sábado, 16 de outubro de 2010


Artigo.

Crítica.

Pearl Jam, o que mudou
?entre Vs. e Backspacer.

por Marlon Marques.




















O tempo é de fato uma das forças mais determinantes de nosso mundo. O tempo é capaz de mudar as pessoas, rever conceitos, amadurecê-las ou permanecer tudo igual. Como o tempo agiu sobre o Pearl Jam? Um das mais evidentes questões identificadas logo nos primeiros acordes de “Gonna See My Friend”, é que a energia não foi perdida. A voz de Vedder continua forte, em cima, exatamente como em 1993. Lá porém, Vedder era mais louco e mais jovem, mais raivoso. Os anos fizeram com que a banda absorvesse melhor suas diversas influências, mas a mais evidente canalização se dá com o dinossauro canadense Neil Young (que mistura hard rock com folk). A primeira faixa de “Backspacer”, o mais recente álbum do Pearl Jam, demonstra uma energia bruta, estendendo-se a “Got Some” – um rock n´roll muito distante (na minha opinião) do que chamavam de grunge. A cozinha pearljaniana continua muito afinada – com Jeff Ament (baixo) e Matt Cameron (bateria). Porém o que vejo agora são mais luzes emanando das canções do Pearl Jam – será obra dos teclados adicionais de Boom Gaspar? – talvez, mas com certeza as guitarras (as três) dizem muito sobre isso. Há muito otimismo e sorrisos em “The Fixer” – um rock básico, simples, bem intencionado e bom para finais de tarde em parques. O Peral Jam mudou sim, e daí? Muitos torceram os narizes, mas mudanças acontecem em nossas vidas, e a banda mostrou maturidade em buscar novos rumos, em não reafirmar uma identidade (o Pearl Jam sempre teve), mas em mostrar sua personalidade e qualidade se aventurando por novas sonoridades. A produção de Brendan O´Brien também mudou. O experiente produtor lapidou gente dos mais diferentes gêneros como Korn, Stone Temple Pilots, Quarashi, Bruce Springsteen, Incubus, Audioslave e Aimee Man. O caldeirão de influências, de sonoridades, fez com que o produtor transmitisse para banda um espírito novo – renovador. E isso se nota em Backspacer. Em Vs., vê-se uma banda mais condensada, uma sonoridade pesada mais densa, mais gelada como os ares de Seattle. O Pearl Jam do passado era mais revoltado, porém com um som muito peculiar – muito diferente de seus pares da cena grunge – que Vedder sempre se considerou fora, um som com mais groove (Leash), com mais fúria (Animal) – porém já fazendo uma ponte entre momentos mais cadenciados como em “Daughter” (linda) e “Elderly Womam Behind The Counter In A Small Town” (onde Vedder mostra seu lado mais melódico). Vs. não é apenas uma continuidade de Ten – não, é um disco com vida própria. Vs. é também um disco amargo, descrente de um mundo em transformação (ou já transformado), e Vedder tinha visão privilegiada de tudo isso, pois vivia no centro de os rumos eram decididos, os Estados Unidos. A ponte que comprova essa amargura e essa descrença no mundo e no homem pode-se ver no vídeo de “Do The Evolution”. E aí é que está a maior mudança – no tom. O Pearl Jam continua crítico e ácido – porém mais otimista, mais limpo, como disseram alguns, a eleição de Obama renovou os horizontes, as mentes e os corações americanos. O efeito Barack Obama (Yes we can), parece ter contagiado também o Pearl Jam. O disco também traz um elemento muito rock n´roll, rapidez, crueza – é um disco direto, sem firulas – apesar de canções mais calmas como a iluminada “Just Breath”. O trabalho das guitarras de Stone Gossard e Mike McCready também devem ser destacados – lindos fraseados e levadas inspiradas como em “Amongst The Waves” e “Force Of Nature” – duas canções alegres, bem compostas e cheias de esperança. Para mim, o disco Backspacer supera as expectativas, principalmente daqueles que achavam o Pearl Jam uma banda acabada (pós Yield). Músicas cheias de energia, alegria e bem executadas, com um Eddie Vedder inspirado (tanto nos vocais quanto nas letras), cantando com voz de vinho antigo – macia. O blog azeitonassuicidas.wordpress.com disse: “em resumo, o álbum mostra um PJ mais maduro, menos raivoso. Até da pra dizer POP. Com apenas 37 minutos de duração”. Já o blog oblogdovictor.blogspot.com disse: “deu pra perceber que Backspacer é porrada quase que do início ao fim, músicas curtas, sem frescuras, mostrando que eles ainda são a melhor banda de rock atual disparados”. Agora, duas coisas são realmente certas, o Pearl Jam mudou e Eddie Vedder continua cantando muito – basta ouvir “Speed Of Sound” – uma grande canção, de um grande disco.




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Pearl Jam - Vs. (Sony, 1993).

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senha: freecds.com.ar



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Pearl Jam - Backspacer. (Universal Music Group, 2009).

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