segunda-feira, 14 de setembro de 2009


Artigo.

Argentina: Tangos, Tragédias e Erros.


por Marlon Marques & Dusty O´Connor.




































Existe rivalidade entre Brasil e Argentina, isso existe. Agora existem muitos comentários apressados e sem o menor sentido já colocando a Argentina fora da Copa do Mundo de 2010. Parte disso é apenas zoeira, outra parte é sério, aliás, como levar a sério comentários desse tipo. Não nos esqueçamos que o Paraguai mesmo já estando classificado para o mundial, não é uma potência futebolística mundial. E tão pouco o Chile, o Equador ou a Venezuela. Então só por isso posso dizer que a Argentina não está totalmente descartada como muitos dizem. Admito que em campo o futebol está muito ruim, ou seja, “está”, não “é”. Se colocarmos no papel o time argentino é muito bom, mesmo mal escalado. A Argentina como todos sabemos é a segunda maior escola de craques do mundo, ficando apenas atrás do Brasil. Embora Alemanha e Itália tenham mais títulos mundiais do que os hermanos, não há dúvida, os argentinos revelam muito mais craques do que eles. O grande problema da Argentina está no banco. No banco da AFA e no banco dos campos onde a seleção argentina joga. Julio Grondona ao manter Maradona como treinador da Argentina faz com que o time passe por esses apuros. Maradona foi um craque, isso não se discute, agora treinador, isso é outra história. Poucos são os exemplos de craques que deram certo como treinadores, e Maradona com certeza se enquadra nos exemplos de craques que não deram certo. Ele está no cargo por ser uma figura mítica, por figurar um panteão imortal onde estão Gardel, Evita Perón, Jorge Luis Borges e Astor Piazzolla. Maradona é e sempre foi egocêntrico e megalomaníaco, sabemos que foi desnecessária a briga entre ele e o meia Riquelme, ficou claro que Maradona não quer perder seu lugar de destaque. Veja, ele não sabe escalar o time, não define o grupo as vésperas da Copa, não dá consistência ao time, não há tática, engessa os talentos como Messi e Aguero, e Tévez desaparece no esquema armado pelo craque. O problema da Argentina nesse momento nada tem haver com a crise que seu futebol vive. Boa parte dos jogadores da seleção atuam no exterior. Uma coisa é os clubes, outra é a seleção. No Brasil em proporções diferentes, também já tivemos situação semelhante. Crise interna, clubes endividados, estádios vazios, etc., e a seleção nunca deixou de participar de uma Copa do Mundo. A situação da Argentina lembra um pouco a do São Paulo F.C. Até a chegada de Ricardo Gomes, o tricolor estava na parte de baixo da tabela do brasileiro e sendo cotado por alguns apressados como rebaixado. Agora o gozado da história é, como o mesmo time tri-campeão brasileiro com o mesmo treinador pode fazer tão ruim campanha? O time continua bom, o treinador também. A questão é o desgaste ou a falta de liga. No caso do São Paulo o desgaste, e da seleção argentina a falta de liga. É notório que Maradona não tem nenhuma condição de ser treinador, pois não se é nada apenas com glórias passadas, e sim com competência e trabalho. O mundo de hoje é muito tecnicista, muito científico, exige cada vez mais aplicação do que improviso. E a direção amadorística da AFA é que faz com que a seleção argentina espelhe o futebol nacional. Ainda há tempo de mudar, e chances de ir ao mundial da África do Sul, porém é evidente que a permanência de Maradona só trará prejuízos a equipe. Analise a justificativa de Maradona e veja se ele tem realmente condição de dirigir uma nação como é a Argentina. A escolha de Rosário como palco do jogo entre Brasil e Argentina pelas eliminatórias, foi porque o Monumental de Nuñes é a casa do River Plate, e como é torcedor e ídolo do Boca Juniors, decidiu fazer o jogo em outro estádio. Um treinador que coloca questões pessoais acima de questões profissionais não é digno de confiança. Caso o Dunga diga que não convoca o Ronaldo Gaúcho por motivos técnicos, tudo bem, agora se ele disser que não o convoca porque ele é ídolo do seu time rival no sul, o Grêmio [já que ele é Inter], aí é de fato uma justificativa inaceitável. O fato é que o futebol é resultado, e Maradona não está demonstrando nem resultado e nem mesmo esperanças de uma boa atuação no mundial, caso cheguem. As chances da Argentina são reais, é só ler corretamente a tabela. Há três vagas em aberto ainda, duas diretas e uma para repescagem, sendo que ao meu ver, Chile, Equador, Uruguai, Venezuela e Argentina brigam, mesmo a Colômbia tendo chances, acho que está fora dessa disputa. A Argentina tem 22 pontos, se vencer em casa o fraco Peru, vai a 25. Nessa penúltima rodada há três confrontos diretos, Equador e Uruguai, Colômbia e Chile e Venezuela e Paraguai. Suponhamos que o Paraguai poupe seus jogadores e a Venezuela ganhe, vai então para 21 pontos. Se o Uruguai perder para o Equador – que vai com tudo porque tem grandes chances de ir ao mundial – sai da briga mesmo se vencer a Argentina na última rodada. O Equador ficará com 26 pontos e o Uruguai com os mesmos 21, vencendo a Argentina irá a 24, ficando ainda assim atrás dos dois. O Chile se vencer a Colômbia se classifica com 30 pontos, se perder, terá o Equador em casa podendo até empatar o jogo para ir ao mundial direto, pois, somará um ponto aos 27 que já tem, indo a 28, enquanto que o Equador poderá chegar a 27, caso tenha vencido o Uruguai. Mesmo que os já classificados Brasil e Paraguai, ou facilitem ou entrem com times reservas contra a Venezuela e essa ganhe os 6 pontos, só poderá chegar a 24 pontos, atrás de Argentina com 25. O mesmo acontecendo com o Uruguai, se perder para o Equador e ganhar em casa da Argentina, ficará com 24 pontos, também um a menos que a Argentina. Para Argentina ir direto ao mundial, precisa ganhar seus próximos dois jogos e torcer para o Chile derrotar o Equador, caso o contrário, ainda restará aos nossos vizinhos a repescagem. É muito difícil a Argentina ficar fora da Copa, porém se não abrirem o olho e tirarem logo o Maradona do comando, terão mais uma pífia participação na Copa do Mundo, e voltaram para casa melancólicos como um belo tango cheio de dor tocado por Piazzolla e cantado por Carlos Gardel em algum clube sujo da velha Buenos Aires.

























































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