sexta-feira, 2 de abril de 2010


Artigo.

A Culpa é da FIFA ou de Dunga.


por Marlon Marques.









































Todos nós sabemos que a quantidade de jogadores que podem ir a Copa por uma seleção é limitado. Também é de conhecimento de todos a dificuldade em se escolher o escrete ideal. Todos nós somos técnicos convictos de nossos esquemas táticos e com o time ideal na cabeça. Porém, a palavra final é a do treinador da seleção. Muita gente boa irá ficar de fora do mundial da África. Muita gente ruim irá ao mundial da África. Muitas seleções têm poucas opções, poucas têm opções e nenhuma é o Brasil. Ao que me consta, até os anos sessenta, a FIFA permitia que jogadores pudessem atuar por dois países diferentes, o de nascimento e um de naturalização. Puskas, o húngaro e depois espanhol, é um caso emblemático. A entidade máxima do futebol mudou essa regra, e hoje um jogador mesmo naturalizado só pode atuar nesse país, caso nunca tenha sido convocado por seu país de origem. Jogar uma Copa do Mundo é o sonho de qualquer jogador de futebol, seja ele brasileiro, croata ou afegão. Mas isso deixa o futebol estranho, pois levando em consideração a falência do futebol mundial e a abundancia do futebol brasileiro, os países encherão suas seleções de craques brasileiros não aproveitados aqui. Não há espaço pra todos – isso inclusive no longo prazo. Analise. Pelo andar da carruagem de Dunga, muitos bons jogadores não irão ao mundial, citemos apenas alguns exemplos. Os goleiros Felipe do Corinthians, Bruno do Flamengo e Fábio do Cruzeiro. As laterais são um problema, mas temos Léo Moura do Flamengo, Vitor do Palmeiras e Cicinho do São Paulo, na esquerda André Santos do Fenerbahçe da Turquia. Zagueiros temos, Miranda e Alex Silva do São Paulo, Rever do Wolfsburg da Alemanha e André Dias da Lazio da Itália. Volantes, Hernanes do São Paulo, Renato do Sevilha e até o Elias do Corinthians e o Arouca do Santos. Meias, Ganso do Santos, Diego da Juventus da Itália, Alex do Fenerbahçe, Giuliano do Internacional, Souza do Grêmio, Felipe Coutinho do Vasco, Diego Souza do Palmeiras, Alex do CSKA da Rússia e Ronaldinho Gaúcho do Milan. Atacantes, Neymar do Santos, Pato do Milan, Rafael Sóbis do Al-Jazira dos Emirados Árabes, Grafite do Wolfsburg, Vágner Love do Flamengo, Diego Tardelli do Atlético-MG, Borges do Grêmio, Kleber do Cruzeiro, Fred do Fluminense, entre outros. Todos esses citados são titulares em qualquer seleção do mundo, mas não são nem banco no Brasil. O Dunga cidadão não podemos criticar, mas o Dunga treinador da seleção, não está acima de criticas. Um “burro” de vez em quando não faz mal a ninguém. Agora pense a Copa sem esses jogadores, é muito azar da Copa. Agora imaginem a FIFA permitindo que outras seleções convoquem esses jogadores, com certeza todos esses iriam a Copa do Mundo. O Parreira que não é nenhum bobo, com certeza chamaria uns cinco ou seis – isso se não montasse um time só com eles – dessa lista para a seleção da África do Sul. Num exercício de pura imaginação, seria legal ver um ataque marfinense com Drogba e Diego Tardelli, ou um meio campo alemão com Ballack e Ganso. Diego Souza tabelaria bem com Totti no meio campo da azurra. Até os argentinos iriam se beneficiar com isso, com certeza levariam Kleber para formar uma dupla de ataque com Tévez. Um Rever e um André Dias cairiam melhor na zaga espanhola do que Puyol e Sergio Ramos. Imagine Hernanes jogando no técnico time da Holanda, ou Grafite no ataque da Nigéria, ou ainda a ginga de Neymar a serviço da Inglaterra. Com certeza os técnicos do mundo achariam uma boa ideia poder contar com esses jogadores. Enquanto eles comem sempre o mesmo feijão, arroz e ovo, nós comemos lasanha, caviar e lagosta, isso sem contar as diversas sobremesas, entradas e antepastos. Nosso cardápio é bem mais variado do que o menu deles. Damos-nos o luxo de descartar craques, enquanto eles ficam com nossas sobras, com nossas carnes de terceira, tipo Pepe na seleção de Portugal. Todos esses citados jamais poderiam ir mesmo a mesma Copa, pois no elenco de Dunga há nomes valorosos também. A questão é que muitos desses citados são melhores do que os chamados por esse técnico. Suas escolhas são no mínimo controvertidas, seus critérios duvidosos, isso sem contar o desempenho em campo, tanto na seleção, quantos nos clubes, casos de Doni, Felipe Melo, Julio Batista e Josué. Um time que se dá o direito de deixar Ronaldinho Gaúcho de fora, precisa ser mesmo muito acima da média. Ele pode não estar no melhor de suas condições físicas e técnicas, mas não se pode desdenhar de um craque, um gênio da bola. “Não quero jogador por um lance, mas sim para uma partida inteira”, disse Dunga. A questão é se muitos dos que ele chamou são para partidas inteiras, por que com certeza não são de um único lance de decisão. Pelo menos eu não espero isso do Ramires. Dunga precisará ganhar a Copa para não ser lembrado de suas escolhas equivocadas. É um direito que ele tem, isso é fato. Mas é inegável o nosso direito de discordar dele também. Se a FIFA permitisse, seria ótimo para o mundo, para Copa e para os amantes do bom futebol. Afinal, canja de galinha, craques e bom futebol não fazem mal a ninguém. Se o Dunga fosse menos teimoso, não deixaria de fora o Ronaldinho e nem o Neymar, não pelo apelo popular – lembre-se da máxima rodrigueana sobra à unanimidade – mas sim pelo futebol jogado. Mesmo longe de ser o gênio do Barcelona, Ronaldinho voltou a sorrir e a jogar bola no Milan. E não é porque o Milan não se classificou na Liga dos Campeões, que o futebol do craque se apaga. Ele tem feito coisas incríveis outra vez, mas seu raciocínio se limita a limitação dos demais milaneses, incapazes de acompanhar o craque. Já Neymar, vive o esplendor, joga num time iluminado e se destaca. É jovem, assim como foi Pelé, Kaká e Ronaldo. Tem todas as qualidades de um craque, visão de jogo, habilidade imensa, velocidade, bom chute, faz assistências e não joga futebol, brinca, se diverte e faz disso não uma profissão séria, mas sim uma diversão séria. Só com os dois na Copa, o mundial seria pelo menos mais alegre, isso sem contar mais mágico. Sem os dois o mundial não é “menos bom” do que é, mas é com certeza mais triste, pois o duro não é apenas não ter craques para convocar – drama de muitos países – mas sim saber que existem Neymar e Ronaldinho Gaúcho, e saber que estarão acompanhando a Copa do Mundo apenas da arquibancada ou do sofá de casa.
























































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