segunda-feira, 26 de outubro de 2009


Crítica.

The Killers - Sam´s Town.

por Cremilda Batista.




















Por ocasião da apresentação do The Killers no Brasil, li uma série de matérias a respeito dessa banda nos mais diversos canais da imprensa nacional. Cada barbaridade foi escrita a respeito dessa banda que fiquei abismada. E ouvindo os dois discos, e esse Sam´s Town em especial, não vi nada disso que foi dito. O que vi foi muita pretensão e monotonia. Vi muita pompa e pouca qualidade. Revolucionários? Há não, não me venham com essa história de novo. Competentes? Talvez. Esse disco é muito comprido e muito chato. E só hoje consigo entender melhor o porque certas bandas são máquinas de criar. Porque fazem música de qualquer jeito. Seja por pressão dos fãs por novas músicas, seja por pressão contratual das gravadoras. Eu hoje desconfio muito de disco enormes, com muitas faixas. Não que seja regra, mas as vezes, quando você se dedica muito a poucas coisas, você se sai melhor do que quando quer abraçar o mundo. E é justamente isso que acho dessas bandas. Acho falso o argumento. Esse disco do The Killers não foi um sucesso de crítica justamente porque não é um bom disco. As músicas são muito iguais, e a voz de Brandon Flowers é horrível. Os instrumentais são “indie”, como ouvi certa vez. O vocalzinho abafado lembra Strokes, enquando que os instrumentais tentam em vão imitar o Franz Ferdinand. Lembra a fase mais chata do U2 também em alguns momentos, veja a faixa “Bling”. No mais é isso mesmo. Uma falsa emoção ali, um sintetizador aqui, uma urgência ali, e só. Nada que justifique o barulho todo que a mídia mundial faz em torno desses americanos de Las Vegas. The Killers é um grupo normal, nada de super poderes, e vou mais além, “o The Killers é uma invensão da imprensa americana como resposta ao hype do Arctic Monkeys”[1]. Muita gente vai ficar furiosa com essa ideia, mas é nisso que acredito. A imprensa americana embora não tenha exaltado o álbum como uma nova maravilha do mundo da música, não o detonou como o fez a imprensa inglesa. É claro que é puro provincianismo de ambos, mas o disco fica devendo um bocado. “Read My Mind” é a melhor música do disco inteiro, e seria melhor se o Brandon não tivesse os trejeitos de Justin Hawkins do The Darkness. Aliás, ele comete esse erro em muitas outras faixas, como em “Bones” por exemplo. “My List” é muito monótona, enquanto que “When You Were Young” é forçada demais, soa falso. As guitarras nesse disco estão muito altas, tem momentos em que não da pra ouvir nada, fica tudo embolado. Isso é culpa tanto da banda quanto da produção. Em suma, se ouvir a primeira faixa ouvirá a última também, pois o disco é muito irregular, muito igual e sem inspiração. Não vi nada aqui de diálogo com a tradição, a única coisa que bateu com as matérias que li, é sobre essa questão de geração. Porque essa geração ao qual o The Killers pertence é de fato assim, vazia e orgulhosa, poucas coisas se salvam, e já que se salvam é porque talvez não sejam parte desse mesmo balaio de gatos.



[1] Argumento de um artigo que será publicado aqui em iosbilario.com por Marlon Marques.































The Killers - Sam´s Town [Island, 2006].

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