sexta-feira, 28 de maio de 2010


Crítica.

Rosa de Saron - Horizontes Distantes.


por Marlon Marques.
















O Concílio Vaticano II pode não ter sido um sucesso absoluto em relação à flexibilização da igreja como queriam os clérigos progressistas. Mas com certeza a partir desse concílio e principalmente com a conscientização de que muitos fiéis católicos estavam sendo cooptados por outras igrejas, a cúria católica resolveu tomar uma atitude. O Vaticano tentou soluções a européia, os resultados foram pífios. A América Latina que já vinha de uma tradição independente desde a teologia da libertação, criou o chamado movimento carismático, repudiado pelo Vaticano. Desse movimento em linhas bem gerais, surgiram os padres cantores e também a banda Rosa de Saron. Se católico significa universal, e um dos legados deixados por Cristo foi à pregação de sua palavra para todas as pessoas, logo a música tornou-se uma meio bastante prático de fazer isso. O canto gregoriano já fazia isso há muitos séculos, porém tal forma tornou-se erudita demais para os dias atuais – logo, uma forma musical que dialogue com a juventude foi utilizada, o rock. O Rosa de Saron não é o primeiro a fazer isso, mas hoje com o declínio do Oficina G3, Kadosh e Catedral, a banda ocupou o espaço que era dessas não apenas no meio católico, mas também na mídia profana. Sonoramente o Rosa de Saron se aproxima de bandas como Creed e Nickelback. Faz um pop com guitarras, cheio de efeitos e com um vocal bastante melódico. Não é de todo ruim, há coisas bem piores, mas também não justifica todo o hype em torno da banda. O disco têm treze faixas de uma produção impecável. A capa traz o grupo numa pose despojada e nada tradicional em cima de uma passarela de alguma linha de trem da CPTM. Diferentemente dos chamados “evangélicos” – eu os chamo de protestantes, que é mais correto, os católicos são menos presos a referências bíblicas, o que os aproximam mais de uma música mundana, menos confessional. Porém o Rosa de Saron embora não foque a bíblia literalmente, aborda em suas letras temas como dor, esperança, amor, amizade e paz, que são temas ligados a espiritualidade e a crença cristã. Destaco como a grande música do disco “Sobre marés e angras”. Pop daquelas grudentas, mas bem intencionada, bem cantada e bem executada pela banda. O disco é cheio de momentos ensolarados – o que é evidente em uma banda de viés religioso, “Um novo adeus”, “Na chuva ao fim da tarde” são exemplos disso. As letras são simples, nada complexo e é isso que talvez atraia a juventude católica. Somente fazendo um comparativo, a canção “Mais que um mero poema” trata de temas sociais de uma forma mais fácil para o público em geral do que uma complicadíssima encíclica do intelectual papa Bento XVI. E é nessa corda bamba entre a austeridade e simplicidade que os católicos vão vivendo, e deixando problemas crônicos como a pedofilia de lado, tanto que em momento algum do disco isso é citado ou criticado – se é que isso deveria ter sido feito. Fica aos ouvintes da banda a questão.





























Rosa de Saron - Horizontes Distantes (Som Livre-Codimuc, 2009).

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