quarta-feira, 12 de maio de 2010


Crítica.

Myllena - Myllena.


por Marlon Marques.


























Confesso que ouvi assim por cima mesmo o disco da mineira Myllena. Não ouvi com a atenção que se deve, com o cuidado que se deve ter antes de proferir qualquer palavra a respeito. Já havia ouvido falar dela, soube até que sua música foi trilha de uma novela global, isso por si só já carimba no artista o rótulo de duvidoso. Porém pude ter uma noção melhor sobre ela hoje, ao vê-la no programa do . Pela impressão televisiva o impacto é imediato. Logo é fácil encartar-se com ela, por dois motivos muitas vezes excludentes: a beleza e a simpatia. Assim que ela abriu a boca pude perceber que tinha uma voz boa, um timbre potente – lembra lá no fundo e em alguns momentos (já que gostamos tanto de comparar as pessoas) a Isabella Taviani. Uma observação também pertinente, ela se parece também em alguns momentos com a atriz Juliana Knust, mas só parece, na verdade lembra. Segundo a própria, a música sempre foi à paixão, mas não a encarava como profissão, tanto que se formou em medicina, ocupação essa que divide com sua carreira artística. Aliás, médica ela já é, mas cantora não se sabe até quando, dada a volatilidade e ferocidade da indústria fonográfica. Acho que ela está certa, se a música virar ela deixa a medicina (pelo menos por um tempo), mas e se não... Analisando seu discurso, já pude perceber seus gostos. Citou na entrevista Rita Lee, Cássia Eller, Zeca Baleiro e a encruzilhada em que se encontra seu trabalho, entre o pop rock e a MPB. No final das contas ela acaba fazendo bem um pouco de cada, faz na média, mas que com sua simpatia e sua boa voz, mais suas acertadas escolhas, tipo, Adriana Calcanhoto e Peninha, no final o resultado é bom. Myllena além de tudo é ousada. Teve coragem de gravar coisas próprias, como a bela música de trabalho “Quando”. Myllena faz também música romântica, embora seja bem rock em muitos momentos, fala de romances, relacionamentos e dos aprendizados da vida, com acertos e erros. No geral as canções têm uma base de violão na introdução e depois explodem em guitarras comedidas, têm uma certa força controlada, contida, evidenciando sua personalidade segura que muito bem demonstrou na entrevista. Myllena acompanha bem as nuanças das músicas, muda de voz se adequando com o que pede cada canção, é mais forte em “Decisão” e totalmente suave em “Meu plano”, por exemplo. O que mais me chamou atenção nela foi quando disse que para gravar seu disco teve que vender carro e fazer muitos plantões no hospital, ou seja, batalhou para tornar possível seu disco. Legal essa questão de ir atrás dos sonhos, de batalhar e depois ver todo um esforço transformado em uma obra sua, com sua cara. O disco é muito agradável, não traz nada de novo, até porque Myllena não deixa transparecer em suas falas e em sua postura, nenhuma pretensão de revolucionar a música brasileira. Porém para quem quiser ouvir um pop rock acessível e sem forçar a barra, com letras legais e cantáveis, é altamente recomendável. Isso sem contar que o disco traz no encarte um belo ensaio fotográfico da cantora, com cliques inteligentes que ressaltam sua beleza, o que não fora feito na capa do disco – que poderia ser melhor. Não dá pra dizer nesse momento que ela figurará os altos escalões de nossa música, mas também não dá pra chamá-la de uma cantora qualquer, o mais prudente é deixar o tempo mostrar se ela será apenas mais um rosto bonito entre tantos, se será somente uma boa médica ou uma boa cantora, espero com base no que vi na entrevista que seja ambas as coisas – as últimas, já que bonita ela é, e muito (simpática).






























Myllena - Myllena (Som livre, 2009).

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