sexta-feira, 10 de setembro de 2010


Crítica.

Pato Fu - Música de Brinquedo.


por Virginia Prentiss*.

















O novo disco do Pato Fu é surpreendente e bom, sendo a única coisa um pouco fora do tom, os backing vocals das crianças. Harmonicamente destoou do timbre de Fernanda Takai – o que deixa essas partes às vezes ruins de ouvir. Mas isso é só um detalhe muito pessoal de audição de cada um – outros vão achar outros defeitos, e assim por diante. O que vale mesmo no final é o conjunto da obra, e nesse caso aqui é mais positivo do que negativo. A grande inovação aqui não é o uso de instrumentos de brinquedo – mas sim transformar músicas de adultos em infantis. Geralmente os artistas que trabalham para esse público usam canções especificas desse universo, aqui não, são músicas consagradas do mundo adulto. É claro que os instrumentos de brinquedo dão uma aura toda especial as canções – por questões harmônicas, de afinações e timbres peculiares. De pianinhos a pequenos saxofones com botões coloridos – até um “baixinho” foi usado nas gravações – o estúdio se transformou num verdadeiro jardim da infância. A banda acertou ao misturar clássicos nacionais com internacionais – provando ser possível enquadrar os idiomas diferentes numa linguagem única – a infantil. A ideia da banda é juntar pais e filhos no mesmo show, mas não separados emocionalmente e apenas juntos fisicamente, mas ligados por um mesmo interesse, a mesma música. Pois ou os pais levam os filhos para verem seus espetáculos específicos, ou os filhos acompanham os pais porque não podem ficar sozinhos em casa. A capa também remete ao universo das crianças – um colorido fundo e um longo braço de adulto adaptando-se a um tecladinho. Mas bem poderia ser também uma banda de ursinhos de pelúcias, ou uma Barbie crooner cantando cheia de charme para uma platéia de garotinhas (e garotinhos porque não). Muito apropriadamente o disco é aberto com “Primavera (Vai chuva)” de Cassiano – com um groovezinho todo especial, mas depois a canção se cadencia, com um baixo bem ressaltado e metaizinhos. “Sonífera Ilha” dos Titãs – segue a linha original, mas recebe uma batida meio de marcha, com xilofones e acordeons, lembrando uma fanfarra de bebês. “Rock And Roll Lullaby” é um crossover entre canção de ninar e música havaiana – com efeitos imitando delays e todo mimo para dormir, enquanto “Live And Let Die” é docemente raivosa – é onde se ouve melhor a bateria de brinquedo – com peles, bumbos e baquetas de plástico. Linda também ficou “Ovelha Negra” de Rita Lee – é onde as crianças se saem melhores, mantendo a estrutura original, mas também retocada com um ar de samba antigo, onde o destaque fica por conta das incursões do pianinho. “Twiggy Twiggy” – segue fielmente a versão do Pizzicato Five – que já era bem infantil, mas aqui conseguiu ficar ainda mais por conta do instrumental – já “Love Me Tender” é puro fim de brincadeira. É lentinha, sossegada e sussurrada por Fernanda Takai, com plings soltos pela música e um arranjo cuidadoso de teclado colorido. A melhor do disco na minha opinião é “My Girl”. Um arranjo lindíssimo, cheio de magia e um andamento primoroso. Uma canção que já remetia a uma paixão pueril – por conta do filme “Meu Primeiro Amor” – aqui ganha contornos definitivos como uma das melhores versões depois da original – principalmente pela atmosfera criada, com o tecladinho de brinquedo e com os sopros em meias tonalidades, mantendo o mesmo clima de amor, mas de um amor mais puro, ainda maior do que a da versão original. Mais do que recomendado, tanto para você quanto a seus filhos, irmãos, sobrinhos, afiliados – pois é uma música que mexe com as sensações mais ternas escondidas em cada um de nós. A ideia foi brilhante e a execução em alto nível, agora é só curtir e aproveitar com os pequenos, igualando-se a eles muitas vezes.





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Pato Fu - Música de Brinquedo. (Rotomusic, 2010).

download.





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* Nova colaboradora do blog.
























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2 comentários:

  1. Pato Fu é muito show de bola.

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  2. Anônimo2:17 AM

    Obrigada pelo comentário!

    Eu também acho. Esse disco é de fato bem legal e inovador. Acho muito bacana a evolução do Pato Fu como banda e de como cresceram como banda não.

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