quarta-feira, 26 de maio de 2010


Artigo.

Trocando poliglotas por trogloditas.


por Marlon Marques.










































Vivemos em um estado democrático e logo todos temos assegurada a nossa liberdade de escolha e expressão. Dunga é um cidadão assim como nós, então ele também tem seu direito assegurado em fazer suas escolhas. Porém nós também temos o direito de criticá-lo, de criticar suas escolhas e julgá-las de acordo com os nossos parâmetros. Todo técnico é um burro por excelência (e a priori). Dunga está indo mais além na classificação dos quadrúpedes, pois além disso, é teimoso como uma mula e ignorante como um cavalo. Embora a analogia seja válida, a ofensa não é o melhor dos caminhos. Dunga não é apenas prepotente em suas respostas ásperas a imprensa. O é também por encarnar a pátria em si, por personificá-la. Dunga nos joga a responsabilidade ao criar um certo jogo confuso aludindo que ao criticarmos, criticamos também a nação brasileira. Ele quer com isso é apenas se eximir das criticas ao seu trabalho. A seleção ganha porém não joga um grande futebol, um futebol que encha o torcedor de esperanças de êxito no mundial. É como o Brasil no período militar, crescia com base em endividamento, logo, nos anos seguintes essa dívida seria cobrada. Talvez o grande tour de fource do escrete brasileiro sob a era Dunga seja essa Copa do Mundo. É no mundial que saberemos se o técnico é besta ou bestial, se nos calará ou nos dará mais motivos para criticá-lo. O que mais me incomoda no jeito do Dunga não é nem tanto suas escolhas, mas sim a forma como ele defende cada uma delas em detrimentos de outras evidencias. Na coletiva que concedeu após a convocação oficial, o treinador demonstrou grande despreparo não apenas emocional, mas também intelectual, pois disse barbaridades enormes com verniz de convicção. E é essa a impressão que ele quer causar, de que têm a situação sob controle. Sempre em ano de Copa do Mundo uma máxima aparece com muita força: somos 190 milhões de técnicos. Porém uns mais coerentes do que outros. A grande indignação nacional, foi a não convocação de Neymar, Ganso e Ronaldinho Gaúcho. Para Dunga esses jogadores não acrescentariam tanto assim na seleção brasileira a ponto de merecerem nela um lugar. Em compensação jogadores como Felipe Melo, Josué, Michel Bastos e Doni são indispensáveis. Dunga falou em compromisso com a seleção brasileira, e esqueceu-se que Kaká recusou-se junto com Ronaldinho Gaúcho em disputar a Copa América de 2007. Dunga fala em seqüencia de trabalho, Grafite foi poucas vezes convocado e Gilberto há algum tempo já não vinha atuando pela seleção. Isso sem contar o caso Ganso, que não serve para o grupo dos 23 por ser inexperiente, mas para os suplentes ele serve mesmo sem experiência. Sempre fui a favor do equilíbrio. Não considero que o futebol seja só ataque ou só defesa. O futebol é um esporte coletivo, e como dizem por aí, o jogo é decidido no meio de campo. Dunga levou essa expressão muito a sério e encheu a seleção de cabeças de área. Jogadores defensivos, durões, marcadores, os chamados “volantes”. Dos jogadores de meio de campo, o mais criativo está machucado, Kaká. Caso se agrave sua contusão durante o mundial, o time perde a pouca criatividade que têm. Ganso poderia ser um bom substituto de Kaká. Num jogo difícil um habilidoso Ronaldinho Gaúcho poderia resolver ou um inteligente Alex. A zaga brasileira, com exceção feita a Luisão, é muito boa e consistente. O ataque brasileiro, mesmo sem Neymar e Adriano, continua muito forte e eficaz. Porém é no meio campo onde dizem que o jogo é ganho, que reside o problema. A solucionática de Dunga é o corpulento Júlio Baptista. Não é um mau jogador, é no máximo um esforçado, porém está a léguas de ser o nosso grande salvador da pátria. Júlio Baptista é o jogador que mais se enquadra do perfil de troglodita desse elenco, depois vêm o Felipe Melo. É esse perfil de gladiador romano que Dunga admira, uma polivalência sem técnica, uma força bruta sem qualquer tipo de lapidação. Não se trata de o Dunga mudar todo um time que ele vêm preparando há anos, mas sim ir substituindo algumas peças que não acrescentam nada ao time, que não produzem. E é nisso que eu o acho teimoso. O Alex Silva é muito melhor do que o seu irmão Luisão, mas o histórico de um, conta mais do que a técnica do outro. Dunga fala de justiça, é só ver o que ele fez com o Diego Souza. Convocou o jogador para um único jogo, deu a ele logo a camisa 10 e depositou nele a responsabilidade de vencer a Bolívia embalada na altitude. Nunca mais foi convocado. Todo time precisa de jogadores destruidores de jogadas, mas o time todo não precisa ser assim. O que fazer depois? Dunga não pensa no time enquanto têm a posse de bola, pois não basta ter o domínio dela, precisa-se saber o que fazer com ela. É como fez o Ganso no jogo contra o Grêmio no Olímpico. Cercado por vários gremistas, o meia santista dominou a bola, parou, pensou e deu um passe preciso de quarenta jardas para Robinho marcar o gol. Será que Júlio Baptista, Ramires e congêneres serão capazes de jogadas como essa? Substituir o talento por um mero ponto de vista incoerente é muita pretensão. Quando a confiança passa de certos níveis, ela torna-se arrogância. Trocar poliglotas por trogloditas é um erro equivalente a dizer que “só se pode saber que a escravidão é ruim se passar por essa situação”. Deixemos as evidencias falarem por si só, e então veremos mesmo se toda unanimidade é de fato burra – para um lado e para o outro.
































































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