sexta-feira, 13 de março de 2009


Frank Zappa – The Grand Wazoo.

por Marlon Marques e Dusty O´Connor.


























(Zappa Records, 1972.)

Costumo dizer a todos os meus amigos, que Frank Zappa é o grande gênio do underground do século XX. Ele é tão importante para o rock quanto John Lennon e Elvis Presley, porém com um mínimo de badalação e fama. No meio musical foi [e é] muito respeitado, pois além de instrumentista, cantor e compositor, era também maestro. É um dos pioneiros da fusão jazz e rock, e esse esplendoroso trabalho, “Grand Wazzo”, mostra muito bem isso. O disco além de virtuoso e bastante trabalhado, é muito diferente do então em voga rock progressivo. Grand Wazoo foi lançado em 1972, ano muito prolífico para o rock, são dessa década "Harvest" de Neil Young, "Transformer" de Lou Reed, "[...]Ziggy Stardust[...]" de David Bowie, "Exile On Main St." Dos Stones, além de lançamentos dos finados Nick Drake e Tim Buckley, ou seja, o segundo ano da década de 70, sempre se esquece desse grande disco de Zappa. Mas é sempre assim, os grandes discos são sempre esquecidos e só o tempo faz a devida justiça. Grand Wazzo tem apenas 5 faixas, porém peças de rara técnica e beleza, temas instrumentais riquissímos, cheios de magia e sofisticação. Esse álbum mostra bem a diferença entre o caminho escolhido por Zappa em relação aos artistas progressivos, enquanto esses mergulhavam nos teclados e sintetizadores [justiça seja feita ao Tangerine Dream], Zappa armou-se de uma super banda, com teclados discretos, e uma gama variada de instrumentos, é uma pequena orquestra a serviço do jazz e do rock. Sopros diversos, inclusive trompa, percussão e bateria juntas e harmoniosamente introsadas, e tudo sob a batuta do maestro Zappa, e não é por acaso. Zappa vem de uma formação erudita, fã de Varese e Stravinsky, foi companheiro de sala de Stockhausen, e junto com esse, podem ser considerados os maiores difusores da fusão entre música erudita e popular. Embora Zappa tenha seguido um caminho diferente de Stockhausen, preferindo elevar o rock a um status mais elevado. O resultado é esse grande disco, diferente de tudo em sua época, um disco único, grandioso e de fácil audição. “For Calvin” é um jazz redusido a compassos de valsa e enriquecido com o corpo dos metais em profusão, Mr. Bungle deve muito a essa música com certeza, a faixa título “Grand Wazoo”, é muito marcada por solos de guitarra e acompanhamento de bateria, chega a lembrar um grande asilo de loucos quando os sopros disparam frenéticamente, mas a parte final dessa peça é épica, sem igual em todo o rock da época. “Cletus Awreetus-Awrightus”, lembra muito as fanfarras do leste europeu, “Eat That Question” tem um grande trabalho de piano, um solo virtuoso fazendo um duelo impressionante com a bateria, mais para o final Zappa mostra toda sua competência de instrumentista num belo solo de guitarra, para terminar a peça como uma pomposa marcha militar. “Blessed Relief” é a última faixa, de andamento lento, aposta em sons mais minimalistas e suavizantes, fazendo uma atmosfera de clube noturno onde moças de roupas íntimas dançam entre copos de uísque e aperitivos baratos. Em resumo esse é um álbum que prima pelo bom senso e pelo equilíbrio das harmonias, e logo nos anos 70, onde tudo era motivo para exceder, até nisso Zappa foi grande, porém ganhou mas não levou.

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