sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

De Eros a Ars Erótica – uma mudança cultural da nudez.

por Marlon Marques.















































A indústria do erotismo – através de algumas revistas, têm prestado um bom serviço ao levar arte aos brutos e machões. Primeiro é necessário não confundir “erótico” com “pornográfico”. Erótico embora venha de Eros, o amor carnal – diz respeito a todo um jogo de sedução, onde a sugestão e a imaginação são mais importante do que a explicitude. A pornografia é em primeira instância um gênero literário – já que significa “escrito sobre prostitutas”. Porém seu sentido moderno é a antítese do erotismo, já que sua intenção é mostrar as coisas em si – tais quais são ou deveriam ser. Existem revistas de sexo explícito, porém as mais famosas são as revistas eróticas. Essas revistas trazem modelos ou mulheres objetos de desejo dos homens nuas e em posições sugestivas. Sim, tudo é sexo, ou converge para isso – porém, no erotismo a coisa não é direta. São níveis diferentes de mexer com a imaginação – mas há quem defenda a tese de que mulheres indianas são mais sensuais do que por exemplo brasileiras, não por conta de comparação de beleza, mas pelo jogo de ter algumas partes do corpo cobertas e outras não – sugerindo todo um ritual de despir, de descobrir, de imaginar. Usando essa análise, podemos dizer que a tevê brasileira é extremamente erotizada. Entretanto, pelo conservadorismo imaturo de nossa sociedade, é de mau tom um garoto folheando uma revista Sexy ou Playboy, porém não há problema em assistir com a família o programa Pânico na TV aos domingos. As novelas da Globo e da Record são shows eróticos com uma trama por trás. Diria eu – bem ironicamente, que certas novelas são como filmes da série Emmanuelle um nível abaixo. Não mostra exatamente, mas sugere. E quer maior combustível do que a imaginação? E se olharmos com mais cuidado, veremos uma contigüidade entre os dois tipos de mídia – a televisiva e a impressa. Quem abastasse as principais revistas eróticas do país? – a Tv. Eram as atrizes da novela, hoje são as BBB´s – que se insinuam nos lares, aguçam os machos, que correm para banca para tê-las nas mãos. Antes os editores apenas exibiam as mulheres de forma direta sem qualquer cerimônia. A Playboy a partir da direção de Juca Kfouri, começou a dar uma cara nova para revista – injetando-lhe conteúdo e mais capricho na edição. Essa guinada começou a transformar a pura “exibição” em “exposição” – alçando as mulheres a um status de obras de arte. Os ensaios da revista Playboy passaram a ser ensaios artísticos – refinando o olhar do macho alfa. Veja. Com o advento do metrossexual – não só o corpo passou a ser cuidado, a mente também. O homem quis sair da caverna e fugir do estereótipo do Ogro – embora haja mulheres que gostem, mas as mudanças são captadas no ar. As mulheres passaram a valorizar homens bem cuidados, mais vaidosos e cultos, e a indústria captou a mudança e passou a inserir arte até onde ela não caberia. E digo não caberia pelo tipo de público alvo. Os remanescentes da caverna passaram a preferir a Sexy – mais direta e nada artística. Porém, os homens querem ver nua, as mulheres que eles veneram na Tv – e essas não queriam mais se exibir tanto – pois a sociedade ainda via com ares de vulgaridade extrema. O público médio sempre confundiu erotismo com pornografia, então alguém que posasse nua numa revista erótica era confundida com prostituta. Com a guinada artística da indústria erótica – os ensaios passaram para outro patamar, e todas passaram a preferir mais a Playboy, pela valorização estética e pela fuga do estigma. A Sexy então para não ficar atrás – migrou do mero nu exibicionista, para um nu artístico. Analisando a Playboy especificamente – grande parte desse mérito se dá pelos grandes fotógrafos que desfilam pela revista – de J.R. Duran a Bob Wolfenson, passando por Márcio Scavone. Artistas de grande experiência e sensibilidade, com olhar apurado e treinado em extrair o melhor dos objetos retratados. O ensaio de Maitê Proença em 1996 é um clássico – feito na Sicília, mostra a atriz e escritora em cenas cotidianas campestres em meio a paisagens lindas e rústicas. O ensaio de 2000 de Vera Fischer também é primoroso – feito em Paris, mostra todo o requinte da cidade luz, contrastando modernidade com tradição. Outra característica da Playboy é a qualidade do texto que acompanham os ensaios. Sejam textos inéditos ou trechos de poemas – versos de Chico Buarque, Ignácio Loyola de Brandão e Vinicius de Moraes já traduziram em palavras as belas imagens das também belas mulheres. É claro que mudanças culturais são de longo prazo, como diria Eric Hobsbawm – mas é fato que já começou. Um dia ainda veremos garotos folheando tais revistas com uma margem mínima de reprovação e o principal, veremos as mulheres não desconfiarem de seus parceiros quando os virem com essas revistas. Pois muitos dizem que estão lendo as entrevistas ou apreciando a arte dos ensaios, mas elas não acreditam. Talvez elas nunca tenham visto um ensaio e tenham uma imagem preconceituosa – guiada pelo censo comum, pois muito embora livros como “A sabedoria das multidões” de James Surowiecki defendam tal tese – nem sempre o povo está certo e nesse caso é ver para crer, ou melhor, é ver para admirar.






























































































































































































































Um comentário:

  1. Anderson Monçores12:00 AM

    Outro dia li sobre uma piada em quadrinhos no jornal em que mostrava de um lado um homem lendo sozinho sobre o Amor e ao seu lado uma multidão de pessoas vendo uma unica revista pornografica...Isso siguinifica que amar é para poucos, porem a pornografia é mais atrativa...

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