domingo, 1 de março de 2009

The Pogues – Pogue Mahone.

por Dirce Dalila.

















O grupo inglês The Pogues, ou simplesmente Pogues, não é conhecido no Brasil, há mais você vai me dizer querendo me contrariar que tem sim fãns do Pogues no Brasil. É de fato tem sim, duas comunidades no orkut [comunidades brasileiras] com um total de 438 membros as duas, aí eu te digo, isso é muito para um país com 190 milhões de habitantes? Pergunto a você cara leitor, quantas vezes você ouviu alguma música do Pogues na rádio, ou algum videoclipe na MTV Brasil? Mas isso não significa falta de qualidade, as vezes você é bom para os críticos, mas não para os diretores de programas e público, quer um exemplo, The Auters, The Cramps, entre outros grupos históricos que não fizeram sucesso, são conhecidos, mas não fizeram parte do “mainstream”. Já escutei todos os discos do Pogues, e acho que a banda cresceu muito durante a carreira, assim como o Shane MacGowan, aquele feioso e dentudo vocalista, mas que tem uma incrível voz e um talento grande para conduzir essa grande banda da ilha dos Beatles e dos Stones. Pelo conjunto da obra, posso definir o som do Pogues como criativo, empolgante, diversificado, ou seja, músicas rápidas [modinhas à irlandesa], arranjos mais puxados para o folclóre celta e bretão, rocks e passagens inclinadas para o jazz [raramente] e algumas canções mais lentas, semi-baladas. O disco em questão é o bom “Pogue Mahone” de 1996, lançado pela WEA. O disco traz um notável amadurecimento vocal de MacGowan, pois dos instrumentais não há do que se falar, ouça a faixa de abertura “How Come” e veja, solo de bandolim, passagens de gaita e acordeão, enriquecem o som, o que mostra uma diversidade e uma amplitude dos horizontes no mundo da santíssima trindade de bateria, baixo e guitarra. Pogue Mahone é um álbum bastante equilibrado, oscila entre canções lentas e rápidas, como já foi dito, mas todas executadas com rara beleza e técnica, além do mosaico de instrumentos variados, presentes na música tradicional britânica – e talvez seja por isso que muitos veram semelhanças com o country americano, esse estilo se formou no interior nos Estados Unidos devido a influência dos colonos ingleses, escoceses e irlandeses que ali se instalaram. As faixas “Living A World Without Her”, “When The Ship Comes It” e “Amadie”, são as canções rápidas desse disco, devido ao grande uso de bandolis e banjos, elas se assemelham a grandes paisagens bucólicas do interior, aos grandes banquetes em família e as celebrações da vida campestre e da alegria de viver. Já “Anniversary” e “Love You´Till The End”, apresentam ritmo lento, calmo, são canções compassadas e com corais de acompanhamento, há uso de viola e acordeão ao fundo, além de pandeirolas para enfeitar, é a cereja do bolo. Porém o grande destaque do álbum é a canção “Point Mirabeau”, uma linda canção de amor, que seria perfeita para filmes como Tomates Verdes Fritos. É uma bela letra sobre amor sobre uma pessoa que recorda que se recorda de um grande amor sobre a ponte Mirabeau [lê-se mirabô] no rio Sena. Imagine-se observando as águas do rio correrem seu curso eterno, e você se lembrando de momentos de sua vida à dois, mas que já não existe hoje, e de como foi bom, mas há uma lição em tudo isso, ou duas, a primeira é que nessa vida tudo passa, e segundo é que você deve amar e ser feliz a cada dia, sem adiar para amanhã, pois se temos hoje e não aproveitamos, podemos querer amanhã e não termos. O arranjo é espetacular, chega a ser comovente, o começo com cordas e teclado, sinta o ar batendo no rosto, depois o compasso de valsa, as intervenções de acordeão e do mesmo teclado. MacGowan vai declamando a linda letra ao som dessa suíte de beleza sem igual, derramando-se sobre o mél o peso das lágrimas de um amor que só se consola ao som dessa bela canção.


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Shane MacGowan. (Rex Features®. Dimery, 2007.)

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