sábado, 17 de julho de 2010

Crítica.

Skank - Estandarte.


por Marlon Marques.



















Li recentemente uma resenha do álbum “Estandarte” na revista Rolling Stone Brasil, onde o autor classificava o álbum como experimental. Confesso que fiquei com aquela expressão na mente até ouvir o disco – e ouvi. Embora tenha percebido vestígios de “Cosmotron” aqui e acolá, achei o disco um tanto peculiar, mas ainda assim Skank. O que quero dizer com ainda assim Skank? Quero dizer pop, mas um pop inteligente, não cult, alçado a um pedestal onde figuram nomes como o extinto Los Hermanos ou o festejado Teatro Mágico. É um disco um tanto irregular, alterna entre grandes, médios e baixos momentos. Começando ao contrário, os baixos momentos ficam por conta de “Chão”, um rock-funk-groove torto à lá Jota Quest, eu definiria como uma balada hipnótica que talvez funcionasse bem nas pistas de dança. “Notícias do Submundo” é um rock monótono cheio de efeitos que não impressionam, com um refrão meio Beatles e “Saturação”, um dub repetitivo com um pé em “Calango”, repetindo velhas fórmulas com roupagem nova, materializando o que o próprio Skank cantou em “Por um Triz”: ”Não poderia ontem se vestir de amanhã.” A primeira canção do álbum, “Pará-Raio” abre a sessão média, é um som alegre e dançante, com metais dando corpo e agradabilidade a música, tem uma grande veia pop de rádio, com um refrão feito em fábrica de chocolate de tão doce: “Assim como o sol feito no mar, azul como céu e a imensidão […].” “Noites de Um Verão Qualquer” é a quinta faixa, e tem cara mesmo de meio de álbum, com uma levada de tarde deserta de praia, grande candidata a ser hit de luau MTV, levada a um violão e a uma batida um tanto sincopada é extremamente agradável aos ouvidos e aos abraços com alguém especial. “Assim sem Fim” embora seja excessivamente clonada da base de “Te Ver”, é bem agradável pela harmonia Beatles do refrão e pela letra inteligente e adequada a filmes de comédia romântica tipo Diário de Bridget Jones, “não finja um beijo que, já não é mais seu, nem diga que esse chão da casa não é mais meu.” “Renascença” é um canção veloz e forte, pulsante e urgente como uma paixão adolescente, com versos interessantes como “tudo é verdade pra vista alheia” e “sub-necessidades, sub-desnecessário, sujo e covarde o seu brinquedo”, numa alusão as mulheres que seduzem e usam os homens como um produto, ou como uma vingança. E enfim o grande momento do álbum, ou melhor, os cinco grandes momentos, as canções que mais me impressionaram no álbum, por motivos diferentes sim, mas não deixaram de me causar atenção pela qualidade, seja da letra, do som ou dos dois. A radiofônica “Ainda Gosto Dela” começa com uma batida emulando a eletrônica e um violãozinho marcando um ritmo dado pela bateria, Samuel Rosa está bem lúcido nos vocais, demonstrando experiência e segurança. A letra é romântica, e para músicas românticas nada melhor do que uma bela voz feminina, a voz da vez é a de Negra Li, que participa do ultra chiclete refrão, que diga-se de passagem é no mínimo interessante. “Canção Áspera” é boa por flertar com sons psicodélicos, meio alucinógenos, uma guitarra constantemente suingada duelando com uns blips blops soltos aleatoriamente, bateria pulsante dando um ritmo cadenciado, e um efeito 1967 na voz de Samuel no refrão, indo pra frente e prá trás dando a impressão de viagem que temos ao ouvir “Eight Miles High” dos Byrds. Talvez a canção mais bem feita do álbum seja “Um Gesto Qualquer”, um pop perfeito, didático, guitarrinha dando o tom inicial e bateria marcando no chimbal e acompanhando a primeira estrofe. “Boom”, explode a música, uma forte linha de baixo distorcido com efeitos de pedal, até chegar ao refrão com direito a backing vocal, dedilhados e gritinhos no melhor estilo Teenage Fanclub, uma letra direcionada as mulheres bem intencionadas. A balada inquestionável do álbum fica por conta de “Sutilmente”, uma elegia filosófica a compreensão e ao amor. A compreensão por que para tristeza a atitude é o abraço, para loucura o afastamento e para a bobeira o disfarce, para morte a lembrança, de um amor que valeu a pena, levando a cabo a máxima de DescartesCogito Ergo Sum”, nesse caso aqui, “Amo logo existo”, bela letra. “Escravo” é uma dançante e bem humorada música para viajar e para as festas noturnas, diria [guardadas as devidas proporções] que “Escravo” é a “Vou Deixar” de Estandarte, pelo apelo dançante, pela letra fácil e bem articulada, principalmente pelo refrão [típico de cantar junto, assim como “vou deixar a vida me levar…] – e por ser simples, assim como esse bom disco, de um Skank inventivo, instrutivo e didático, longe do horror conceitual e afetado que certas bandas tentam sem sucesso buscar, realmente, buscar.



























Skank - Estandarte (Sony, BMG, 2008).

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