quinta-feira, 13 de maio de 2010

Artigo.

Comentar ou não comentar, eis a questão!


por Marlon Marques.




























Certa vez me perguntaram se eu não me incomodava com o fato de as pessoas não comentarem os artigos do blog. Eu respondi não. E de fato não me incomodo nem um pouco com isso. O que me importa é que as pessoas leiam, não comentem. É claro que os comentários suscitam debates, troca de ideias e eu sou bastante a favor disso. Porém eu não me lamento quando isso não acontece, até porque eu não espero isso mesmo do mundo hoje. O mundo de hoje é um mundo de poucos bons leitores. A começar pelo fato de as pessoas medirem um texto pelo seu tamanho. Quanto maior mais chato. Então quando se vê textos longos, logo não irão ler. Muitas soluções foram propostas para reduzir a evasão das leituras (não das livrarias), livros de bolso foram criados para serem levados a qualquer lugar, e-books tentam ganhar os internautas, mas nada disso resolveu. Bato sempre na tecla de que o mundo atual não é o do conhecimento, sim o da informação. Porém nem informação de qualidade as pessoas querem ler. Vez ou outra eu ouço comentários do tipo: existem muitos leitores no metrô. Porém quando se olha para o tipo de literatura lida, é de dar pena. Os títulos pululam aos olhos, Zibia Gasparetto e congêneres espíritas, Harry Potter, Dan Brown, auto-ajuda em geral e o mais recente fenômeno das livrarias, Crepúsculo. Se Norman Mailer não considera Tom Wolfe literatura, o que ele diria sobre os citados acima. Levando essa discussão para a música, isso explica o porquê às pessoas não gostem de canções mais elaboradas. Usando o Caetano Veloso por exemplo, embora seja um cantor popular, a maioria de suas músicas requerem pelo menos um conhecimento inicial em áreas como filosofia, literatura e artes, pois as referências são muitas (ouça “O Estrangeiro” e “Vaca Profana”). O público da novela que canta as músicas populares do Caetano nunca ouviu um disco completo dele. O problema é pensar. Tudo aquilo que faz pensar ou exige pensamento para entender, é considerado chato. Também pela falta de humildade em reconhecer suas limitações de compreensão. Fora dos grandes círculos ditos cultos e acadêmicos, quem lê James Joyce ou Marcel Proust. São autores considerados difíceis, e é comum ouvirmos que são chatos por muita gente. É uma defesa de quem não entende, direcionando a culpa na obra e não em si mesmo. Voltando a mundo da música e da informação, eu sempre defendi essa conexão. É importante saber quem toca os instrumentos, quais são os instrumentos utilizados – as vezes os naipes de metais são parecidos, quem compôs as canções. Só para contradizer os ferrenhos defensores dos encartes e dos discos de vinil, nem todos os encartes são informativos, alguns são apenas fotográficos e em alguns casos não trazem nem a ficha técnica. Outro ponto é o trabalho dos blogs em resenhar ou criticar os discos. É claro que há muita coisa descartável, mas há muita coisa de relevância na rede (esse tema será fruto de um futuro artigo). O que me incomoda um pouco é a repetição dos temas em muitos sites e blogs. Não há uma preocupação em diversificar – exceção feita há alguns, em pesquisar e pôr no ar conteúdo exclusivo. A leitura é um processo de envolvimento. O leitor precisa se sentir atraído pelo tema, seduzido pelo conteúdo e levado pela narrativa, como um barco à deriva de um mar em fúria. O ritmo não é dado pelo leitor, mas sim pelo texto. Em 1991 à crítica Ana Maria Bahiana escreveu um artigo para a Showbizz sobre Jim Morrison chamado “Vida após vida”, o texto é uma das coisas mais belas que eu já li em toda minha vida. Me cativou do começo ao fim e quando acabou eu confesso que lamentei muito. Isso evidencia que bons textos não estão apenas nos livros, há revistas e jornais também. Muitos grandes nomes das letras nacionais desfilam todos os dias nos principais jornais do país. Todo domingo eu leio a crônica do Ferreira Gulart, isso sem contar o Arnaldo Jabor ou até mesmo num texto mais técnico e não menos estilístico de um Rubens Ricupero e de um Luiz Gonzaga Belluzzo. Para quem não quer ler os grandes livros há essa alternativa nos jornais e nas revistas, em ter contato com quem sabe escrever, e principalmente com quem têm algo a dizer. Aqui no iosbilario.com, o trabalho se direciona no sentido de escrever sobre coisas que não se encontra em outros sítios. A ideia é produzir conteúdo de relevância, informativo, buscando experimentar no estilo, mesmo que isso signifique driblar às vezes as normas corretas da língua. Sobre os comentários isso cabe apenas a quem lê o texto. Me preocupo shakespearianamente sobre o fato de o visitante ler ou não ler o texto. Essa é a questão. A leitura de qualidade é fundamental para o crescimento humano, para o desenvolvimento das ideias e também é uma grande fonte de aprendizado, não apenas dos assuntos abordados, mas também no enriquecimento do vocabulário. Não condeno quem não comenta no blog, lamento a falta do debate sadio, pois quando você se cala o mundo se priva de uma opinião, que pode ser relevante ou não, porém é por causa do não que perdemos o sim.




























































































































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