segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Gnose


O grande desafio que se apresenta aqui é aprender a distinguir "conhecimento acadêmico" de "conhecimento revelado".

Conhecimento acadêmico, científico, empírico, não é gnose. É simples conhecimento! Simples ciência! Simples erudição! Simples cultura intelectual!

Gnose é "ciência divina","é conhecimento revelado", "é experiência interior e direta" das grandes verdades e realidades da vida que se processam

simultaneamente nesta e em outras

dimensões do universo. Acima de tudo, gnose é experimentar Deus, que é origem, causa, fonte e repositório de tudo que existiu e que ainda há de existir. Gnose é o que se poderia dizer, se o termo não tivesse sofrido tantos desgastes, de "experiência mística".

O que poucos sabem é que a "experiência mística" pode ser (é) também uma experiência científica, com a seguinte diferença: a experiência científica é feita em laboratório; a experiência mística é feita no laboratório humano, como ensinam os alquimistas, que eram os homens de ciência de ontem.

Feita esta introdução, vamos à realidade da vida. Até os eruditos e os considerados cultos desconhecem (ou conhecem de forma equivocada) a Gnose. Quê dizer, então, das pessoas simples e culturalmente despreparadas? Inicia-se aqui o mesmo drama de tantos outros incompreendidos do seu tempo, como Karl Gustav Jung, nascido em 26 de julho de 1875, no lugarejo de Kresswil, Cantão de Thurgau, Basiléia, Suíça. Jung foi - ainda é - vítima de um raro fenômeno, que ilustra bem o que estamos tentando dizer.

Para muitos, Jung é considerado um homem religioso, um místico, um bruxo, um esoterista (isso era a última coisa que passava pela sua cabeça). Mas, em vida, sempre se negou a seguir e a professar a doutrina de seu pai (pastor luterano) ou qualquer outra religião. Suas inquietudes espirituais só foram preenchidas e resolvidas quando teve acesso à Divina Gnose e à Alquimia- justamente duas formas do conhecimento antigo, muito ligado ao gnosticismo clássico.

É que Jung, como os gnósticos, negava-se a fazer parte de um sistema religioso morto. Por isso, dedicou sua vida à busca, à compreensão e à explicação de Deus como algo vivo, concreto e experimentável, fazendo dessa busca a base de todo o seu trabalho. Como conseqüência dessa atitude, que sustentou ao longo de toda sua larga existência, de um lado conseguiu o desprezo dos religiosos, crentes e teólogos por jamais aceitar, como vaca de presépio, as arengas de uma fé destituída de vida e conteúdo, e de outro, o descaso e o escárnio dos supostos homens de saber (os que se dizem homens de ciência), por não ver inconveniente algum em mesclar Deus com os objetos da pesquisa científica ortodoxa (que não admite, de forma alguma, aspectos, realidades e fenômenos metafísicos, espirituais ou transfisiológicos em suas pesquisas, estudos e investigações).

É aqui, então, que jaz o grande desafio de levar ao público não-iniciado os mistérios da Divina Gnose, a mesma que deu a Jung (e a tantos outros, do passado e do presente) as respostas que buscava para suas inquietudes espirituais e, também, para levar à cura as almas doentes que o procuravam em sua clínica.

No nosso caso, tentando começar pelo começo, antes é preciso saber que Gnose é uma palavra muito antiga. Ainda que conheçamos o seu significado como procedente do grego, é da antiga Índia que veio o Jnana ou Gnana, sendo parte essencial do Gupta Vidya (que quer dizer, literalmente, conhecimento secreto). Depois, em remotos tempos, ao chegar à Grécia, converteu-se em Gnôzis. Mais tarde ainda, se latinizou, transformando-se em noscere, de onde o co-noscere veio a gerar o nosso conhecer.

Aqui já aparece a primeira e grande diferença entre um "gnóstico" e um "crente". O gnóstico sabe por experiência direta; não precisa seguir ninguém. O crente é um seguidor; tudo que julga saber é extraído do trabalho de terceiros. Um gnóstico não tem opiniões; vivencia por si mesmo as verdades e realidades do mundo, da vida e do universo. Um crente só tem opiniões porque jamais experimentou coisa alguma por si mesmo. Limita-se a acreditar e a seguir teorias e dogmas - sejam eles científicos, filosóficos ou religiosos.

O gnóstico não é um inimigo social ou das religiões, como disseram os antigos detratores dos seus sistemas. Ele apenas quer ir (e vai) além da esfera das opiniões e das especulações meramente intelectuais. O gnóstico trabalha com capacidades desconhecidas de cognição, que estão dentro de si, para experimentar diretamente as grandes verdades do mundo real. Por isso mesmo, ainda que, por exemplo, o Jnana ou Gnana dos hindus, literalmente signifique "conhecimento", esotericamente adquire o caráter de "saber divino ou conhecimento supremo adquirido através do Yoga".

Em Filosofia, Gnose assume o conceito de "ciência superior aos conhecimentos vulgares, o saber por excelência". Em Magia ou na Ciência dos Arcanos - mais conhecida como Alta Magia - gnose é a ciência suprema que contém todos os conhecimentos sagrados, cujos segredos são conhecidos apenas pelos magos.

Todas as controvérsias que surgiram nos primeiros tempos do cristianismo são devidas, justamente, ao fato de a Gnose designar um conhecimento mais profundo das verdades dogmáticas que eram apresentadas aos fiéis da época. O próprio Teódoto, conceituava que "a filosofia gnóstica é como uma espécie de visão imediata da verdade", ou seja - e isso é muito importante: gnose é algo distinto da simples erudição adquirida através de leituras e estudos teóricos. Especialmente nos dias atuais, quando a ciência e a educação preconizam um conhecimento puramente intelectual, empírico e mecânico, isso se torna importante.

Em poucas palavras: sem menosprezar as conquistas da ciência e os dogmas das religiões confessionais (que têm seus papéis a cumprir) a gnose oferece meios, sistemas, técnicas, disciplinas e ensinamentos que podem levar o indivíduo ao conhecimento direto ou revelado.

Sem nenhum ranço de fanatismo, e apenas para salientar um aspecto da gnose em seu mais exaltado grau, o fato é que as lideranças políticas e religiosas de todos os tempos sempre detestaram a gnose e os gnósticos justamente por causa da implicação social das possibilidades que esse conhecimento oferece: um gnóstico não depende de ninguém e de nada porque se desapegou de tudo e de todos; vive de e para Deus (seu verdadeiro Ser, seu Pai Celestial), unicamente.

Para melhor compreender essas asseverações, vejamos algo da história e das tradições religiosas antigas: Jesus respeitava as leis, a sociedade, a família, o governo, tudo. Mas, não era dependente do sistema da época. Reuniu tal poder em si mesmo que, literalmente, podia tudo. Moisés, pelo poder divino que reuniu em si, conseguiu libertar o povo judeu do cativeiro no Egito, contra a vontade do Faraó. Buddha, quando conheceu a realidade da vida, largou tudo e buscou a iluminação (ou libertação do jugo e dos poderes da matéria). Enoch, pela sua fé e devoção, foi levado ao céu em corpo e alma. Isaías foi serrado ao meio porque se negou a comer alimento servido aos ídolos ou falsos deuses. Sócrates tomou cicuta e morreu feliz defendendo suas idéias. Jâmblico, o grande mago, podia materializar Anjos e Deuses, e com eles conversar frente a frente. Samael Aun Weor, no século XX, devotou toda sua vida à causa gnóstica. Agora, no amanhecer do III Milênio, vemos o surgimento de Igassan Bindu, que por 30 anos, dedicou-se às coisas de seu Pai Celeste.

E muitos ainda se perguntam aonde estão esses homens de poder, esses iluminados, esses Mestres de Sabedoria. Esses homens e mulheres sempre estiveram e sempre estarão em nosso meio, alguns têm missão pública, outros, missão privada. Samael Aun Weor, como Avatar de Aquário, cumpriu missão pública. Igassan Bindu, desconhecido até o último dia do século passado, tem missão privada, não será visto pelas multidões, mas seu nome será conhecido e exaltado por milhões.

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