domingo, 14 de junho de 2009

Crítica.

Faith No More - Album Of The Year.


por Marlon Marques.





















Album Of The Year é o ultimo disco de estúdio do Faith No More. É um disco um pouco [ou muito] mal visto pelo público e pela crítica. Esse disco porém é bem profissional, pois é de conhecimento de todos, que nessa época os ânimos entre os integrantes – especialmente Mike Patton e Mike Bordin – estavam muito exaltados e o fim estava próximo. Patton chegou a declarar que Album Of The Year é o seu disco mais medíocre, menos inspirado. Agora pensa. Se esse é o disco menos inspirado da banda, o que é inspiração então? E mais, como qualificar o que fazem hoje em dia as bandas de rock? A mídia como sempre esperava mais um “The Real Thing” com pelo menos duas ou três Epics, já que os dois últimos álbuns, “Angel Dust” e “King For A Day” foram extremamente anticomerciais. Como sempre aqueles que esperam o mais do mesmo, se enganaram, e o Faith No More voltou no seu álbum mais sombrio, superando até as sombras de Angel Dust. Porém há um detalhe até conhecido, quem sabe não esquece, é como andar de bicicleta, você saberá mesmo depois de muitos anos sem subir em uma. E o Faith No More prova isso nesse último e ótimo disco. Mesmo sem a mesma harmonia de antes, a banda continua afinada no estúdio, e por incrível que pareça, na maioria das músicas todos os integrantes colaboraram. O disco é bem denso e pesado, e com os teclados de Bottum ressaltados, o disco torna-se climático também. “Collision” abre o disco em grande estilo, coesa, firme, apresenta uma banda concentrada, e logo de cara nos dá um direto de esquerda do queixo para o maxilar [como a capa do disco vulgar display of power do pantera]. Outro ponto é a produção, bem dividida, separando os intrumentos, dá pra ouvir todos perfeitamente, além de alguns efeitos de voz. Seguem esse linha de Collision, “Naked In Front Of The Computer”, pesada e bastante marcada pela bateria do ótimo Mike Bordin, e “Got The Feeling”, pesada também, rápida e muito bem cantada por Patton, com gritos estéricos e efeitos. “Stripsearch” é a mais eletrônica do disco, lenta, calma, trazendo Mike Patton dando uma verdadeira aula de canto, além dos solos lindo de Jon Hudson. “Helpless” é a balada do disco, com direito a overdub de violões, tecladinhos flutuantes e paisagens bucólicas, é quase uma CowBoy Song, dá até pra tocar no rádio, bela. “Last Cup Of Sorrow” tocou algumas vezes no rádio, assim como “Ashes To Ashes”, isso na época em que a Mix FM e a 89 ainda eram rádios de rock. Last Cup Of Sorrow é um alerta sobre o tempo que passa e sobre como a vida pode ser injusta com você, portanto não abaixe a cabeça, engula esse trago, pois essa é sua última taça de mágoa. O som é tenebrosamente gélido e bonito, como o som de Ashes To Ashes, sendo essa última mais lúgubre. “Mouth To Mouth” é o lado multicultural e nostálgico do Faith No More. Nostálgico pois o som se parece muito com as músicas dos primeiros discos do Faith No More – ainda com Chuck Mosely nos vocais - e multicultural, por adicionar incluências orientais em sua sonoridade [há algo de judaico e de árabe nessa música – o mesmo que Patton faria dois anos depois em “Ars Moriendi” do Mr. Bungle]. Esse experimentalismo também se vê no formato de “Home Sick Home”. Uma canção diferente, o vocal de Patton está puxado, esticado como um elástico, mais grave – mais perto de seu lado crooner – é uma canção barulhenta, bem rock, porém um tanto sludge, arrastada. “She Loves Me Not” é a romântica do álbum. Patto se parece aqui com os antigos cantores de soul music americanos, alternâncias vocais, coraizinhos, instrumental climático-emocional e ritmos suingados. Patton antecipa um pouco do que iria fazer no disco seguinte do Mr. Bungle, veja as semelhanças entre Shes Love Me Not e Vanity Fair, e entre Mouth To Mouth e Ars Moriendi [essas duas músicas do álbum California do Mr.Bungle]. “Paths Of Glory” é angustiante e sombria. É baseada no filme de mesmo nome de Stanley Kubrick, o filme conta um história verdadeira ocorrida na I Guerra Mundial, sobre abuso de poder, valentia e sangue, glória e sangue. “Pristina” também é uma canção arrastada e angustiante, é uma fusão de Paths Of Glory com Home Sick Home, melancólica e apoteótica, uma grande música. Em suma Album Of The Year é um disco inspirado – ao contrário do que disse Mike Patton – um disco eclético, cheio de canções diferentes, e acima de tudo experimental. Experimental no sentido de buscar direções diferentes, de sair do marasmo e mesmice que muitas bandas se encontram [e se encontravam a época]. Bandas como Silverchair, Bush, Foo Fighters, embora algums tenham caído no grande esquema, seguiram esse caminho, não tão fora dos padrões assim, mas lançaram discos diferentes de seus trabalhos inicias, um grande disco por exemplo é o Neon Balroom do Silverchair. Se o Faith No More continuasse com a mesma fórmula de The Real Thing, teria se tornado presa fácil do grande mercado, teria morrido na competição da indústria e não teria forças para exercer tamanha influência como exerceu e continua exercendo, e exercerá até quando houver pessoas e bandas afim de alçar vôos por paisagens diferentes e autênticas.



























Faith No More - Album Of The Year [Reprise/WEA, 1997].

download.




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Um comentário:

  1. A sua descrição é tão perfeita que permite que eu (mera apreciadora de música, mas crua no assunto) imagine exatamente como é a música sem tê-la ouvido ainda. Só Ashes to Ashes eu já tinha ouvido... agora quero comprar esse álbum inspirado.
    Talvez o Patton tenha dito da boca pra fora... coisas que às vezes falamos quando estamos magoados ou de saco cheio, mas que não é exatamente o que sentimos. Faith no More continua na minha lista de bandas preferidas.
    A propósito: o Silverchair também mudou bastante o estilo. Sumiram uns tempos e estão voltando com um som mais maduro e instrumental, eu gostei bastante. Só que ainda não estão nas paradas daqui... Tomara que não se banalizem.
    Beijão!!

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