quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Coca-Cola e o Sexo Oral!!!

Por Dama da Noite

Fato:

A Coca-Cola sempre foi alvo de críticas por sua “dominação capitalista viciosa”. Talvez pensando nisso, na década de 80 um ilustrador resolveu se divertir um pouco e teve uma idéia “brilhante”: inserir uma pequena silhueta de uma mulher fazendo sexo oral em peças publicitárias.


Os posters foram todos impressos, inclusive pintados nos caminhões da Coca-Cola, até que alguém percebeu a brincadeira, justamente na imagem da traseira de algum caminhão. O artista que criou a imagem foi demitido e processado. Todo o material teve que ser retirado de circulação, destruído e reimpresso, acarretando um prejuízo de $200.000. Tudo isso aconteceu na Austrália. Imaginem quanto vale hoje um desses posters, caso algum tenha se “perdido” por aí…


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Artigo.


De Mallu Magalhães á Maria Gadú: Isso aqui também é um pouquinho de Brasil.



por Marlon Marques & Ladislau Smack.




































O Brasil está bem mal das pernas. O país do futuro parece-me sem inspiração em revelar novos talentos femininos na música – femininos nem tanto. É quase regra na “MPB”, mulher ser bi ou homossexual – claro que não há nenhum problema nisso – e também ser xerox de alguém. Tem as que imitam a Ivete, tem as que imitam a Ana Carolina, tem as que imitam a Cássia Eller e já vi até quem imite a Maria Rita. Se você pensar paradoxalmente, o que há de errado nisso? Na verdade eu penso assim: “se todos apenas se limitarem a imitar, nunca teremos coisas novas para ouvir, pois no final das contas, tudo será a mesma coisa”. Já me questionaram sobre as intérpretes, eu então retruquei que as grandes intérpretes do país criam versões, veja Elis Regina cantando Chico Buarque ou Gal catando Caetano, as canções são diferentes das que eles gravaram. O momento atual que vivemos na música espelha o momento político que vivemos há algum tempo, mesmice e promessas falsas, vide Senado. Ouvimos por essas semanas os discos de Mallu Magalhães e Maria Gadú, coincidentemente ambos homônimos. O resultado dessa audição não é dos melhores. É como na arte contemporânea, o que mais vale não é a qualidade, mas sim o conceito. É uma arte conceitual, culpa um pouco de Duchamp e Picasso [gênios] – porém, basta fazer qualquer rabisco num papel em branco e inventar um conceito, e pronto, é arte. Na música é assim também, tudo é aclamado como bom sem o menor critério, não se observa o quê e como está sendo cantado, se tem sentido, inovação. Basta ter um rostinho bonito, um jeito exótico e uma personalidade forte para se tornar uma celebridade. Porém como nos extremos de uma linha, nem a muita inovação, nem a muita mesmice. E nesse caso em questão, Mallu Magalhães representa a inovação exagerada e Maria Gadú a mesmice. Virou um clichê também dizer que a Mallu não presta, não é bem assim. Mallu Magalhães é um pouco infantil sim, é meio menina Maysa do SBT, criança afetada com pose de adulto blasé. Isso é horrível. O infantilismo de Mallu é de doer, mas no plano musical não é tão ruim assim. Seu disco até que tem uns arranjos interessantes, paisagens pastoris e calmaria de cidade do interior. Sua voz é meiga, lembra até Leigh Bingham Nash do Sixpence None The Richer e as meninas do Luscious Jackson. Mallu se sai muito bem quando faz o simples, violão, arranjo e voz. Porém quando tenta ser a nova sensação do folk cheia de personalidade, aí é péssimo. Exemplo de canções em que se sai bem, “J1” e “Swalk”. E se sai bem justamente pela simplicidade, como no verso da canção Bibelot de Adelino Moreira, “e saiba que a maior beleza, está na singeleza que a pessoa tem”. Exatamente, não adianta complicar para ficar com cara nova. Não adianta tentar inovar só para mostrar que faz um trabalho............. “idiossincrático”. “Angelina, Angelina” é terrível, é de um mau gosto extremo, e “Vanguart”, um desastre. Nessa música ela mostra o quanto é melhor cantando em inglês, pois sua voz em português não combina, definitivamente. A única música do disco que aposta e acerta em uma sonoridade diferente é “Her Day Will Come”, umas quebradas de ritmo, arranjo cheio de teclados e condução contagiante, para no final Mallu balbuciar vagarosamente sobre uma base seca de violão. Outro ponto condenável é a sua pretensão e seu ar superior. Como uma menininha dessas se coloca ao lado de imortais como Bob Dylan, Van Morrison e Nick Drake? Que petulância. É importante frisar que ser ousado não é ser ridículo, e que não é porque você é o destaque do seu time no campinho do bairro que você vai se considerar craque ao lado de Pelé e Maradona, menos. O disco de Maria Gadú se destaca mais pelos ricos instrumentais, porque de poesia e voz, ficou devendo. A vi ao vivo no programa Altas Horas do Serginho Groisman, o que vi foi uma menina auto-confiante, cheia de si, com uma voz rouca e forçada. Dava pra ver que ele forçava um jeito, que buscava emular nomes já consagrados do estilo. Faltou digamos, personalidade. O timbre de voz de Gadú está mais para Ana Carolina e Zélia Duncan do que para Marisa Monte, portanto, cantar um samba como “Alta Particular”, é forçado. A letra é boa e a música também, mas ela cantando não deu liga. “Dona Cila” e “Shimbalaiê” é pastiche. “Há mas para uma menina de 22 anos está muito bom”, mas veja, esse candombleísmo enche o saco, começou com a grande Clara Nunes e com a Bethânia, ai o vírus pegou na Vanessa da Mata, na Maria Rita, e até no começo da carreira da Marisa Monte. Essas fórmulas já foram usadas por outras cantoras, isso é mero pastiche, e não costumo dar valor a quem se limita a copiar. O que salva o disco sãos mesmo os arranjos, músicos competentes, e ela também não é má cantora, não é isso, a questão é que não veja autenticidade em seu cantar, ela poderia investir em um outro tipo de mpb. “Linda Rosa” é um caminho. Talvez com um pouco menos de trejeito. Talvez por aí se saísse melhor. Agora há dois momentos nesse disco que são absolutamente terríveis. Do mesmo jeito de Mallu Magalhães, Maria Gadú tem seu momento pretensão. Só um parêntese, o jovem no Brasil sempre foi chamado de alienado, então com a intenção de reverter essa imagem, os jovens começaram a agir, no ativismo político, em Ong´s, na militância, etc, então muitos dos jovens de hoje, se preocupam em parecerem antenados, inteligentes e cultos. Mallu tem 17 anos e Gadú 22 anos, são típicas meninas pequeno-burguesas querendo reverter a imagem que as meninas de sua classe possuem. Talvez isso explique a pretensão. Voltando a Maria Gadú, ela gravou “Ne Me Quitte Pas”, ficou estranho. Tudo bem, sabemos que você gosta e conhece música francesa, agora fazer versão de “Baba” da Kelly Kei, já é demais. Ela quis dar uma renovada na música e provar para todos que qualquer música sendo bem cantada é boa. Não. Ambas as versões, a original e essa desse disco são péssimas, Maria Gadú faz vocalizações de cantora gospel para impressionar, mas não, não dá liga. O que é ruim é ruim de qualquer forma. Claro que não vamos entrar em questões estéticas, mas cabe o lembrete. Uma lição aprendemos de tudo isso, seja original. Não tente ser o que não é, não inove demais, e também não seja os outros, seja você. Nem ao céu nem ao inferno, finque os pés na terra, não opte por extremos, tente conservar sua personalidade sem exagerar demais nisso, pois se, uma corda de violão for muito esticada ela se quebra, mas se for frouxa demais, não dá som, então, tente achar o ponto certo, é difícil, mais dá.


















































Mallu Magalhães - Mallu Magalhães [Microservice, 2008].

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Maria Gadú - Maria Gadú [Som Livre, 2009].

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terça-feira, 22 de setembro de 2009


Crítica.

Frank Zappa - Zoot Allures.


por Jiff Stake.


























Todo disco de Zappa é sempre impressionante. Todo disco de Zappa é sempre uma aula de como se fazer música honesta, de conteúdo e bem feita. Pois, existe quem faça música de conteúdo e bem feita e não é um artista honesto. Há quem seja honesto e não tenha competência musical, e assim por diante. No caso de Zappa não, encontra-se tudo isso e mais um pouco, e esse mais um pouco, sobra nesse Zoot Allures. Grande disco, um disco de rock com um pé na América profunda. Quem olha essa capa numa loja de discos, não da nada pelo conteúdo. Zappa e seus asseclas aparecem encostados numa parede, largados, nos encarando como quem pergunta: “e aí?” Embora seja um quarteto, mais de dez músicos estavam envolvidos nesse álbum, inclusive o lendário, maluco e amigo pessoal de Zappa, Captain Beefheart. As músicas são bem diversificadas, tendo um pouco de tudo nesse caldeirão. Zappa além de ter produzido, assumiu baixo, guitarra, sintetizador e teclados, além dos vocais e das composições, não só das letras, das músicas também. “Wind Up Workin´In A Gas” abre o disco cheia de guitarras, solos e um virtuosismo jazzístico. O disco muda totalmente de ambientação na lenta e bluesística “Torture Never Stops”, com direito a gemidos orgásticos de uma mulher, o solo de fundo é lindo, assim como o riff principal da ótima “Ms. Pinky”, cheia de ecos e pling plongs progressivos. Zoot Allures é bastante climático devido suas várias músicas instrumentais, a ao vivo “Black Napkins”, a psicodélica “Friendly Little Finger” e a faixa título “Zoot Allures”. Essa sendo uma linda viagem de andamento lento, efeitos de guitarra inebriantes e uma verdadeira lição de técnica e improviso, mostrando a todos que jazz e rock progressivo podem andar juntos muito bem obrigado. Zappa também exercita bem seu lado contador de histórias em “Wonderful Wino”. Um homem bêbado sem identidade próprio encontra uma mulher e decidem ter um romance no final do verão de 1969. O som é um ótimo jazz rock, cheio de nuanças e riffs cheios de balanço, a melodia da música e voz torta de Zappa deixam a música ainda melhor. Zoot Allures é puro virtuosismo sem ser chato, Zappa combina bem os elementos fazendo com que a audição do disco seja bem agradável.




























Frank Zappa - Zoot Allures [Zappa Records, 1976].

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ALBERT FISH - O VAMPIRO DO BROOKLYN

Por Leandro Borges

A HISTÓRIA

Albert Fish nasceu em Washington em 1870. Aos 5 anos ele foi para um orfanato. No orfanato ele tomou um prazer imenso ao ser abusado, o que influenciou sua mente a gostar do sado-masoquismo. Aos 7 anos sua mãe o tirou de lá porque havia conseguido um emprego.

Aos 9 ele caiu de uma cerejeira e machucou-se seriamente na cabeça, o que mais tarde causara dores de cabeça e pequenos problemas mentais (é muito comum acontecer isso entre os serial killers na infância). Aos vinte anos ele se mudou para Nova York, onde começou a ter relações sado-masoquistas homossexuais. Em Nova York ele começou a estuprar crianças e participar de "atividades bizarras". Cometeu seu primeiro assassinato em 1910, onde ele mutilou e torturou sua vítima. Daí então ele começou a ter preferência por crianças e começou a assassiná-las.

Por volta de 1920 Fish viajou por 23 estados americanos pintando casas, ele via esse trabalho como a perfeita oportunidade para cometer suas atrocidades às criançinhas.

Fish lia frequentemente a bíblia e dizia que a voz de Deus o mandava matar. Ele também gostava de inserir agulhas no corpo perto da genitália, atos de dor o excitavam.

Em maio de 1928 um homem chamado Frank Howard fez amizade com a família Budd. Um dia o Sr. Howard perguntou se ele podia levar Grace, a filha de 10 anos, para uma festa. A família Budd permitiu... e nunca mais viu sua filha ou o velho homem novamente.

O Sr. Howard era de fato Albert Fish, aos 58 anos. Ele teve a idéia de matar Grace Budd para depois usar seu corpo para atos de canibalismo. Seis meses depois, a família Budd recebeu uma carta anônima do assassino que admitiu ter matado Grace, cozido seu corpo e depois comê-lo.

A polícia procurou por alguns apartamentos onde achavam que as letras tanto da carta quanto da pessoa eram parecidas. Até que encontraram Albert Fish.

Ele ficou conhecido como "O Vampiro do Brooklyn" que tirou a vida de 4 crianças em 1932-34.

Fish foi acusado pelo assassinato de Grace Budd, sua defesa foi a insanidade. O juri não concordou com a idéia e Fish foi setenciado à morte. Em Sing Sing Prison em 16 de janeiro de 1936, Albert fish que descreveu a sentença à morte como "a maior emoção da minha vida", foi eletrecutado. A primeira carga elétrica falhou por baixo circuito, isso por causa das agulhas que Fish havia inserido em seu corpo por todos aqueles anos. Albert Fish cometeu centenas de abusos sexuais e 16 (ou mais) assassinatos.














Possiveis vítimas

Fish negou quaisquer envolvimentos com outros homicídios. Contudo é suspeito de 3 outras mortes. O detective William King acredita que Fish é o Vampiro de Brooklyn, um violador e assassino, que atacava preferencialmente crianças.

  • 1927 - Yetta Abramowitz, 12 anos. Foi estrangulada e espancada no telhado de um apartamento de cinco andares. Morreu num hospital pouco depois de ter sido encontrada O assassino escapou, mas 20 detectives e muitos polícias caçavam um “jovem alto” , que se dizia que tentava aliciar jovens raparigas da vizinhança para corredores e becos a 14 de Maio de 1927.
  • 1932 - Mary Ellen O'Connor, 16 anos. O seu corpo mutilado foi encontrado nos bosques em Far Rockaway, Queens a 15 de Fevereiro de 1932, perto de uma casa que Fish pintou.
  • 1932 - Benjamin Collings, 17 anos

Julgamento

O julgamento do homicídio de Grace Budd começou a 11 de Março de 1935, em Nova York. Este julgamento demorou dez dias. Fish alegou insanidade e declarou ouvir vozes de Deus, que lhe diziam para matar crianças. Vários testes psiquiátricos testemunharam sobre os fetiches sexuais de Fish, bem como urofilia, coprofilia, pedofilia e masoquismo.

Um psiquiatra testemunhou a insanidade de Fish, mas o testemunho de Mary Nicholas, sua filha adoptiva de 17 anos alterou esta versão. Mary Nicholas afirmou que Fish tentava introduzir nos seus filhos e filhas em práticas masoquistas e molestação de crianças. O juiz declarou-o são e culpado, e condenou-o á pena de morte.

Depois da sentença, Fish confessou o homicídio de Francis X. McDonnell, de 8 anos, morto em Staten Island. No dia 15 de Julho de 1924, Francis brincava em frente de sua casa. A mãe de Francis viu um velho a passar, abrindo e fechando os punhos. Mais tarde, o velho foi visto novamente a observar Francis e os amigos a brincar. O corpo de Francis foi encontrado num bosque, onde um vizinho tinha visto Francis e o velho passarem. Francis foi assaltado e estrangulado com os seus suspensórios.

Fish foi executado a 16 de Janeiro de 1936, na cadeira eléctrica.

















Fonte:

Wikipédia, a enciclopédia livre

Pena de Morte - Solução ou Tortura????

Pena de Morte - Solução ou Tortura?

Por Ilana Casoy*

A cada execução com falhas que acontece nos EUA, aqueles que são contra a pena de morte discursam sobre o que consideram uma cruel punição.

Entre 1976 e 1994, estima-se que 18 entre 237 execuções falharam num primeiro momento, causando grande sofrimento ao condenado.

Em 2 de setembro de 1983, Jimmy Lee Gray, sentenciado à morte por estuprar e matar uma menina de 3 anos, entrou na câmara de gás em Parchman, Mississippi. Depois de 8 minutos do início da execução, as testemunhas que observavam por uma janela esconderam seus rostos para não assistir ao filme de horror que se desenrolava ali: Gray, sufocando e com o rosto totalmente roxo, morreu enquanto batia sua cabeça contra uma barra de aço, em total desespero. Supostamente, a câmara de gás deixa o condenado inconsciente em poucos minutos.

Em 1990, Joseph Tafero, assassino de policiais, assou até a morte durante 6 minutos, na cadeira elétrica. Quando o capacete foi retirado, ainda saiam chamas e fumaça da cabeça de Tafero. As testemunhas então assistiram, paralisadas de horror, o semimorto inalar profundamente várias vezes, até que o capacete foi recolocado e foram dadas mais duas descargas elétricas.

A injeção letal é o método mais popular na maioria dos estados, pois teoricamente é o método mais "humano". Em oito casos antes de Gacy, aconteceu exatamente o contrário, como na execução de Rickey Ray Rector, sentenciado à morte por matar um policial. Em 24 de janeiro de 1992, em Conway, Arkansas, as testemunhas ouviram vários gemidos, enquanto os técnicos da morte tentavam encontrar uma veia adequada para a execução. Rector estava amarrado. Os técnicos estavam prontos para abrir seu braço, a fim de introduzir um catéter intravenoso, quando finalmente encontraram uma "veia boa" na sua mão direita...uma hora depois de iniciada a busca.

Desde que a pena de morte nos EUA foi reinstalada em 1976, 403 pessoas foram executadas. Destas, apenas seis eram brancos condenados por matar negros. O estado do Texas é responsável por 30% das execuções, seguido pelo estado da Virgínia, 10,17% e Flórida, 9.68%.

Desde 1976, mais de 47 condenados foram retirados do corredor da morte por falta de provas ou inocência tardiamente comprovada.

Desde 1973 até junho de 1997, 114 mulheres foram sentenciadas à morte. Delas, 47 estão no corredor da morte. As demais 66 tiveram suas sentenças revertidas para prisão perpétua.

Os estados da Flórida, Carolina do Norte e Texas detêm o maior número de mulheres sentenciadas à morte, mas a execução de mulheres é rara. A última mulher condenada à morte foi executada em 1984, na Carolina do Norte.

Dentre os que tinham menos de 18 anos ao cometerem seus crimes, nove foram executados.

Suicidar-se através da execução é muito comum. Vários condenados são voluntários para a sua execução, negando-se a fazer qualquer apelação contra sua sentença.

No estado onde Gacy foi executado, Illinois, somente 8 prisioneiros tiveram o mesmo destino (entre 1977 e 1997) através do único método utilizado ali: injeção letal.


Ilana Casoy* é formada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e escritora. Autora do livro SERIAL KILLER LOUCO OU CRUEL?, da Editora WVC.


Artigo.

Um passo do homem, um chute do jogador e um gol da humanidade.



por Marlon Marques.












































Em 20 de julho de 1969, o astronauta Neil Armstrong proferiu a célebre frase: “um pequeno passo para o homem, um gigantesco passo para a humanidade”. Claro que o fato não é da mesma importância, mas não deixa de ser algo fantástico. Mais uma vez ressaltando que as proporções são bem menores, mas é impossível não deixar de mencionar. Armstrong permita-me parafraseá-lo, o fato da TV Al-Jazeera ter transmitido o jogo entre Maccabi Haifa e Bayern de Munique no último dia 15 de setembro, é digno de louvor. Essa não é apenas mais uma transmissão, foi uma transmissão histórica, igualável a primeira sessão pública de cinema dos irmãos Lumière em setembro de 1895. A Al-Jazeera é uma emissora de televisão de alcance mundial do Qatar, conhecida por sua cobertura das atividades terroristas. Não posso afirmar que essa emissora seja diretamente ligada a grupos extremistas, mas o fato é que ela não transmitia jogos de equipes israelenses por uma questão óbvia. A Al-Jazeera está para o Oriente Médio como a CNN está para o mundo ocidental. Então seria uma afronta transmitir jogos de equipes israelenses para países árabes, principalmente para os mais alinhados na luta anti-sionista. Irã, Líbano, Iraque, Síria, Arábia Saudita e Iêmem, são inimigos declarados de Israel. A emissora Al-Jazeera deteve os direitos de transmissão da UEFA Champions League nessa temporada, e como o Maccabi Haifa está disputando a competição, seus jogos certamente serão transmitidos. Não sei se isso representa um início de amistosidade, talvez não, mas é notório o fato de que isso seria impossível caso as coisas fossem como antes. Sabemos que no plano das relações internacionais as coisas estão pouco definidas na faixa de Gaza e no OM como um todo, Obama que foi eleito também sob a esperança de resolver o conflito entre israelenses e palestinos, parece um tanto perdido após observar de forma mais privilegiada o quão profundo é o conflito. A manutenção de Ahmadinejad no poder no Irã e no outro extremo Benjamin Netanyahu como primeiro-ministro em Israel, demonstra que teremos dificuldades na resolução dos conflitos. São extremistas dos dois lados. Porém a mudança se dá em uma via de mão dupla, uma pela política e outra pela população. Pela política o cenário é esse, só com a saída dos extremistas é que podemos sonhar em tempos melhores. No plano da sociedade, a redução das hostilidades entre as partes e um princípio de tolerância mútua, representada pela transmissão do jogo, é bem mais real. Não sabemos como foi a recepção do jogo nos lares árabes, mas se houvesse tido reações negativas, logo saberíamos, afinal, notícia ruim chega rápido. Outro ponto curioso foi que a partida envolveu uma equipe da Alemanha e outra de Israel, nações ligadas eternamente pelo ódio, pelo fardo e pela dor. O regime nazista alemão assassinou 6 milhões de judeus, e foi a partir da Alemanha também que uma nova onde de anti-semitismo se espalhou pela Europa na década de oitenta. Tudo isso é muito recente, as cicatrizes estão frescas ainda, intelectuais judeus como Elie Wiesel e David Horowitz incorporam essas questões frequentemente em seus discursos e artigos. É importante que haja um pontapé inicial, pois se não for dessa forma de que outra forma será? Essa transmissão representa muito mais do que apenas um jogo, é a aceitação de diferenças históricas e o começo de novos tempos, pois são esses pequenos atos que proporcionam feitos grandiosos, é só lembrar de que tudo começou com a aceitação de um palestino na seleção de Israel, ou seja, primeiro de Israel para Palestina, e agora do Qatar para o Oriente Médio, quem sabe a globalização no futebol não ajude a reduzir a intolerância. É um primeiro passo.
























































































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Artigo.

O preço da tradição.


por Marlon Marques & Dusty O´Connor.














A camisa do Chelsea é muito pesada. O peso da camisa em questão não é por conta da tradição e dos títulos, mas sim por quanto ela vale. O clube inglês é um dos times mais ricos do mundo, isso por causa de seu dono, o multimilionário Roman Abramovich. Há quem diga que o time é apenas uma estratégia do magnata russo para lavar o dinheiro da máfia do petróleo russa, mas se levarmos em consideração suas poucas entrevistas, o amor ao clube foi o maior motivo para tal aquisição. O Chelsea é uma verdadeira seleção do mundo, com jogadores de diversos países, e também uma seleção no sentido estrito da palavra. Selecionar é o mesmo que escolher os melhores, e se os melhores são caros, isso não é o problema. Abramovich é um dos homens mais ricos do mundo, e investe muito e pesado para que seu clube conquista um título de grande expressão, a dizer Champions League. Esse é o grande sonho do Chelsea, principalmente depois do jejum de 50 anos sem conquistar a liga inglesa, 1954-1955 à 2004-2005. A melhor colocação do time inglês em toda sua história foi um vice-campeonato na temporada 2007-2008, perdeu para o rival Manchester United nos pênaltis por seis a cinco. O treinador na ocasião era o português José Mourinho. Embora ele tenha sido o maior vencedor da história do Chelsea talvez o insucesso na conquista da Liga tenha sido o principal motivo de sua saída para a Inter de Milão. O holandês Guus Hiddink teve passagem rápida pelo clube, assim como o brasileiro e campeão do mundo Luis Felipe Scolari. Com ambos o time de craques não jogou, e no mundo corporativo é assim, investimento x resultado = lucro, quando o resultado dessa equação é prejuízo, a conseqüência principal é demissão. O salvador da pátria da vez então é Carlo Ancelotti. Mas Ancelotti não foi chamado para apagar incêndio ou para por ordem no caos de craques do time azul de Londres, mas sim para realizar um sonho. O currículo de Ancelotti justifica sua escolha por parte do dono do time. Ele possui quatro títulos da tão cobiçada Liga dos Campeões, sendo dois como jogador e dois como técnico, sendo também todos pelo Milan. A Chelsea deve ter observado bem o trabalho de Ancelotti durante a Liga 2006-2007, quando o Milan dirigido por ele derrotou na final o também inglês Liverpool, que havia vencido o Chelsea na semi-final. Claro que como em tudo na vida, a relação Milan e Ancelotti desgastou, o clube milanês não conseguia mais apresentar o mesmo futebol brilhante que lhe rendeu duas ligas. O mesmo aconteceu com a relação Mourinho e Chelsea. O egocêntrico técnico português já não se entendia com todo grupo, alguns jogadores já não rendiam mais o que podiam e sabiam e como no mundo corporativo – já que o Chelsea é uma empresa privada – o fim da estrada é resultado, Mourinho acabou caindo. Ancelotti tem credencias para levar o Chelsea a tão sonhado título da liga. É bem verdade que passaram bem perto nos últimos anos, com um vice campeonato e uma eliminação nas semi-finais, porém agora com um treinador que sabe o caminho, quem sabe o Chelsea chegue lá. Não há duvida de que o técnico é competente, não há duvidas também da qualidade do time londrino, a grande questão é a hora “H”. Será que o Chelsea tem condições de chegar numa final e não tremer diante da tradição. Gigantes como Real Madri com nove títulos da liga, Milan com sete, Liverpool com cinco, Bayer de Munique com quatro e Manchester e Barcelona com três cada um, são tão milionários e cheios de craques quanto o Chelsea, mas a diferença é que o Chelsea não é um clube grande do tamanho desses, e talvez se assuste com a sombra que esses gigantes projetam quando chegam nas decisões. Só para exemplificar, em 2007 o São Caetano chegou na final do campeonato paulista contra o Santos, e mesmo jogando um futebol melhor acabou ficando sem o titulo. A camisa e a tradição do Santos prevaleceu mais do que o futebol do time em campo. O Chelsea parece sofrer desse mal. A questão é muito mais psicológica do que futebolística, quando o time azul conseguir administrar essa fobia a grandes times, com certeza irá conquistar o tão sonhado título.



















































































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Artigo.

A nau dos desperdicidores.


por Marlon Marques.





































Que estupidez. Acho que isso é o que posso dizer sobre o que vi nessa semana que passou. Olha que quando eu acho que o ser humano chegou no limite do limite, aí é que eu percebo que ainda falta muito para esse limite chegar. Em Nova York, mais de 250 pessoas se reuniram para uma enorme guerra de tortas. O motivo e meta era a quebra do recorde mundial e entrar para o também ridículo Guinness Book. Não sei ao certo quanto se gastou para fazer tantas tortas assim, afinal, uma guerra dessa proporção não se faz com apenas 250 tortas, ou seja, 1 torta por pessoa. Muitas tortas foram feitas para tal evento. Se chutarmos alto, colocando 5 tortas por pessoas, multiplicando isso, dará 1250 tortas. Se pensar bem, isso não é muito, mas se pensar na quantidade de farinha, ovo, e outros ingredientes, aí sim se tem a proporção exata do desperdício. Só falamos do desperdício de energia e de água, mas e o desperdício de comida? Quantas pessoas não morrem de fome na África por ano? E nos outros continentes? Países como Zâmbia, Etiópia, Índia, Timor Leste, tornaram-se símbolos, arquétipos da fome no mundo, isso sem contar o nordeste brasileiro. Agora pensando por esse lado, não seria mais proveitoso usar todo esse material utilizado nas tortas em doação aos famintos? Talvez não fosse matar a fome do mundo, ou da África, ou da Tanzânia, ou de qualquer cidade do globo terrestre, mas seria com certeza muito mais proveitoso. É típico do capitalismo esse tipo de atitude. Francis Fukuyama no seu polêmico livro “O Fim da História e o último homem”, diz que o capitalismo foi [e é] o único modo de produção [não que ele use esse termo] capaz de proporcionar ao homem a supressão de suas necessidades básicas dando-o condições de realizar suas necessidades secundárias sem que elas comprometam as básicas. Isso quer dizer que o homem do capitalismo é inescrupuloso. Pois como se sentir bem recebendo e dando tortadas, enquanto que em outra parte do mundo, ou até mesmo na casa ao lado da sua alguém passa fome? O sistema faz o egoísmo ser a condição. O preço médio de um pedaço de torta de chocolate em qualquer doçaria é 10 reais, sendo que os mesmos 10 reais, equivalem a uma refeição completa em restaurantes comuns de pratos feitos. O que enche mais a barriga, uma suculenta torta de chocolate ou arroz, feijão, batata frita e um bife bem passado? Um insensato talvez diria, “o é que é um prato de comida em um dia, para quem passa um ano com fome?”, eu digo, muita coisa. O que é digno, ganhar 1 real trabalhando ou 1 milhão roubando? É paradoxal. O fato é que a mesquinhez do mundo não permite que pelo menos respeitemos a dificuldade do outro. No Brasil é muito assim, o luxo convive muito próximo da pobreza extrema. Não é uma questão de segregar ou de reprimir, mas é bom senso. Qual a razão de um garoto de classe alta que mora num belo condomínio ficar passeando de roupas de grife perto da favela? Já que você tem e não divide, pelo menos não esbanje, não humilhe o outro que não tem, não torne a vida dele mais difícil do que já é. É como diz o ditado, “o que os olhos não vêem, o coração não sente”. Quantas e quantas toneladas de comida vão para o lixo todos os dias que ainda tinham condições ir a mesa de qualquer pessoa? Portanto é e deve ser sempre condenável qualquer atitude desse tipo. E o pior é a cara de satisfação das pessoas ao jogarem uns nos outros as tortas. Muitos morangos voando, muitos outros caindo e sendo pisoteados, cascatas de chantili, chuvas de glacê. Uma verdadeira orgia de desperdício e banalidade. O chão estava coberto de torta, da mesma forma que no carnaval o chão fica recoberto de papel picado e confete. Cabe aqui um ponto de reflexão sobre o que cada um pode fazer em relação a minimização do desperdício. O videoclipe da canção “Sing” do grupo britânico Travis, nos dá uma noção muito exata do quanto se perde com guerras de comida, e do quanto guerras de comida são inuteis e banais. Nossa mudança de atitude não mudará a vida de ninguém, porém é horrível saber que enquanto muita gente passa fome há gente desperdiçando comida. Mas como já nos disse o grande Aristófanes, “a juventude envelhece, a imaturidade é superada, a ignorância pode ser educada e a embriaguez passa, mas a estupidez dura para sempre”.



















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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Crítica.

Nelson Gonçalves - Nelson Interpreta Noel.



por Marlon Marques.





















Quem disse que samba é coisa só de negro. E quem disse que samba é uma música menor. Se houve alguém que capaz de derrubar essas duas questões, esse alguém foi Noel Rosa. O nome de Noel figura entre os gigantes da música brasileira, sendo considerado por muitos, um grande poeta, da estirpe ao qual pertencem Cartola e Braguinha. Noel compôs canções memoráveis, verdadeiros poemas musicados, cantados por gente tão dispare quanto Aracy de Almeida, Francisco Alves e Nelson Gonçalves. O samba nasceu nos morros cariocas, corruptela de “semba”, na língua dos negros de Angola algo como batuque. Noel foi quem trouxe o samba do morro para o asfalto. Ocorreu um enbranquecimento do samba, e tal qual o feitiço da vila, enfeitiçou gente como Vinícius de Moraes e Chico Buarque. Noel é o culpado por isso, foi um gênio não tão reconhecido em vida, mas com certeza glorificado post mortem, pela vida e principalmente pela obra. Lindos sambas-canção de sua autoria ganharam vida na voz dos grandes intérpretes dos anos 30, estendendo-se por toda era do rádio até os anos 50. Em 1954 após a morte de Getúlio Vargas, o Brasil começaria a ser tragado pela órbita dos Estados Unidos. A principal conseqüência disso, foi a bossa nova, fusão do jazz com samba, e depois o rock n´roll da jovem guarda, ritmo por excelência norte-americano. Não que Noel ficou esquecido nesse período, outros surgiram, mas o eco do homem franzino e de saúde frágil de Vila Isabel continuava presente, com menos intensidade, mas ainda presente. Se o samba é a cara do Brasil, então essa cara tem um pouco de Noel. O imortal Noel Rosa presenteou nossos corações com grandes clássicos, presentes até hoje nas sessões nostalgia das rádios AM tão pouco ouvidas pela nova geração. Muitos de hoje apontam qualquer um como mestre do samba, nessa perspectiva o que seria então Noel? Gênio do samba, talvez seja esse o rótulo que melhor lhe cabe. Pois mesmo tendo se passado mais de setenta anos de sua morte ele continua vivo, e será com muito mérito que comemoraremos o centenário de seu nascimento no ano que vem, 2010. Se acaso o Pão de Açúcar se torna-se o Monte Rushmore[1], e ao invés de presidentes da república, os homenageados fossem grandes sambistas, um dos rostos seria o de Noel, os outros três eu nem me arrisco a cometer uma injustiça, mas o de Noel, esse eu tenho certeza. Efetivamente um disco de Noel, ou interpretando Noel, é de samba. Esse “Nelson Interpreta Noel” de 1956, é um achado, um disco de um samba refinado, bem tocado, com tudo o que o samba puro tem, pandeiro, bandolim, flauta, e muita elegância. Nelson Gonçalves dá grande vida as canções do poeta, sua voz encorpada não se intimida frente a tão hercúlea tarefa, mas somente um artista como Nelson – e como poucos – seria capaz de executar com tamanha maestria tal tarefa. No lado A do vinil, os destaques são três. A cadenciada “Feitio de Oração”, a poesia é refinada, “da dor tão cruel desta saudade, que, porque infelicidade, meu pobre peito invade”. A dor é de fato um grande combustível para inspiração, mas são poucos capazes de extrapolar esse sentimento tão bem quanto Noel. “Último Desejo” é linda, magnificamente linda. Também cadenciada, tem um acompanhamento divino, com cordas e órgão, Noel vindo pelo voz de Nelson nos diz: “perto de você me calo, tudo penso e nada falo”, é o calar sem reação diante da paixão, é o impávido silêncio do coração. E o grande clássico “Com Que Roupa?”, tão gravada por tanta gente. Eu confesso que não achava nada de mais nessa canção, mas reparando bem. Um sambinha rápido, contagiante, onde a flauta da um show a parte. Um samba nos anos 30, era uma celebração, um espetáculo de gala, onde plebe e nobreza se nivelavam pelo gingado zombeteiro do pandeiro, agora como definhar a tal convite? Agora em aceitando, como que roupa ir? Cômico, Noel continuou indeciso dizendo: “eu hoje estou pulando como um sapo, pra ver se escapo, desta praga de urubú. Já estou coberto de farrapos, eu vou acabar ficando nú. Meu paletó virou estopa, eu nem sei mais com que roupa, com que roupa eu vou, pro samba que você me convidou”. O lado B também é lírico e clássico. “Fita Amarela”, é cômica também, Noel brinca com a morte ao constatar o que já sabemos, o valor só se dá quando se morre. “Meus inimigos que hoje falam mal de mim, vão dizer que nunca viram uma pessoa tão boa assim”, além de que, denota sua paixão pelas mulheres dizendo que quando morto estará embaixo da terra, o mesmo destino das “morenas tão formosas”, isso é um consolo. “Palpite Infeliz”, é uma das declarações da amor a Vila Isabel. Noel critica os críticos da vila de seu coração, diz ele que nada sabem os que dizem [ “quem é você, que não sabe o que diz” ], pois se a vila é tão boa assim, não é com a finalidade de “abafar ninguém”, de derrubar as outras escolas. Mas é o dom natural da vila, de compor com facilidade [ “fazer poema lá na Vila é um brinquedo” ], sambas bons, e afinal pra que ligar pra quem não sabe nem onde fica o próprio nariz? Agora a grande canção é “Feitiço da Vila”. Noel enfatiza a qualidade de sua Vila querida, e nos inicia nos mistérios de uma magia ímpar, capaz de fazer a vida melhor, de encantar o coração, capaz de fazer dançar os arvoredos. A introdução monumental dessa versão de Nelson, deflagra a grandiosidade dessa canção, que faz a “lua nascer mais cedo”. Essa vila com nome de princesa, se orgulha de seu principal produto, o samba, que nas palavras de Noel é um “feitiço descente”. Agora senhores, modéstia a parte, Noel é da vila e nós somos mais Noel.



[1] Monumento norte-americano localizado em Keystone na Dakota do Sul, onde estão esculpidos os rostos dos quatro grandes presidentes norte-americanos.





















































Nelson Gonçalves - Nelson Interpreta Noel [RCA, 1956].

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Crítica.

Electronic - Raise The Pressure.


por Marlon Marques.











































Tem muita gente que diz que o Pet Shop Boys é som de fresco, mas quando toca "Domino Dancing" na festa de casamento da irmã, se molha todo de tanto dançar. Com o Electronic acontece igual. Só para parafrasear o título do filme de Alain Resnais, “Medos privados em lugares públicos". Nossa, o que meus amigos vão dizer caso saibam que eu ouço Electronic [se é que eles conhecem]. O que vão pensar os mais puritanos, mas e esse disco, que capa mais, mais, de menina! E daí? O que importa é que seja bom. E o disco é bom, e está cada vez mais raro encontrá-lo disponível. Li sobre esse disco há uns dez anos atrás na revista Showbizz, numa matéria sobre projetos paralelos. O paralelo aqui em questão – ou os paralelos – são Bernard Summer do New Order, e Johnny Marr ex-Smiths. Eles resolveram aliar talento e influência para criar um disco cheio de alegria, raios de sol e risos no canto da boca. Além é claro de bochechas vermelhas de vergonha. Chamaram para participar do disco outros dois expoentes da música eletrônica, Neil Tennant do Pet Shop Boys e Karl Bartos na época no Kraftwerk. O resultado é esse disco bonito, cheio de momentos maravilhosos e nostálgicos, que lembram o final do anos oitenta, a onda do synthpop e dos duos mágicos como Depeche Mode e Soft Cell. O álbum é 1991, momento em que o mundo passava por grandes transformações, tanto no plano socioeconômico, quanto no plano musical. Desintegração da União Soviética e o início do grunge, o capitalismo se instalando no mundo todo e o Nirvana levando contestação e interrogações aos lares da classe média burguesa americana [e depois mundial]. Enquanto tudo isso acontecia, do outro lado do atlântico, Summer e Marr compunham pérolas de inigualável quilate, claro que há quem conteste, mas o que seria do mundo se não fossem os contestadores. Raise The Pressure traz ótimas músicas dançantes mescladas a momentos mais contemplativos. Muitas atmosferas são induzidas a audição desse disco, não há destaques, pois o disco é todo muito coeso, e embora diferentes, todas são muito próximas. A introdução de “One Day” é um caso a parte, assim como as mudanças de ambientação de “Dark Angel”. Há os momentos também puramente desmunhecados, casos de “Until The End Of Time” e “Free Fall”. Mas isso não é um ponto negativo no disco como fora apontado por muitos detratores, afinal a eletrônica é o ritmo oficial dos gays – dos bailes paulistanos aos abalos de São Francisco. O mais interessante do Electronic é o fato de que tanto Summer e Marr, quanto seus convidados ilustres [exceto Tennant], poderem fazer algo diferente do de seus trabalhos de consagração. “Visit Me” por exemplo, em nada se parece com Smiths, ou com New Order, ao até com Kraftwerk. “For You” experimenta a alegria do grupo Mônaco de Peter Hook [também do New Order], já em “Forbidden City”, o toque especial de Johnny Marr a deixa não tão distante do Smiths [mesmo com a afirmação anterior de o grupo não lembrar as bandas e ex-bandas dos integrantes]. Acredito que vale muito a pena ouvir esse disco, mas é necessário despir-se de qualquer preconceito ou pré-julgamento, a começar pela capa, e deixar apenas que o bom senso seja o guia dessa audição. Se você for realmente alguém de sensibilidade apurada, e principalmente se não sofrer de síndrome do touro branco[1], irá gostar desse disco, pela beleza, pela simplicidade e por lhe trazer momentos de prazer tão corriqueiros, quanto um cochilo despretensioso depois do almoço. Deleite-se.



[1] O touro branco era comumente associado como símbolo da virilidade entre os gregos antigos.





























Electronic - Raise The Pressure [Warner Bros/ WEA, 1996].

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domingo, 20 de setembro de 2009

Conde Vlad Tsepesh aka Dracula (1431 - 1476)

Por Leandro Borges & Pumukel Polaico


Vlad Dracula (pronuncia-se Dracúla) ou Vlad, O Empalador, foi um príncipe que realmente existiu, no qual Bram Stocker baseou o famoso Conde Drácula. Dracula nasceu na Transilvânia em 1431, na cidade de Sighisoara, ou Schassburg. Seu pai, Vlad Dracul (Vlad, O Demônio), foi membro um da Ordem do Dragão, o que significava um pacto de luta eterna contra os turcos. O nome Dracul significava Dragão ou Demônio, e se tornou símbolo de seu pai porque ele usava o símbolo do dragão em suas moedas. Com a idade de apenas 13 anos, Dracula foi capturado pelos turcos, que o ensinaram a torturar e empalar pessoas. Mas foi sob o seu reinado de em Wallachia, de 1456 a 1462, que ele realmente teve a chance de usar seus conhecimentos. Foi nessa época que surgiu a maioria das histórias. Por exemplo: um dia Dracula viu um homem com a camisa suja e maltrapilha. Ele perguntou se o homem tinha uma esposa, e o homem respondeu que sim, Dracula percebeu que ela era uma mulher saudável e cheia de fibra, e a chamou de preguiçosa. Como castigo, ela teve as mãos decepadas e seu corpo empalado. Ele procurou uma nova esposa para o homem e mostrou a ela o que acontecera com sua preguiçosa predecessora como uma forma de aviso. A nova mulher, definitivamente, não era preguiçosa.

O outro nome de Dracula, Tsepesh (ou Tepes), significava empalador. Vlad era chamado assim devido à sua propensão para o empalamento, como uma forma de punição para seus inimigos. Empalamento era um método particularmente medonho de execução. A vitima era posta em um cavalo empurrada em direção a estacas polidas e untadas a óleo, de forma a não causar a morte imediata.
Esposas infiéis e mulheres promiscuas foram punidas por Dracula, tendo seus órgãos sexuais cortados, a pele arrancadas enquanto vivas e expostas a publico, com suas peles penduradas próximos aos seus corpos. Dracula apreciava especialmente execução em massa, em que várias vítimas eram empaladas de uma vez, e as estacas içadas. Como as vitimas se mantinham suspensas do chão, o peso de seus corpos faziam com que descessem vagarosamente pela estaca, que, devido a base lisa, ia arrombando os órgãos internos.
Para melhor apreciar o espetáculo, Dracula rotineiramente realizava banquete em frente às suas vitimas, e era um prazer para ele alimentar-se entre os lamentáveis sinais e ruídos de suas vitimas morrendo. O atual castelo de Dracula fica ao norte da Wallachia, na cidade de Tirgosvite. Vlad Tsepesh aka Dracula morreu em 1476. Algumas histórias contam que ele morreu em uma batalha disfarçado de turco. Como a vitória estava próxima, ele correu para o alto de um penhasco para apreciar tudo, mas foi confundindo com um turco e morto por seus próprios homens.
A tumba de Dracula fora aberta em 1931, mas estava vazia a não ser por um deteriorado esqueleto, uma coroa de ouro, uma gargantilha com a idéia de uma serpente e fragmentos de traje de seda vermelha, com um sino costurado. Infelizmente seus restos mortais foram roubados do History Museum of Bucharest (Museu Histórico de Bucareste), onde foram depositados.


Romênia - Transilvâna:












Empalamento:









Placa de Mármore que condecora a vida do Conde:





























Fonte: Coleção “A obra-prima de cada autor” Martin Claret / “Drácula-O Vampiro da Noite” Bram Stocker/ Introdução; “Os vampiros existem?”

Ensaio.

Nelson Gonçalves & Adelino Moreira - Bibelot.



por Marlon Marques.



























Não sejas bonequinha quebradiça,

A luz mortiça de um belo lampião,

Não sejas bibelot de porcelana,

Que se esparrama quando cai ao chão,

Não queiras iludir teu sentimento,

O fingimento não te fica bem,

Repara que a maior beleza,

Está na singeleza que a pessoa tem.

Beijar-te no altar desejo,

Confesso que é meu sonho ardente,

Mas tenho a impressão que até num beijo,

Fazendo pose do beijo é diferente,

Não sejas tão sofisticada,

Enganas o teu coração,

Procura ser real e doce amada,

Para mim atingiras a perfeição.






























A voz firme, de timbre grave de Nelson Gonçalves, cai como uma luva para poesia e maestria de Adelino Moreira. A canção [poema] “Bibelot” é do disco Meu Perfil de 1960, sendo essa uma das muitas canções que Nelson gravou de Adelino. Essa é de fato uma parceria perfeita, ambos se combinavam tanto que até mesmo brigados, o resultado era surpreendente. Em 1964 Nelson gravou “Amigo, palavra fácil”, que Adelino compôs para reatar a amizade e a parceria dos dois, foi um sucesso. Acredito que tais canções não realçariam na voz de outro cantor, mesmo de grandes intérpretes como Cauby Peixoto, Silvio Caldas ou Francisco Alves, e nem a grande voz de Nelson Gonçalves daria a mesma química com outro poeta que não Adelino. Bibelot é uma mostra do talento desses dois grandes artistas da música brasileira. Uma moça muito linda mas também muito fresca, que se valoriza demais em gestos e poses exageradas. Sua beleza ressaltada pela luz mortiça do lampião, nos revela a fragilidade e a dissimulação da pequena princesa. O cortejador sabiamente envolve-a em sua conversa depurada pelo tempo e pelas conquistas, diz a ela sobre sua desaprovação de tal postura. Não sejas uma boneca quebradiça, não finjas uma fragilidade que não tem, pois a sinceridade torna uma mulher ainda mais bonita. As sinuosas curvas de seu corpo e a bela superfície cristalina de seu rosto escondem-se atrás de artifícios tão desnecessários. Não iludas teu sentimento, não subestimes minha inteligência e perspicácia, a vida fez-me ser um boêmio que aprendeu muitas coisas com o sofrimento. Ó moça de beleza tão divinal, o fingimento não lhe fica bem, estratagemas de sedução, armadilhas e maçãs não apanham velhas raposas, somente os ingênuos pássaros tão facilmente encantáveis com sua silhueta ao luar. A beleza maior não reside em palacetes luxuosos, mas habita casebres simples e humildes. A singeleza é uma virtude, e uma condição para verter a estética em perfeição absoluta, platônica. Ao som de flautas e bandolins, sonho contigo imaculada ao altar, e num beijo sem pose te amar. Sonho contigo onde posso alcançar-te, onde posso tocar-te, onde és real. Tenho ainda esperança em uma mudança, creio com a força que transforma as estações, que amadurece os frutos e desabrocha as vivas e perfumadas flores como tu. Seja mais simples, não estejas tão a frente de seu tempo, quero-te como és, não a idealizo como num filme de Fellini, a idealizo como faz os poetas, como as musas gregas, como nos sonhos dos amantes. Sabes que se engana dessa forma, pode iludir aos outros, mas não enganas a si mesma. E sabes também que a quero, sabes de minha loucura por ti, porém sei que um dia deleitar-me-ei de teu mel, farei morada em teu coração, e também sei que mesmo com tudo isso, falta pouca para atingires a perfeição.

















































Nelson Gonçalves - Bibelot.
















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sexta-feira, 18 de setembro de 2009


Artigo.

A viagem sonora do corpo – Roger Waters & Jonny Greenwood.



por Marlon Marques.




















O pai da medicina Hipócrates disse que: “tuas forças naturais, as que estão dentro de ti, serão as que curarão suas doenças”. Hipócrates talvez não soubesse exatamente o que havia dentro de nós, mas intuiu bem dando a entender que o ser humano por dentro era um ser complexo. Teofrasto de Ereso foi o primeiro a utilizar técnicas de dissecação de cadáveres, o que ajudou a desenvolver a anatomia, e por conseguinte, o conhecimento dos seres humanos por dentro. Os alunos do Dr. Tulp na celebre aula de anatomia retratada por Rembrandt, olham fascinados para as vísceras expostas do cadáver. O médico e professor nem sequer olha para o morto, mas os que ainda não haviam visto um ser humano por dentro, consequentemente a si mesmos, se espantaram. Mas esse espanto é normal. Nós homens do século XXI nos espantamos quando vemos o homem por dentro, com todos os seus milhares de músculos, nervos, veias e vértebras, é assustador pensar que somos assim. Outra sensação estranha é ouvir os sons emitidos pelo corpo. Os corriqueiros são assustadores e grotescos [arroto e pum por exemplo], além da sensação desconfortável de ouvir o ronco de alguém ao dormir, um peito chiar com catarro ou o ronco de um estômago faminto. Imagine-se agora como um personagem de Julio Verne numa viagem ao centro do corpo humano, e pense em como seria essa experiência, vendo coisas horríveis, sentindo cheiros péssimos, e ouvindo sons exóticos e inusitados. Dois célebres artistas do século XX, um do início da primeira metade do século, e ou outro já final, se aventuraram por dentro de nós para nos contar como é. Roger Waters e Jonny Greenwood, ambos ingleses, e ambos de bandas ímpares e muito importantes para seu estilo, o rock. Pink Floyd e Radiohead, e não poderia ser de outras bandas a saírem músicos capazes de nos conduzir a essa impensável viagem sonora. Em 1970, Roger Waters lançou o disco “Music From The Body” como trilha sonora de um filme homônimo. As canções foram compostas em parceria com Ron Geesin, já antigo colaborador de Waters, nos apresentando uma versão bem humorada de nós mesmos internamente. Os sons na verdade são pequenas peças interligadas que formam um todo. São ecos e cacos de sons, sendo somente algumas canções realmente ditas, são os casos de “Chain Of Life”, “Breathe” e “Give Birth To A Smile”, bem no estilo floyd de canções. As demais se utilizam de bases semi-eruditas, música de câmara, minimalismo e coisas do tipo Olivia Tremor Control, aliás, esses devem ter ouvido atentamente esse disco. As músicas não emulam ou imaginam os sons dos órgãos, apenas cria climas de vazios, tensões e sensações que possivelmente aconteceriam em nosso corpo ao reagir as diversas situações a que é exposto. Comemos o tempo todo, tomamos água, nos movimentamos a todo instante, sentamos, deitamos, pulamos, e assim como estralar os dedos libera um som, cada uma dessas ações no plano interior também deve produzir algum tipo de som. Music From The Body foi inovador em sua época, justamente por trazer um tipo de música diferente de tudo o que estava sendo feito naquele momento. Já “Bodysong” foi lançado por Jonny Greenwood em 2003, também como trilha sonora de um filme homônimo. O disco de Greenwood é mais experimental e de difícil audição em relação ao de Roger Waters. O disco é bem próximo ao trabalho de Greenwood em sua banda Radiohead, trabalha com texturas sombrias, instrumentos diversos e sons minimalistas. Bodysong é muito climático, e tal como Music From The Body, não tenta recriar os sons fisiológicos, apenas nos sugere possibilidades, nos remete a uma viagem pelos órgãos humanos, ou pela via linfática ou sanguínea. É o caso da faixa “Clockwork Tin Soldiers”, que parece um sonho em processamento, ou “Convergence”, que lembra a trituração dos alimentos por nossos dentes. Greenwood dialoga também com o jazz experimental da turma de John Zorn, sons desconexos e irracionais, semi-tonalidades e cromatismos sonoros. Ouça “Splitter” e comprove, a desarmonia do trompete, lembra um desarranjo intestinal, enquanto que a insanidade da bateria mais lembra uma incômoda enxaqueca. A única faixa de Bodysong que se parece com Music From The Body é “Tehellet”, com cordas a cargo do The Emperor Quartet, deve lembrar o mecanismo das cordas vocais vibrando na garganta de uma soprano ao cantar. O mesmo efeito nos traz “Bridge Passage For Three Plastic Teeth”. Os dois discos embora muito diferentes e distantes no tempo não no espaço [32 anos], se complementam em nosso interior. Há uma ligação espiritual entre os discos, há um diálogo silencioso entre ambos, como se Bodysong continuasse de onde Music From The Body parou, como quem quisesse terminar de nos conduzir pelos escuros e úmidos túneis dos tecidos. Veja a similaridade e a conexão. Na mitologia, Oroboros é a cobra que representa o eterno retorno, ou o ciclo da vida, pois a serpente engole seu próprio rabo. Os dois discos formam a serpente, sendo Bodysong a cabeça e Music From The Body o rabo. Se considerarmos “Sea Shell And Soft Stone” a última faixa do disco de Roger Waters – uma vez que Give Bath To A Smile é uma canção pop – ela se encaixa perfeitamente no início de “Moon Trills”, pois a primeira termina com um solo de violino, e a segunda começa com um solo de violino, depois explodindo como um “big bang”. São realmente duas obras fantásticas, que valem a pena a audição, pela beleza e pela sensibilidade dos músicos. As canções formam um conjunto único de rara perfeição, sendo um momento único também de reflexão interior, de nos fazer pensar na complexidade da máquina humana e em sua conectividade e engenharia. E para esse intento tão raro nos dias de hoje essa é sem duvida a melhor trilha sonora já feita.















































Roger Waters - Music From The Body [Caroline, 1970]

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Jonny Greenwood - Bodysong [Capitol, 2003].

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