sábado, 21 de novembro de 2009

Artigo.

A guerra dos clones*.

por Marlon Marques.

















































Clonagem pode ser definida como uma cópia fidedigna de algo. É claro que isso é uma definição simplória. A definição científica não se faz necessária aqui. Muita gente não consegue entender a diferença entre plágio e mimesis. Quando se mimetisa algo ou alguém, é o mesmo que usá-lo como influência, é copiar sua técnica a serviço da criação de algo novo. A mimesis é um compromisso com a originalidade. O plágio é a cópia descarada do original. É não ser original. É ser o outro – por admiração ou por falta de talento. É a linha tênue entre o ódio e o amor. Usando uma licença freudiana, quando você ama alguém mas não pode te-lo, prefere-se ver esse alguém morto do que com outro que não você. Ou de uma forma mais branda – você se realiza na vitória do outro só no instante inicial, no instante seguinte quer destruí-lo – de inveja. Outro paradoxo – a inveja e a admiração. E é na esteira de não conseguir ser como o ídolo que as forças destruidoras entram no jogo. Esse é só um prólogo. Isso diz respeito a apenas um dos exemplos que serão usados nesse artigo. Após o nascimento de Marcelo Sangalo, filho de Ivete Sangalo em 2 de outubro de 2009, o presidente Lula, acompanhado por Dilma Rousseff, foram visitar a estrela baiana no hospital. A também baiana Claudia Leite (segundo fontes), ficou enraivecida. Isso porque o presidente visitou Ivete e não a visitou após sua gravidez. Naquele momento Claudia Leite sonhou ser o Saturno do quadro de Goya, e engolir o filha de Ivete. Inveja. É a essa a força motriz que fez com que Claudia Leite se tornasse o que é. Ela é uma Ivete loira, menos encorpada e pequena. Porém ela tem a necessidade de se mostrar muito, para aparecer mais. No dia que ela foi no programa do Jô, foi que eu tive essa dimensão. Ela falava alto, sem parar, fazia piada, mexia com o público, sentada descalça, entre outras coisas. É uma forma de chamar atenção – é uma forma de criar idiossincrasia. Se não for dessa forma, como ela irá se diferenciar de Ivete? Mas ela não quer se diferenciar. Ela quer ser igual. Ela deseja tudo o que Ivete tem. Até propaganda de shampoo ela também fez (assim como Ivete). Claudia começou no grupo Babado Novo – Ivete na Banda Eva. Ivete largou a banda e seguiu carreira solo de sucesso. Claudia fez o mesmo, porém embora sua carreira solo seja um sucesso, não o é como a de Ivete. Ivete Sangalo já disse que jamais sairia nua em uma revista masculina, Claudia também já recusou tal convite. Porém senhores editores e diretores de revistas (não citaremos nomes), caso um dia convençam Ivete Sangalo, ganharam Claudia Leite de brinde. Pois é óbvio que se a estrela 1 aceitasse o convite, a estrela 2 também aceitaria. A Claudia Leite é bonita e canta até de forma razoável, porém o que a estraga é esse excesso de ivetismo. A falta de personalidade a torna apenas um clone, não uma artista de verdade. É só voltar a questão da mimesis. Se ela usasse Ivete apenas como inspiração, como ponto de partida (mesmo fazendo a mesma música), isso reverteria parte da antipatia que muita gente tem por ela e que até a própria Ivete tem. Ou vocês acham que a Ivete acha tudo isso lindo como uma boa baiana? Claro que não. As mesmas fontes secretas aí de cima, garantem que Ivete detesta essas comparações, as imitações de Claudia Leite, os trejeitos, as gírias, essa baianidade forçada. Se compararmos por exemplo, Kelly Key e Perlla, não há de forma tão descarada essa competição de um só. Explico. Competição de um só, é porque a competição só existe para uma das partes. A Claudia Leite compete com a Ivete, mas a Ivete não compete com a Claudia Leite. A Perlla compete com a Kelly Key, mas a Kelly Key não compete com a Perlla. É a relação discípulo e mestre. Em um eterno jogo de superação por parte do discípulo. No caso das cariocas existe inveja, imitação – de estilo e de roupa, de voz – mas não tão extremado com no primeiro caso. A Perlla pelo menos só canta, dança e se veste igual a Kelly Key, agora a Claudia Leite é tudo, todos os gestos, movimentos, desejos, sonhos, mobília, maquiagem e jeito de falar. A clonagem artística é um fenômeno do final de século XX – advindo da decadência de todas as coisas e da falta de referencial, de utopias e de vanguardas. Já que isso é parte do futuro, o que nos resta é torcer para que isso não se democratize, já que tudo na pós-modernidade tende a se democratizar.
















































































* A referência à clone, diz-se apenas as cópias obviamente.




















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Um comentário:

  1. Anderson Monçores1:54 AM

    Otima obsevação sobre essaespelhação...
    Porem caro colega, voce se esqueceu, que a midia impõe isso...
    Leve um e compre dois.
    Ao ser fã de Ivete, automaticamente, querendo ou não voce acaba sendo fã de Claudia.
    Claudia Leite não é culpada,como Ivete Sangalo, não é reponsavel, a culpa é de outro, daqueles que ditam a moda, e daqueles que o seguem.
    Para onde quero levar minha observação, para o fato de que a maoioria não escolhe o que escutar, assistir ou usar.
    Por exemplo,tomemos a musica dessa geração jovem, o FUNK.
    É um tipo de ritimo, que chegou em São Paulode que maneira.
    Explorado, exposto e duramente imposto aos Paulistas e Paulistanos pela emissora da REDE GLOBO.
    Aquanto se sabe sobre o Funk, aquanto tempo existe o funk.Em São Paulo esse estilo de música não fazia sucesso, eram poucas as pessoas que a ouviam, então porque só agora esse ritimo esta fazendo sucesso em São Paulo?
    A Rede Globo, enseriu esse ritmo atravez de suas novelas, documentarios, cantores, shows eoutrostipos de pragramas televisivos, e no fim do Rio de Janeiro para o restante do Brasil.
    E ganhou com isso?
    Os mesmos que lucram com Ivete e Caludia.
    Só não percebequemé leso e tapado.
    Certo!!!

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