sábado, 14 de março de 2009

Entrevista.

Isabela Vieira é uma livreira paulistana de 21 anos de idade, residente do bairro de Itaquera na zona leste de São Paulo. Porém diferente das muitas meninas de sua idade em seu bairro, Isabela demonstra grande maturidade em relação a diversos assuntos, além de uma postura bastante crítica em relação aos problemas da sociedade e dos jovens. Identifica-se com o rock e com assuntos feministas, além de ter predileção por cinema. Isabela nos conta nessa entrevista o que pensa sobre assuntos diversos, música, atitude, feminismo, com respostas curtas, mas objetivas, respondeu com coerência todas as questões postas e mostrou que os jovens não são todos iguais, muitos pensam e agem vizando mudar, se não o mundo, pelo menos a própria vida e a dos que os cercam.

por Marlon Marques.



























(acervo pessoal de Isabela®)


Marlon Marques - O que você achou da eleição de Barack Obama?

Isabela Vieira - Fiquei muito contente com a vitória dele, mas não podemos esperar que ele faça milagre na bagunça que o Bush deixou, mas acredito que ele tem capacidade para melhorar pelo menos uns 40%, a primeira atitude boa que ele tomou foi igualar o salário das mulheres como o salário dos homens, eu sendo mulher achei uma grande conquista.

M.M. - Bom, você disse que a igualdade salarial entre homens e mulheres é uma conquista, quais outras conquistas faltam às mulheres?

I.V. - Legalização do aborto, mais atenção as mulheres que sofrem violência doméstica e mais atenção para as mães de decidem ter filhos com tantas dificuldades.

M.M. - O aquecimento global te preocupa? O que você faz para melhorar o planeta em que você vive?

I.V. - Sim, me preocupa muito, tento fazer minha parte, evito poluir as ruas com lixo, diminuí muito meu tempo no banho e não desperdiço água. Acredito que todo mundo tem que fazer sua parte mesmo que ache coisa pouca faça, pois pode fazer diferença no futuro.

M.M. - Você diz que está fazendo sua parte em relação a sua forma de consumir, mas uma andorinha só faz verão?

I.V. - Não, não faz verão, mas se uma pessoa contribuir para o meio ambiente, pode levar esse ato de exemplo para outras pessoas, comecei economizar água e separar o lixo, e agora todos na família tomaram a mesma atitude.


“Se uma pessoa contribuir para o meio ambiente, pode levar esse ato de exemplo para outras pessoas, comecei economizar água e separar o lixo, e agora todos na família tomaram a mesma atitude”.


M.M. - Quais os filmes que marcaram sua vida e por quê?

I.V. - The Edukators recomendo, esse filme tem muito a dizer para a sociedade, a respeito de capitalismo. Sabe a aquela historia de uns com tanto, e outros sem nada!

M.M. - Quais os seus discos de cabeceira e comente um pouco sobre cada um?

I.V. - Tenho muitos, mas vou citar Chico Buarque “Meus caros amigos” tem uma grande importância pra mim, pois o álbum é muito completo, é aquele álbum que uma música se completa na outra, com inicio, meio e fim.

M.M. - O que você está ouvindo no momento?

I.V. - Estou ouvindo muita coisa nacional como Chico Buarque, Baden Powel, Cordel Do Fogo Encantado, Móveis Coloniais De Acaju, Teatro Mágico, Elis Regina, Nara Leão e Cartola.


“Essas bandas são muito manipuladas pelas gravadoras, assim a gravadora torce até sair o caldo, e quando as fontes secam elas arrumam outra”.


M.M. - O que acha de Amy Winehouse?

I.V. - A Amy tem um talento incrível, sua voz é incrível, mas acredito que ela é imatura e ficou deslumbrada pelo sucesso, onde acarretou todos os problemas que ela vem tendo desde então, e sim, acredito que ela se recupere, pois não podemos perder um grande talento desses.

M.M. - Você acha que o Fresno e o NX Zero têm condições de sobreviver as constantes mudanças da indústria fonográfica?

I.V. - Não, bandas como NX Zero e Fresno aparecem todo ano, temos o caso do CPM 22, antes eles estavam em todos os programas de TV, lotavam shows e onde eles estão agora? Acredito que essas bandas são muito manipuladas pelas gravadoras, assim a gravadora torce até sair o caldo, e quando as fontes secam elas arrumam outra.

M.M. - Você é contra ou a favor da pirataria, justifique?

I.V. - Sou contra, pois acredito que um CD não é só música, existe todo um trabalho gráfico e que merece ser reconhecido, com a pirataria, quem sofre não é apenas o artista e sim toda a produção que existe por trás de um simples CD.

M.M. - Você acha que mesmo com o preço do CD original sendo muito alto e muito aquém das condições médias do brasileiro, a pirataria é ruim?

I.V. - Sim, é claro que as gravadoras deveriam tomar medidas para que isso fosse evitado, como por exemplo, diminuir o preço dos CDs, mas eu, quando gosto de uma artista e baixo pela internet, costumo comprar o CD original, pois se gostei do trabalho daquele artista quero que ele progrida cada vez mais, ainda mais quando é algum artista que não tem espaço na mídia.


“Os jovens de hoje estão muito acomodados, achando que está tudo bem, mais não está, muitos não vêem que lá fora existem guerras e miséria, entre outras coisas”.

“Muitas idéias feministas não devem ser ignoradas, como a legalização do aborto e a igualdade de salário entre homens e mulheres”.



M.M. - Você acha que a música tem algum papel social?

I.V. - Sim, música é arte, arte é cultura e uma coisa leva a outra, como moro na periferia percebo que muitos jovens que se envolvem com algum tipo de arte, tem a cabeça mais aberta, e dificilmente se envolvem com problemas comuns aos jovens de periferia.

M.M. - Falando em periferia, o que você acha do rap, do funk e do pagode, ritmos que são bastante populares entre jovens de periferia?

I.V. - Não é o tipo de música que eu escuto, por exemplo; acho que o funk tem letras preconceituosas em relação à mulher. Tenho um grande respeito pelo rap, pois retrata muito a situação da comunidade.

M.M. - A música é um elemento de contestação?

I.V. - Claro, dependendo do tipo de música sim é uma forma de debate.

M.M. - Que tipo de música você considera forma de debate, quem você destaca nesse contexto?

I.V. - O rap é uma estilo protestante, e dentro do rock tem o Dead Fish , que é uma banda que fala exatamente o que penso da sociedade.

M.M. - Em sua opinião qual é o papel do jovem na sociedade?

I.V. - Sou a favor de ONGs, protestos, enfim, todo tipo de atitude é válido.

M.M. - O que o jovem pode fazer para mudar o mundo hoje?

I.V. - Ser informando, usar a internet como meio de fazer algo, por meio de ONGs , e pelo que tenho visto, os jovens de hoje estão muito acomodados, achando que está tudo bem, mais não está, muitos não vêem que lá fora existem guerras e miséria, entre outras coisas.

M.M. - O que você acha do feminismo hoje, ele ainda vive?

I.V. - Sou totalmente a favor do feminismo e ele existe hoje sim, sempre existe mulheres em algum lugar no mundo lutando por um ideal, e muitas idéias feministas não devem ser ignoradas, como a legalização do aborto e a igualdade de salário entre homens e mulheres.

M.M. - Mulheres lutando por um ideal, qual é o ideal das mulheres, o que querem as mulheres?

I.V. - Respeito, ser reconhecidas pela inteligência e não pelo corpo e sempre ter seu espaço na sociedade. Hoje em dia muitas não querem ser reconhecidas pelo belo serviço doméstico que fazem e sim pela sua capacidade de fazer novas atividades.

M.M. - Com quais mulheres você se identifica e qual você admira?

I.V. - Bjork pela excentricidade, Elis Regina por não ter vergonha de demonstrar o que realmente estava sentindo e Marilyn Monroe pela ousadia.


“Respeito, ser reconhecidas pela inteligência e não pelo corpo e sempre ter seu espaço na sociedade. Hoje em dia muitas não querem ser reconhecidas pelo belo serviço doméstico que fazem e sim pela sua capacidade de fazer novas atividades”.

Um comentário:

  1. Adorei, ficou muito legal mesmo,foi muito legal participar da entrevista..beijos

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