quarta-feira, 26 de maio de 2010


Crítica.

Mutantes - Tecnicolor.


por Marlon Marques.
























A primeira consideração a fazer sobre Tecnicolor é que não é um disco de inéditas da banda. Sua gravação data do final dos anos 70, porém seu lançamento ocorreu em 2000, aumentando um culto iniciado pela redescoberta do grupo nos anos 90. Nomes como Sonic Youth, Beck e Bjork já se disseram fãs do grupo brasileiro. Quanto ao disco não há muito o que dizer. É um disco dos Mutantes. O grande destaque é a produção e os novos arranjos. Tecnicolor é quase uma coletânea dos Mutantes, pois muitas dessas canções são quase hits do grupo – digo assim porque não sei se hit é uma palavra que combina com os Mutantes. O produtor francês Carl Homes foi o responsável por realizar (junto com a banda) as versões em outras línguas e pelo toque de Brasil, dando um certo tom globalizado ao disco. Porém é falsa a assertiva que diz que foi Tecnicolor o responsável pela popularidade dos Mutantes no exterior. Tecnicolor é um grande disco e responsável pela reabilitação do grupo, mas já nos anos 60 o nome Mutantes já era ouvido e aplaudido fora do país. Tecnicolor é um caldeirão, têm baião, bossa-nova, rock, e outras brasilidades, além da técnica apuradíssima da banda em um momento decisivo de sua carreira. É claro que as versões originais são ótimas, mas não há como negar que o arranjo dessa “I Feel A Little Spaced Out” ou como a conhecemos, “Ando Meio Desligado”, não é maravilhoso. “Baby” é outro capricho. Foi inclusive tema de novela da rede Globo, até tocou na rádio. Os Mutantes brincam de gringo junto ao exotismo de “Adeus, Maria Fulo”, excelente. Os créditos das músicas ajudaram os gringos a renovar seu interesse por Sivuca, Gil, Caetano e muitos outros grandes de nossa música, tanto que David Byrne lançou Tom Zé no mercado americano. Mas Mutantes também é rock, e isso têm também, “Saravah”. Um rock heterodoxo, com guitarras vigorosas e uma sofisticação à lá Air, que por sinal também citam Mutantes quando perguntados sobre música brasileira. Os Mutantes se saem muito bem ao louvarem essa mistura, cantando em espanhol, “El Justiciero” e em francês, “Le Premier Bonheur Du Jur”, mostrando que o idioma não é barreira para o bom gosto e para a boa música. Afinal não é só em inglês que dá pra fazer rock, assim como não é só em alemão que se filosofa (Heidegger). Mas se há um destaque dentre tantos, cito a fofíssima “She´s My Shoo-Shoo”. Essa na verdade é “Ela é minha menina” de Jorge Ben Jor, e digo, os gringos adoraram. Os escoceses do Belle & Sebastian inclusive gravaram a música, tomaram caipirinha e arriscaram um sambinha desengonçado mas reverente, reconhecendo a qualidade de nossa música. É um clichê, sim é, mas e daí né. A versão da música de Ben Jor é tão agradável, que às vezes eu me questiono sobre qual é a melhor versão, é só reparar no balanço, na cuíca de fundo e no orgãozinho de brinquedo que dão a canção um gosto de paquera e um clima de felicidade tão bons, que é impossível não encher o rosto com um belo e largo sorriso verde e amarelo.































Mutantes - Tecnicolor (Universal, 2000).

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