segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Os Transformers voltam às bancas

Após quase "quatro milhões de anos" de espera, finalmente os transfãs de todo Brasil poderão ir à banca mais próxima de suas casas e ler seus heróis de Cybertron

Por Leandro Borges Pereira

Transformers Generation OneA espera foi longa, mas está chegando ao fim! A Panini Comics deve lança em setembro a série Transformers Generation One, publicada originalmente pela Dreamwave.

A série foi um estrondoso sucesso nos Estados Unidos, surpreendendo muita gente pelo volume de vendas. Só não houve surpresa para os fãs de Transformers ao redor do mundo, que tinham certeza de que, se houvesse um lançamento trazendo os antigos personagens do desenho animado dos anos 80, o êxito seria imediato.

E foi realmente o que aconteceu. A desconhecida Dreamwave liderou o ranking dos mais vendidos da distribuidora Diamond no ano passado com a minissérie Transformers Generation One, e depois conseguiu excelentes posições ao lançar os títulos Transformers: The War Within e Transformers Armada.

Afinal, Transformers é apenas um fenômeno de momento ou um sucesso que veio pra ficar? Pra desvendar esse mistério, vale voltar no tempo e descobrir como isso começou...

Anos 80 reloaded

Optimus PrimeA onda de nostalgia da década de 1980 foi fundamental para as vendas pra lá de bem-sucedidas de títulos atuais como Transformers G1, Thundercats, He-Man e G.I. Joe. Mas se houve um lugar onde isso começou, foi a internet.

Com o advento da internet, todos aqueles que quando crianças colecionavam figuras de ação dos anos 80 ou apenas assistiam aos desenhos animados da TV, voltaram a se interessar pelo assunto, agora como jovens e adultos.

Sites e mais sites sobre os personagens surgem daqui e dali; antigos colecionadores compram e vendem figuras de ação, revistas em quadrinhos e todo tipo de memorabília imaginável dos antigos ídolos.

Não demorou muito para serem criados fóruns, listas de e-mails e salas de discussão do assunto. Assim, formaram-se comunidades, clubes e organizaram-se convenções. Heróis da década de 80 logo eram novamente uma coqueluche, dessa vez disseminada pela nostalgia dos internautas - que não são poucos.

E de todos esses personagens, os Transformers se destacam como os mais queridos.

Numa recente pesquisa da revista Wizard Toyfare sobre qual seria a melhor coleção de toys de todos os tempos, a coleção Transformers surpreendeu ao vencer o clássico Star Wars na semifinal. Na "decisão", teve uma esmagadora votação contra He-Man and the Masters of The Universe.

MegatronEm outra pesquisa, o desenho animado Transformers esteve no Top 10 da eleição dos 100 maiores desenhos animados de todos os tempos. As animações Beast Wars e Beast Machines - recentes ramificações do desenho animado original - também integraram esse rol.

A prova final da adoração pelos Transformers foi a quantidade de revistas vendidas. Enquanto Thundercats, G.I. Joe e He-Man conseguiram boas posições no ranking das mais vendidas, Transformers conseguiu a façanha de vender mais - leia-se muito mais - que X-Men, até então o líder da última década, mantendo uma regularidade durante as seis edições. Assim, enquanto X-Men manteve suas 100 mil cópias mensais, a primeira edição de Transformers G1 bateu quase 120 mil cópias!

A primeira edição da série surpreendeu também pela quantidade de pré-vendas feitas pela internet. Até a Dreamwave se assustou um pouco com isso, e chegou a publicar três tiragens da revista, além de variant covers, pôsteres e afins.

Por ser uma edição de estréia, era até plausível uma venda tão boa, mas a aposta era que a revista seria um fenômeno passageiro, que não permaneceria no topo por muito tempo. Mas a regularidade se manteve, e Transformers deixou todos os títulos Marvel e DC Comics para trás, causando o maior rebu no mercado de quadrinhos.

Quadrinhos Transformers

A jornada dos robôs de Cybertron nas HQs começou em setembro de 1984, com o lançamento de Transformers # 1 - a primeira parte de uma minissérie de quatro edições, como estava escrito na capa.

Só que não foi apenas uma minissérie, e a revista durou 80 edições nos Estados Unidos, terminando cinco números após o clássico combate entre Transformers e Unicron (# 75), no qual Optimus Prime derrota Unicron usando a Matriz de Criação - fato que não aconteceu no filme, mas que todos os fãs gostariam de ter visto.

Algum tempo depois, foi lançada a série Transformers Generation 2, que, apesar de trazer uma arte meio estranha, agradava no roteiro. Essa revista durou apenas 12 edições e encerrou o ciclo de quadrinhos da série em 1993.

Várias minisséries foram lançadas durante esse tempo, entre elas um crossover com os G.I. Joe, a quadrinização do filme e Transformers Universe - uma espécie de enciclopédia com os personagens. Mas o que muita gente não sabe é que, na Inglaterra, houve muito mais HQs dos personagens do que nos EUA.

No início, a revista Transformers UK foi lançada apenas reeditando histórias já publicadas nas terras de Tio Sam. Depois, no entanto, começou a produzir suas próprias aventuras, sem fugir da cronologia. O título, que tinha um número de páginas reduzido, chegou a ser semanal e durou 336 edições (!), sem contar os anuais de capa dura, formato livro.

E foi nas revistas de Transformers UK que surgiu um roteirista de nome pouco conhecido do público em geral, mas idolatrado pelos fãs da série: Simon Furman. Considerado um "papa" quando o assunto é Transformers, ele fez arcos de histórias tão boas, que acabou sendo chamado para dar seqüência também à série americana, sendo o responsável pela conclusão da saga.

Curiosidades aleatórias

O artista Brett Breeding arte-finalizou apenas uma história dos Transformers. O título era Funeral for a Friend, e trazia o funeral de Optimus Prime, o maior herói da série.

Anos depois, Brett viria a arte-finalizar a morte do Superman e uma minissérie de homônima.

Ambos heróis voltaram à vida.

Outra relação com o Homem de Aço é que, reza a lenda, que os Transformers surgiram inspirados no episódio Mechanical Monsters do antigo (e belíssimo) desenho do Superman dos estúdios Fleischer, na década de 1940.

A nova versão da Dreamwave

TransformersA Dreamwave teve várias vantagens ao ter em mãos o nome Transformers.

Uma delas foi a liberdade de criação da nova série. Enquanto a antiga muitas vezes era obrigada a se perder nos roteiros por ter que divulgar novos robôs - o que significava novos brinquedos que pareciam surgir todos os dias -, nas HQs atuais não era preciso se preocupar com nada disso. Os personagens utilizados são velhos conhecidos dos fãs.

Outra vantagem é que o longo tempo no limbo fez com que antigos fãs viessem sedentos atrás de uma nova revista, ainda mais por trazer os personagens clássicos, maiores responsáveis pelo sucesso da série.

E a força da marca Transformers, sem dúvida, foi a maior vantagem. Foram lançados, ao longo de 20 anos, inúmeros produtos diferentes pelo mundo todo, como desenhos animados, quadrinhos, brinquedos e memorabília. Além do fato de até hoje os Transformers serem copiados a torto e a direito.

Tudo isso, aliado à qualidade da arte e a dinâmica dos roteiros, que estão mais maduros, fez da nova série de quadrinhos um fenômeno. Além disso, a Dreamwave contratou Simon Furman para escrever a série Transformers:The War Within, que conta histórias do passado de Cybertron com os personagens clássicos.

E a equação foi simples: Simon Furman + arte espetacular = sucesso garantido.

Trajetória no mercado brasileiro

Transformers #3, edição brasileiraForam apenas dois anos de vida no Brasil, mas a revista Transformers deixou saudades.

O título era lançado junto com a revista D´Artagnan, pela Rio Gráfica e Editora, e ambas duraram 12 edições.

O número derradeiro fechou o primeiro arco de histórias da série, e o fim da editora deu a entender que a revista seria cancelada no Brasil.

No entanto, a RGE apenas deu lugar à Editora Globo, que trazia reforços de peso como a Turma da Mônica, o Fantasma e o Recruta Zero. Quando ninguém mais esperava, eis que surge a revista Transformers Especial, com o dobro de páginas e um preço bem mais caro que a revista anterior.

A Globo desgastou ao extremo a revista, chegando a falhar na periodicidade, publicando-a duas edições em 30 dias e deixando de lançá-la mês ou outro. Além disso, por muitas vezes, os personagens traziam nomes traduzidos em uma história; e em outras o original.

Transformers #12, edição brasileiraNão bastasse isso, como a revista republicava duas edições da americana por mês, chegou um momento em que a cronologia nacional alcançou a americana, o que impossibilitou o lançamento de um novo número com duas histórias.

Graças a essa trapalhada, a revista Transformers Especial não passou do número 10 - o equivalente à edição 32 nos EUA. Muito material interessante ficou pra trás, como o crossover com os G.I.Joe, que poderia perfeitamente ter sido lançado pela editora, uma vez que eles também publicavam o gibi Comandos em Ação.

A última vez que um personagem dos Transformers deu as caras em revistas brasileiras foi numa rápida aparição de três quadrinhos da personagem Rompe-Circuitos, numa revista do Incrível Hulk, durante a saga Guerras Secretas II.

A última edição de Transformers Especial chegou às bancas em novembro de 1987 e, desde então, não se publicou mais quadrinhos com os Transformers no Brasil. Até agora.

Transformers bem brasileiros

Capa de Transformers #1, da RGETransformers era publicada numa época em que brasileiro não tinha essa frescura de ficar falando comics - conhecia apenas o gibi, e era feliz por isso. Você juntava seus cruzados e ia comprar a revista com o jornaleiro, não em comic shops.

O lançamento da revista Transformers # 1, no Brasil, pela RGE, aconteceu em novembro de 1985, alguns meses depois do lançamento nos Estados Unidos.

O gibi tinha algumas particularidades interessantes. O logotipo, por exemplo, não era o original americano, pois seguia o da linha de brinquedos da Estrela. Assim, os Autobots viraram Optimus; e os Decepticons viraram os Malignus, pra poder facilitar a identificação com os brinquedos.

Outra curiosidade: a capa da edição número 1 americana trazia uma arte pintada com Optimus Prime - um personagem azul e vermelho -, além de um fundo pintado essencialmente em azul e vermelho. No Brasil, contudo, a arte foi alterada radicalmente. A RGE a encheu de verde e amarelo, não poupando nem mesmo o personagem, que ficou irreconhecível.

Mas o que mais dividia os antigos leitores eram os nomes traduzidos. Se eles mudavam até as cores dos EUA pras do Brasil, imagine nomes como Bumblebee, Wheeljack e Thundercracker! Furão, Motriz e Viajante funcionariam melhor. Ou não?

As discussões defendendo ou apedrejando os nomes nacionais duram até hoje, mas a verdade é que dificilmente a Panini vai transformar Optimus Prime em Supremus Absolutus novamente.

Dezesseis anos depois...

Tudo bem, é exagero dizer que demorou quase quatro milhões de anos pro retorno dos quadrinhos Transformers ao Brasil; e nem todo fã acompanhou a série das HQs para guardar saudades.

Mas quem acompanhou a série original quando foi lançada por aqui, e está há 16 anos aguardando por uma nova publicação nas bancas, não agüenta mais a expectativa.

Depois de muitos rumores de que a "versão remasterizada" de Transformers aportaria por aqui, finalmente o boato virou notícia! Ponto pra Panini!

Mesmo quem não é fã de Transformers vai gostar da qualidade da revista. Quem já curtia a série vai delirar. E os que têm apenas uma "fagulha nostálgica" perdida dentro de si, do tempo em que as manhãs de domingo eram invadidas pela turma do caminhão e do fusquinha amarelo que viravam robôs, vai se divertir bastante, com toda certeza.

Leandro.

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