quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009































Incubus - S.C.I.E.N.C.E.

M.M.

S.C.I.E.N.C.E. é o segundo álbum do Incubus, lançado no ano de 1997, é de longe o mais pesado da carreira da banda e o melhor da chamada primeira fase da banda [1995 – Fungus Amongus, 1997 – S.C.I.E.N.C.E., 1999 – Make Yourself]. Embora seja considerado um disco de metal, esse disco abrange pelo menos dois aspectos muito marcantes dessa primeira fase da banda, a influência clara de Faith More, e a ampliação de possibilidades no metal, misturando funk e jazz à guitarras distorcidas, numa linha que começa com o Primus e termina em bandas como Meshuggah, Tool, Amorphis e Opeth. Não que o Incubus tenha alguma relação ou influência dessas bandas citadas [exceção do Primus], mas o fato é que são bandas que apesar de terem sua base calcada no metal, utilizam-se de outros estilos para enriquecer o seu som. E isso o Incubus faz como poucas bandas, sobre bases extremamente criativas e altamente técnicas, destaca-se o talento individual de cada um dos integrantes, dando coesão ao todo. O som do Incubus nesse S.C.I.E.N.C.E. nunca chega a ser enfadonho, pois a diversidade das músicas marcam esse trabalho, peso, emoção, fúria e suavidade convivem harmoniosamente bem, juntando-se a vinhetas instrumentais distribuidas pelo álbum. A voz de Brandon Boyd é um dos principais destaques, forte, porém limpída, por vezes faz falsete para lembrar Mike Patton, e conseguindo esse intento, mas seu timbre peculiar enquadra-se perfeitamente bem a propósta musical do Incubus, e como um camaleão, tanto o som da banda com a voz de seu cantor, adaptam-se as alternâncias e guinadas que o álbum dá ao longo de 12 faixas extremamente heterogêneas. O disco abre com a ótima “Redefine”, peso na medida certa, scratchs e uma base de forte marcação do baixo de Alex Katunich, e da bateria de Jose Pasillas, segue-se a também boa “Vitamin”, pulsante e bastante suingada. Outra grande música do disco é “New Skin”, ritmo forte, peso e vocal altamente melódico de Boyd, fala sobre renovação da vida, “Quando vamos ser pele nova?/ When Will We Be New Skin?”.

“Idiot Box”, é um grande exemplo de peso condensado, começa com uma base pesada, pra se desenrolar numa levada lenta, explodindo novamente nos refrões, “TV, o que eu preciso?, Me diga no que acreditar, Qual a utilidade da autonomia, quando um botão faz tudo?/ T.V., What do I need, Tell me who to believe!, What´s the use of autonomy, when a button does it all?”. É uma feroz crítica a televisão, enquanto alienação coletiva e inconscientização do povo, ditando os modos de vida numa sociedade de consumo altamente dependente da tecnologia. “Glass” é bem funkeada, enquanto “Magic Medicine” é um drum and bass psicodélico, servindo de prelúdio para o grande hit do álbum, “A Certain Shade Of Green”. Esse certo tom de verde da letra, é uma menção ao fim do mundo, que segundo o calendário Maia irá acontecer no ano de 2.012 D.C., e o sinal para consumação de tudo, será um tom de verde no céu, Boyd sob uma base de muito groove e guitarras distorcidas, profetiza ironico se é disso que você realmente precisa, de redenção ou condenação. O disco segue com a música mais rock do álbum, “Favorite Things”, um som simples, contagiante, rápido, onde Boyd solta a voz mostrando todos os seus atributos vocais. Outro ponto do disco é “Summer Romance”, uma bela canção de amor, jazzística, com direito a corais no refrão [é só ouvir com atenção], segue-se até uma base que emula samba, bossa e salsa com peso, samba?, sim samba, um ritmo meio macumbado, assim como em “Sympathy For The Devil” dos Rolling Stones, um som muito diferente, que coloca o Incubus num patamar diferente de outras bandas contemporâneas a eles. “Nebula” é a mais parecida com Faith No More do álbum, pesada, doentia e barulhenta, já “Deep Inside” é funk ao modo Marvin Gaye, sensual e violenta ao mesmo tempo, meio sexual eu diria, doce e amarga, bastante dual, pois da mesma forma que Mike Einzinger faz um belo solo de jazz ensolarado aos 02´18s de música [vide Andy Summers], aos 02´53 a música cai na mais pura brutalidade no melhor molde Dillinger Escape Plan. O álbum fecha com a espacial e agitada “Calgone”, cheia de efeitos de Dub e batidas eletrônicas espalhadas aleatóriamente pela música, Boyd mais uma vez se mostra virtuoso com sua voz prodigiosa, brincando de ser lírico e bruto, sem ser, mostrando uma força que vem de dentro, desse caldeirão de influências e gostos variados, S.C.I.E.N.C.E. deve ser celebrado como um álbum que trouxe diversidade e confusão a um mundo repleto de unidade, repetição e exclarecimento.

Marlon Marques.

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