quarta-feira, 31 de maio de 2006

Comédia da vida privada

Comédia da vida privada

Alberto chegou em casa tarde, o que para ele já não era novidade. Ao entrar em casa, foi recebido pela esposa cheia de reclamações. Com certeza devia estar menstruada.
Enquanto despia-se para o banho, fantasiava como seria bem assassinar o seu chefe. Como seria bom afogar aquela carcaça velha e gorda na sua própria piscina.
Lembrou-se então de seu ultimo relatório. Aquele em que ele havia perdido várias noites de sono para fazer e que seu chefe simplismente rasgara na sua frente. Como queria faze-lo pagar por desmerecer o seu trabalho.
Após o banho jantou sob as reclamações da mulher. E ainda por cima tinha o filho, que insistia em ter um aumento na mesada. Pare-
cia que mesmo depois do horário, toda aquela pressão do expediente nunca acabava.
Depois disso, sentou-se em sua poltrona para ler o jornal. Era a única hora que poderia faze-lo. Passado algum tempo foi deitar-se com sua mulher, a qual procurou na cama para as obrigações conjugais. Mas, para variar, a velha desculpa da dor de cabeça. No fundo ele sabia que era raiva pelo pouco tempo passava em casa. Bastava comprar-lhe um presente e tudo estaria bem novamente. Como ela podia ser tão previsível ?
E então ele riu. Riu até sua barriga doer e lágrimas escorrerem de seus olhos, como se estivesse assistindo a uma comédia ...

Tic, tac, tic, tac, tic, tac ...

Há uns anos atrás, eu estava pensando em como seria o meu futuro, o que eu faria, o que mudaria no meu dia a dia, enfim, como seria minha vida. Será que dias melhores viriam ?
Há alguns meses atrás, pensei a mesma coisa, pois ao contrário das minhas expectativas, os dias melhores não haviam chegado, mas eu ainda tinha esperança.
Na semana passada lembrei do que estava pensando meses atrás, e olha que engraçado, eu já não tinha a mesma opinião. Acho que tanta coisa aconteceu nestes últimos tempos que inconscientemente acabei mudando meus conceitos. As pessoas costumam dizer que esta sempre mudando de opinião não tem personalidade. Mas o fato de descobrir que tinha um ponto de vista errônea sobre determinada coisa não justifica sua mudança? Não sei. Talvez isso seja um sinal de amadurecimento ou talvez não.
Horas atrás tive um desses lampejos de consciência? Sabe, aqueles em que a gente de repente para, e do nada começa a refletir sobre o que estamos fazendo de nossas vidas. Se tudo que vivemos até hoje pode nos ensinar alguma coisa. Foi então que resolvi escrever algo sobre isso.
Uns minutos atrás, enquanto estava escrevendo, me dei conta de quanto tempo eu vivi da minha vida, apenas esperando por dias melhores e esses dias nunca chegaram.
Há um segundo atrás quando pensei, me dei conta de que esses dias nunca vão chegar. Como eu posso querer que algo aconteça se eu nunca contribui em nada para isso. Como posso cobrar do futuro algo que depende exclusivamente de mim. O futuro não é uma data que irá ou algo que irá acontecer. O futuro, é o presente vivido intensamente, é cada segundo subsequente do relógio. O futuro é agora, olha, chegou...

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