sexta-feira, 10 de abril de 2009

Artigo.

Crítica e Ofensa.

por Ladislau Smack.

































Não sei se todos sabem, mas um dos significados de “crítica” é observação. Observação, presupõe olhar as coisas, e o olhar é quem forma o ponto de vista de uma determinada pessoa a respeito de algo. Quando alguém é designado a escrever sobre algo, seja um filme, seja um disco, um livro, a pessoa em questão escreverá sobre as suas impressões sobre o objeto a ser criticado, colacará em seu texto, os elementos que observou e dará ao final sua opinião, que pode ser positiva ou negativa. Acontece que no Brasil, não se pode falar mal de nada, criticamos com frequência a ditadura por conta da censura, mas há muito de reacionário em cada um de nós, pois basta lermos algo que não seja favorável aquilo que gostamos, pronto, ficamos irritados, bravos e frustrados. O que voceis precisam saber, é que as opiniões em um país democrático são livres, eu tenho o direito, assim como cada um de voceis, de escrever e dizer tudo aquilo que quizer, porém devemos nos atentar a ética de não ofender as pessoas, pois isso já passa do ponto do aceitável. Polêmicas são positivas quando gera debate e troca de idéias, ditados como “futebol, política e religião não se discutem”, surgiram apenas porque o ser humano não consegue expor idéias sem impo-las aos outros, e é por isso que há fanatismos de todas as ordens, pois uns querem introjetar nos outros as suas idéias. É rídiculo, devemos trocar nossas idéias e todos crescermos juntos, é positivo debater de alto nível, não gostou do que eu disse, achou que falei besteira, ótimo, rebata com elegência, mostre-me onde errei, e aí se eu não tiver humildade de pelo menos reconhecer que errei, ou que sua atitude foi positiva, aí o bárbaro serei eu. Acho que uma coisa estimula outra, porque ao invés de ofender a outra pessoa, você não mostra a ela um outro ponto de vista, uma nova forma de olhar algo, não há absolutismos, não há mais um Luis XIV lhe dizendo que amarelo é azul só porque ele acha que é e você tem que aceitar, não, temos que discutir, porém com respeito. Apu Nahasapeemapetilon, disse a Lisa Simpson a seguinte frase: “eu aprendi há muito tempo que preciso tolerar os outros ao invés de forçar as minhas crenças neles”[1], isso faz toda a diferença nas relações humanas, tolerar, respeitar, aceitar as diferenças, as opiniões diferentes. No dia 10/02/2009, publiquei um ensaio no iosbilario.com entitulado “A arte da obra e a sobra”, onde eu fiz uma crítica ao álbum da banda Stereophonics, Performance and Cocktails. Por conta desse ensaio, fui agredido verbalmente pelos fãs da banda, numa atitude reprovável por parte deles, reprovável não pelo fato de não terem gostado, mas pelo fato de terem me ofendido, sem me conhecer, sem conhecer meu trabalho, e por mostrar as pessoas como é fácil cultivar raiva e depreciar pessoas. Se ler o texto com calma, verá que não faço ofensa nenhuma a banda, aos fãs da banda e a ninguém, apenas ponho ali minha opinião e meu estilo de escrever. Acho que não havia necessidade de tantas ofensas pessoais como as que foram disferidas a mim, poderiam sim ter me dito, “olha minha opinião é diferente da sua”, ou “não gostei do que você escreveu”, ou ainda “vou escrever um texto contradizendo tudo o que você escreveu”. Veja por esse ponto de vista, se tivessem escrito um texto me contradizendo, teriamos mais um texto para ler, mais uma produção, que poderia gerar mais um texto meu, e mais um texto contradizendo, e assim por diante. Mas nós só conseguimos gerar continuidade nas ofensas, só há respostas para agressões, no estilo de “Abril Despedaçado”, o membro da família Y mata um membro da família X, então um membro da família X pra se vingar, mata um membro da família Y, e assim vai num sem fim de mortes e vinganças. Substitua agora isso por textos, imagine cada texto, um melhor do que o outro, expondo pontos de vista, idéias, detalhes que ninguém viu e mostrando ao outro de forma sadia onde errou, ou nem isso, apenas pelo prazer de debater idéias sem ofender. O grande Tom Wolfe por ocasião de John Updike, Norman Mailer e John Irving terem criticado seu livro “Um homem por inteiro”, repondeu a essas críticas com um texto chamado “Meus três patetas”, incluído no livro “Ficar ou não ficar”, ou seja, foi uma resposta intelectualmente elegante. Agora vamos nos prender ao fato em si, a forma como o meu ensaio foi recebido pelos leitores. O M.[2] até começou bem, disse ele assim: “respeito a opinião dele, não concordo”, até ai tudo bem, depois desferiu um “foda-se”, sem nenhum sentido, o mesmo fez o C. Não concordar é normal, é saudável, mas baixar o nível dessa forma, pra quê, qual o intuito. Então veio o E. dizendo: “esses críticos são uns frustrados, essa é a palavra que define bem esse tipinho”, bom eu não sou um frustrado, e embora não possa me comparar com os nomes que vou citar, mas André Bazin, Harold Bloom, Lester Bangs, Pauline Kael, Camille Paglia não são frustrados, e seus escritos definiram gerações de crítica de cinema, literatura e música, e mesmo tendo muitas vezes falado mal desse ou daquele autor, cantor, banda ou filme. E outra, esse “tipinho”, você nem mesmo me conhece para me classificar assim, não sou tipinho, nem tipo e não tipão, sou apenas uma pessoa que gosta de escrever e ter minhas próprias idéias, de pôr em meus textos aquilo que aprendi nas escolas que frequentei e nos livros que li, adimiro muito esses autores que eu citei acima, e acho que eles não são tipinhos também, embora sejam críticos como eu. O Ch. disse que me acho sabido em música e ouvi apenas meia dúzia de álbuns, para o governo dele, não sou sabido de música, apenas leio, estudo, e tento aprender com os grandes autores alguma coisa, os uso as vezes, mas tenho capacidade para pensar por mim mesmo, e outra, provavelmente tenho mais idade do que ele e com certeza já ouvi muito mais coisas do que ele supõe, e sempre que escrevo sobre algo é porque ouvi antes, e não sou obrigado a gostar de tudo só pra agradar as pessoas. Erros de português, quem não os comete, as vezes alguns erros passam despercebidos pela revisão e saem nos textos, mas isso não significa nada, assim como o fato de pessoas como o Ch. escreverem de forma abreviada, no idioma orkutês, não significa que não saibam escrever, é uma crítica muito infundada, talvez ele nem tenha lido o texto, e sim se baseado no que os outros escreveram. O R. talvez não tenha entendido a referência feita a Billboard, uma coisa é um disco ser feito e por mérito chegar as paradas, outra completamente diferente é faze-lo como esse fim específico. E outra não há nenhum mal nisso também, apenas eu discordo desse tipo de postura, se outras pessoas acham isso um mérito, não serei eu quem vou dizer ao contrário. Agora seja sincero, tinha precisão do R. se referir a mim como “bosta”, o que eu fiz a ele para dizer isso de mim, não entendo a que ponto as pessoas chegam só por causa de um disco, de uma banda, de uma música, acredito que o respeito e as pessoas em si são mais importantes do qualquer canção pop de nossa preferência. O LH. me chamou de “idiota”, achou ruim as minhas comparações, quais comparações? Só rememorando, eu disse que o “Sterophonics é para o Grã-Bretanha o que o Nickelback é para os Estados Unidos, uma máquina de fazer hits baratos”, ou seja, não comparei musicalmente, comparei apenas representativamente, onde os dois compõe com métodos a tornar suas músicas sucessos absolutos, e isso é bem relativo. Talvez fosse mais inteligente dizer que essa é a minha opinião e não uma verdade, que os hits são bons e que fazem sucesso por sua qualidade, agora chamar-me de idiota só por causa disso, então quer dizer que concordam com o fato de um irmão torcedor do palmeiras matar um irmão que é corinthiano só por causa da divergência de opiniões? É rídiculo. O F. disse que a crítica só tinha ofensas, eu não ofendi ninguém, parace que ninguém aí lê revistas de música, o Pedro Só, o André Forastieri, vivem dizendo o que querem de álbuns nas páginas da ShowBizz, eles sim esculhambam com as bandas e com os discos, agora eu não vi nada de mais na crítica, eu não disse em momente nenhum nada sobre a índole dos integrantes da banda ou dos fãs, não os conheço e por isso não posso dizer nada sobre as suas pessoas, sobre suas opiniões até posso, mas sempre com respeito. O A. se equivocou demais em suas colocações, pois não ofenderam só a mim, mas a muitas outras pessoas. Ele disse que eu devo ser aquele tipinho de AC/DC, Metallica e Led Zeppelin, e se eu gostar dessas bandas o que ele tem haver com isso, são grandes bandas, que fizeram a história, que possuem sua importância, assim como o Stereophonics possui a sua, cada um para a sua geração, agora não está escrito em lugar nenhum que Sterophonics é música para jovens, crianças ou adultos, é para todos. Dizer que eu preciso fazer pose de roqueiro, faça-me um favor, antes de falar isso, respeite as pessoas que o fazem, é um direito delas ser assim, eu não sou, mas tenho muitos amigos que são assim e nem por isso são pessoas ruins, isso não pode ser um elemento desqualificador para as pessoas, e o rock não é para segregar e sim para aglomerar. Música de asilo, rock´n´roll em sua forma bruta, do quê você está falando, que base você tem para dizer isso, e outra também, eu não disse que não gosto de Stereophonics, e você precisa saber que o que faz o rock ser o que é, é essa capacidade de não ligar para idade, de igualar a todos numa energia única, e quem diz ao contrário é porque não entendeu a mensagem, é porque não viveu nada e nunca se quer leu nada a respeito, essas sim são opiniões preconceituosas e vazias, que nada acrescentam. “Gente, pra quê perder tempo com críticas” disse a C., sabe porque, para aprendermos, para gerar debate, para fazer a roda das idéias girar. Guardar pra si um conhecimento é um ato de egoísmo, compartilhar é proporcionar a todos o direito de conhecer coisas novas, de sair do casulo onde se encontra e olhar novas direções. Eu posso dizer que aprendi muito lendo Greil Marcus, Paul DeMan também me ajudou a ver as coisas de forma bruta, ver o âmago das coisas, os textos do grande Ruy Castro, de H.L. Mencken, Edmund Wilson são ricos, são construtivos, são lições de estilo, informações, análises, e você vem me dizer pra quê crítica, isso só diz que nunca leu nada, quem não conhece os grandes autores. Não entendo o porque das coisas serem assim, não se pode falar mal das coisas, parece-me que as pessoas querem ouvir só aquilo que faz bem aos seus ouvidos, ou ler o que é bom para os olhos. Temos que aprender a lidar com a adversidade, com o desfavorável, com o diferente, com a diferença de opiniões, o outro precisa ser respeitado, e ofensas são coisas de intolerantes e ignorantes, no sentido amplo da palavra. Há uma grande dificuldade de se assimilar uma crítica negativa, levar tudo para o lado pessoal não á a atitude mais coerente, não é a melhor forma de se lidar com isso, deve-se procurar entender o discurso e tentar refutá-lo, tentar encontrar nas linhas de um texto suas inconsistências e contradições e mostra-las ao autor de uma forma civilizada, pois ofensas não nos levam a nada. É bastante comum dizer que um disco não é bom, afinal, tudo que é feito no mundo da música é bom, e temos que dizer isso só porque há uma meia dúzia de pessoas que admiram trabalhos de artistas apenas pelo nome do artista. É como no futebol, não tá jogando bem, é banco, na música também, se eu não achei o disco bom, vou dizer que não é bom, se você achou bom, diga que é bom, não ofenda pessoas, defenda discos. A Rolling Stone vive dizendo que tal disco é ruim e tal disco é bom, a Spin dita o que é bom e o que é ruim e todos dizem amém, até a ShowBizz cria suas listas de piores discos, dizendo horrores de álbuns queridinhos da mídia e do público, e ninguém diz nada, usam como critério, o fato de terem exercido influência nefasta, se referindo a álbuns como “Meat Is Murder” dos Smiths, “Let It Be” do Beatles e até “Nivermind” do Nirvana, e ninguém disse nada, não chamaram os autores de idiotas, bostas e afins, porquê, só porque escrevem em uma revista famosa?[3] Acredito no direito de expressão das pessoas, mas também no direito de não concordar das outras, sempre pautado no respeito, no embasamento e na intenção de gerar algo positivo, numa relação dialética do diálgo, pois como já disse antes, não vejo vantagens em atingir pessoas que não se conhece e não acho um bom exemplo para as gerações futuras, que nos olharam em busca de modelos civilizacionais, o quê eles verão, terror, agressões e insultos. Gostaria que o A. se informasse mais e lê-se mais revistas do gênero para ver o que dizem sobre o Stereophonics, “eles são um fenômeno adolescente da moderna Grã-Bretanha”, “o rock´n´roll feroz do grupo é herança dos discos de Led Zeppelin e Creedence Clearwater Revival”, porque agora ele não diz que quem escreveu isso é babaca, idiota ou gosta de fazer pose de roqueiro, música de asilo, ou seja, não fui eu quem disse isso, foram críticos de revista, e então o que me diz?[4] A grande razão para esse texto ter sido escrito na verdade é para dar uma resposta a todas essas pessoas que não me conhecem e que me insultaram, saibam que eu não espero uma resposta sobre isso não, na verdade eu pouco me importo com o que disseram ou escreveram sobre mim, apenas exijo respeito porque não faltei em momento algum com voceis, espero que voceis reflitam a respeito do que fizeram e que a partir de então, respondam sim contra aqueles que não forem favoráveis as suas idéias, bandas preferidas, músicas ou álbuns, porém sejam civilizados e respondam a altura, com respeito e sem ofensas, aprendam que o mundo não é feito de pessoas iguais, somos diferentes e essas divergências não podem corroborar com atitudes como essa e não podem ser usadas para justificar o ódio indiscriminadamente, como disse o psicanalista israelense Yoram Yovell[5], mas sim servir de combustível para criar-mos coisas novas e de relevância, portanto, se não tiver algo de construtivo a dizer, não diga, pois de insultos o inferno está cheio.



[1] PINSKY, Mark I. O Evangelho segundo Os Simpsons. São Paulo: Novo Século, 2005. p. 171.

[2] M. é a inicial do nome de um dos leitores que responderam ao ensaio “A arte da obra e a sobra”, e por falta de autorização para citar nomes, todas as pessoas citadas seram referidas por suas iniciais.

[3] PUCCI, Celso. Os piores discos do mundo. ShowBizz. São Paulo, Nº 06, p.33, junho. 1994.

[4] JÚNIOR, José Flávio & MEE, Maíra. Lan Pen Ol Y Sais. ShowBizz. São Paulo, Nº 7, p.46, julho. 1999.

[5] SCHELP, Diogo & YOVELL, Yoram. Nem Freud explica. Veja. São Paulo, Edição 1865, p.14, agosto. 2004.

5 comentários:

  1. Olá olá,

    Gostei da tua crítica. Achei válida após fazer o esforço de passar pela início demasiado antipopular. Você errou na redação, colocou a conclusão no início. rsrs

    Brincadeiras de lado, tenho algo a falar, ou melhor, comentar:
    "pois soa tão igual, tão previsível, que mais parece sobras da mesma coisa"
    - Esse comentário me tirou o tesão na hora, foi onde parei de ler.
    Pra mim uma boa crítica precisa de uma base explicada no próprio texto:
    Por quê previsível, parece com o quê? Igual a quê?

    Conheço o disco e não gosto dele, não aguento nem ouvir aquela bosta toda. Acredite, eu sou fã da banda e isso não me faz reacionário naquela resposta do orkut.

    Você realmente sabe se aquilo foi o máximo que a banda pode produzir?

    Ofensa sim. Massacrou a capacidade de uma banda sem referência nenhuma. Uma banda que lançou bons trabalhos.

    Por que não citou a adolescência classe burguesa da banda que não tinha nem pra quem tocar música que não fosse POP. Eles cresceram, mudaram de ambiente e fizeram coisas bem mais interessantes.

    Fim de papo, sem ressentimentos, espero.

    PS> Entre nós, o que é que o Pixies tem de sobra? rsrsrs Todos os discos deles são metade merda, metade genial. Toda essa merda já é a sobra do Pixies.

    Isso é uma amostra de que gosto não se discute. rsrs

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  2. talvez tenha me exedido ao te chamar de bosta... creio que minha intençao nao foi te menosprezar... talvez sua critica... quando estamos agitados ou com sono custumamos fazer coisas assim... me desculpe
    agora, realmente nao entendi tua relaçao com a billboard, creio que o stereo teve merito, nao feito para isso.. adoraria que explicasse melhor..
    e po, nao gostei da tua critica e nao concordo em nada com ela...

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  3. Meu querido,em nenhum momento minha intenção foi desmerecer seu trabalho. Quando postei meu comentário
    queria simplesmente dizer que o melhor crítico é aquele
    que ouve o álbum por si só e tem sua própria opinião a respeito dele, sem necessitar que uma outra pessoa faça
    isso por ela, dizendo se é bom ou não. Se você "exagerou" nas palavras, me desculpe, eu também exagerei nas minhas. Não guardo conhecimento, se é que tenho algum, só pra mim, mas muitas vezes é melhor calar o que se sente a respeito de alguma coisa pra que "conflitos" tão pequenos como esse não sejam gerados. Mais uma vez, me desculpe!!!

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  4. Anônimo10:01 PM

    Eu gostaria de ler uma crítica sua com relação ao último e ótimo trabalho dos Stereophonics. Pode ser?

    Abel.

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  5. João Paulo6:12 PM

    “T-Shirt Sun Tan” lembra muito Couting Crowes, no tipo de rock simples, é audível

    ____

    Primeiramente, é Counting CROWS, revise antes de postar.
    Sou fã das duas bandas, não vejo semelhança em nada entre as duas, fora o fato de poderem se enquadrar no mesmo estilo de música (lato sensu hehe). Fora que o Counting Crows não tem um rock tão simples assim, já ouviu os discos deles ? Só os sucessos que são mais povão, os discos são bem trabalhados demais, não sei se você chegou a ouvir com mais atenção e tal. Só isso.

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