sábado, 5 de junho de 2010

Artigo.


Humanismo em tempos de guerra e humanismo em tempos de paz.



por Marlon Marques.



































Divididas de bola ocorrem em todos os jogos de futebol. Afinal o futebol é um esporte de contato. No jogo entre Costa do Marfim e Japão haveria de ocorrer várias divididas de bola. E ocorreu. Por causa de uma dividida de bola, Didier Drogba, o melhor jogador da Costa do Marfim se contundiu. O jornal francês L´Equipe logo divulgou ao mundo a notícia de que Drogba estaria fora da Copa do Mundo. Lição número 1 aprendida com o livro “A Doutrina do Choque” da jornalista Naomi Klein, alguém sempre sai ganhando com a desgraça do outro. Sim e não! Boa parte da imprensa brasileira tratou de opinar a respeito da não participação do atacante marfinense no mundial, uma vez que sua seleção, a Costa do Marfim é adversária do Brasil na Copa. Muitos disseram mesmo que em tom de brincadeira que a contusão do atacante Drogba foi uma boa coisa para o Brasil, outros se abstiveram, e outros foram contra tais afirmações, mesmo que de brincadeira. Nesses casos o politicamente correto entra em campo. Como a contusão de Drogba pode ser boa e ruim ao mesmo tempo. Não podemos nos esquecer que o futebol é uma guerra simbólica. Em uma guerra é muito comum a comemoração da perda de homens do exercito inimigo. Porém a guerra no futebol é metafórica, não real, logo não podemos tomar esse mesmo raciocínio dessa forma literal. Do ponto de vista humano, é claro que não devemos desejar o mal para o outro, até porque isso pode recair sobre nós de alguma forma. Vendo as imagens da contusão, é de refletir sobre o caso do marfinense, afinal, poderia ter sido Kaká ou Robinho, nossos melhores jogadores e em quem o Brasil deposita suas esperanças. Independentemente do que Costa do Marfim possa fazer no mundial, perder seu melhor jogador é um golpe duríssimo, isso sem contar o lado do atleta. Jogar uma Copa do Mundo é o sonho de todo jogador. Ser cortado de uma delegação deve ser muito doído, tão quanto à dor que se sente numa contusão como essa ou como qualquer outra. Drogba estava em plena corrida, o nipo-brasileiro Tanaka também. A bola no ar como objeto de disputa, Tanaka levanta demais o pé e atinge com tudo o braço de Drogba. O atacante marfinense cai girando no ar e ainda bate com força no chão. Sua imagem com a mão no rosto e expressão de dor extrema correu o mundo. É claro que uma contusão nunca é bem vinda. É só lembrar da contusão de Ronaldo jogando pela Inter de Milão. Para mim é uma das imagens mais impressionantes do mundo, o osso do joelho de Ronaldo saindo para fora, o brasileiro colocando a mão no joelho com um expressão de dor inimaginável. Mesmo em graus menores, se sentimos como a dor do brasileiro, porque não sentirmos com a dor do marfinense? Mas tudo muda quando se trata de um adversário. E é isso o que muitos brasileiros, inclusive da imprensa, estão pensando. O que não se pode confundir é a questão humana com a questão esportiva. Do ponto de vista esportivo, a seleção da Costa do Marfim sem Drogba, é um adversário menos difícil do que com ele em campo. Isso é óbvio. Agora se felicitar com sua contusão é desumano. O que eu senti falta, foi de uma ressalva por parte dessas pessoas desejando recuperações ao craque do Chelsea. Mas não, ninguém disse isso. Que até dissessem que é bom para o Brasil jogar contra um craque a menos, mas que pusessem o lado humano junto com a lógica fria do esporte competição, dizendo que ele se recupere mas que não enfrente o Brasil. Porém também não sejamos hipócritas, porque escolher o mais difícil se o mais fácil está à disposição? O que é bem diferente da famosa frase de Zico: “quem quer ser campeão não escolhe adversário”. Claro que não, o que vier terá que ser enfrentado, mas o Corinthians sentiu na pele essa questão. Terminou a primeira fase da Libertadores 2010 em primeiro lugar e pegou o Flamengo, o São Paulo ficou em segundo e pegou o Universitário do Peru. Se fosse inevitável tudo bem, mas o Corinthians poderia pela campanha que fez, escolher o time peruano mais fraco do o gigante brasileiro. Agora que é um discurso clichê é, pois não dá pra dizer que jogar com a Costa do Marfim sem o Drogba é o mesmo que jogar com ele. É só perguntar aos portugueses se eles preferiam um Pelé inteiro em campo na Copa de 66, ou um Pelé machucado que logo depois saiu. É claro que o Pelé machucado. Jogadores que fazem a diferença podem resolver partidas e definir destinos e classificações. Portanto se puder evitá-los o faça. Quebrar um jogador de maneira intencional é atitude anti-esportiva, agora o acaso acontece, o chamado imponderável. Eu pessoalmente fiquei triste com a contusão do Drogba, porque a Copa do Mundo pode ficar sem um grande jogador, a perda é mais do que individualmente para seleção Marfinense, é uma perda para o espetáculo, para quem ama o bom futebol. Do ponto de vista da disputa, da competição, é óbvio que é bom para o Brasil que Drogba não jogue, pois é um craque a menos para enfrentar e possivelmente atrapalhar seus objetivos dentro do mundial.
















































































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Um comentário:

  1. Parabéns pelo texto Marlon. Se caso o Drogba for cortado dessa Copa mesmo pelo que parece, o Brasil não sentirá tanto a falta dele em campo contra nossa seleção, porém, o mundo inteiro sentirá sua falta para o grande espetáculo que se chama Copa do Mundo de futebol.

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