terça-feira, 22 de setembro de 2009


Artigo.

Um passo do homem, um chute do jogador e um gol da humanidade.



por Marlon Marques.












































Em 20 de julho de 1969, o astronauta Neil Armstrong proferiu a célebre frase: “um pequeno passo para o homem, um gigantesco passo para a humanidade”. Claro que o fato não é da mesma importância, mas não deixa de ser algo fantástico. Mais uma vez ressaltando que as proporções são bem menores, mas é impossível não deixar de mencionar. Armstrong permita-me parafraseá-lo, o fato da TV Al-Jazeera ter transmitido o jogo entre Maccabi Haifa e Bayern de Munique no último dia 15 de setembro, é digno de louvor. Essa não é apenas mais uma transmissão, foi uma transmissão histórica, igualável a primeira sessão pública de cinema dos irmãos Lumière em setembro de 1895. A Al-Jazeera é uma emissora de televisão de alcance mundial do Qatar, conhecida por sua cobertura das atividades terroristas. Não posso afirmar que essa emissora seja diretamente ligada a grupos extremistas, mas o fato é que ela não transmitia jogos de equipes israelenses por uma questão óbvia. A Al-Jazeera está para o Oriente Médio como a CNN está para o mundo ocidental. Então seria uma afronta transmitir jogos de equipes israelenses para países árabes, principalmente para os mais alinhados na luta anti-sionista. Irã, Líbano, Iraque, Síria, Arábia Saudita e Iêmem, são inimigos declarados de Israel. A emissora Al-Jazeera deteve os direitos de transmissão da UEFA Champions League nessa temporada, e como o Maccabi Haifa está disputando a competição, seus jogos certamente serão transmitidos. Não sei se isso representa um início de amistosidade, talvez não, mas é notório o fato de que isso seria impossível caso as coisas fossem como antes. Sabemos que no plano das relações internacionais as coisas estão pouco definidas na faixa de Gaza e no OM como um todo, Obama que foi eleito também sob a esperança de resolver o conflito entre israelenses e palestinos, parece um tanto perdido após observar de forma mais privilegiada o quão profundo é o conflito. A manutenção de Ahmadinejad no poder no Irã e no outro extremo Benjamin Netanyahu como primeiro-ministro em Israel, demonstra que teremos dificuldades na resolução dos conflitos. São extremistas dos dois lados. Porém a mudança se dá em uma via de mão dupla, uma pela política e outra pela população. Pela política o cenário é esse, só com a saída dos extremistas é que podemos sonhar em tempos melhores. No plano da sociedade, a redução das hostilidades entre as partes e um princípio de tolerância mútua, representada pela transmissão do jogo, é bem mais real. Não sabemos como foi a recepção do jogo nos lares árabes, mas se houvesse tido reações negativas, logo saberíamos, afinal, notícia ruim chega rápido. Outro ponto curioso foi que a partida envolveu uma equipe da Alemanha e outra de Israel, nações ligadas eternamente pelo ódio, pelo fardo e pela dor. O regime nazista alemão assassinou 6 milhões de judeus, e foi a partir da Alemanha também que uma nova onde de anti-semitismo se espalhou pela Europa na década de oitenta. Tudo isso é muito recente, as cicatrizes estão frescas ainda, intelectuais judeus como Elie Wiesel e David Horowitz incorporam essas questões frequentemente em seus discursos e artigos. É importante que haja um pontapé inicial, pois se não for dessa forma de que outra forma será? Essa transmissão representa muito mais do que apenas um jogo, é a aceitação de diferenças históricas e o começo de novos tempos, pois são esses pequenos atos que proporcionam feitos grandiosos, é só lembrar de que tudo começou com a aceitação de um palestino na seleção de Israel, ou seja, primeiro de Israel para Palestina, e agora do Qatar para o Oriente Médio, quem sabe a globalização no futebol não ajude a reduzir a intolerância. É um primeiro passo.
























































































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