terça-feira, 6 de outubro de 2009

Crítica.

American Music Club - The Golden Age.


por Marlon Marques.




















Se o mundo fosse um lugar mais justo, o American Music Club seria com certeza uma das bandas mais importantes do mundo. Mas como não é, fiquemos aqui nos derretendo em elogios e meias verdades sobre essa banda de São Francisco. O líder dessa banda é Mark Eitzel, um sujeito discreto, cheio de boas intenções musicais, e conseguiu demonstra-las a nós tanto com sua banda como em sua carreira solo. The Golden Age é o nono disco de estúdio da banda, e uma banda que não faz parte do mainstream chegar ao nono disco, é de fato uma façanha incrível e um denotador de sua qualidade. E põe qualidade nisso. Seja nos instrumentais refinados, ou na voz baixa e semi-sussurrada de Eitzel, o AMC se destaca, insistindo em fazer beleza num mundo turvo e cheio de trevas. A música que você encontrará aqui é basicamente country de qualidade, levadas folk, um rock básico, porém bem tocado e melodias agradáveis para tardes laranjas e para velhas estradas no meio oeste americano. Logo aviso que esse disco não é para corações brutos e para machos com potencial destrutivo, mas para pessoas de sensibilidade, e principalmente para quem sabe distinguir sensível de fresco. The Golden Age, como o próprio nome diz, “A era dourada”, é um retrato de um tempo familiar, acolhedor, onde as pessoas falavam com seus vizinhos e as hostilidades eram amenizadas com bolos e festas para todos. A era dourada é um tempo perdido longe, onde só nos sonhos é possível hoje, só nas mentes e nos corações desbravadores de sonoridades sutis como a que encontramos nesse disco. “The Victory Choir” tem um coro lindo, junto com sua levada com direito a um belo delay de guitarra, uma canção cadenciada onde a voz de Eitzel toca fundo na alma. “The Sleeping Beauty” é ótima para embalar sonhos. É uma canção sensível em sua plenitude, com dedilhados suaves e cordas brilhantes ao fundo, é capaz de fazer qualquer um ir ás lagrimas, através da sensibilidade. “Who You Are” é outra bela canção, bastante engenhosa nos arranjos e muito cativante na levada – mais uma vez aqui Eitzel dá seu toque mágico, põe todo coração, se joga de cabeça como num precipício. O American Music Club com alguma certeza possuem como influências os quartetos de corda [típicos da música de câmara de Mozart] e Leonard Cohen, pela coesão. “The Windows Of The World” é milimétricamente calculada, feita sob encomenda para um romance impossível. Um bela refrão embala a canção, que possui uma das melhores introduções do disco. O disco é cheio de momentos grandiloquentes como “One Step Ahead” com suas nuances de levesa/distorção, criando uma atmosfera de bonança pós-tempestade. Os instrumentais de “The Dance” também são algo a parte do disco, solos tortos de guitarra dividem espaço com uma sutil levada country, corinhos embalam a levada, que chegam direto a nós com graça e força. Há no disco também um certa aura “americana”, algo meio roots, eu diria, um desejo de homenagear a primeira América. Essa impressão é confirmada em “I Know That´s Not Really You”, com acordeom e compasso dois por dois, lembra a música dos colonos irlandeses e escoceses que aportaram no norte do continente fugidos das perseguições religiosas da reforma protestante. Outro exemplo de grandiosidade do disco é “On My Way”. Começa lenta e ao poucos vai crescendo, com paredes de guitarra bem erguidas, mas sempre mantendo a base simples no fundo, só que aqui ouve-se bem de leve o dedilhado, precedido por ecos e efeitos que recriam a o fim da tempestade que assolou o navegante da bela capa do disco. The Golden Age é um verdadeiro achado, lançado em 2008, o álbum é bastante diferente do rock feito nesse fim de década. É um som original, próprio e cheio de referencias boas de uma verdadeira era de ouro – digo isso pelos diálogos possíveis de se estabelecer ao ouvir o disco, de Leonard Cohen já citado, ao country e a música irlandesa, passagens que nos lembram por vezes até Nick Cave, ou seja, referências de altíssimo nível. O American Music Club continua sendo exclusivo de alguns poucos sensatos que apreciam música verdadeira e que esteja fora do velho esquema de mercado. Bandas que primam pelo bom gosto musical e sabem que sempre haverá oriundos de tempestades como nós, que iremos atravessa-la e no continente com os pés secos, iremos ouvir e nos deleitar com os bons sons. Deixo que cada um tenha sua interpretação analítica do disco e principalmente emocional, porém deixo a seguir as impressões de outros blogs sobre o disco. O pensosonoro.blogspot disse que o álbum nos apresenta, “uma coleção de temas, onde nostalgia, melancolia e desgosto, vão casando na perfeição com as guitarras acústicas, com as harmonias requintadas, com a voz melosa e pastosa de Eitzel”. O firstimpressionsofhearth0.blogspot o descreveu como: “a delicadeza e candura dos arranjos, bem como o sentimentalismo desinquieto inerente ás letras de Eitzel, traçam um disco intimista e contemplativo”. E por final o jornalberbequim.blogspot disse: “uma profunda melancolia perpassa todas estas canções, cantos de uma terra desencantada e magoada que Eitzel encara sem filtros em palavras que não temem o expressar do que há de frágil em quem as canta”.






































American Music Club - The Golden Age [Merge Records, 2008].

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