terça-feira, 22 de setembro de 2009


Crítica.

Frank Zappa - Zoot Allures.


por Jiff Stake.


























Todo disco de Zappa é sempre impressionante. Todo disco de Zappa é sempre uma aula de como se fazer música honesta, de conteúdo e bem feita. Pois, existe quem faça música de conteúdo e bem feita e não é um artista honesto. Há quem seja honesto e não tenha competência musical, e assim por diante. No caso de Zappa não, encontra-se tudo isso e mais um pouco, e esse mais um pouco, sobra nesse Zoot Allures. Grande disco, um disco de rock com um pé na América profunda. Quem olha essa capa numa loja de discos, não da nada pelo conteúdo. Zappa e seus asseclas aparecem encostados numa parede, largados, nos encarando como quem pergunta: “e aí?” Embora seja um quarteto, mais de dez músicos estavam envolvidos nesse álbum, inclusive o lendário, maluco e amigo pessoal de Zappa, Captain Beefheart. As músicas são bem diversificadas, tendo um pouco de tudo nesse caldeirão. Zappa além de ter produzido, assumiu baixo, guitarra, sintetizador e teclados, além dos vocais e das composições, não só das letras, das músicas também. “Wind Up Workin´In A Gas” abre o disco cheia de guitarras, solos e um virtuosismo jazzístico. O disco muda totalmente de ambientação na lenta e bluesística “Torture Never Stops”, com direito a gemidos orgásticos de uma mulher, o solo de fundo é lindo, assim como o riff principal da ótima “Ms. Pinky”, cheia de ecos e pling plongs progressivos. Zoot Allures é bastante climático devido suas várias músicas instrumentais, a ao vivo “Black Napkins”, a psicodélica “Friendly Little Finger” e a faixa título “Zoot Allures”. Essa sendo uma linda viagem de andamento lento, efeitos de guitarra inebriantes e uma verdadeira lição de técnica e improviso, mostrando a todos que jazz e rock progressivo podem andar juntos muito bem obrigado. Zappa também exercita bem seu lado contador de histórias em “Wonderful Wino”. Um homem bêbado sem identidade próprio encontra uma mulher e decidem ter um romance no final do verão de 1969. O som é um ótimo jazz rock, cheio de nuanças e riffs cheios de balanço, a melodia da música e voz torta de Zappa deixam a música ainda melhor. Zoot Allures é puro virtuosismo sem ser chato, Zappa combina bem os elementos fazendo com que a audição do disco seja bem agradável.




























Frank Zappa - Zoot Allures [Zappa Records, 1976].

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