quarta-feira, 7 de outubro de 2009


Crítica.

Guns N´Roses - Chinese Democracy¹.


por Kim Lee Chao².

































Foram 11 anos de espera, de 1997 a 2008. Fãs alucinados aguardando o disco messias do rock mundial, "Chinese Democracy". Houve quem apostou que não sairia. Houve quem disse que Axl não seria capaz de se mover como único remanescente do antigo Guns N´Roses. Mas ele provou que tudo isso não passou de especulação barata. Mas entre lançar o disco e o disco ser bom é outra coisa. Axl precisou reinventar o Guns N´Roses. Foi preciso coragem para renascer novamente das cinzas de seu próprio passado. Os tempos mudaram, os anos de gloria e adulação acabaram. O vigor se acabou com a idade. No festival Rock In Rio em 2001, o que se viu foi uma caricatura de banda. Axl gordo, visivelmente perdido e totalmente fora de tom, até sua voz característica o abandonou. Axl se pareceu naquele momento com o Elvis 77, gordo e subestimado, mas ainda confiante em seu talento de outrora. Aqui nesse Chinese Democracy Axl esboça uma reação. Em certos momentos parece voltar, em outros parece continuar no limbo onde estava. As reações foram bastante ambíguas, tanto na América com quem conversei por lá, quanto aqui na China. Na China a reação foi diversa, na nota oficial do governo e da população, sobretudo os jovens. No início, antes de ouvir o disco, ouvi muitos comentários negativos. Muitas críticas ao disco, porém ao ouvi-lo, não achei o disco tão ruim assim como me descreveram. Porém pela expectativa gerada pelo lançamento, confesso que eu esperava mais. Esperava por um Guns N´Roses mais vigoroso, mais parecido com a banda de outrora. Esperava um novo mas dialogando com o velho Guns, e o que vi foi apenas um rock moderninho, cheio de boas intenções. O governo chinês publicou no jornal do partido comunista, o Global Times, uma crítica [não musical] ao álbum. O governo o considerou maligno e ofensivo, por seu título, dizendo que a intenção da banda era desestabilizar o governo chinês. A questão é que a China hoje luta de igual para igual com os Estados Unidos pelo domínio do mundo. É uma nova guerra fria não anunciada. A China vem crescendo assustadoramente nos últimos anos, é a principal credor americano dos títulos públicos e possui uma capacidade tecnológica impressionante. Porém, há por parte dos Estados Unidos, tentativas de descredibilizar Pequim. Seja por questões ambientais, ou por direitos humanos e junto a essa questão, ausência de democracia. É a isso que o título do disco se refere. É fato que na China a imprensa não é livre e nem mesmo os cidadãos, todos sabemos que oposição não existe e que críticas não são toleradas. Isso é ruim. Porém falta os Estados Unidos o conhecimento de que a China, assim como todas as nações do mundo, possuem soberania. Os problemas internos da China não dizem respeito a ninguém, a não ser a própria nação chinesa, que para que todos saibam, há silenciosamente muitos críticos como eu, trabalhando na abertura da mente de milhares de pessoas em nosso país. Muitos atuam como eu fora do país, justamente por tememos represálias e a nossa própria vida. Agora voltando ao disco. Visivelmente o Guns dialoga com a modernidade. O rock não é mais o hard de antes, passa longe dos áureos tempos, mas também não é dos piores. É claro que falta o vigor de Slash em cada música, mas os instrumentistas que hoje acompanham Axl possuem alguma qualidade. O timbre de voz de Axl está totalmente mudado, nota-se nitidamente isso em “IRS”, um rock forte e pulsante, e em “Madagascar”, onde Axl claramente força a voz para se parecer com o Axl oitentista. E é nisso que eu acho que o disco peca, na verdade nesses dois quesitos. Em Axl Rose tentar soar forçosamente como antes, e em tentar fugir sonoramente a todo custo do legado que a banda construiu. “Madagascar” por exemplo, é um rock bonito, tem uma levada mais lenta, mais cadenciada, tendendo à ópera rock. Há momentos também que o Guns N´Roses lembra muito o Linkin Park, como em “Better” e “This I Love”. São músicas modernas demais, cheias de ecos, efeitos de voz e solos de guitarra, além das intervenções eletrônicas impensáveis antes em sua música. Axl se rende de vez aos novos tempos, talvez enxergando que possa conquistar novos fãs se aderir aos modismos do momento. Tarde demais. O Guns cometeu o mesmo erro do Metallica, aderiu ao “nu metal” quando esse já havia se esgotado. Há músicas como “If The World” por exemplo, que exageram no mau gosto, chata e arrastada numa lentidão estranha, é assim também “There Was A Time”. “The Blues” é um ponto positivo do disco. Uma música agradável, apenas isso. Uma semi-balada onde Axl solta a voz e realmente lembra os velhos tempos. Aqui ele parece não forçar, e isso é positivo. “Rihad And The Bedouins” também agrada em certos momentos, apesar de algumas intervenções modernas. Em geral o disco é fraco, mas não tanto quanto disseram. É pelo menos esforçado em alguns momentos, mas há forçadas de barra grandiosas ao longo dessas 14 faixas, sendo as piores músicas do disco todo, “Oh My God” e “Silkworms”. Quanto a canção título do disco, posso dizer apenas que é um rock vigoroso, cheio de guitarras, solos e energia. Chega a ser cativante e contagiante, inclusive nos shows do Guns que vi pela internet, é uma das músicas que mais levanta o público. A letra não tem nada demais. Acho que é mais marketing do que algum tipo de crítica política. Logo o Axl Rose que só pensa em sexo, mulheres e futilidades, como iria escrever algo que se aproveitasse. Conclusão, se existe uma democracia na China, essa democracia é como o Guns N´Roses, só vive do nome, porque na prática, não existe, assim como o Guns.





























Guns N´Roses - Chinese Democracy [Geffen Records, 2008].

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1. Artigo escrito originalmente em Mandarim traduzido para o inglês via tradutor eletrônico e traduzido/adaptado para o português.

2. Kim Lee Chao é jornalista formada pela Universidade de Pequim. Trabalhou para o Beijing Review e para o Pekin Shuho, hoje colabora com publicações independentes e periódicamente com o Los Angeles Times sobre assuntos chineses.


























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