segunda-feira, 14 de setembro de 2009


Artigo.

Carta branca aos malfeitores.

por Marlon Marques & Dusty O`Connor.




































O Brasil é um país realmente exemplar. Quando crianças, aprendemos que os mais velhos devem dar o exemplo aos mais novos. Na sociedade também aprendemos que os melhores devem ser seguidos, pois se são os melhores, o são por suas ações corretas, então se seguirmos suas formas e ações, nos tornaremos melhores também. Porém quando se trata de arbitragem no Brasil, o exemplo é dos piores. Em escala evolutiva, um árbitro começa nas divisões inferiores [primeiro a terceira, depois segunda divisão], se destacando atinge a primeira divisão no quadro federativo do seu respectivo estado. A grande vitrine de árbitro é o campeonato nacional. Quando um árbitro coloca o distintivo da CBF no peito, é sinal de que já tem qualidade o suficiente para alçar vôos maiores. Até aí, o popular "juiz", não erra um lance, a comunicação com os assistentes é perfeita, não sente o peso das torcidas locais, no aspecto disciplinar é exemplar, os erros são insignificantes. Porém basta chegar ao quadro da FIFA que tudo muda, parece até uma maldição. O grau maior dos árbitros parece mais fazer mal do que bem a eles, e aí é que os problemas começam. Não há dúvida de que os destaques de uma partida de futebol sejam qualquer outra coisa do que o árbitro. Mas quando esses chegam a FIFA, querem aparecer mais do que a bola, querem roubar a cena, mas até aí se perdoa quando o nível técnico é mantido, mas quando não. Entretanto, há que se distinguir os erros, há os propositais e há os técnicos, pois não dá para exigir perfeição de qualquer profissional de qualquer área, há quem diga de uma árbitro de futebol. Se um juiz dá um pênalti de forma equivocada por estar mal posicionado, ou expulsa um jogador injustamente por achar algo que não foi, isso se perdoa, agora errar para prejudicar um time, ou para ajudar outro, é de fato inadmissível. O juiz de futebol só é menos xingado do que sua própria mãe, e todos sabemos o quão duro é arbitrar um grande clássico ou uma decisão. A vida do árbitro é realmente dura. Por isso exige-se sempre ética, trabalho e aperfeiçoamento desses profissionais, e cobrança da comissão de arbitragem, para que os erros sejam exemplarmente punidos. Só para citar um exemplo, em 1995, Márcio Rezende de Freitas “roubou” o título do Santos na final contra o Botafogo no campeonato Brasileiro, foi escandaloso, e todos [inclusive ele] admitiram o erro. Sabe qual foi sua punição por isso? Ser o árbitro da final do mundial interclubes do Japão no ano seguinte, 1996, entre Juventus de Turim e River Plate, sendo esse último prejudicado pelo árbitro brasileiro. Veja como é o Brasil, premia sempre os incorretos, os corruptos e os ladrões, enquanto que os honestos e os corretos são punidos e passam dificuldades enormes. Se o Brasil fosse um país sério, jamais o ex-presidente Fernando Collor de Mello ocuparia outro cargo político ou público novamente. Sabe qual foi seu presente pós-impeachment, um cargo no Senado, eleito pelo povo novamente. Entra rodada, sai rodada, e os erros se repetem. Na segunda divisão parece não haver erros, parece que faz parte de um sistema de promoção, para atingir a primeira divisão você faz tudo certo, quando você chega lá, tudo muda para pior, quando deveria ser para melhor. O futebol brasileiro de hoje é manchado pelos diversos escândalos de arbitragem. O último de maior repercussão foi o caso Edílson Pereira de Carvalho e a manipulação dos resultados, fora o caso de Wagner Tardelli, que teria recebido suborno e ingressos de show da cantora Madonna de um clube paulista. Se analisarmos bem, os árbitros brasileiros que apitam partidas internacionais – e que consequentemente representam o Brasil no exterior – são os que mais cometem erros quando apitam jogos aqui. Como pode ser possível o fato de Carlos Eugênio Simon continuar apitando Copas do Mundo, Olimpíadas e outros torneios internacionais? Como o Sálvio Espínola Fagundes pode ser chamado para apitar as eliminatórias da Copa do Mundo? E o pior, em 2005, Márcio Rezende foi eleito pela FIFA o 20º melhor árbitro do mundo, senso assim o melhor brasileiro, como? Isso é um desserviço a nação, coroar os piores. Porém quem chancela tudo isso são as entidades máximas do futebol, a CBF e a FIFA. Como continuar acreditando em um futebol e num país que valoriza quem erra deliberadamente, quem é mau caráter e corrupto? Os árbitros não são ruins tecnicamente falando, são ruins em caráter, pois erram a propósito, recebem muito para errar, e não se lembram que em jogo há muito mais do que uma taça, três pontos ou uma melhor colocação na tabela, há um trabalho de um ano inteiro e muitos quilômetros viajados por torcedores apaixonados. Hoje, o mais acabado exemplo de árbitro bom que erra intencionalmente é Héber Roberto Lopes e Leonardo Gaciba. Eles são o que chamamos de árbitros caseiros, apitam de acordo com o local e a importância do time. Veja o paradoxo. Transfira o segundo jogo da semifinal da Copa do Brasil de 2009 entre Corinthians e Vasco do Pacaembu para São Januário. Agora pense, será que o Gaciba deixaria de marcar o pênalti de Chicão em Élton em pleno São Januário? Ou mantenha o jogo como foi, só inverta os jogadores e a área, tire o Élton do Vasco e ponha Fernando, zagueiro cruzmaltino, e no lugar de Chicão, coloque Ronaldo. Pacaembu lotado, será que o Gaciba deixaria de marcar um pênalti tal como foi em Ronaldo? Acho bem difícil. E são justamente esses os árbitros que nos representam no exterior, e é por isso que o futebol é o espelho da sociedade, como disse bem o técnico espanhol Miguel Oscar Costa: “joga-se como se vive”.














































































































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