domingo, 18 de abril de 2010


Artigo.

A redenção de Barbosa.


por Marlon Marques.





















Sempre houve uma maldição no Brasil de que goleiro negro dá azar. O negro em si no futebol era contestado, uma vez que o esporte inglês era da elite branca. Aos poucos foi sendo aceito, Leônidas foi um grande, artilheiro da Copa do Mundo de 1938, o caminho foi aberto. Porém 50 é um ano traumático. O chamado “maracanaço” – a derrota para o Uruguai na final da Copa desse ano – foi atribuído ao goleiro e negro, Barbosa. Ghiggia foi o grande carrasco. Coincidentemente a partir de então, negros não obtém sucesso na meta brasileira. De Manga em 1966 á Dida em 2006, os goleiros negros foram crucificados por fracassos coletivos, num processo de individualização racial. Em clubes a história é um pouco diferente, mas mesmo quando heróis, os goleiros negros são minimizados nas conquistas. O próprio Dida na conquista do campeonato mundial de clubes da FIFA em 2000, é pouco ou nunca lembrado. Jefferson do Botafogo é goleiro e também negro. Não é ruim, mas está longe de ser excepcional. É muito criticado por oscilar muito na meta alvinegra, e é nisso que esse artigo se apega. Contra o Santa Cruz na Copa do Brasil, o Botafogo foi eliminado e a culpa foi atribuída ao goleiro Jefferson. Jefferson falhou em pelo menos dois gols, o jogo foi no Maracanã, e mais uma vez o espírito de Barbosa pairou e trouxe a tona o questionamento do negro no gol. Essa foi a via crúcis do goleiro do Botafogo, foi sua semana de calvário. Porém hoje (18.04.2010) foi sua redenção, sua não, de Barbosa. O palco era o mesmo do jogo contra o Santa Cruz e o mesmo do jogo contra o Uruguai na final de 50. No mesmo lado que Ghiggia fez o gol em Barbosa, Jefferson espalmou a cabeçada de Adriano nos pés de Vágner Love, gol do Flamengo. O jogo era tão decisivo quanto o jogo contra o Santa Cruz, valia o título de campeão carioca 2010. Barbosa parecia rondar o velho estádio, mas não. No segundo tempo com o Botafogo em vantagem, Fahel puxa Ronaldo Angelim na área, pênalti. Adriano se posiciona e corre......... chuta, e Jefferson defende a penalidade. A defesa garante a vitória alvinegra e não apenas isso, o título do campeonato. Aquele momento apoteótico parece glorificar Barbosa. Parece eximi-lo de uma culpa que não era apenas dele. A defesa de Jefferson mandou para longe não só a série de derrotas em finais para o Flamengo, não só a bola de Adriano, mas também a cisma que pairava sobre ele, que pairava sobre sua cor. O abraço dos companheiros parece tê-lo elevado a uma condição de herói, um herói negro, um negro herói – que nesse caso sai do individual e vai para o coletivo. Ontem vilão e hoje herói, é uma verdadeira exaltação. E Jefferson mereceu tal conquista, pois mais do que um título, ele resgatou a credibilidade esportiva do goleiro negro e libertou Barbosa de uma prisão sem muros de mais cinqüenta anos, pelo menos por uma noite.
































































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