segunda-feira, 13 de julho de 2009


Artigo.

O Futebol como simulação da esperança.


por Marlon Marques e Dusty O`Connor.



















O amistoso entre Iraque e Palestina realizado no dia 10 de julho de 2009 deve entrar para história como o jogo da esperança. O futebol pode até ser chamado de ópio para as massas, mas não há como negar o seu poder de mobilização e comoção, e de porque não, fuga. É de conhecimento de todos a situação de palestinos e iraquianos, todos nós sabemos que viver nesses países [há dúvidas quanto a Palestina] na situação em que se encontram não é nada fácil. É uma luta sobreviver, ou melhor, “sub-viver”, é um ato de bravura acompanhar o ciclo de nascimento e morte do sol a cada dia. Guerra, morte, violência, desesperança, todos os dias são a tônica das vidas na porção desfavorecida e esquecida do Oriente Médio. Desde que as tropas dos Estados Unidos ocuparam o Iraque, as vidas das pessoas nunca mais foram as mesmas – sendo que em nada mudou, continuou tão ou mais ruim de quando Saddam Hussein ocupava o poder – e desde 2002 a seleção de futebol local não jogava em seu país. Cerca de 25 mil pessoas acompanharam a vitória do Iraque sobre a Palestina, porém muitas milhares no mundo inteiro comemoraram por algo ainda mais raro naquele país do que uma partida de futebol, um momento de paz. Mais do que uma vitória esportiva, foi uma vitória da nação, ou melhor, de uma parte da nação iraquiana, pois por um momento aquela pequena multidão que se aglomerou nas dependências do estádio Frasou Hariri em Irbil, não falou em morte, embora os atacantes iraquianos tenham fuzilado a meta do goleiro palestino por três vezes, não chorou, ou melhor, chorou, mas de emoção. Foi uma verdadeira celebração da fraternidade, algo inverso de que se vê nas ruas – é só notarmos a expressão no rosto das pessoas nas ruas e nas arquibancadas do estádio. O futebol tem o poder de nos concentrar em cada lance, tem o poder de nos transportar para bem longe da realidade, de nos colocar no lugar do atacante na frente do gol, ou do goleiro no instante decisivo de um pênalti. Todos temos o direito de ter esperança, lembre-se do povo haitiano na ocasião em que a seleção brasileira lá esteve, lembre-se da comoção social, e de como foi importante para muitos ali aquela oportunidade de ver seus ídolos, por mais banal que isso seja para você. É melhor celebrarmos uma partida de futebol, do que celebrarmos a estupidez humana e as estupidez de todas as nações [Renato Russo], é melhor simularmos uma realidade possível, do que tornarmos real as impossíveis atrocidades. É um jogo histórico por mostrar que o Iraque já caminha [assim esperamos] para um futuro de autonomia e estabilidade – pois se uma partida foi possível em meio ao constante clima de insegurança, é sinal de que as coisas "podem" estar mudando. É claro que sabemos que há a grande questão de fundo, política e geoestratégica, sabemos que mesmo Obama tem seus interesses na região, e o Irã pensa em coopitar o vizinho ao seu lobby local de alcance global. Porém talvez o futebol seja uma força capaz de mover a sociedade e a nação iraquiana a um caminho de independência e paz, como disse o presidente da federação iraquiana de futebol Hussein Saeed, “nós estamos todos aqui porque o futebol é a mensagem de amor”. Entretanto, sabemos também que sempre há aqueles que são contrários as mudanças, pois tem quem lucre com a situação mantida como está, e há sempre também a medição de forças entre a situação e a oposição. O problema é, que a situação é pró-americana, e a oposição é ligada a grupos extremistas, e no final das contas, nenhum dos dois lados estão[ou são] pró-Iraque. Cada um defende seus interesses pessoais, e o povo fica no meio desse conflito como escudo humano, onde muitas vidas se vão por fim de semana. Não seria melhor se aos finais de semana ao invés de as pessoas sairem as ruas para conflitos armados e mortais, saissem nas ruas para comemorar títulos e vitórias? O futebol não é apenas uma guerra simbólica, é também a simbologia maior da esperança, é só rememorar o milagre de Berna, ou o sonho [logo abortado] de um futuro a muito anúnciado de um Brasil próspero embalado pelo tetra [após os duros anos 80 e uma tenebrosa era Collor]. Acredito que é de fato um marco positivo na história recente do Iraque, não somente por demonstrar mínimas condições de uma vida normal possível, mas também por mostrar ao mundo que o povo iraquiano não se esqueceu do caminho que leva até a alegria e a esperança.






















































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