quarta-feira, 7 de abril de 2010

Artigo.


Der Triumph Des Willens – O espírito de raça do Bayern de Munique.



por Marlon Marques.







































É atribuída a Otto Von Bismarck a frase: “a unificação será feita a ferro e sangue”, sobre o processo de unificação da Alemanha. Talvez a determinação contida nessa frase, permeie a nação alemã até os dias de hoje. Sem se aprofundar muito, essa garra, essa luta pode ser vista nas conquistas dos mundiais da seleção alemã. Sua história nos mostra tanto reviravoltas incríveis como fracassos homéricos, decepções que derrubam qualquer espírito, mas o geist alemão é mais duro do qualquer outro para ser batido. Beckenbauer simbolizou esse espírito quando jogou com a clavícula quebrada em 1970, um espírito encarnado tanto em 1870 quanto em 1954 (Batalha de Berna). A superação das adversidades também são marcas da história alemã – do ônus da Primeira Guerra Mundial, da superinflação e da crise de 29 á superação do nazismo e do holocausto, dos anos de Guerra Fria á queda do muro de Berlim. Esse simulacro da vida real, se reflete no mundo do futebol. Das cabeças baixas das imagens dos vídeos dos anos 20 as euforias das conquistas dos mundiais. 89-90 marcam anos de alegria inesquecíveis para os germânicos, a queda do muro e a conquista do mundial da Itália. O povo já se acostumou a se sentir derrotado, mas também se acostumou a superar dificuldades. E acho que essa atitude já se engendrou no espírito alemão, tanto que não se alteram mais, justamente porque a vitória não é o mais importante para eles, sim a luta. O ferro é a força, o vigor físico a superação da técnica, o sangue é o suor, derramado no rosto, encharcando a camisa, tornando-se a insígnia dessa vontade. Hoje foi mais um dia dessa luta (07.04.2010). Dentro desse panorama das mentalidades, os ingleses são vistos pelos outros como arrogantes e muito seguros de si. No jogo de hoje entre Manchester United e Bayern de Munique, a história pairou sobre o campo como um espírito vingador. A partida válida pelas quartas-de-final da Liga dos Campeões valia a vaga para próxima fase, o primeiro jogo em solo alemão, o Bayern havia vencido por 2X1. Pela fase vivida pelo Manchester, jogando em casa, a classificação era apontada pelos comentaristas e analistas mundo afora. Quando o relógio marcou 42´ do primeiro tempo, já estava 3x0 para o Manchester. Os jogadores do Bayern pareciam abalados com o placar e com a dificuldade aparente, o mesmo semblante desolado via-se nos torcedores alemães. Aos 43´, Olic fez o primeiro gol do Bayern. O gol reacendeu as esperanças alemãs. No segundo tempo o Bayern voltou como se esse jogo fosse o último de suas vidas – carrinhos, divididas, entradas duras, chutões e uma imensa pressão. O tempo porém não para, e o resultado ainda favorecia os ingleses, mas apenas um gol poderia fazer a diferença. O volume de jogo imposto pelo Bayern silenciou o Old Trafford, os torcedores ingleses atônitos pareciam esperar pelo pior. Com um homem a menos, o Manchester recuou e passou apenas a se defender. A blitzkrieg do Bayern envolveu os ingleses de uma tal forma que o gol era questão de momento. A entrega se estendeu aos dois times, mas de formas diferentes. A entrega do Bayern foi no sentido de se entregar a vontade, de apenas enxergar o possível no horizonte, de buscar a todo custo a classificação – e mesmo que não viesse, sairiam de lá como se tivessem vencido dada a garra imposta em campo. Já a entrega do Manchester foi no sentido de aceitar a pressão e se deixar sofrer ataques sem reagir. Os ingleses simplesmente baixaram a guarda, sucumbiram diante da força alemã ou apenas confiaram no relógio passando com o placar a favor ou confiaram em si mesmos num gesto de indolência. A história se passou mesmo pelo Old Trafford, dois jogos memoráveis vieram à tona. A derrota na semi-final da Copa de 70 para os italianos – o jogo da clavícula quebrada, onde os alemães sairiam vendendo o resultado muitíssimo caro. Onde a derrota foi sentida, mas acalentada pela garra. E o outro ocorrido há onze anos atrás pela mesma liga, entre os dois em questão. O jogo ocorreu no Camp Nou em Barcelona, o Bayern ganhava o jogo e o titulo da liga incrivelmente até os 45´ do segundo tempo, quando o imponderável aconteceu. Aos 46´ o inglês Sheringham empatou o jogo e aos 48´ o norueguês Soskjaer virou – quando o Bayern sem acreditar deu a nova saída de jogo, Pierluigi Collina trilou o apito sagrando o Manchester campeão da liga. Essa ferida porém foi fechada hoje. Os alemães esperaram onze anos para se vingar do time inglês. Embora não ocorrendo da forma súbita como em 99, o Bayern marcou o gol que lhe daria a classificação aos 28´ da segunda etapa, o holandês Robben acertou um sem pulo lindo de esquerda sem chances para o compatriota Van Der Sar. Embora após o gol o Bayern tenha recuado um pouco, o Manchester não conseguiu reverter sua desvantagem, numa “crônica de uma desclassificação anunciada”. Mesmo ganhando o jogo por 3x2, o Manchester não ficou com a vaga, uma vez que tomou dois gols em casa. Os anjos que sobrevoaram a Berlim de Wim Wenders estiveram presentes no Old Trafford, os anjos da vingança e da redenção. Os ingleses puderam sentir o que os alemães sentiram onze anos antes. E somente quando se sente na própria pele e que se consegue medir a dor que o outro sente. Essa vitória eu diria foi a vitória da garra alemã (no caso aqui refiro-me como vitória a classificação), da força e não apenas disso, mas do espírito da insistência e da não-desistência. Mesmo o Bayern possuindo uma verdadeira legião estrangeira, todos nessa partida pareciam envoltos ao espírito legendário da tradição alemã, espírito esse que nunca desiste, nunca se entrega e que sempre confia na esperança. Uma coisa pode sempre esperar dos alemães, luta, pois já fazem 140 anos (1870-2010) que esse povo luta sem cessar em busca de seus objetivos.











































































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