domingo, 11 de julho de 2010

Minha Coleção.

Régis - "Stanley".

Não tenho tudo que gosto, mas tudo que tenho eu gosto.



por Marlon Marques.


















A primeira vista ele apresenta sempre um sorriso amigável. Sua alta espiritualidade o faz sempre estar de bem com a vida, apesar das dificuldades há que todos nós mortais passamos. Dificilmente ele reclama de algo, mesmo quando não está trabalhando, ou quando o dinheiro está pouco, mas ele dá sempre um jeito. A segunda vista, após olhá-lo melhor, ele parece um hippie, um andarilho que vai vivendo a vida, com seus artesanatos, tatuagens e a boa e velha fumaça na mente. Mas quando se referem a ele por algum nome, ele não costuma atender pelo seu nome de batismo, mas sim por Stanley. O nome Stanley vêm de um de seus grandes ídolos, Paul Stanley, guitarrista e vocalista da banda de hard rock Kiss. Sua história musical, assim como a de sua coleção, começam praticamente com o Kiss, mas vejamos o que ocorreu antes. Stanley nasceu Régis, e em suas primeiras lembranças musicais, o rock n´roll e a música popular brasileira estavam presentes. Nomes como Zé Geraldo, Geraldo Vandré, Rolling Stones, AC/DC, Janis Joplin, Led Zeppelin e outros, rolavam nas vitrolas de sua mãe e seu tio. Régis confessa que o que primeiro lhe fez a cabeça foi o AC/DC por causa do peso e do barulho, porém essa combinação iria causar mais conseqüências anos mais tarde. Vindo da Vila Formosa para Itaquera, Régis passa a residir na Cohab II, e é um de seus vizinhos, Anderson, que passa a lhe mostrar os caminhos do rock e a iniciá-lo nessa verdadeira religião. Anderson por ser mais velho, ouvia bandas variadas, e foi através das fitas K7 que Régis com então 14 anos, passou a ouvir Black Sabbath, Paradise Lost, Dio e Kiss. O mesmo Anderson também lhe emprestou o disco que mudaria sua vida para sempre, o vinil do álbum “Dynasty” do Kiss de 1979. “Quando olhei a capa eu fiquei louco, quando eu coloquei o disco e ouvi eu disse: cara é minha banda!” A partir de então, o Kiss passou a ser parte da vida desse garoto, que ouvia dia e noite as músicas da banda, irritando muitas vezes os vizinhos. E foi por causa disso que veio o seu apelido. Pelo fato de saber muitas músicas do Kiss, Régis foi recrutado para tocar na banda Forever Dreams, por intermédio de Eder, um colega que conheceu na escola Estrela Guia de Itaquera, esse colega também lhe deu seu primeiro violão. Em uma apresentação do Forever Dreams em 97, Régis cantou “Love Gun”, depois disso os membros da banda passaram a chamá-lo de Stanley. A coleção de Stanley começou um ano antes desse fato, em 1996, quando ganhou de presente de sua mãe o disco “Love Gun” do Kiss. A coleção de Stanley não é muito grande, mas como ele mesmo define: “não tenho tudo que gosto, mas tudo que tenho eu gosto”. A coleção está dividida entre vinis e cd´s, guardados separados. Os discos ficam numa caixa de isopor no quarto de sua tia, enquanto que os cd´s se dividem em dois porta cd´s fixos no rack, e outros três em forma de bolsa com zíper e mais um tubo de plástico. Embora eu não tenha contado, acredito ter ali cerca de uns 60 vinis e uns 80 cd´s, e embora Stanley não tenha quantidade, o que não falta ali é qualidade. Têm de tudo, do reggae do “Ponto de Equilíbrio” ao forró da “Irmandade do Som”, trilhas sonoras como “Good Moring Saigon” e coisas improváveis para um cara como Stanley como “Seal” e “Depeche Mode”. A música brasileira aparece bem também, Zé Ramalho, O Rappa, Cazuza, Cássia Eller, Planet Hemp, Renato Russo, além é claro do rock nacional, Capital Inicial, Nenhum de Nós, Ostheobaldo, Pavilhão 9, Pitty, chegando até ao sertanejo de Bruno & Marrone. Há também um pequeno espaço para o blues, por influência do amigo e parceiro Alan, “Muddy Waters”, “Rory Gallagher” e “The Allman Brothers Band”. Mas o que predomina na coleção de Stanley é com certeza o rock, com destaque especial para os clássicos. Mesmo que separados nos compartimentos do porta cd, Journey, Scorpions, Grand Funk, Eagles, Jethro Tull, Led Zeppelin, Whitesnake, Aerosmith figuram a parte clássica da coleção. E quem disse que Stanley não curte metal? Encontrei entre suas preciosidades “Therion”, além de Metallica, Iron Maiden, Within Temptation e o último disco de sua coleção “Dark Passion Play” do Nightwish, adquirido peculiarmente esse ano. Stanley se mostrou bastante eclético ao mostrar em meio a esse mar de discos, coisas como “The Smiths”, “Sarah Brightman”, “Jamiroquai” e o esquecido “Supertramp”, ou seja, pop com progressivo, com lírico com pós-punk podem conviver perfeitamente. Mas realmente o que impressiona são os discos de vinil que ele possui. Os mais apressados não dariam nada por uma caixinha de isopor simples e pequena, mas que quando aberta, parece mais um baú de tesouros nos moldes dos piratas do Caribe. Stanley com um sorriso no rosto, exibe coisas como um vinil duplo do álbum “The Wall” do Pink Floyd, além é claro de “The Dark Side of The Moon”, sendo que também possui em cd. Da caixa também saíram coisas surpreendentes e exóticas, como “Kate Bush”, um raríssimo disco ao vivo do “The Doors”, “Tears for Fears” e coisas como “Phantom Blue”, uma banda só de garotas meio glam, e “As melhores da Machete FM” onde a capa é uma bela mulher de fio dental. Ao falar sobre música, preferências e seus discos, Stanley lembra algumas histórias ao ver certas capas por mim exibidas. Ao ver “Ten” do Pearl Jam, ele relembra: “a trilha sonora da minha vida, que eu ouvia no repeat com a mãe do meu filho”, o mesmo ele diz da canção “Black”: “a música que marcou um amor inesquecível”. E só para não perder o bom humor, ele solta na sequência ao ver o disco “No Need To Argue” da banda irlandesa “The Cranberries”: “trilha sonora da minha vida com outra mina”, todos rimos. No porta cd também observo discos românticos, Stanley confessa seu lado romântico enquanto pego em mãos cd´s como “Love Music”, com coisas do tipo Celine Dion, Tony Braxton e Extreme, e “Love Metal” com coisas pesadas do tipo. Quando questionado sobre se empresta discos é rápido ao dizer: “não gosto de emprestar, porque as pessoas esquecem”. Ele nunca emprestou nada, por isso também nunca perdeu, em compensação já esqueceram coisas com ele, caso do seu último disco, o do “Nightwish”. Já no final desse bate-papo, Stanley respondeu a um questionário rápido, que exigia respostas rápidas também. O que você nunca ouviu mas gostaria? “Van Hellsing, sempre ouço falar mas nunca ouvi”. E o que você nunca ouviria? “Funk. Não ouço de jeito nenhum, é falta de cultura”. E o que você não gostava e agora gosta? “Há, Charlie Brown Jr., Nightwish e Evanescence, sem palavras”. E o melhor disco ao vivo na sua opinião? “Com certeza o Capital Inicial ao vivo em Santos. Cara o vocalista desse disco é muito melhor do que o Dinho”. Régis ou Stanley tanto faz, é um personagem único. Um cara autêntico, batalhador, gente da melhor qualidade e talentoso para o desenho e para a música. Já teve diversas bandas, nenhum deu certo, isso indica que o seu caminho é mesmo só, um solitário que anda por aí, contando piada, tocando violão e fazendo tatoos, sempre em busca. Stanley o místico que acorda pulando e benzendo sua própria vida com certeza traz sempre um pouquinho de luz para os que cruzam seu caminho, e nos alegra com suas canções, e por falar nisso ele têm uma pasta cheia delas. Esse é Régis e essa é sua coleção, para os que o conhecem nada de novo, para os que não o conhecem bem-vindos e para os que o conhecem mais ou menos, surpreendam-se, o cara é mais eclético do que parece.



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Prateleira Especial.
























1. Kiss - Dynasty. (Island, Mercury, 1979).

"Revolucionário, impressionante".






















2. Journey - Escape. (Sony, 1981).

"Emocionante, muito emocionante".






















3. Led Zeppelin - IV. (Atlantic. WEA, 1971).

"Incrível, cara eu tô sendo modesto".





















4. Tysondog - Beware of the Dog. (Krescendo, 1984).

"Pancada das melhores. O barulho mais maravilhoso que eu já ouvi na vida".






















5. Whitesnake - Slip of the Tongue. (Geffen Records, 1989).

"Show!!!"



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