sábado, 3 de julho de 2010

Artigo.

Goleiros: os bêbados equilibristas do futebol.



por Marlon Marques.























O goleiro vive numa corda bamba. Ninguém fala nele até levar um gol, pois quando faz uma grande defesa, não fez mais do que a sua obrigação. Há várias maldições em torno do camisa 1, a mais famosa delas diz que onde ele pisa nem grama nasce. Porém ele sempre foi o patinho feio do jogo, o único que pode pegar a bola com as mãos, e também é o estraga prazer, principalmente quando o jogo acaba zero a zero. O gol é o ápice do jogo, e o goleiro está lá justamente para impedir isso. Mesmo que o mundo já tenha conhecido Yashin, Máspoli, Zoff e Gordon Banks, a posição goleiro deve muito a Oliver Kahn. Kahn é o goleiro que mais chegou perto de ser considerado o melhor jogador do mundo pela FIFA em 2002 – perdeu para Ronaldo. O que aconteceu? Na final da Copa do Mundo após ter feito um torneio impecável, Kahn falhou feio e jogou no lixo toda a Copa que fez. O goleiro é aquele que pode ir do céu ao inferno em segundos. O centro-avante pode perder gols feitos e nada acontece, mas se um goleiro toma um frango, isso acaba com sua reputação. Dizem até que alguém só se torna goleiro por falta de opção, por ser tão ruim na linha, acaba jogando no gol. Essas quartas-de-final da Copa do Mundo de 2010 foi marcada pelos goleiros. O primeiro foi Júlio César. Considerado o melhor goleiro do mundo na atualidade, já havia sido contestado por sua contusão escondida e revelada pela cinta de proteção mostrada pela tevê. Ele é um arqueiro seguro, mas nessa Copa não foi muito exigido, contra a Coréia do Norte tomou um gol no primeiro – e talvez único chute que foi ao seu gol. Enfrentou Drogba e Cristiano Ronaldo, tomou um gol do primeiro mas também não foi muito exigido, já o segundo nem o ameaçou. Júlio estava seguro, passou incólume pelo Chile, mas contra a Holanda tudo mudou. No primeiro gol holandês, embora Felipe Melo tenha o atrapalhado, a maioria dos analistas o culparam também pelo gol, por ter saído mal na interceptação da bola. Outra maldição é a que diz que o goleiro brasileiro não sabe sair do gol. Júlio César tratou de reafirmar isso. A contagem do tempo para o goleiro é mais cruel, veja o caso de Taffarel. Herói do tetracampeonato do Brasil em 94, e após o fiasco da Copa seguinte (98), foi esquecido como se nunca tivesse jogado na seleção. Hoje Júlio César já não é mais unanimidade como antes, tanto por torcedores quanto por jornalistas. Tudo o que ele demorou anos para construir, foi derrubado em 45 minutos. O segundo goleiro é Kingson. Kingson fazia até então uma Copa impecável. Grandes defesas, poucos gols, solidez, e grande nome da seleção ganesa ao lado de Gyan. Porém foi junto com Gyan – os dois melhores do time, considerado vilão da eliminação de Gana. É claro que Gana não crucificou seus atletas como fariam seleções tradicionais, mas é claro que os analistas ganeses também têm um quê de passionalidade, e assim como os daqui, apontam seus culpados. Kingson falhou no gol de Forlán, uma falta forte, porém batida no meio do gol. Muito embora a Jabulani tenha feito sua famosa curva, era uma bola defensável na opinião dos analistas desse país. O jogo entre Uruguai e Gana foi decidido na cobrança de pênaltis, e Kingson não conseguiu defender nenhum. E suas grandes defesas? E suas intervenções impedindo as derrotas de Gana? De nada adiantaram frente ao que não fez no momento em que mais se esperava dele, a decisão de pênaltis. O terceiro nome é o goleiro uruguaio Fernando Muslera. Figura discreta até então, ofuscada pelas estrelas Diego Lugano, Diego Forlán e Luis Suárez, Muslera também não apareceu porque o Uruguai não havia tomado gols na primeira fase da Copa. Mesmo o gol que levou da Coréia do Sul não foi suficiente para ser notado, já que seu time avançou com dois gols de Suárez. Seu nome passou a ser falado a partir do jogo contra Gana. Já durante o tempo normal, Muslera foi muito acionado. O narrador esportivo falou muitas vezes seu nome narrando suas boas defesas. Contou com a sorte em muitos momentos, em especial no pênalti desperdiçado por Gyan nos acréscimos do segundo tempo da prorrogação, mas fez defesas importantes que garantiram pelo menos o Uruguai no tempo-extra. Porém nos pênaltis ele brilhou. Pegou duas cobranças e garantiu sua seleção na fase semi-final. Hoje Muslera é herói, mas já no próximo jogo pode se tornar vilão caso falhe ou não garanta, pois a linha que divide a glória do fracasso para um goleiro é muito tênue. Muslera precisa ser perfeito daqui pra frente, pois tudo o que fez contra Gana será esquecido, pois o torcedor é o momento presente, e a alegria só dura até a próxima tristeza, assim como um pênalti defendido, só dura até o próximo frango.


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Muslera precisa ser perfeito daqui pra frente, pois tudo o que fez contra Gana será esquecido, pois o torcedor é o momento presente, e a alegria só dura até a próxima tristeza, assim como um pênalti defendido, só dura até o próximo frango".



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"O gol é o ápice do jogo, e o goleiro está lá justamente para impedir isso".


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"A linha que divide a glória do fracasso para um goleiro é muito tênue".


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