sexta-feira, 18 de setembro de 2009


Crítica.

Pitty - Chiaroscuro.


por Marlon Marques & Dirce Dalila.



















A Pitty parece conhecer bem o ditado que diz que “pedra que rola não cria limo”, de fato, a baiana parece ter aproveitado as férias para repensar a carreira e sair do lugar comum que a consagrou. Seus dois últimos álbuns de inéditas são bons, mas são similares. Pitty repetiu clichês, mas isso passou despercebido, uma vez que o conteúdo dos discos era bom, e quando as coisas são boas, perdoamos outras. O disco Chiaroscuro preenche uma lacuna de quatro anos que separam ele de Anacrônico. Outro ponto é superar as 500 mil cópias que Anacrônico vendeu, Chiaroscuro já vendeu até agora aproximadamente 20 mil cópias. Não sou especialista em mercado fonográfico para apontar se Chiaroscuro vai vender mais ou não do que o outro disco, mas o que posso dizer é que esse é um bom disco. O grande feito desse disco é a adição de novas sonoridades, tais como tango. Pitty sempre se mostrou inteligente em seus discursos e letras, sempre mostrou personalidade e aquilo que os roqueiros chamam de atitude, o que é isso eu não sei ao certo. Pitty é com certeza a melhor sucessora da velha Rita Lee como rainha do rock no Brasil, nada de Syang ou Tiazinha - que são mais sex symbols do que roqueiras. A baiana ao contrário parece fugir um pouco desse estereótipo, seu visual é mais urbano e moderno, mas ela tem uma certa sensualidade, não essa apelativa e cultora do corpo, mas uma sensualidade contida, sugerida, como a das pin up´s. Esse disco parece-me bem menos pesado, ou melhor, tem um peso bem calculado, não sendo esse a tônica do disco. Pitty faz muito sucesso entre os jovens pelo fato de suas letras falarem de assuntos do universo jovem, dos medos humanos, das questões de identidade, da cidade, decisões e incertezas, e como a própria já disse em VMB anos atrás, “não sou um ídolo de pedra, sou de carne e osso”, tal qual seus ouvintes. Pitty é a melhor porta voz da juventude alienada do século XXI, e seu som não é só fúria como o de Courtney Love, é feito de inteligência e elegância, como faz Tori Amos ou P.J. Harvey. O disco em si é um pouco diferente sim dos outros, mas tem rocks básicos como “8 ou 80” e “Fracasso”, canções pop como “Trapézio”, e alguma experimentação em “Rato Na Roda”. O disco já tem um single, “Me Adora”, uma canção simples, mas agradável, demonstra uma Pitty preocupada com a auto-estima, e qual mulher não fica preocupada com a auto-estima? É uma canção boa, um pouco clichê, mas boa. “Medo” tem uma boa letra, Pitty é bem poética quando diz: “homem que nada teme, é homem que nada ama”, e constata que todos nós temos medo, é condição inata do ser humano. “Água Contida” é forte e denota e personifica essa Pitty diferente. É a canção/tango de Pitty, belamente executada e com ótima letra, ainda bem, pois muitos erram feio quando se aventuram por terras pouco exploradas pelos artistas tupiniquins. “A Sombra” é sobra dos escombros do trip hop, cheia de efeitos e é talvez a canção mais chata do disco. “Desconstruindo Amélia” carece análise posterior, mas é uma canção ótima, tanto no instrumental experimental, quanto na temática, isso aproxima de fato Pitty das meninas de hoje, da geração que a idolatra. Mas pense, com todas as criticas que possamos fazer a Pitty, ela tem boas ideias e é com mérito sim a porta-voz dessa geração. “Só Agora” é uma linda canção de amor, nos mesmos moldes de Na Sua Estante, a letra é bonita e o som bem meloso, ótima para casais recém apaixonados. Por fim “Todos Estão Mudos”. O título pode até ser tomado de forma ambígua, se todos estão mudos [e surdos], basta a Pitty falar o que muitas e muitos se recusam ou temem dizer, mais um ponto a favor dela ser a porta-voz dessa geração. A música é um rock forte e pulsante, Pitty diz: “não parece haver mais motivos, ou coragem pra botar a cara pra bater”, atestando a assertiva anterior. Bateria tribalizada, riffs secos e diretos, em alguns momentos a canção tenta ser épica com coros e backing-vocals bem ajeitados pela produção do disco, mais uma vez a cantora reafirma sua condição, “alguém tem que falar”, e ela parece não fugir desse fardo, que na verdade ela mesma escolheu levar.





















































Pitty - Chiaroscuro [Deckdisc, 2009].

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