domingo, 30 de agosto de 2009


Artigo.

A beleza nos olhos de quem vê.


por Marlon Marques.





































































































































































































































































































































Gosto não se discute, diz o ditado. Isso é fato. Agora duvidar do gosto de alguém, isso não é errado, e nem incorreto. Revistas e sites por aí elegem em listas as piores ou mais feias capas de discos, então nesse esteira, decidi vasculhar rapidamente meus arquivos pessoais em busca de capas eu diria, “de gosto duvidoso”, pra não dizer feias. Até porque quem decide o que é belo ou feio é o próprio indivíduo, não há absolutismo em questões de gosto. É claro que sabemos que há coisas que são belas mesmo que outras pessoas não as considerem [o mesmo serve para coisas feias]. Gosto pessoal é respeitável, mas existem coisas que extrapolam o mero gosto individual, ultrapassa a idiossincrasia. Também percebi nessas listas, que não há nenhum critério para essa eleição, nada dizem sobre como chegaram a essas capas. Eu por exemplo as elegi por serem feias no meu entender, e no entender de algumas pessoas que consultei, e ocorreu uma unanimidade – embora toda unanimidade seja burra como já nos disse o bom Nelson Rodrigues. Outro critério é que são capas de minha coleção pessoal e que não foram eleitas por outros sites e revistas, pelo menos das que eu tive contato. São capas variadas, de artistas de países diferentes, de gêneros diferentes. Os holandeses do Alamo Race Track no disco Black Cat John Brown estamparam uma menina com pintura de gato em sua capa, a menininha é até bonitinha, mas a pintura é horrível. Os americanos do Brad puseram na capa do disco Shame, um patético menino nos encarando, cercado por uma bizarra trupe de bonecos de carnaval, inclusive um a esquerda com cara de gato assassino. Na capa do disco Tightly Knit, a banda inglesa Clímax Blues Band estampou um sujeito careca com uma língua preta posta pra fora, sua cara de desespero o torna ainda mais feio. O Half Japanese no disco Charmed Life, trazem um macaco desajeitado na capa. É um macaco gordo, tomando um taça de champagne com olhos marejados e uma boca em branco sem dentes, péssimo. O ótimo Magazine no também ótimo disco Real Life nos amedrontam com essas caras feias e poligonais em sua capa. O Matchbox 20 no disco Yourself Of Someone Like You, traz um gordo melancólico com um chapeuzinho ridículo de aviador, já o Quicksand em seu Manic Compression, nos apresentam sujeitos horríveis típicos da arte horrível do final do século XX. Caras grandes e redondas com bocas cheias de dentes, braços finos e mãos grandes, acentuando a assimetria das figuras. A capa do último disco dos alemães do Robocop Kraus, Blunders And Mistakes, traz um velho barbudo massageando um macaco de touca de bananas com um sorvete de morango nas mãos. Ao redor deles em uma mata colorida e psicodélica, há uma série de animais malucos e uma menina sentado no chão com uma expressão confusa. Já a capa de Heavy With Puppy do Superconductor, um menino de touca estica o braço para receber de um velho bondoso uma salsicha numa loja de frios e outros embutidos. A banda americana Tera Melos no disco Drugs To The Dear Youth, nos mostra um beijo monstruoso de duas figuras horríveis. A fêmea percebe-se ser a branca pela unha pintada de azul, enquanto o verde é o macho, porém ambos trazem no rosto um expressão de tragédia. Já o menininho da capa do disco The End Of The Ring Wars da banda The Appleseed Cast, é tristonho, mas feio, com bochechas caídas e queixo de velho.

A banda The Maccabees no disco Colour It In, traz uma platéia de pessoas feias, com direito um homem com um saleiro na boca. Porém uma das capas mais feias que eu já vi, é a do disco Y da banda The Pop Group. Trata-se de uma tribo de guerreiros pintados, armados com lanças e vestido em tangas sujas e mal cheirosas. Todos usam mascaras horríveis e nos dão a impressão que vão nos pegar. Muitos dizem que Susan Boyle é feia, mas feia mesmo é a moça que estampa a capa dos tchecos Vêra Bílá & Kale no disco Rom – Pop. Ela ri de nós por saber que riremos dela também, ela segura um lírio, enquanto observamos seu braço gordo e sua verruga sob o supercílio. Agora mal gosto mesmo é a capa do disco A Promisse da banda americana Xiu Xiu. Um homem nu [com o sexo censurado] segura uma boneca de ponta cabeça em cima de uma cama ao lado das roupas. Na verdade é só um aperitivo, muitas outras capas viram e serão lançadas, mas o que importa mesmo é o conteúdo dos discos. Agora teste seu bom ou mal gosto observando essas capas, talvez você encontre nelas algo de bonito, afinal, “a beleza está nos olhos de quem vê”.













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