quinta-feira, 13 de agosto de 2009


Crítica.

Lush - Lovelife.


por Guy Anderson & Marlon Marques.


























O Lush é um boa banda. Quem conhece a banda sabe disso. Porém nunca uma banda representou tão bem a influência de um produtor como o Lush. Foi só sair Robin Guthrie e entrar Pete Bartlett [Therapy?] que o som do Lush mudou. Lovelife soa como Elastica. Saíram as sombras da influência de Guthrie para entrar um ar de riso no canto do rosto, mas um riso um tanto sem graça, uma vez que soturna, a banda funcionava melhor. Embora os vocais e os instrumentais continuem bons, as músicas alegrinhas já não empolgam tanto quanto a melancolia da fase anterior da banda. Até o nome do disco é um reflexo dessa renovação. As duas músicas iniciais são ruins, “Ladykillers” e “Heavenly Nobodies”, são rápidas e urgentes, e não combinam com o timbre baixo de Miki Berényi. Talvez se seu vocal fosse menos meio do caminho entre um punkzinho e sua antiga forma, se sairia melhor. “500” é bem trabalhada, tem uns ecos de The Cure, bem no fundo e só no instrumental. A música é alegre e bem pra frente, dá vontade de viver mais e continuar a caminhar nessa longa estrada da vida. O mesmo caminho alegre segue “I´ve Been Here Before”, porém experimenta novas sonoridades, com uma batida abafada e discreta, texturas finas de guitarra e metais, ótima música. É uma canção de amor, de uma mulher que tentou manter um romance com um homem, mas que muitas vezes as circunstâncias da vida impediram. “Papasan” é minimalista e chata. É apenas efeitos de guitarra, voz e alguns efeitos ao fundo. “Single Girl” é um powerpop nos moldes de um Stereophonics, uma música energética, mas sem alma. “Ciao!” traz nos vocais o ótimo Jarvis Cocker do Pulp num interessante dueto com Berényi. Jarvis com sua voz anasalada tipo Nick Cave, enquanto Berényi faz as vezes de backing-vocal, sempre meiga e doce. O som é um calmo country pixieano, contagiante pelos efeitos, pelo teclado e principalmente pelo xilofone lindo contido na música. “Tralala” parece voltar ao passado e aos ecos Cocteau Twinianos, é plácida e redentora, fala de confiança e desconfiança no mundo e nas pessoas, apropriadíssima em tempos egoístas como o nosso. Se Tralala deu a impressão que a vida voltou a ser amarga e os Cocteu Twins voltaram de algum lugar tristonho do passado, em “Last Night” tem-se a certeza. Ecos de guitarra, climas densos e vocais sombrios enchem a atmosfera de um medo ao mesmo tempo doce e encantador. “Runaway” volta ao mundo normal novamente, uma base bem pop de guitarras e um lustro de rock de arena faz essa canção ser menos chata do que a próxima “The Childcatcher”, uma espécie de The Muffs tão enfadonho quanto. “Olympia” é uma bela canção, cheia de emoção, cordas e metais. A música se deflagra mesmo por volta de 1:50 minuto, quando o corpo se desnuda como a noite, e límpida a canção se mostra. Os vocais suaves de Berényi e Anderson se revesam num dueto rico pelos instrumentais campestres, lembrando um concerto com Chieftains tocando ao som de uma brisa leve levando aos narizes o cheiro de torta de maça num piquenique de domingo. Lovelife é um disco mediano, tem muitos altos e baixos, e mesmo sendo bem produzido, acabou se contaminando com o Britpop e tornou-se um pastiche quando andou por esses caminhos, mas brilhou quando voltou ao habitué ou quando experimentou novas possibilidades, como na bela Olympia ou em I´ve Been Here Before.



























Lush - Lovelife [4AD, 1996].

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