quarta-feira, 29 de julho de 2009

Crítica.

The Pretenders - Get Close.


por Dirce Dalila.



























Hynde é uma mulher e tanto. Persistente e talentosa. Persistente por que vai atrás de seus sonhos, dois deles ela conseguiu, casou-se com seu ídolo, Ray Davies líder dos Kinks, e o outro ser líder de uma importante banda de rock. Talentosa, certamente. Compositora, cantora e guitarrista, quer mais? Além desses predicados, ainda é uma militante feminista, dos direitos dos animais e de esquerda [isso sim é persistência]. Get Close é um disco menos pungente e mais melódico, exibe uma faceta sensível de uma mulher dura e brava como Hynde. O disco é cheio de canções lentas, onde as melodias são exaltadas em detrimento dos ruídos, os sons são mais limpos e o vocal de Hynde aparece leve e macio. Mesmo sem a formação original, a nova banda recrutada por Chrissie Hynde se mostrou muitíssimo competente, executando canções simples, diretas e ricas, mas uma riqueza contida, nada muito exuberante. E Hynde sempre se destacou muito mais pela ação do que pela retórica ou pelo espetáculo – aqui cabe a comparação entre Gandhi e Hugo Chávez, um fez e o outro apenas diz. Quando me refiro a uma riqueza contida, digo em relação a expansão instrumental experimentada por Hynde, enriquecendo o som da banda acostumada a soar seca [como em álbuns anteriores]. Aqui há espaço para órgão, violinos, tambores e sitentizadores, sinais dos tempos, e Hynde mostrou não ser resistente aos novos tempos, porém sem dobrar-se a eles. O álbum em si é bem diverso, tem como pontos de destaque o virtuosismo na dose certa do guitarrista Robbie McIntosh [ver Tradition Of Love] e o bom trabalho, bastante consistente do baterista Blair Cunningham. “My Baby” foi um dos hits do disco, nota-se de início o vigor da voz de Hynde, sob uma base coesa de doces dedilhados de guitarra e uma bateria tipicamente oitentista. “When I Change My Life” é bucólica e calma, ao ouvi-la é fácil a identificação com o disco Out Of Time do R.E.M. [aliás, Stipe é fã confesso de Hynde], o conjunto de órgão e cordas dessa canção é lindo, é quase um sonho. “Light Of The Moon” e “Dance” são as mais agitadas do disco todo, enquanto que “How Much Did You Get For You Soul” é a mais rápida, com vocais de rap interferindo no meio da música. “Chill Factor” é uma linda balada entre o gospel e o blues, embebecida de muito órgão, e onde mais uma vez McIntosh rouba a cena com seu virtuosismo e suas levadas dilacerantes. “Room Full Of Mirrors” embora não tenha sido um hit propriamente dito, foi bastante executada nos Estados Unidos e no Reino Unido, lembra muito a urgência dos anos iniciais da banda, bastante marcada e forte, com tons das noites escuras de Londres. O grande destaque do disco e talvez o carro chefe do álbum é "Don´t Get Me Wrong”, uma canção alegre e cheia de suingue, tal como “I Remember You”. A letra revela uma Chrissie Hynde diferente da que estamos acostumados, pois embora sabemos que batalhou por um amor que parecia impossível [Ray Davies], a perda desse amor [tal como foi] e de seu companheiro Honeyman-Scott, a fez endurecer demais, o sofrimento tirou um pouco de sua alegria de viver, fez-nos pensar que fosse amarga e desiludida. Mas não, em Don´t Get Me Wrong ela se diz apaixonada e apoixonável, como toda mulher – afinal, os brutos também amam. Paixões, há as paixões, como são passageiras, Hynde diz para não entende-la errado caso ela passe como uma moda, para que sofrer. Versos inspirados como, “se estou tão destraída, estou pensando em fogos de artifício, que estouram quando você sorri”, ou “se eu me dividir com luz refratada, só estou viajando, por uma milha iluminada pela lua”, denunciam o quão as mulheres são sonhadoras, e bobas [no bom sentido – não me entedam errado]. O ritmo da canção traz ecos de coisas africanas, pois estava muito em voga na época os sons vindos do continente negro. Um verso simples de guitarra cheia de ginga, uma bateria constante e arranjos de teclado sintilando e enchendo o rosto de um sorriso maroto, apaixonado, e o coração de esperança, de confiança no amor. O disco é bastante alegre e confortante, afinal, Hynde sempre foi uma mulher apaixonada, por suas convicções, ideais e por sua música, e como tudo na vida, quando fazemos com o coração, a tendência é uma só, ser algo bom, e é isso que Get Close é, um disco bom.





























The Pretenders - Get Close [Sire/ Londos/ Rhino, 1986].


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