo isso porque, aos 47 do primeiro tempo o São Paulo fez o gol e só. É claro que é força de expressão dizer que só o Inter jogou, o São Paulo teve alguns lances de perigo, mas considerando a importância do jogo, foi muito pouco. Porém a vitória encobre a análise mais apurada, e os jornais iram estampar elogios e mais elogios ao “campeão voltou”. Só que a leitura mais correta do jogo diz que um time jogou e o outro ganhou, como é de praxe no futebol atual. O bom futebol acabou em 1982 no Sarriá, de lá pra cá, o que prevalece é o pragmatismo que dá resultado (vide 94 e 2002). Quando alguém tenta um lance de beleza ou alguma firula, logo recebe um turbilhão de críticas (lembre-se de Kerlon ex-Cruzeiro e seu famigerado drible da foca). O São Paulo literalmente achou o gol. Foi pressionado o jogo todo, nem parecendo que estava jogando em seus domínios diante de 34 mil torcedores. Isso só prova que em clássico o fator campo é mero detalhe, ou o São Paulo nunca ganhou do Inter no Beira Rio e vice-versa? O Inter correu, correu e morreu. Tentou em vão buscar o gol que o deixaria menos distante do Palmeiras (o time a ser batido), mas Bosco em noite inspirada não deixou. Justiça seja feita também á Miranda e Jorge Vagner, que partida fizeram. Jogaram com raça e se desdobraram em campo, já o craque Hernanes. Esse nem viu a cor da bola, mas craques não o deixam de ser por causa de um ou outro jogo. Do lado colorado, D´Alessandro jogou muito, junto com Sandro. O time vermelho foi bastante orgânico, todos se esforçaram muito e jogaram com muita garra, sua torcida não tem do que se queixar. Porém o que ocorreu nessa noite no Morumbi, é o que chamo de “masdeísmo do imponderável”. A religião masdeísta concebe o mundo como sendo regido pelo embate entre duas forças antagônicas, o bem (Aúra-Masda) e o mal (Arimã). Nessa caso, refiro-me entre “sorte” e “azar”. Porque uma coisa é um time ter sorte e pronto. Outra coisa é um time ter sorte e o outro ter azar. E nesse São Paulo X Internacional, não apenas a sorte estava do lado tricolor, o azar estava com o time colorado. Washington mais uma vez se mostrou decisivo, e assim como nas quartas-de-final da Libertadores de 2008 contra o próprio São Paulo atuando pelo Fluminense, o camisa nove fez o gol da classificação, no apagar das luzes, um gol sobrenatural, o seu gol contra o Inter também foi um achado. Se do lado colorado havia Alan Kardec, Washington é quem recebeu do além o "passe" para o gol salvador do tricolor. Se reparar bem na jogada, Hernanes cobra o escanteio, toda zaga do Internacional falha, e algo de estranho faz com a bola saia do alcance de Fabiano Eller e encontre o camisa nove tricolor. Depois disso, sorte e azar desfilaram em campo para no final premiar a injustiça. São Paulo 1 X 0 Inter. Essa vitória pressiona demais o Palmeiras, que se vê obrigado a ganhar de qualquer maneira do Goiás para continuar líder do certame. O futebol não é dos melhores, não enche os olhos de ninguém – só dos fanáticos sem razão, porém como já disse antes, no futebol de hoje (desde 82), o melhor não vence (como se diz do campeonato de pontos corridos), e nem a justiça se faz com clava forte e venda nos olhos, ganha aquele que tiver a sorte mais ao seu lado (fortuna), e se for julgar por hoje, o São Paulo parece-me o time com mais fortuna. Isso quer dizer alguma coisa, não sei.







































































.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009


Crítica.

The Killers - Sam´s Town.

por Cremilda Batista.




















Por ocasião da apresentação do The Killers no Brasil, li uma série de matérias a respeito dessa banda nos mais diversos canais da imprensa nacional. Cada barbaridade foi escrita a respeito dessa banda que fiquei abismada. E ouvindo os dois discos, e esse Sam´s Town em especial, não vi nada disso que foi dito. O que vi foi muita pretensão e monotonia. Vi muita pompa e pouca qualidade. Revolucionários? Há não, não me venham com essa história de novo. Competentes? Talvez. Esse disco é muito comprido e muito chato. E só hoje consigo entender melhor o porque certas bandas são máquinas de criar. Porque fazem música de qualquer jeito. Seja por pressão dos fãs por novas músicas, seja por pressão contratual das gravadoras. Eu hoje desconfio muito de disco enormes, com muitas faixas. Não que seja regra, mas as vezes, quando você se dedica muito a poucas coisas, você se sai melhor do que quando quer abraçar o mundo. E é justamente isso que acho dessas bandas. Acho falso o argumento. Esse disco do The Killers não foi um sucesso de crítica justamente porque não é um bom disco. As músicas são muito iguais, e a voz de Brandon Flowers é horrível. Os instrumentais são “indie”, como ouvi certa vez. O vocalzinho abafado lembra Strokes, enquando que os instrumentais tentam em vão imitar o Franz Ferdinand. Lembra a fase mais chata do U2 também em alguns momentos, veja a faixa “Bling”. No mais é isso mesmo. Uma falsa emoção ali, um sintetizador aqui, uma urgência ali, e só. Nada que justifique o barulho todo que a mídia mundial faz em torno desses americanos de Las Vegas. The Killers é um grupo normal, nada de super poderes, e vou mais além, “o The Killers é uma invensão da imprensa americana como resposta ao hype do Arctic Monkeys”[1]. Muita gente vai ficar furiosa com essa ideia, mas é nisso que acredito. A imprensa americana embora não tenha exaltado o álbum como uma nova maravilha do mundo da música, não o detonou como o fez a imprensa inglesa. É claro que é puro provincianismo de ambos, mas o disco fica devendo um bocado. “Read My Mind” é a melhor música do disco inteiro, e seria melhor se o Brandon não tivesse os trejeitos de Justin Hawkins do The Darkness. Aliás, ele comete esse erro em muitas outras faixas, como em “Bones” por exemplo. “My List” é muito monótona, enquanto que “When You Were Young” é forçada demais, soa falso. As guitarras nesse disco estão muito altas, tem momentos em que não da pra ouvir nada, fica tudo embolado. Isso é culpa tanto da banda quanto da produção. Em suma, se ouvir a primeira faixa ouvirá a última também, pois o disco é muito irregular, muito igual e sem inspiração. Não vi nada aqui de diálogo com a tradição, a única coisa que bateu com as matérias que li, é sobre essa questão de geração. Porque essa geração ao qual o The Killers pertence é de fato assim, vazia e orgulhosa, poucas coisas se salvam, e já que se salvam é porque talvez não sejam parte desse mesmo balaio de gatos.



[1] Argumento de um artigo que será publicado aqui em iosbilario.com por Marlon Marques.































The Killers - Sam´s Town [Island, 2006].

download.



















.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Artigo.

O limite para as atrocidades humanas é a imaginação.[1]


por Marlon Marques.

































Um indivíduo possui convicções. Um indivíduo possui uma série de valores que norteiam suas ações e suas opiniões acerca do que acontece na sociedade. Porém, por mais “certo” de um ponto de vista que alguém esteja em um dado momento, certos fatos agem sobre nós de modo a nos afastar dessas convicções. Geralmente quando somos tomados por ódio extremo ou extrema indignação. Rememoro-me do caso do menino João Hélio e do artigo do filósofo Renato Janine Ribeiro[1]. Nesse artigo, o filósofo diz que: “não paro de pensar que deveriam ter uma morte hedionda”, referindo-se ao assassinos do menino. O que mais me choca, é que as reações, de gente como Elio Gaspari e Luis Nassif – contrárias as de Janine Ribeiro – em nada tenham condenado a ação dos criminosos [exceto pequena nota de Nassif]. O que fizeram é além de um crime qualquer, foge da categoria simplista de “crime hediondo”, é uma barbaridade. O argumento ridículo de Luis Nassif dizendo que esses criminosos talvez não quisessem matar o menino, é no mínimo inocente. E se culposo ou doloso, o fato é que, mais do que eles mataram, o menino está morto. Isso não se volta nem mesmo com a morte desses criminosos. Porém, a dúvida é algo que nos acomete desde de Sócrates. Até Jesus teve dúvida em certo momento de sua missão conhecida a priori. Então, a dúvida de Renato Janine é legítima, ele, assim como eu, ou como nós, as vezes deixamos nossas convicções a favor de posições que achamos justas para certas situações. Desejar a pena de morte para esses criminosos [ou para qualquer outro vil criminoso], não é o mesmo que defender a pena de morte para todos os casos. Inocentes também morreriam caso fosse constitucional. Agora coloque-se no lugar dos pais do garoto, tendo em mente 3 pontos. 1. A raiva cega é na maioria das vezes indomável, afinal somos humanos. 2. Raros são os casos em que um pai perdoa o assassino de seu próprio filho – caso do sr. Masataka Ota, citado por Renato Janine. 3. O Brasil é um país de impunidade, onde logo quem comete crimes fica solto. Como você reagiria? Lembre-se do filme “Tempo de matar”, e do artifício utilizado pelo advogado de Samuel L. Jackson. O advogado pede que todos fechem os olhos e o ouçam. Ele começa a descrever o estupro da filha de Jackson e pede que os presentes no tribunal, substituam a filha de Jackson pela sua. O que aconteceu? Revolta. Quando você se coloca na situação, a coisa muda de figura. A razão é deixada de lado, os argumentos humanitários também, pois você é a vitima. E justamente o que faz algumas pessoas dizerem-se a favor da pena de morte, não é o fato de serem conservadoras ou de “direita” – argumento esse, diga-se, tacanho. É a impunidade. Se pensarmos do ponto de vista Hobbesiano, a sociedade em que vivemos é uma selva, e todos estamos contra todos. O imperativo é a força e a vontade. Quero, logo ajo. Então como o Estado é ineficiente em punir quem quebra o contrato social – ou seja, torna-se inapto ao convívio em sociedade – o cidadão em estado de desespero ante uma catástrofe, pensa em pena de morte. Vi recentemente na imprensa televisiva o caso da babá que degolou o próprio filho de apenas oito meses. Independentemente da idade da criança, o fato é inadmissível. Ela além de ter matado a sangue frio o bebê, inventou três versões diferentes para o crime. Ela até pode não ter antecedentes criminais, entretanto o que a torna uma criminosa, não é sua conduta anterior, mas sim o crime que cometeu. Vi seu depoimento pela televisão. O que vi foi um monstro chamado de mãe, uma mulher fria, não mostrando nenhum traço de arrependimento, mas sim, um orgulho, uma satisfação algo diabólica pelo crime. A descrição do crime é chocante. Uma mulher caminhando pela mata com a criança nos braços, faca na cintura, e uma ideia fixa na mente, matar o pobre inocente. Ela é uma cidadã. Ela também é assistida pelo Estado. Porém há que se ponderar. Pelo que ela fez, será que ela merece o tratamento que um cidadão de bem merece? O que me intriga nos defensores dos direitos humanos, é que a humanidade é evocada acima de tudo e que tudo o que não o seja, é deixado de lado. Crimes de todos os tipos, assassinatos, estupros, torturas, etc., são considerados secundários ante a atitude não-humanitária. Agora me pergunto [e te pergunto], “como ser humano com quem não é humano”? Eu entendo que um mundo sem violência, ou menos utópico do que isso, um mundo melhor, se constrói com bom senso. A sociedade é um lugar para o convívio, onde as pessoas não precisam se amar, basta apenas que se respeitem e que um não interfira no espaço do outro, não roube o outro, não mate o outro e consiga cada um as suas coisas com seu trabalho. Entretanto, quem descumprir o contrato, deve ser severamente punido com o banimento da sociedade. É como na Grécia antiga, o ostracismo. Porém, os direitos humanos, defendem que além de um bom tratamento, esses indivíduos devem ser reintegrados a sociedade – mesmo tendo descumprido o contrato. Isso é dizer a todos os que cumprem o contrato, que é bobagem cumpri-lo, pois fazendo ao contrário, serão perdoados e terão sempre uma nova chance, pois acima de tudo está a humanidade. Agora, porque há uma desproporção na equivalência das humanidades? Porque a humanidade dos assassinos do menino João Hélio é mais importante do que a do próprio João Hélio? Porque a humanidade da babá Tereza Cristina Gerolamo é mais importante do que a do filho dela de oito meses que ela matou? As vezes o cidadão é levado a falar em pena de morte, porque o sistema prisional brasileiro é medíocre. Pois além de não ter punição exemplar, o cidadão é quem sustenta o preso, é quem paga toda a sua despesa na sua colônia de férias. Acredito que a prisão deveria ser um lugar de punição, de purgação, não um lugar aprazível. Deveria ser um lugar onde quem fosse não quisesse mais voltar, mas não é o que acontece. O cara vai preso hoje, amanhã ele ganha uma liberdade provisória, e uma vez solto, ele não pensa duas vezes em cometer um crime mesmo sabendo que vai voltar para a cadeia. Talvez se a cadeia fosse um lugar impossível de se ficar, pensariam duas ou mais vezes antes de cometer um novo crime. A babá não teve nenhum tipo de sentimento ante ao menino indefeso. Lembrando que ela deu a ele a vida e a ela a tirou. Então penso no paradoxo, o Estado não pode tirar a vida de alguém, mas esse “alguém” pode tirar a vida de outro “alguém”. Os direitos humanos condenam a tortura contra presos em Guantánamo, mas não condenam o fato de que esses mesmos presos já torturaram muitas pessoas enquanto estavam soltos. A crítica é contra o quê afinal, contra a institucionalização da barbárie ou contra a barbárie em si? Acredito que os direitos humanos sejam contra a primeira, pois por serem humanistas, focam humanos e não instituições. Ingrid Betancourt disse em uma entrevista que enquanto esteve em posse das FARC, “vivia como morta”. Porém, se um dos guerrilheiros das FARC receber um tratamento igual na cadeia, os direitos humanos são os primeiros a criticar o Estado, chamando-o de fascista e outras coisas. Não condeno Renato Janine Ribeiro por seu artigo talvez emocionado. Não o condeno pois a todo momento ele não só foi contra os assassinos, ele foi a favor do menino, ressentindo-se de sua morte, que afinal, poderia ter sido de um filho meu ou seu. Porém, atitude humanista é essa, pró-vida, pois defender com veemência que um assassino tenha um tratamento bom ou uma pena menor, é o mesmo que compactuar com seu crime. Quem descumpre o contrato deve estar sujeito as penalizações previstas pelo mesmo, pois a existência do advogado do diabo é a principal premissa da existência do próprio diabo.



[1] Frase do filme, “Uma mente brilhante”.

[2] “Razão e sensibilidade”. Artigo publicado no caderno Mais do jornal Folha de São Paulo no dia 18 de fevereiro de 2007.




















































































.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Artigo.

De Ella Fitzgerald á Beyoncé: a música negra feminina contemporânea em três atos.


por Marlon Marques.



























É triste saber que a música negra hoje é representada por Byoncé e Rihanna. É mais triste ainda saber que já tivemos Célia Cruz, Ella Fitzgerald, Miriam Makeba e Sarah Vaughan. Grandes cantoras, que com seus cantos fortes e belos, levaram ao mundo alegria, força e técnica, quebrando muitas barreiras acima de tudo. Hoje nossa realidade é bem diferente. Nada de jazz e blues, sim o vazio do "R&B" e a aberração do black. Porém, não é só delas que a música negra vive hoje. Seria irônico que a situação fosse essa. Claro que não quero ser “racista”, mas o certo mesmo é que nem as cantoras negras e nem as cantoras brancas hoje nos encantam. Até Whitney Houston que um dia fez algo de qualidade, vive no ostracismo. Madonna que também já fez algo relevante, se rendeu ao momento medíocre [e ao mercado] que a música vive. É claro que no mundo há mulheres de valor, na Alemanha, no Japão, no Brasil e até nos Estados Unidos. Porém a maioria delas são brancas. Pois a música negra feminina se reduziu a esses ritmos acima citados. Até Norah Jones e Joss Stone – interpretes não negra, mas que cantam música negra – sumiram, foram submergidas pelo tsunami multimilionário do “black”. Dia desses estava pensando sobre esse assunto, quando me veio em mente três cantoras. Duas inglesas e uma americana. As três negras, sem o glamour de Naomi Campbell, porém muito talentosas e de ótimo gosto musical. Isso nota-se pelas escolhas delas, o jazz, o soul, o blues, e para não soar retrogrado, o “trip hop”. Esses ritmos, exceto o último, estão em desuso. As gerações atuais não se interessam pela criação engenhosa, pela composição técnica, pela beleza que requer apreciação atenta, pois preferem batidas pré-fabricadas, efeitos eletrônicos e esquemas fáceis. As três cantoras ao qual me refiro, são Skye Edwards, Shara Nelson e Lizz Wright. Três nomes pouco falados, mas de muita qualidade. Vozes marcantes, que no caso das duas primeiras, identificadas com seus ex-grupos de colaboração, Morcheeba e o Massive Attack. Já Lizz é uma pérola negra, compositora talentosa e cantora extraordinária, Lizz consolidou-se como uma das melhores cantoras de jazz do século XXI. Aqui apresento um álbum de cada uma delas, que dá uma pequena noção de seus trabalhos. Skye tem uma voz rouca e suave ao mesmo tempo. Tem o jazz digital como seu ritmo principal. No Morcheeba pode flutuar entre o trip hop, o jazz, o soul e o lounge, sempre nos encantando com sua voz. Suavidade é o melhor adjetivo para esse disco, o bom “Mind How You Go”. A primeira faixa “Love Show” dá uma pista. Arranjos simples e bastante uso da “boa eletrônica”. Não há como fugir da herança trip hop, presente desde os climas ás batidas das músicas. Mas a própria Skye já havia se cansada do clubinho desse ritmo, decidindo navegar por outros mares. Skye experimenta sedução em “Stop Complaining”, sofisticação em “No Other” e volta as raízes em “Calling”, por sinal uma ótima canção. O disco é cheio desses momentos agradáveis, ótimos para serem curtidos tanto sozinho quanto com uma boa companhia. Skye se revela mais madura do que nos tempos de Morcheeba, parece muito segura do que está fazendo, vide a capa de seu disco, onde ela está sozinha numa estrada como que esperando um ônibus que a levará a uma nova viagem, sozinha. “All The Promises” é um outro destaque, com arranjos calcados no jazz, traz um piano inspirado e um balanço cativante. Shara Nelson é mais conhecida por ter emprestado seus vocais ao influente e importante Massive Attack nos anos 90. Depois dessa prodigiosa colaboração, Shara aventurou-se sozinha sem muito sucesso. Sua voz é grave e mais expansiva. Sua sonoridade é mais urbana, mais caótica, por isso seu flerte com trip hop, que traz em si, elementos da sonoridade das grandes cidades. Esse disco “What Silence Knows”, traz uma mistura interessante de batidas sampleadas com jazz e soul. A voz de Shara ilumina cada faixa, dando a elas uma dramaticidade única. Os arranjos também são de primeira qualidade, e assim como Skye, Shara não consegue escapar do legado do trip hop, as batidas e o clima. Porém, embora exista essa influência, as canções não lembram Massive Attack, são únicas, são originais, assinadas por ela e pelo grupo que a acompanha. Há pianos, metais, efeitos e muitos climas, uns densos, outros alegres, porém sempre sua voz consegue acompanhá-los com desenvoltura e sem pretensões, de criar novas técnicas. Apenas explora sua próprias qualidades pré-existentes. “Pain Revisited” é magnífica, com sua batida e sua tristeza contida nos arranjos, Shara interpreta-a de forma muito emocional. Shara brinca com o gospel em “One Goodbye In 10”, com uma aula de vocal. Há no disco todo uma afastamento da depressão do trip hop, o disco é cheio de momentos ensolarados, como em “Down That Road”, com sua batida pra frente e seu refrão cativante, assim é também “Chance”. Shara se aproxima muito em estilo de Sarah Vaughan – claro que guardadas as devidas e cabíveis proporções – por seu estilo claro e abafado de cantar, porém com uma beleza e uma potência sem iguais. Esse disco vale a pena pelo diálogo entre tradição e modernidade. Lizz Wright tem uma voz grave, quase rouca em algumas momentos, mas é mera impressão. Seu timbre é forte e límpido, sua voz pode ser ouvida a longas distâncias. Embora Wright já não o cante mais, há ecos de gospel nesse seu terceiro disco, o ótimo “The Orchard”. Não há como não se derreter ao ouvir sua voz. Os músicos que a acompanham, são de altíssimo nível também, fazendo um jazz contemporâneo, diferente, cadenciado. Wright diáloga também com outras sonoridades, afro-caribenhas por exemplo, como em “My Heart”, e até um pop sofisticado como em “Leave Me Standing Alone”. Porém o recheio do disco é todo de um jazz de grande categoria. Arranjos finos, inteligentes, servem de bandeja a grande cereja que é a voz de Wright, uma cantora rara nos dias de hoje. A trinca “Idolize You”, “Hey Mann” e “Another Angel” são de tirar o fôlego. Sendo que Another Angel é um destaque a parte. Tem uma guitarra belíssima, um piano perfeito e um jogo de silêncios sugerido pelas cordas que é incomparável. “Song For Mia” é delicada e sensível, e só mesmo a voz grandiosa de Lizz a faria ser tão bela como ela é. Sua voz flutua pela música como se essa fosse um curso de águas claras e calmas, onde pianos desfilam um requinte não arrogante, e um suave violão cria bases de sonho, de fantasias, tanto de interiores como na contracapa do disco, como para cafezais em dias nublados como na capa. Esse disco é belíssimo, e traz uma cantora no seu melhor momento, madura e ciente do que está fazendo, nos dando de presente boas canções e momentos de rara beleza e felicidade. A música negra contemporânea está muito bem representada por essas três grandes cantoras [embora hajam mais], que cada uma a sua maneira, cada uma a sua sonoridade, conseguem manter uma tradição antiga e de valor incalculável de grandes damas negras. Numa tradição que remonta as chefes tribais africanas e seus cantos de guerra, passando pelas senhoras sofridas catadoras de algodão no sul dos Estados Unidos até as tias baianas do Rio de Janeiro. Essas três mulheres honram o som de The Supremes, Aretha Franklin, Nina Simone, Diane Reeves, Diana Ross, Tina Turner, Elza Soares, Ester Philips e muitas outras mulheres de pele escura, que com sua graça, coragem e competência vocal, provaram ao mundo seu valor para além do trabalho escravo, doméstico e sexual, ao qual as negras sempre foram relegadas. nos dando de presente boas cançmomento, madura e ciente do que est em dias nublados como na capa. . oz. adas com seus ex-grupo





















































Skye Edwards - Mind How You Go [Cordless Recordings, 2006].

download.
































Shara Nelson - What Silence Knows [EMI Europe Generic, 1994].

download.
































Lizz Wright - The Orchard [Verve Forecast, 2008].

download.
























.

Artigo.

A crença no exemplo.


por Marlon Marques.























































Um dos grandes argumentos a favor dos jogos olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, é o de que haverá a valorização dos outros esportes. Acredito piamente que isso não irá acontecer, por dois motivos. 1. O Brasil é um país “mono esportivo” como definiu o professor Hilário Franco Jr. 2. Não se muda uma cultura em alguns anos. Em uma conversa recente com um amigo sobre esse assunto, esse amigo lembrou-me de um caso ao defender os jogos aqui. Lembrou-se ele do futebol [soccer] nos Estados Unidos. Ele argumentou que esse esporte era inexpressivo nesse país até a década de setenta. Pelé introduziu o esporte no país e aumentou o interesse por ele. Esse amigo me citou alguns êxitos da seleção americana nas eliminatórias da CONCACAF e em Copas do Mundo e Copas das Confederações. Eu disse a ele que sim, houve uma grande evolução e interesse, mas ainda sim inexpressivos. As universidade americanas não elegem o futebol como esporte de investimento. Tão pouco o futebol tem alguma chance nos Estados Unidos de competir com o Golfe, com o Futebol Americano ou com o Baseball – isso para não citar o Basquete. Aumentar o interesse ou o nível técnico é uma coisa, mudança cultural e resultados é outra. Acredito que os investimentos serão pontuais, logo os outros esportes serão esquecidos e as atenções voltadas para o futebol novamente. O Soccer nos Estados Unidos não causa a mesma comoção nacional que os outros esportes causam. E isso também acontece aqui. Nunca o tênis ou o vôlei, por mais épocas de ouro que tenham, irão ocupar ou rivalizar com o futebol. São fenômenos pontuais, sazonais, que tem dia e hora para terminar. Hoje a febre é “César Cielo”, amanhã será outro esportista. Quer um exemplo? O Robert Scheid é um super campeão no iatismo e esse esporte nunca foi popular aqui. Como explicou o professor Hilário Franco Jr., isso se deve as condições materiais de realização do esporte e as condições econômicas de acesso aos equipamentos. Mas e quanto ao basquete? Já tivemos Oscar, Paula, Janete e Hortência, mas se você analisar – mesmo com um crescimento desse esporte no Brasil, não chega nem perto do futebol. As condicionantes do professor Hilário, não se aplicam ao basquete. Toda quadra de escola ou praça póliesportiva construída pelo governo, vem com tabela e aro de basquete. Muitos garotos na periferia praticam o esporte, mas ele não tem a mesma pujança do futebol. Os Estados Unidos melhoraram muito no futebol, hoje jogam de igual para igual com muitas seleções importantes do mundo. Mas pergunte a eles onde eles se garantem mais, se é o no futebol ou no basquete, hockey no gelo ou golfe? E o Brasil onde se garante mais, no badminton? Acredito que mesmo os ufanistas ou otimistas, devem abrir os olhos contra esse falso argumento. Há que olhar além da superficialidade e ver o histórico do país. A tevê aberta não investe em outros esportes como investe no futebol. Veja o paradoxo. Segundo pesquisas recentes, a crise ética da F1 devido aos escândalos (Renault/Briatore/Piquet) recaiu sobre a audiência. Porque o mesmo não acontece com o futebol, mesmo depois da “Máfia do apito” ou dos escândalos de Luis Zveiter? Falávamos muito em Daiane dos Santos, o que aconteceu com ela e seu fenômeno? E porque então esses fenômenos não foram para frente? Duas razões possíveis eu aponto. 1. O brasileiro é modista. Isso significa que se está na moda hoje, eu adiro [verbo aderir], mas se amanhã já for outra coisa, eu mudo. O Brasil não é um país de longo prazo, e nem de médio, mas de curtíssimo prazo. Então, nada tem continuidade, o interesse dura pouco pelas coisas, em geral. 2. Transformações culturais são de longo prazo. Não há mudança de costumes, valores, preceitos ou hábitos em alguns poucos anos. De 1977 – ano da despedida de Pelé do Cosmos de Nova York á 1994, ano em os Estados Unidos sediou a Copa do Mundo, são 17 anos. Mais 12 anos decorridos desse Copa até hoje, são 29 anos. Não foi tempo suficiente para tornar o futebol tão importante para os Estados Unidos como os demais esportes. Muito antes dos clubes de soccer americanos existirem, os cidadãos americanos já tinham clubes de futebol americano, basquete e baseball no coração. Antes do Los Angeles Galaxy já havia o LA Lakers, antes do NY Cosmos já havia o NY Knicks, eles não foram substituídos e nem serão. O mesmo se dá aqui. No campo nacional também. Em 1970 o país parou para ver o tricampeonato da seleção de futebol, e o hino era: “90 milhões em ação, pra frente Brasil, do meu coração. Todos juntos vamos, pra frente Brasil, Brasil. Salve a seleção”. Nem mesmo o Ayrton Senna foi capaz de parar o país dessa forma. E nenhum outro esporte conseguirá. Não é nada contra os outros esportes, é apenas realismo. É somente uma visão de que não mudará a cultura esportiva do país por conta de uma Olimpíada, ou outro evento qualquer, sem que haja responsabilidade e planejamento. Não haverá investimento nos outros esportes, pleito já exigido desde antes do Pan do Rio. Embora as Olimpíadas sejam um evento bem mais grandioso do que o Pan, a promessa é mesma e sob a mesma condição. Será que vai ser diferente?

























































































.

Crítica.

Led Zeppelin - IV.


por Eliseu Horácio.



























O que é um clássico? A pergunta é difícil e complexa de responder em algumas linhas, mas vamos tentar. Um clássico é algo que vence o tempo por sua qualidade e é capaz de gerar em um grande número de pessoas boas reações. Um clássico no rock é aquele disco que consegue chegar intacto nas novas gerações. É aquele disco que encanta seu pai, seu irmão mais velho e os colegas de seu irmão mais novo. É um disco que, incrivelmente não perde o encanto e que provavelmente nunca perderá. O Led Zeppelin ao longo de sua carreira conseguiu criar muitos clássicos, mas esse IV, ou “Four Symbols é sem sombra de dúvida o mais clássico de todos. Um disco inspirado, e se olhar atentamente – ou os desavisados – poderão achar ser o álbum uma coletânea, dado os grandes sucessos e grandes músicas contidas nele. Musicalmente é perda de tempo falar. Falar o quê? É necessário se render frente a tamanha qualidade. Em todas as bandas sempre há aquele musico destaque. Aquele que rouba a cena. No caso do Zeppelin, embora Jimmy Page seja gênio, não é tão fácil assim. Nem mesmo os Beatles tinham um time de feras como esse. Todos, sem exceção são grandes músicos. Isso sem contar a lenda em torno de John Bonham, tido por muitos como o maior baterista de todos os tempo ao lado de Keith Moon do The Who. O que esses quatro fazem nesse disco é brincadeira. Música como brincadeira, como diversão e como extensão da alma e do corpo. Page aprendeu com Hendrix a fazer sexo com a guitarra, enquanto que Bonham tinha nas baquetas a extensão de seus braços e mãos. Paul Jones tirava notas quase impossíveis em seu baixo grave e soberano, já Plant era um show a parte. Quem não se lembra das imagens em que ele aparecia com seus cabelos louros voando, colete desabotoado, peito cabeludo e calças boca de sino apertadas? Porém isso era o visual da época, mas e a voz? Divina, uma mistura frenética de Janis Joplin com Jim Morrison, com graves perfeitos e falsetes impressionantes. A base desse “IV” é rock pulsante e hard rock altamente técnico, coisa que bandas como Slade por exemplo iriam anos mais tarde fazer com maestria. Embora o Zeppelin fosse egresso do extinto The Yardbirds, aqui nesse disco não há heavy metal. O som é pesado, porém filtrado pelo refino do hard rock, da técnica exacerbada desses músicos fabulosos [sic]. As épicas “Black Dog” e “Rock & Roll” abrem o disco em uma seqüência matadora. Black Dog mostra toda energia da banda. Um som visceral, onde todos aparecem. A levada é meio mística em alguns momentos, a canção é também um certo tributo ao blues pesado dos Stones. Os riffs de Page cortam o ar como facas, e a voz de Plant chega a alma em poucos minutos de música. Energética e sem igual também, “Rocl & Roll” é uma celebração da boa música e da técnica. Rápida e pronta para as estradas. O solo de Page é fantástico, além da levada bruta e cheia de sujeira. A canção recupera em alguns momentos o espírito rock and roll, lembrando o início nos anos 50, onde tudo era rapidez do piano, suor e energia. “The Battle Of Evermore” é um canção cadenciada, com corinhos e é a mais hippie do disco. Robert Plant revela uma outra faceta de sua voz, límpida e magistral, sob uma base que lembra as alaúdes medievais. “Misty Mountain Hop” é bem beatleniana. Um som mais arrastado, mais intenso nas melodias. “Going To California” é quase toda instrumental. Page utiliza efeitos delay e dedilha sua guitarra levemente para que Plant cante calmamente a canção. Outra vez Plant mostra sua diversidade, mostra o quanto pode oscilar do selvagem ao sutil em poucos minutos. “When The Levee Breaks” é hipnótica e cheia de efeitos inebriantes, que nos convidam para uma viagem louca pelas estradas zeppelianas. Mais uma vez aqui, técnica e criatividade se juntam a favor da boa música, pois essa canção em nada se parece com o som costumeiro da banda. Aquele blues rock hard agressivo, solado e cheio de virtuoses – herança para o heavy metal. “Four Sticks” é iniciatica. Bonham incorpora um espírito ao fazer essa batida quase de “macumba”, enquanto que Page faz estranhezas impressionantes na guitarra. O som é contínuo, espiral. Plant faz vocalizações sobrenaturais como num ritual a natureza, evocando o poder dos quatro elementos. A banda toda parecia realmente inspirada em algo místico mesmo, devido a qualidade incrível desse disco. Você pode se perguntar: “e Stairway To Heaven?” Respondo eu. Há músicas que falam por si só, e tanta gente já falou dela sem saber ao certo, que prefiro que ela fale por si só e desperte um significado pessoal em cada um.






























Led Zeppelin - IV [Atlantic/WEA, 1971].

download.























.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009



Artigo.

O Corinthianismo.


por Marlon Marques.



















Muitos de voceis, ou seja, a maioria, irão dizer que é inveja. Mas não é. Os pouco virtuosos irão dizer que é melhor que falem mal, mas que falem de mim. Mas a questão é que o “corinthianismo” é uma coisa muito chata. É fato que a marca Corinthians é muito forte. Nacionalmente seu nome suscita títulos e muitas cifras. É adorado e temido pelos interiores e sertões desse Brasil. Mas o torcedor corinthiano é por demais chato. Acha que seu time é o melhor do mundo, que é o mais importante e que tudo que o envolva é algo superior. Enganam-se os senhores ao pensar assim, pois fanático mesmo é o torcedor do Íbis, que mesmo sem ganhar uma única partida ainda continua torcendo. Dia desses vi uma reportagem sobre um corinthiano que colocou o nome do time em seu próprio nome na carteira de identidade. Uma coisa ridícula dessas tornou-se um fato grandioso, se for assim, o Santos é o recordista, pois o que tem de gente com o sobrenome santos por aí. A Rede Globo, o portal Terra e o jornal O Lance são os grandes culpados disso. Tudo o que o Corinthians faz ou se envolve, esses veículos transformam em mitologia. Tudo no Corinthians é mais do que os outros. Veja. O zagueiro Domingos ex-Santos, hoje na Portuguesa, é considerado um bandido, um criminoso, o jogador mais violento do futebol brasileiro. Se ele for para o Corinthians como quer o Mano Menezes, aí tudo isso muda. Domingos será o novo Rondineli, o deus da raça. Será um beque de seleção, o mais raçudo, a cara da fiel. No Santos é bandido, no Corinthians é mocinho. O Ronaldo quando estava treinando no Flamengo prestes a voltar a jogar pelo time da gávea, era tido como ex-jogador, gordo e acabado. No Corinthians é gênio e tem lugar cativo na seleção. O corinthiano é o único que vai trabalhar com a camisa do time, que leva cartaz com o nome do time em programas de auditório, que grita os hinos do clube no meio da rua. O corinthiano é irracional com a justificativa de que ama incondicionalmente seu time, nunca tem argumentos para dialogar com os torcedores dos outros clubes. Outra característica dos torcedores do timão, é que eles gostam muito de desqualificar as coisas dos outros times. Se um time ganha a Copa Sul-americana, o discurso corinthiano é: “isso não vale nada, é um caça-níquel”. Se o Corinthians é desclassificado de algum campeonato, o discurso é: “há, nem queríamos ganhar mesmo”. Lembro-me bem quando o Cortinhians ganhou o mundial da FIFA em 2000, os corinthianos passaram a dizer que os títulos de Santos e São Paulo nada valiam, e que o legítimo era o deles. Agora, se o campeonato for de “futebol de tampinhas de garrafa” e o Corinthians ganhar, nossa, isso toma uma proporção grandiosa, com direito até a presidente da republica entregando faixas. Libertadores da América só presta enquanto o Corinthians está disputando, quando sai não tem mais valor. Seja o que for, categorias de base, time de idosos acima de noventa anos, time de mães solteiras, de menores da Febem ou escola de samba, se é Corinthians, tem valor. O corinthiano evoca glórias do passado sempre que estão em baixa, quando são os outros, ou é viúva do Pelé, ou quem vive de passado é museu. O corinthiano é especial, é dos atributos sociais, o mais vantajoso. Quer ter algum valor social, seja corinthiano. Quer aparecer na tevê, seja corinthiano. O ditado diz que há os corinthianos, e os anti-corinthianos. Nada é maior inverdade. Todos temos nossos clubes, e o Corinthians é apenas mais um dos nossos rivais. Quando o São Paulo está numa final, quem de nós não torce contra? O mesmo se dá com o Santos, com o Palmeiras, etc. O vascaíno torce para o Flamengo? Quem dirá o cruzeirense para o Atlético-MG ou o gremista para o Inter? É óbvio que não. O Roger ex-Fluminense, certa vez disse que o Corinthians em nada devia em estrutura a qualquer outro clube do mundo. Isso sem contar o Chico Lang. Esse eu nem comento. Tudo do Corinthians é mais do que os outros, mas isso não significa que ele seja maior do que os outros. A chamada invasão do Maracanã de 76 por exemplo, é um acontecimento mais mítico do que real. Inventam muita coisa a favor do timão. Boa parte da imprensa é corinthiana, isso facilita. A própria final de 77, é menos épica do que nos é apresentada. Ninguém fala dos escândalos envolvendo o Rui Reis e o Dulcidio Vanderley Boschilla. O Corinthians não é um time mais abençoado por Deus do que os outros, é mais abençoado pelos homens. É um time de massa, é. É um grande clube, sem dúvida. Mas não é maior do que qualquer outro dos doze gigantes do nosso futebol. O corinthianismo é um doença grave. Afeta tanto imprensa quanto o torcedor comum. Eles são chatos, gritão, se impõe a força e são desagradáveis. Todo jogo do Corinthians é lotado. Afinal, a fiel nunca abandona o timão. Teve um Corinthians X Atlético-PR em 2005, onde foi cinco à zero para o time paranaense, onde foram cinco mil torcedores. Quando o Corinthians perde o jogo, a imprensa diz que o Corinthians quis perder e nunca que o adversário teve méritos. No campeonato brasileiro desse ano, o corinthianismo está mais em alta do que nunca. Como o timão já tem a vaga da Libertadores, sempre que perde a desculpa é essa, “eles que corram atrás, nós já temos a vaga”. Basta uma vitória para que o discurso seja: “Corinthians briga pelo título”. Em certa situação do campeonato, o Santos estava com 36 pontos e o Corinthians com 37. Independente das diferenças de qualidade entre as duas equipes, o discurso da imprensa era de que o Santos não tem nenhuma chance de chegar a Libertadores, e o Corinthians briga pelo título. Mas a diferença era 1 ponto. Mas para o Corinthians tudo dá. Isso não é corinthianismo? O cúmulo do corinthianismo é o De Federico concorrer no troféu mesa redonda como melhor meia do campeonato brasileiro. Outro cúmulo foi quando o Corinthians contratou o Bill, o jornal O Lance estampou-o na capa com a manchete: “O búfalo da fiel” – em referência ao personagem búfalo Bill. Isso é brincadeira. O corinthiano acredita ser superior aos demais, fala de sua paixão como sendo a maior. No Corinthians é como na cidade de Itu, tudo é grande. A pressão, o peso da camisa, o preço da camisa, o amor, o fanatismo, o tamanho da torcida, tudo. Nos outros não é igual lá. Lá tudo é diferente. O retorno financeiro faz com que tudo isso seja possível. Porém sempre há os que não acreditam em tudo que sai no jornal ou que se diz na tevê. O Corinthians não é maior ou menor do que os demais, e isso de ser maior é só sua torcida que acha isso. Agora experimente perguntar a uma mãe se ela acha seu filho bonito, adivinhou a resposta?































































.
Crítica.

Starsailor - All The Plans.


por Eliseu Horácio.






















Bons discos se fazem de forma simples. E “All The Plans” é exatamente assim. É um disco de carisma, boas melodias e executado de uma forma objetiva. James Walsh e companhia fazem um bom trabalho nesse quarto e mais recente trabalho da banda. Segue a mesma linha das bandas “britpop”, porém um tanto menos urbana do que o Travis por exemplo. A capa do disco é bem engraçada, traz um garoto soberbo usando um ray-ban em um restaurante como o de dona Florinda do Chaves. O detalhe é o espelho no fundo, mostrando o grande saguão ao fundo. O Starsailor nesse disco é bem enxuto, sem muitos melindres ou elucubrações complicadas. “The Thames” tem um pé no surf music, é arrastada e quase hipnótica, porém é no refrão que ela se destaca. O disco é bem rock básico com já foi dito, o grande pop está presente em “Tell Me It´s Not Over” onde Walsh se parece com Brian Molko do Placebo, outra boa canção é pop é “Boy In Waiting”. É um música que segue uma certa tradição de pop bucólico cujo as raízes estão no grande The Kinks. “Neon Sky” é a linda do álbum, cheia de emoção e lágrimas. O arranjo é como eu disse, simples, mas tão bonito, tão tocante que nos dá a impressão de que é complexo, mas não é. A grande diferença para as bandas atuais inglesas é que elas tem a pretensão de serem salvadoras do rock e o Starsailor não. O Starsailor não discursa muito, não estampa capas de grandes revistas, mas faz um som competente que é o que queremos. A economia de “Star And Stripes” impressiona, tem só um orgãozinho e só, apenas bateria, baixo e guitarra criam um melodia doce como maças e tão boa de ouvir que cria um certo processo de sincronia entre nossa mão e o repeat do aparelho de som. Outra pérola é “Change My Mind”, Walsh demonstra competência vocal e beleza em seu canto, o arranjo parece muito com Bem Folds, na sofisticação e no uso de teclados calmos, mas que dão toda tônica a canção. Por fim, All The Plans é um disco que vale muito a pena ouvir. E não só para quem gosta de Travis ou similares, mas também para quem quer descobrir uma nova faceta da música britânica atual, ou seja, música calma, bem tocada e simples, pois podemos até nos enganar, mas as coisas simples parecem ser as mais honestas.




























Starsailor - All The Plans [101 Distribution, 2009].

download.



















.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Crítica.

Gal Costa - Aquele Frevo Axé.


por Cremilda Batista & Marlon Marques.





































Eu sou fã da Gal. Acho que desde sempre eu sou fã dela. Dia desses a revi no youtube cantando Divino Maravilhoso e Baby nos anos 60. Maravilhosa. Seu vigor e sua voz se preservaram por anos no tempo. Sua qualidade salta aos olhos e fascina os mais sensatos em nossa geração vazia. Esse "Aquele Frevo Axé" é um disco do fim do milênio. Lançado em 1998, Gal já logo no início em “Imunização racional (que beleza)” já comprova o porquê. É uma canção de arranjo moderno, cheia de efeitos de produção e pitadas eletrônicas. A canção de Tim Maia ganha leitura moderna nos arranjos de Celso Fonseca e nas programações de Ramiro Musotto. “A voz do tambor” de arranjo magistral com cordas e berimbau – mais uma indício de modernidade – ganha corpo com o dueto com Milton Nascimento. As duas vozes combinadas se agrupam bem ao som cambaleante e mezzo místico, pois fala belamente da natureza e das forças dos orixás do candomblé. Outro dado desse disco é a competente escolha dos compositores feitas pela cantora. Caetano está presente em três canções [como não haveria de ser]. A faixa que dá título ao disco, “Aquele Frevo Axé” é belamente linda [pleonasmo], arranjo minimalista com um trombone sensacional, versos como “por trás da mão do poeta nosso amor não vai sumir” dão visibilidade a magnitude da obra do velho baiano. “Você não gosta de mim” traz um arranjo inspirado também no minimalismo fin de siécle misturado à um violão caetaniano e uma riquíssima poesia, e “Sertão”, uma canção simples, como uma lamentação, uma ode. Tem Tim Maia de novo em “Você”, com roupagem matrix feita pela formidável banda de Gal. Realmente é outra música. E isso é a diferença entre cover e versão. O clássico de Tim finalmente recebeu uma versão digna de sua grande letra, o mesmo Gal faz com “Esquadros” de Adriana Calcanhoto. Moderna, diferente, Gal. Simplesmente a marca de Gal se imprime como uma tatuagem inconfundível, assim como é com os grande artistas em cada uma de suas áreas de atuação. Ainda tem Jorge Ben em “Habib” e Hebert Vianna em “Quase um segundo”. Essa parceria é compreendida por dois motivos, o grande compositor que é o Hebert e pela fala de Gal no acústico antes de cantar Lanterna dos Afogados: “eu quero chamar agora um cara que eu venho paquerando de longe”. O grande Luiz Gonzaga aparece em “Qui nem jiló”, e tem também o ótimo José Miguél Wisnik em “Assum Branco”, onde também toca piano. Essa mistura, essa não linearidade é uma marca inconfundível na vasta obra de Gal. Além de aliar grande talento vocal com presença e carisma, Gal também sabe escolher bem seu repertório na mesma linha da tradição das grande cantoras intérpretes. Aquele Frevo Axé não é a melhor iniciação á obra de Gal, mas é um começo e tanto.






























Gal Costa - Aquele Frevo Axé [BMG, 1998].

download.
























.

Crítica.

Fresno - Redenção.


por Ladislau Smack.








































Retomando as palavras do último comentário postado no artigo “A roda e a farsa do VMB” aqui mesmo no blog iosbilario.com é que vou escrever essa resenha do disco “Redenção” da banda Fresno. Anônimo disse: “tomara que voceis queimem a língua muito forte um dia”, ou seja, isso é uma praga. É uma maldição que foi lançada contra nós, e por conseguinte contra mim. O engraçado é que tudo isso é motivado por uma opinião contrária a um gosto pessoal. O tal anônimo disse mais: “eu fiquei com uma raiva extrema a ler esse artigo, que demonstra que você não parou nem dez minutos para ouvir metade de Redenção [...] cd´s mais recentes do Fresno”. De fato, eu não havia perdido o meu tempo fazendo tal coisa. Afinal, lugar de tortura voluntária é só mesmo no hospital. Então como o anônimo disse que é sério – a maldição do Fresno – eu resolvi então ouvir o disco. O que posso dizer é que é um disco fraco. Abaixo da média, da linha que separa o ruim do péssimo. Nada se aproveita a não ser a limpa produção de Daniel Ferro. O som é límpido e bastante audível. A voz de Lucas Silveira se equilibra bem com os instrumentais previsíveis e pouco inspirados. O Fresno pode não ser emocore, uma vez que isso pressupõe o estilo hardcore, mas de certo é emorock. É pop também, então é emopoprock, que é ao mesmo tempo aberração e insensatez. Porém se analisar bem, tudo o que a estética emo prevê o Fresno faz. Refrão pop, backing vocals melosos, nuances leve/pesado, isso sem contar o estilo de se vestir. O disco em si é bem repetitivo. Tanto na temática das letras quanto no som. Um rock simples. Composições normais, gêmeas de tão parecidas na forma. Por exemplo, sempre antes do refrão tem uma rufada de bateria. Isso em quase todas as músicas. Ouvindo o disco eu quase não ouço o baixo de Tavares, olha que ele foi o baixista da banda dos sonhos da MTV. Acho que quem já ouviu Red Hot Chili Peppers alguma vez já deve ter percebido o que é tocar baixo com Flea. Ainda mais um instrumento como o baixo. O produtor insiste muito nas sobreposições vocais e na sutileza, que é forçada com passagens mais agudas do vocalista, também da banda dos sonhos. No refrão também, as ú0ltimas palavras da frase são pronunciadas de um jeito mais fino, mais sutil, fora os sussurros que emulam falsas emoções. Fresno é definitivamente uma banda romântica. É o que eu chamo de Sampa Crew do rock. Podem me insultar. Podem ficar bravos, mas é a mais pura verdade. A primeira faixa “Sobre todas as coisas que eu...” continua na segunda faixa “Não quero lembrar”, sendo a primeira uma introdução eletrônica de gosto muito duvidoso, e a segunda um rock forte, cheio de efeitos e com os mesmo trejeitos que iremos encontrar nas demais faixas do disco. É música de malhação. De identificação juvenil, de romance de escola, isso não pode ser considerado um grande disco, e ainda mais da banda do ano. “Uma música” é um dos grande hits radiofônicos da banda. Essa carece de uma análise melhor. A música é agitadinha porém cadenciada. A letra para variar é sobre um romance. Nada mais bobo e adolescente. As pessoas são assim extremistas, os emos são sentimentalistas baratos e os funkeiros vulgares baratos. Uns falam de amor de uma forma boba e os outros pulam o romance e já partem para o sexo, só que da formas mais básica e direta possível. Esse amor barato é cantado por Lucas da seguinte forma: “o céu estrelado, uma noite normal, um beijo roubado te dizendo tchau”, não seria “e eu te dizendo tchau”? Pois dessa forma parece que o beijo é que diz tchau para a garota, e como um beijo rouba um beijo? Não, eles vão justificar a frase dizendo ou ser licença poética ou surrealismo. É moda entre esses bárbaros de nossa música, fazerem referências cultas para fazer tipo. È só ver o pessoal da rua Augusta. Citam Tarantino e David Lynch e acham que são os “cool”. “Contas vencidas” é onde Lucas mostra seus prodígios musicais. A música é irmã de “Uma música”, só que mais ritmada. Os mesmos efeitos, rompantes de guitarra para intimidar, fora as tatuagens e caras de mau para impressionar, backing vocals, rufos antes do refrão, está tudo aí. Em “Redenção” há até violinos para dar um tom de dramaticidade. Para variar de novo, romance. A poética pobre do verso: “lembre que é caro me esquecer, barato pra você”, mostra o nível da banda, pois a falta de criatividade se expande dos instrumentais as letras. O disco já nesse ponto torna-se enfadonho e intragável. “Alguém que te faz sorrir” é outro sucesso. Mais uma prova da repetição das fórmulas. Se conseguir, compare o refrão de “Contas vencidas” [aos cinqüenta segundos] onde ele canta: “tuas palavras jamais”, Lucas dá uma entonação tão forçada, que não tem como esconder. A frase fica, “tuas palãããvras jamais”, bem puxado. O mesmo ele faz em “Alguém que te faz sorrir”, aos cinqüenta e um segundos ele canta: alguém que vai te abraçããããr”, também bem puxado. É a mesma técnica, ou melhor, é a ausência de recursos vocais. A música é lenta, melada e cheia de backing vocals chatos, insuportáveis. “Passado” e “Goodbye” são muito ruins. Sendo essa última pior ainda. O refrão é horrível, e mais uma vez a mesma fórmula se repete, e aqui ainda com direito a violinos e sintetizador. As rimas são as mesmas, metricamente iguais, que dão o efeito de igualdade e continuidade do sucesso. “Europa” é o tributo com o emo internacional. É a mesma coisa inaudível que se faz lá fora. Bateria alternando, guitarras em profusão e muita, mas muita falta de criatividade e originalidade. Continua a pergunta, onde está Tavares? Não ouvi até agora. “Você perdeu de novo” é aqueles rocks quicados, cheios de guitarras gritando coisas estranhas, acordes sem imaginação e mais uma vez, a letra. “Eu vou cantar bem alto pra você ouvir, que eu não sou mais quem você conheceu a dois anos atrás”, isso é profundidade? E acho que o título da música é uma referência a mim. Porque eu perdi mesmo meu tempo ouvindo esse disco. Não vi nada de especial, nada que justificasse a “banda do ano”, a “banda dos sonhos”, ou qualquer outro prêmio ou título que Fresno tenha ganhado. O disco é fraco, repetitivo, enjoativo, sem inspiração, entre outras coisas. Porém não é assim que pensam á MTV, rasgando elogios ao disco e os sites valepunk.com e clubedorock. O valepunk disse: “Fresno agora buscou fazer um pop de qualidade, com raízes e identidade própria”, e “Redenção marca a nova fase da banda gaúcha, sem soar artificial ou clichê, fazendo música pop de qualidade assumidamente”. Francamente. O clubedorock disse: “no geral Redenção ficou excepicional”, “o Lucas está cantando muitíssimo bem – e isso nunca foi dúvida para ninguém”. E mais: “podemos dizer que ainda cairia como uma boa novidade em países como a Inglaterra”. É claro que num país democrático como o nosso, todas as opiniões [tanto as deles, quanto as minhas] devem ser expressadas, só para citar o filósofo Voltaire: “Posso não concordar com uma só palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o seu direito de dize-las”. Digam o que quiserem, até insultem como já o fizerem várias vezes, mas quem ofende perde a razão e prova que não tem condições de argumentar. Decreto que esse disco não é só muito ruim, é péssimo. E que muitos de voceis estão cegos, pois não posso dizer que estão errados, continuem pois a ouvir essas aberrações sonoras, pois como disse Platão, “a verdade não é para todos”.





























Fresno - Redenção [Arsenal/Universal, 2009].

download.
































.

Lady Gaga - The Fame.

Crítica.

Lady Gaga - The Fame.


por Ladislau Smack & Marlon Marques.



















































Minha opinião sempre foi a mesma, Lady Gaga não passa de uma cópia performática de Madonna. Nada mais. Eu até poderia encerrar essa resenha por aqui, mas não vou. O disco é todo igual – pra não ser simplista demais – até que tem algumas variações. Variações da mesma coisa. Só um fã muito ardoroso de Gaga não dirá que seu “maiôzinho” envolto á pernas magras e brancas não é igualzinho ao da Madonna. O som é menos inventivo do que o da rainha do pop, é mais próximo do “vazioísmo” de Britney Spears. Lady Gaga faz sucesso justamente por isso, misturar performance e pop das paradas. O povo quer isso. O pão é o pop, e o circo a performance. O visual hoje em dia é muito importante, vide Kate Perry, Lily Allen, CSS, com suas calças amarelas, cabelos malucos e coloridos, brilhos, rosas shock e faixas no rosto [que negócio ridículo]. Mas não dá pra negar que o disco funcione nas pistas de dança, tanto quanto Madonna e Britney. É dançante, mas não é um fenômeno. É [para o estilo] bem produzido, mas não é um disco genial e nem faz de Lady Gaga uma grande artista. O mundo está fascinado por ela, todos a querem, das rádios brasileiras á MTV, da capa da Rolling Stone aos muitos blogs e sites internet a fora. As bases principais identificáveis, são o electropop e flertes com a dance e a eletrônica. Há muito remix, como é de praxe nesse tipo de música. É enjoativo, como esse tipo de música também, e é vazio como esse tipo de música. A voz dela, não tem nada de mais, nenhum agudo, nenhum falsete, mas espera aí, precisa? Claro que não, é necessário apenas que você não seja mudo. A tecnologia faz todo o resto. Há toda uma gama de programas de edição e pro-tools da vida que ajudam reles mortais como nós a gravar um disco. A democracia digital permite que fenômenos como Lady Gaga se tornem fenômenos. Pois o que seria desses artistas “pré-fabricados” sem a publicidade via twitter, facebook, my space e congêneres? Quando à “The Fame”, nada demais a declarar. “Love Game” e “Poker Face” é Britney Spears. “Beautiful Dirty Rich” é Pink. Ou seja, nada que você nunca tenha ouvido antes em qualquer rádio, mero "déjá vu". A faixa título “The Fame” é Madonna. Claro que uma Madonna bem menos inspirada, uma Madonna já bem decadente. As batidas são firmes e os sons típicos de baladas noturnas e clubes chiques, onde playboys e patricinhas suam a camisa de tanto dançar e emular libertinagem, para depois voltarem a suas vidas provincianas e “normais”. “Money Honey” é uma mistura de “black americano” com dance, uma coisa horrível. “Boys Boys Boys” tem sintetizador de Pet Shop Boys, mas é ridiculamente chata com seus coros e sua explicita vulgaridade. O refrão é descartável como todo o disco, é tão falso como a aparência débil de Lady Gaga. A única que foge um pouco do formato comercial do disco é “Summerboy”, ensaia até uma sofisticação. Mas é só. O grande hit do disco é a fútil “Paparazzi”. Música que retrata a vida de um fotógrafo de celebridades. Gaga retrata seu próprio mundo. E canções são quase sempre [ou sempre] reflexivas. E Gaga parece-me gostar desse jogo de “fama”, glamour e descartabilidade. Ela é a própria personagem da canção, megalomaníaca e obcecada pelos holofotes, mas não se preocupe “ladys [ladies] and gentleman”, ela já conseguiu.






















































Lady Gaga - The Fame [Interscope Records, 2008].

download.






















.
Crítica.

Franz Ferdinand - Tonight: Franz Ferdinand.


por Marlon Marques.




















Tonight: FF, é um disco grande, mas não um grande disco. Não chega a ser ótimo, mas é muito bom. O disco segue a tônica do rock dançante. O Franz Ferdinand continua nesse disco contagiando, por conta de boas canções e pelo carisma/arrogante de Alex Kapranos, mas mais ainda por sua voz. Guitarras fortes, se misturam com batidas simples e marcantes, servindo de tapete vermelho por onde desfila a voz de Alex. O disco é todo cheio de suingue e flertes com a dance, mas uma dance como a do Daft Punk e do New Order. Uma dance agradável de apelo pop inquestionável. O disco segue uma medida á régua, entre uma repetitividade pontual e a cativação simples. O mérito é esse, não ser enjoativo mesmo tendo 12 faixas de tamanho médio. Não são todas dignas de boas notas, mas todas merecem destaque por esse quesito outrora destacado. Esse Tonight, FF é o terceiro disco da carreira desses escoceses de Glasgow, sendo os dois últimos [ou os dois primeiros] também bons discos, sem serem excelentes. Dentro dessa onda de novas bandas de rock ou de rock moderno, o Franz Ferdinand é o que me soa mais verdadeiro. Esse disco é todo climático, no sentido de criar climas de algo. São climas de festa, como na ótima “Cant´t Stop Feeling”, uma das melhores faixas do disco. Batidas prêt-à-porter, glamour e modernidade. Essa música lembra muito uma passarela de desfile, muitas mulheres bonitas, trajes diferentes, flashes, e o som do Franz Ferdinand ao fundo. Outro clima é o cool da música “The Vaguest Of Feeling”. Lembra bastante a cena Clubber dos anos noventa, um ar decadentista, fim de noite. O disco é de certa forma bastante experimental, por utilizar viagens, eletrônica e pop dançante. É um mistura boa e ao mesmo tempo uma aposta corajosa. E deu certo. Tonight, Franz Ferdinand já está rendendo um turnê muito bem sucedida, boa exposição nas mídias musicais mundo a fora, além da crítica ter gostado do disco. A tão falada modernidade que cito aparece mais claramente em “Lucid Dreams”. Uma canção forte, com uma batida arrastada, pantanosa e um vocal intenso de Kapranos. A música muda de ritmos constantemente, contrastando com a monótona [mas não ruim] “Katherine Kiss Me”. “Live Alone” com seu baixo funk e sua pegada programa Amaury Jr. é uma das mais “luminosas” de todo o disco. Cheia de gritinhos, sobrepostos aos vocais sóbrios de Kapranos, a música sofre a intervenção de efeitos e se reinventa a cada acorde. “Turn It On” é compassada, altiva e cheia de nuances e insinuações lascivas, é canção do disco para depois da noite. “No You Girls” é o hit do álbum. Uma das músicas de trabalho da banda e porque não, chiclete. O refrão é tão agradável e bem feito – tudo isso fora o solo curto de guitarra – que não há como não sair cantarolando no saguão do aeroporto, no hall do elevador ou na copa tomando café. Ela começa meio densa, tentando nos hipnotizar e consegue. Depois cai no dançante, com um certo estilo, diria até um estilo bastante refinado. Outra pérola do disco é "Send Him Away". Parece música de cassino, mas não é. Kaprano canta de forma suave, essa canção comandada por uma guitarra ao fundo serpenteante, com uma batida seca e objetiva. A canção chegua até ser alegre em certos momento, e no final ainda tem um "sambinha escocês", uma batidinha militar e um jogo de para/continua e palmas. Se isso não for moderno, é no mínimo inusitado. Bom, Tonight, Franz Ferdinand é isso, um bom disco de rock dançante e moderno, que desbanca de lavada tudo o que é aclamado pela mídia por aí. E isso é uma prova de que mesmo esse não sendo um ótimo disco, é mesmo assim extremamente superior ao que se faz hoje e se chama "rock", então é mesmo sinal de que a doença é mais grave do que percebemos.o do aeroporto, no hall do elevador, na copa tomando cafonorritmica apranos. te. entes, flashes, e o som do Franz Ferdinand ao































Franz Ferdinand - Tonight: Franz Ferdinand [Domino/Sony, 2009].

download.

























.

Páginas visitadas

Melhores Postagens