terça-feira, 21 de julho de 2009

Artigo.

Vidas Vigiadas: O Grande Irmão contemporâneo.


por Marlon Marques & Jiffy Stake*.



























Há 60 anos atrás o britânico [nascido na Índia] George Orwell lançava “1984”, uma das maiores obras literárias do século XX, fazendo uma brilhante crítica ao totalitarismo. Uma das características do totalitarismo é o controle extremo da sociedade, na obra de Orwell esse controle é exercido pelo Grande Irmão, de onde deriva o conceito “Big Brother”. Embora essa obra de Orwell seja uma distopia, ou seja, uma utopia negativa, não deixa de ser uma utopia – à rigor “o que não existe” – porém o século XXI tratou de reverter essa situação, transformando e contextuando “1984” para nossos dias. Passou desapercebido por quase todos, mas foi divulgada uma estatística macabra pelos jornais de São Paulo. Há na cidade de São Paulo, cerca de 1 milhão de câmeras. Isso suscita uma pergunta, o que representa isso? Estamos mais seguros ou sem privacidade? Sensação de segurança nas grande metrópoles é uma grande ilusão, isso sim é utopia. A polícia que é paga por nós para nos proteger, nos amedronta. No Rio de Janeiro uma parte da polícia é envolvida com o crime, a outra parte é o próprio crime, onde está a segurança? É claro que muitas filmagens de circuito interno já revelaram crimes, assaltos, sequestros, e também mostraram os rostos de crimonosos que tempos depois foram pegos, porém há que ponderarmos, ficamos reféns dessas câmeras, não podemos fazer nada que poderemos ser filmados. Sorria, ou chore, você está sendo filmado. Todos os nossos movimentos são monitorados, há diversas centrais receptadoras dessas imagens, todos são potencialmente suspeitos, todos estão na mira das câmeras, faça uma pose natural. Hoje a maioria das máquinas fotográficas possui o recurso de filmagem, e todos os celulares já saem da fábrica com câmera embutida, onde todos podem fazer seus filmes, úteis e inúteis, com ou sem o concentimento do filmado, isso é um verdadeiro reality show, ou melhor, reality life. A letra da música “A minha alma” do grupo O Rappa, traz um verso pertubador que diz: “as grades do condomínio são pra trazer proteção, ou talvez trazem a dúvida se é você que tá nessa prisão”, ou seja, será que as câmeras de segurança não nos aprisionam mais do que nos protegem? Hoje o ser onipresente em nossa sociedade – ou no inconsciente coletivo de Jung – é o “youtube”. Sua vida pode virar atração do youtube da noite para o dia, você pode tornar-se uma celebridade se exposto nesse site, é só lembrar de Mallu Magalhães por exemplo. O Reality life é diferente do reality show, porque a vida real é real e não uma incenação da vida real. Nós não somos atores brincando de ser verdadeiros, somos verdadeiros, naturais, pois não sabemos onde as camêras estão, não sabemos em que momento estamos sendo filmados, e imagine só, vivermos sob a angúsita da vigilância permanente. “O Show de Truman: O show da vida” é uma crônica fictícia de nossas vidas. É também uma distopia, mas lança-nos alguns questionamentos em relação ao tipo de sociedade que vivemos. É uma democracia controlada, regulada. Somos vigiados o tempo todo nas empresas, fábricas, supermercados, estacionamentos, portarias de edifícios, quantos e quantos arquivos de vídeo existem nos bancos de dados desses lugares. Nossos rostos estão espalhados por aí sem nosso controle, não sabemos se seremos usados em propagandas ou comerciais. A idéia de uma sociedade vigiada é para coagir as pessoas a agirem por vontade própria. Não sabemos ao certo qual o alcance dessas lentes e nem a veracidade dessa estatística que aponta 1 milhão de câmeras em São Paulo. Pode haver mais, ou ser apenas um truque de coação, mas o certo é que não temos mais privacidade. A perda da privacidade, faz com que desempenhemos papéis, e então há uma inversão, de reality life para reality show, pois não seremos o queremos ser, e sim o que querem que sejamos. Portanto é necessário cuidado com qualquer passo, ou movimento que fomos fazer, nunca sabemos se estamos sendo captados por uma câmera ou filmados por um celular qualquer, pois o Grande Irmão está sempre a nos observar.


























































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* Jiffy Stake é ensaísta e colaborador do jornal Oregon Times e da revista underground Free Music.







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