terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Música e Política Cultural

Por Oscar Alho


Apesar da cultura de mídia muitas vezes determinar quais a tendências musicais que deverão tocar nas paradas de sucesso nacional, ainda é possível no século XXI, em algumas cidades do Estado do Tocantins ser surpreendidos por iniciativas que apesar de serem raras, para nossa sorte são significativas e desafiam as tendências artificiais que são plantadas pela grande mídia nacional e que muitas vezes são apropriadas e interiorizadas inconscientemente por novas gerações.
O problema em se aceitar e incorporar novas tendências sem uma reflexão mais crítica, não está só nas letras, que na maioria das vezes além de ter um conteúdo vulgar, poeticamente pobre com textos repetitivos para uma maior facilidade de memorização e músicas que são praticamente clones de temporadas anteriores, é que a partir daí o indivíduo vira um receptáculo sempre aberto, e seu poder criativo acaba adormecido e muitas vezes inutilizado, ou seja, o indivíduo só consegue “ir na onda do momento”.
Ao se aproveitar sempre o que está na moda ou o que “estourou na mídia”, tem suas vantagens comerciais momentâneas, porém o músico que vive apenas de interpretações de sucessos enlatados, raramente consegue maior projeção em sua careira artística e seu trabalho não consegue alcançar um reconhecimento simbólico, e rapidamente entra no anonimato da mesma forma que saiu.
Não existe fórmula para o sucesso, porém iniciativas como a dos festivais de música, que estão cada vez mais raros, acabam dando o incentivo necessário a novos e antigos talentos para produzir e mostrar de maneira digna e de forma original os seus trabalhos.
Além de uma premiação justa para os melhores trabalhos, o fato de poder apresentar-se em uma estrutura profissional, com todos os recursos técnicos de luz e som disponíveis no mercado, acaba dando a oportunidade ao indivíduo de mostrar e explorar toda a sua potencialidade, se não ganha o prêmio ganha a experiência, a oportunidade de mostrar seu trabalho para um grande público que deveria estar ali a princípio para este objetivo.
Esta iniciativa valoriza não só o artista, mas também toda a comunidade do qual o indivíduo faz parte, pois de certa forma ele é porta voz e espelho dela.
Em 2010 ao participar como jurado em dois Festivais em cidades do Estado do Tocantins: Colinas e Porto Nacional foi possível constatar que existindo vontade política é possível valorizar a cultura local e ao mesmo tempo oferecer à comunidade que o dirigente representa shows de qualidade sem necessariamente ter que apelar para atrações nacionais pagando uma fortuna.
Ainda hoje tem gente que acredita que quando o político oferece um show à comunidade ele está dando um presente, que aquela apresentação é gratuita, esquecem-se que o dinheiro que vai para o bolso do artista tem que sair do bolso de alguém, de nós pobres mortais que pagamos impostos em tudo que consumimos.
O problema é que quando o poder público banca um show nacional, todos nós pagamos uma parcela do cachê do contratado, mesmo não participando e não gostando de determinados estilos.
Então deixem que a iniciativa privada faça e produza os Shows Nacionais, e que cada um pague pelo ingresso nas apresentações que lhes convier.
Nas apresentações dos festivais de Porto Nacional- TO e de Colinas - TO foi possível registrar a criatividade dos nossos artistas com repertório variando entre o Rap temático e o Rock com guitarras distorcidas, passando pelo Reggae, cantando o Samba com jeito de malandragem, foram vários os estilos textuais, não deixando a desejar a qualquer outro festival de abrangência nacional.
A partir do momento em que o Prefeito ou Governador apela sempre para o modelo de cultura produzido pela mídia para “abrilhantar sua administração” fica claro o desprezo pela cultural local e a busca do populismo político.
















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