sexta-feira, 25 de junho de 2010

Artigo.

Stone Temple Pilots - Entre a inspiração e a redenção.



por Marlon Marques.





















Por conta do retorno da banda e do lançamento de um novo álbum de inéditas, o Stone Temple Pilots voltou à mídia esse ano. A mesma mídia que nunca deu a importância devida à banda, agora os festejam como mais um que voltou do reino dos mortos. Ao invés de escrever sobre o disco novo, eu prefiro relembrar dois grandes momentos e distintos da carreira de uma das bandas mais subestimadas dos anos 90. No início o Stone Temple Pilots orbitava Seattle e conseqüentemente era mais influenciado do que influenciava. Porém como sempre faz o grande mercado, após o estrondoso – e surpreendente sucesso do álbum “Core” e do single “Plush”, todos queriam mais. Mas esse mais representava o mesmo. Na contra mão de toda essa corrente e como que prevendo o desastre do grunge, o Stone Temple Pilots pulou fora do barco e ousou fazendo um disco equilibrado entre guitarras altas, sonoridades mais amenas e uma veia pop psicodélica no álbum “Tiny Music...Songs From The Vatican Gift Shop” de 1996. O que posso dizer de antemão desse disco é que é um tanto experimental. O tom moderado do disco já é demonstrado na equilibrada e dançante “Pops Love Suicide”. Essa canção traz um elemento muito presente nesse disco, refrões bonitos e bem palatáveis. A sonoridade do disco remete a um certo revival dos anos 70, antecipando o que iriam fazer muitas bandas da segunda metade dos 2000. “Big Bang Baby”, nesse mesmo caminho já traz o primeiro sinal de diferença, de mistura. Lá pelos idos de 1:40 minuto, a banda cria uma mistura a lá The Kinks, só que como um devaneio, para continuar emulando um Led Zeppelin slow motion. Esse mesmo caminho de sonho a banda também segue na bela canção “Lady Picture Show”, lenta, cadenciada e também psicodélica. E quanto a “And So I Know”, o que dizer? Nada né, só apreciar. Nessa canção, Scott Weiland mostra o quanto um cara junkie pode ser doce, e mais, ótimo crooner de cabaré esfumaçado. Aqui eles já antecipam um pouco o que fariam em “Shangri-La Dee Da” de 2001. Há também espaços para rocks básicos, casos de “Tripping On A Hole In A Paper Heart”, ótima para viagens, e mais uma vez aqui, arranjos cadenciados, quase artesanais, a serviço de levadas instigantes, assim é também “Ride The Cliche”. Canções de vigor. O disco realmente aponta para novos horizontes criativos e mostram a banda em seu momento mais maduro desde o início da carreira. E logo no meio dos anos 90, onde se era ou 8 ou 80, ou radicalmente patético ou forçosamente revivalista-imitador. Ser original como esse lindo disco, melódico na medida certa de sua diabetes musical, foi um crime que causou ao Stone Temple Pilots um certo ostracismo, mesmo tendo lançado em 99 o regular álbum “Nº 4”. O grande destaque do disco fica por conta da sofisticação de “Adhesive”, melhor ouvir do que ler sobre ela. Como dito acima, “Nº 4” foi apenas regular. Isso tornou-se munição para os detratores do Stone Temple Pilots, que diziam justamente que a banda era o que sempre foi: medíocre. Entre idas e vindas, separações e reuniões, clinicas de reabilitação e projetos paralelos, o Stone Temple Pilots lança um novo disco, corria o ano de 2001. Cercado de expectativas, o disco “Shangri-La Dee Da” não decepcionou os fãs, pelo contrário. Traz a banda justamente no estágio onde pararam em Tiny Music. O disco começa pesado com “Dumb Love”, para logo depois se esbaldar em uma felicidade tipicamente americana em “Days Of The Week”. Canção pulsante e pulsantemente pop, de cantar junto, como se viu nos vários shows da turnê do disco. Aqui mais uma vez a banda se envereda pelas estradas do milênio, trazendo eletrônica, peso, bossa-nova e amadurecimento em favor de um rock alternativo que não quer ser assim nomeado. O dialogo é tanto, que a faixa “Coma” é uma mistura de Jane´s Addiction com Nine Inch Nails, inclusive o vocal de Weiland está muito parecido com o de Perry Farrell. Porém a veia pop e melódica não desapareceu como o início do disco deixa parecer. “Wonderful” é a balada do disco. Com direito a sinos e emoção jorrando nos ouvidos, Weiland surpreende os críticos se mostrando um vocalista versátil, é só perceber também o que faz em “Hollywood Bitch”. A psicodelia retorna em “Black Again”, canção melódica, forte, bonita e com cara de fim de disco e fim de tarde caindo num céu laranja. Em entrevista a revista Showbizz em 2001, tanto Dean DeLeo quanto Weiland, confessaram-se fãs de música brasileira e da bossa-nova em especial. Claro que com ressalvas e com tons ecoando no fundo, “Hello It´s Late” parece dialogar com a calmaria da música de Donato e João Gilberto. Linda, é só o que dá para dizer, como já dito, dá para sentir a emoção transbordar de tanto sentimento, o mesmo ocorre com “A Song For Sleeping”, só que com uma mistura country, mas com cheiro de mar e ecos de felicidade também. A banda parece feliz, e Weiland também parece recuperado de seu inferno particular, parece mais calmo com os bons ares de Malibu, onde o disco foi gravado e onde se localiza a mansão que dá nome ao disco. Será que é por acaso que há uma música chamada “Regeneration”? Essa segue a linha base dos rocks noventistas, com um baixo acentuado e guitarras cheias, de volume e efeitos, servindo como um divã compartilhado, será? Na mesma esteira noventista vai à última faixa do disco, a arrastada “Long Way Home”. O nome já revela tudo, o longo caminho de volta para casa, fazendo referência ao período de reclusão, tanto na prisão – por porte de heroína, quanto nas clinicas de reabilitação, de onde chegou a fugir algumas vezes. Sinto nessas canções algo de terapia, mas algo de esperança, só perceber pela suavidade dos refrões, pela forma emotiva como toca a banda e como canta Weiland. E por fim aquela que talvez seja a mais bela faixa do disco, a excepcional “Bi-Polar Bear”. Arranjo primoroso, violão calminho no início, depois uma toada meio oriental, meio cacofonica, servem de passagem para Weiland desfilar seus atributos vocais sob bases de peso controlado. DeLeo aproveita a deixa para nos brindar com um belo solo, assim a canção vai se agigantando e se tornando quase épica, para falar de medo, drogas e arrependimento. São dois excelentes discos, que valem muito a pena serem ouvidos. Já estão distantes no tempo 14 e 9 anos respectivamente, mas não soam datados. E não soam assim porque o Stone Temple Pilots se preocupou com a perenidade. Ao ser original a banda pleiteou um lugar no rock moderno, e na minha opinião conseguiu, pois além de grandes músicos executores de notas e acordes, esses são músicos criadores de grande melodias e canções, inventivas e cativantes, e esses dois discos tão distintos e tão próximos nos mostram isso de forma clara e emocional.

























































Stone Temple Pilots - Tiny Music...Songs From The Vatican Gift Shop (Atlantic, WEA, 1996).

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Stone Temple Pilots - Shangri-La Dee Da (Atlantic, WEA, 2001).

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