segunda-feira, 30 de março de 2009

Radiohead - In Rainbows

Por Leandro Borges.



















É sempre um acontecimento, a edição de um álbum dos Radiohead. E é-lhes sempre exigido que se superem, que façam mais e melhor do que aquilo que deixaram para trás. Depois de criarem duas obras-primas intituladas The Bends e OK Computer , das experimentações de Kid A e de Amnesiac e das mensagens prementes e politizadas de Hail to the Thief , os Radiohead conseguem passar com distinção novamente. Não será este um registo excelente, mas a verdade é que está bem longe de ser o desastre que muitos vaticinaram. In Rainbows é um bom álbum de uma banda que habituou o público a produzir muito acima da média.
Sétimo álbum de originais dos Radiohead e o primeiro que editam sem o selo de uma editora. A liberdade levou-os a apresentar uma colecção de canções com vida própria, que podiam perfeitamente viver independentes umas das outras. In Rainbows é também o primeiro registo da banda depois de Thom Yorke editar The Eraser , a sua estreia a solo. Podendo ou não ser uma reacção à linha mais electrónica do registo de Yorke (e dos últimos discos da banda), In Rainbows deixa os instrumentos respirar: há guitarras fortes em «Bodysnatchers», bateria suave em «Nude», cordas sublimes em «Faust Arp» e guitarras ondulantes em «Reckoner». A melancólica voz de Yorke também respira melhor, passeia-se por ambientes menos claustrofóbicos, cresce e transfigura-se em cada música. «15 Step» abre o disco em euforia contagiante – é provavelmente a peça que mais dificilmente encaixa em In Rainbows , sem que isto seja um aspecto negativo – mas o álbum atinge o ponto mais alto com os belíssimos, apaixonados e etéreos «All I Need», «House of Cards» e «Videotape», o inquietante tema de encerramento. Quando defendido como um todo, o álbum não encherá as medidas dos mais exigentes, mas cada canção é uma surpresa pronta a ser desembrulhada. E é assim que faz sentido. Correcção: In Rainbows não é um bom álbum, é antes uma belíssima colecção de canções. Continuam a ter talento abundante, continuam a saber o que querem e a mostrar-se bem focados. Continuando assim, os Radiohead vão permanecer uma das melhores bandas deste século, como foram do anterior.

Leandro.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Opinião.
















(fonte: wwwb.click21.mypage.com.br)


Clodovil Hernandes.

por Dirce Dalila e Marlon Marques.


Getúlio Vargas, por acasião de sua morte, proferiu uma das frases mais emblemáticas de todos os tempos, “saio da vida para entrar na historia”. O Brasil é um país que tem uma relação muito ambivalente com seus ídolos, embora alguns sejam realmente celebrados em vida, como é o caso de Ronaldo, e em menor proporção Roberto Carlos [o cantor], é só após a morte que o culto realmente começa, Elis Regina é sempre lembrada, Garrincha foi esquecido, mas Ayrton Senna é quase um deus, posição que só alcançou após passar para o outro plano. Da mesma forma que a Igreja Católica instituiu o dogma da infalibidade papal, no Brasil temos algo parecido, a intocabilidade dos ídolos nacionais e dos famosos mortos. Clodovil parece estar passando por esse processo, pois todas as matérias de imprensa sobre o polêmico estilista, político e apresentador de TV, procuram engrandece-lo ou bajula-lo, e talvez por um falso respeito, preferem não critica-lo. Mas as coisas são assim mesmo, a imprensa é uma boa e velha máquina de criar e destruir reputações, e de manipulação também, digo no sentido de explorar alguém para ganhar audiência, é uma das estratégias do capitalismo da desgraça. Seguindo uma linha lógica e cronológica, iniciemos com o Clodovil estilista. Talvez se dividirmos a história da moda no Brasil em três fases, certamente serão Zuzu Angel [Anos 50 à 60], Clodovil [Anos 60 à 70] e Gisele Bündchen [Anos 90 e 2000], os anos 80 no Brasil foi marcado por diversos nomes de importância, sem que um fosse maior do que o outro. Clodovil por ter seu nome gravado na história da moda no Brasil, utilizou-se disso para alçar postos na televisão e no show bizz em geral, e por ser uma referência nesse ramo, criticou e humilhou diversas pessoas, famosas e anônimas em programas e em entrevistas para revistas. Embora tenha sido considerado um grande estilista, e ter vestido diversas personalidades brasileiras, e de ter alcançado algum reconhecimento internacional, Clodovil se achava muito mais do realmente foi, superlativou demais sua própria história, numa retórica de auto-vangloriação. Nesse aspecto ele lembra muito o Maradona, que aparece muito mais por depreciar o Pelé do que pelo próprio talente, Clodovil nunca aprendeu que não é apequenando os outros que se engrandece, esse não é o caminho de maior consistência. Dizem que a melhor defesa é o ataque, e nem sempre atacar é sinônimo de fortaleza, e muitas vezes é apenas uma forma maquiar certas fraquesas. Como crítico de moda, em muitas oportunidades não se limitava á apenas julgar os aspectos técnicos da criação de roupas, caimento das peças nas modelos, tendências, combinações e outros quesitos, mas atacava modelos e estilistas, ampliando os comentários para o lado pessoal e expondo preferências. Jô Soares costuma em suas entrevistas aparecer mais do que o entrevistado, invertendo a posição de estrela do espetáculo, Clodovil sempre se utilizou desses mesmos artifícios, querendo aparecer mais do que aqueles que deveria julgar, típico de quem necessita de ibope a todo instante. O apresentador de TV Clodovil, em nada acrescentou em relação a conteúdo para aqueles que o assistiam, eram programas sobre assuntos femininos, porém tratados da mesma forma vazia dos outros programas similares. Embora tenha estudado filosofia durante a juventude e de ter viajado muitas vezes a Europa, não expos a cultura que dizia ter, nem a finesse que aparentava, pois além de não elevar o nível de seus programas, se mostrou várias vezes em seus programas uma pessoa racista e preconceituosa. Muito disso se deve a esse endeusamento que as celebridades recebem da imprensa e da população, que somente por serem famosos, são elevados a um nível de sapiência tamanha, que são sempre convidados em programas de entretenimento barato a dar opiniões sobre diversos assuntos. Entretanto, essa liberdade de dizer o que se quer, é um fruto podre das sociedades democráticas, os problemas são dois, um é que o ser humano não está preparado para ter liberdade, lembre-se de Ícaro, e dois, a liberdade de expressão caminha muito próximo da ofensa, pois as vezes ser muito sincero não é necessariamente uma virtude, e há certos comentários que são desnecesários e outros que por mais verdadeiros que sejam, devem ser feitos da forma mais cauteloso possível. Clodovil foi acusado de racista e antisemita, e logo ele, homosexual assumido e visível, ter um comportamento assim, ele também fazia parte de uma minoria discriminada no país, sofria [mesmo sendo famoso] a cada comentário contra gays [por ser um], a cada hostilização, ridicularização e crimes cometidos contra pessoas de sua mesma opção sexual, e como lutar por igualdade e direitos se você age de forma discriminatória. Do que lhe adiante fama, dinheiro, cultura, se o principal você não tem, humanidade e respeito pelo próximo, não adianta só ser rico materialmente, é preciso também ser rico de espírito. A carreira política de Clodovil não tem nada de relevante, apenas um escândalo com a deputada do PT Cida Diogo, embora ele não tenha dito nada demais a ela [chamou-a de feia], esse episódio deflagra uma declaração horrível contra as mulheres. Clodovil disse que as mulheres ficaram vulgares, ordinárias e cheias de silicone, e que atualmente as mulheres trabalham deitadas e descansm em pé, numa referência a prostituição. Não se pode generalizar em nada, e não é correto dizer que todas as mulheres são dessa forma, isso é negar a contribuição de grandes mulheres para o progresso da nação e o muito que muitas fazem todos os dias em casa, nas fábricas, nos escritórios e na retaguarda de muitos homens, anônimas ou com sua importância reduzida. O ar de Clodovil, seu olhar, seus gestos, são de uma arrogância narcísica, ele anda como se flutuasse para não pisar no mesmo chão que os meros mortais como nós, ele sempre se dirigiu a seu público como se ele fosse o civilizado falando aos bárbaros, mal olhando no rosto das pessoas, sempre um olhar meio de lado, totalmente despresível, superior. Entretanto, a morte não pode apagar a faceta original das pessoas, e Clodovil não pode ser redimido só porque não está mais entre os vivos, foi arrogante sim, prepotente também, cinico e mal educado com seus colegas de TV e com as pessoas que o assistiam, se considerava acima de todos, e do bem e do mal, e como disse Constance Harraway [Laura Linney] á Davd Gale [Kevin Spacey] no filme “A Vida de David Gale”, “me avise quando a sua arrogância começar a atrapalhar o seu trabalho”, no caso de Clodovil o mesmo poderia ter sido dito, a arrogância atrapalhou muitas vezes o seu trabalho, e até mesmo sua vida pessoal, porém a cegueira que acomete os tolos, fez com que a maioria das pessoas não vissem nele esses defeitos, que ao longo de sua vida e se fizeram mais presentes do que suas virtudes, mas, ainda sim fico com Nelson Rodrigues, toda unânimidade é burra, não que o Clodovil fosse uma unânimidade, mas é fato que muitos o adimiravam, dos comuns aos televisivos, porém todos cegos, ofuscados pela luz da arrogância de um pavão com penas menos bonitas quanto ele mesmo achava.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Invisible InkIncubus (Exclusivo)

Video exclusivo de uma das poucas bandas cover de Incubus no Brasil.

Trecho inédito e exclusivo de vídeo da banda Invisible Ink (Incubus Cover) que teria supostamente “vazado” na rede essa semana. Há rumores que seja uma estratégia para promover os ensaios, mas a assessoria da banda negou que seja “jogada de marketing”.

Por Leandro Borges.

domingo, 22 de março de 2009


Minha Coleção.

Leandro Borges Pereira.



por Marlon Marques.



















(acervo - M.M, 2009)®

Era uma noite fria e sem nuvens, o relógio marcava 22:30h, quando um rapaz alto e magro me recebeu em seu apartamento, quarto andar, precisamente 41-C. Seu ar parecia meio envergonhado, e ao mesmo tempo sorridente, seria talvez um sorriso de nervosismo, nem parecia uma conversa entre amigos no início, mas logo esse rapaz de nome Leandro Borges, que também atende por “Iosbilário”, foi se soltando, e contando sua tragetória até o presente momento. Leandro Borges é um paulistano de 22 anos, namora há pouco mais de um ano com Janaina, é filho de Marli e Juca, e irmão de Leticia, é um guitarrista de grande talento, compositor, autodidata e blogueiro. Em 2006 surge o Iosbilario.blogspot, um blog que inicialmente foi criado para postar fotos, letras de música e textos sobre bandas, que ao longo de seus 3 anos de existência, alcançou uma posição bastante confortável na internet, sendo bastante visitado, o que deixa Leandro bastante feliz e esperançoso com o futuro, ele diz, “tenho espectativas de ter mais visitas, ser mais acessado, e quanto mais conteúdo, mais visitas”. Leandro se orgulha também pelo fato de conseguir chegar perto de blogs já consolidados como o 360 graus e o famoso Nabulabula, mas reconhece que há muito o que fazer ainda e o que postar. Leandro nos recebeu em sua casa para nos mostrar sua coleção de discos, diz ter cerca de uns 100 discos no total, entre originais, cópias e MP3. Possui um gosto muito variado, tendo em sua maioria rock, mas também jazz, blues e funk, o original, não o carioca. Mr. Iosbilário começou a ouvir rock aos 14 anos de idade, “eu não tinha nenhuma definição de música”, ouvia na verdade muita música caipira e sertaneja por influência de seus pais, mas na verdade diz, “eu não sabia o que eu queria escutar”. Tudo começou quando terminava o ensino fundamental, alguns amigos de escola tocavam violão e ele ficava ali, perto dos amigos, ouvindo e vendo os dedos dos garotos tirarem as notas, tudo era muito difícil no início, era algo que ele via mas não se imaginava fazendo. Um certo dia seu pai aparece em casa com um violão quebrado, Juca seu pai, decide então concerta-lo, compra novas cordas e o violão fica quase novo, esperando ser tocado [no bom sentido] por alguém. Inspirado em seus amigos de escola, Leandro então decide começar a tocar, esses amigos aos quais se refere, ouviam coisas como Legião Urbana, Capital Inicial, Cássia Eller, Kid Abelha, e essas foram as primeiras bandas que ele começou a ouvir. O primeiro disco de sua coleção foi o acústico do Capital Inicial, um disco copiado por um amigo, depois desse, vieram o acústico da Legião Urbana e o disco ao vivo duplo, esses discos serviram como treino para o aprendiz de violão Leandro, que disse, “eu tinha uns amigos que tocavam bem, eu queria ser que nem eles”, e de fato conseguiu ser, e até demais, ouvia apenas esses sons, meio que fechado em uma caixa sem outras possibilidades. Sua coleção foi evoluindo a medida que ele próprio foi evoluindo, como ouvinte e como guitarrista. O fato decisivo para o que ele chama de “mudança drástica”, foi a sua amizade com seu vizinho de infância Marlon, esse lhe apresentou bandas novas, novas possibilidades, e novos amigos.


















Suas aquisições dessa nova fase foram realmente marcantes, começou com os discos do Mr. Bungle, projeto não tão paralelo assim de Mike Patton do Faith No More, depois a inevitável exploração pelo Faith No More, e por fim as viagens de Pink Floyd e Portishead. O Faith No More se deu mais por conta do seu ingresso na banda de rock alternativo Azisma, seus integrantes muito influenciados pelo FNM, ouviam sempre os discos, em especial o Angel Dust e o King For A Day, Leandro então passou a cada vez mais abrir seus horizontes musicais, chegando a Weezer, Deftones e uma de suas bandas favoritas A Perfect Circle. Ainda em seu processo de aprendizado, Leandro passa a frequentar os cursos de violão do professor Edison, esse ensina seus alunos a compor seus próprios temas baseados em composições suas de jazz. Foi assim que Leandro passou do rock para o jazz e para o blues, em sua coleção há nomes como Bonerama, Centrifugal Funk, Eric Clapton e Buddy Rich Band. Leandro conheceu Buddy Rich, através de um disco em sua homenagem organizado por Neil Peart, baterista do Rush, a técnica absurda desses musicos impressionou Iosbilário, tanto que hoje ouve muito sons crossvers de jazz com rock, tanto que o ultimo disco de sua coleção é “Truth In Shredding” do MVP, projeto do guitarrista profissional Mark Varney, que mistura rock, funk e jazz num caldeirão de incrível ténica e improviso. Leandro se diz muito influenciado pelo Radiohead, principalmente pela sonoridade única da guitarra de Jonny Greenwood, e também pelo Los Hermanos, do qual diz que as músicas são simples e ao mesmo tempo complexas, sendo um desafio tocá-las. Aponta ainda Mr.Bungle, Faith No More, Incubus, Portishead e A Perfect Circle, como as bandas que mais gosta, tendo no Duran Duran uma descoberta inusitada, diz que conhecia a banda, mas não tinha ouvido com atenção, o mesmo diz do Placebo, achava muito “gay” o som, mas depois ouviu melhor acabou gostando, por influência de seus companheiros de Azisma. Como guitarrista, diz que seu maior feito foi compor a música “Me Caminhas, Me Caminho” do projeto Azul Dos Ventos, junto com a vocalista Camila e o guitarrista, poeta e compositor Rafael Mafra. Leandro diz que Camila lhe mandou por e-mail a gravação apenas da voz e da melodia, e em cima dessa gravação compôs o instrumental, meio bossa nova, meio samba, fugindo um pouco do trabalho que fazia no Azisma e no seu projeto solo Belzeboo! No meio dessa pequena, porém honesta coleção, há espaço pra tudo, do pop do Nickelback, aos alternativos Weezer e Sonic Youth, do renovado Red Hot Chilli Peppers ao finado Zwan, dos renascidos Smashing Pumpkins e The Doors, ao cult Strokes e o obscuro David M. Quintan.











Prateleira Especial.




















1. B.B.King & Eric Clapton – Riding With The King. – Álbum gravado no ano 2000, reunindo duas lendas do Blues, e dos grandes guitarristas. “Magnifíco, posso ouvir o dia todo sem enjoar”.
















2. A Perfect Circle – Mer De Noms. – Projeto paralelo de Maynard James Keenan após recesso do Tool, o álbum foi lançado em 2000, sendo muito bem recebido pela crítica e pelo público.”É um CD que consegue me passar sentimento, raiva, tristeza, felicidade[…]”.











3. Faith No More – King For A Day, Fool For A Lifetime. – Terceiro disco do FNM com o vocalista Mike Patton, lançado em 1995, não agradou nem crítica e nem público, foi um fracasso de vendas e uma das maiores injustiças da história do rock. Um álbum fantástico, eclético e altamente bem tocado, um disco que “te prende da primeira música até a última”.
















4. Beth Gibbons & Rustin Man – Out Of Season. – Primeiro disco solo da vocalista do Portishead, indispensável e obrigatório para que gosta de climas cools e arranjos sofisticados á lá Burt Bacharach. “Mesmo sem vontade eu consigo ouvir”.















5. Josh Rouse – 1972. – Sexto disco da carreira desse cantor e compositor americano, uma ode a beleza e a simplicidade da música e da tradição estadunidense. “A qualidade da música que ele passa, não há padrão, é um disco vareado. É difícil ver em um artista que compõe música romantica o que ele fez nesse disco”.

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sábado, 14 de março de 2009

Burning For Buddy Rich Vol.2

Por Flamber Dutch.
O segundo volume do projeto em tributo a Buddy Rich produzido por Neil Peart. Novamente foram convidados nomes da bateria para tocar outras músicas. Foi lançado em 20 de julho de 1997.


1. Moment's Notice
2. Basically Blues
3. Willowcrest
4. In a Mellow Tone
5. Time Check
6. Goodbye Yesterday
7. Groovin' Hard
8. Big Swing Face
9. Standing Up in a Hammock
10. Take the a Train
11. One O'Clock Jump (Neil)
12. Them There Eyes
13. Channel One Suite


Produzido por Neil Peart
Gravado no The Power Station, New York, NY
Mixado no Le Studio, Quebec
Performances: Neil Peart, Matt Soren, Steve Smith, Kenny Aronoff, David Garibaldi, Simon Phillips, Max Roach, Joe Morello, Bill Bruford, Smitty Smith, Dave Weckl e Steve Gadd


Entrevista.

Isabela Vieira é uma livreira paulistana de 21 anos de idade, residente do bairro de Itaquera na zona leste de São Paulo. Porém diferente das muitas meninas de sua idade em seu bairro, Isabela demonstra grande maturidade em relação a diversos assuntos, além de uma postura bastante crítica em relação aos problemas da sociedade e dos jovens. Identifica-se com o rock e com assuntos feministas, além de ter predileção por cinema. Isabela nos conta nessa entrevista o que pensa sobre assuntos diversos, música, atitude, feminismo, com respostas curtas, mas objetivas, respondeu com coerência todas as questões postas e mostrou que os jovens não são todos iguais, muitos pensam e agem vizando mudar, se não o mundo, pelo menos a própria vida e a dos que os cercam.

por Marlon Marques.



























(acervo pessoal de Isabela®)


Marlon Marques - O que você achou da eleição de Barack Obama?

Isabela Vieira - Fiquei muito contente com a vitória dele, mas não podemos esperar que ele faça milagre na bagunça que o Bush deixou, mas acredito que ele tem capacidade para melhorar pelo menos uns 40%, a primeira atitude boa que ele tomou foi igualar o salário das mulheres como o salário dos homens, eu sendo mulher achei uma grande conquista.

M.M. - Bom, você disse que a igualdade salarial entre homens e mulheres é uma conquista, quais outras conquistas faltam às mulheres?

I.V. - Legalização do aborto, mais atenção as mulheres que sofrem violência doméstica e mais atenção para as mães de decidem ter filhos com tantas dificuldades.

M.M. - O aquecimento global te preocupa? O que você faz para melhorar o planeta em que você vive?

I.V. - Sim, me preocupa muito, tento fazer minha parte, evito poluir as ruas com lixo, diminuí muito meu tempo no banho e não desperdiço água. Acredito que todo mundo tem que fazer sua parte mesmo que ache coisa pouca faça, pois pode fazer diferença no futuro.

M.M. - Você diz que está fazendo sua parte em relação a sua forma de consumir, mas uma andorinha só faz verão?

I.V. - Não, não faz verão, mas se uma pessoa contribuir para o meio ambiente, pode levar esse ato de exemplo para outras pessoas, comecei economizar água e separar o lixo, e agora todos na família tomaram a mesma atitude.


“Se uma pessoa contribuir para o meio ambiente, pode levar esse ato de exemplo para outras pessoas, comecei economizar água e separar o lixo, e agora todos na família tomaram a mesma atitude”.


M.M. - Quais os filmes que marcaram sua vida e por quê?

I.V. - The Edukators recomendo, esse filme tem muito a dizer para a sociedade, a respeito de capitalismo. Sabe a aquela historia de uns com tanto, e outros sem nada!

M.M. - Quais os seus discos de cabeceira e comente um pouco sobre cada um?

I.V. - Tenho muitos, mas vou citar Chico Buarque “Meus caros amigos” tem uma grande importância pra mim, pois o álbum é muito completo, é aquele álbum que uma música se completa na outra, com inicio, meio e fim.

M.M. - O que você está ouvindo no momento?

I.V. - Estou ouvindo muita coisa nacional como Chico Buarque, Baden Powel, Cordel Do Fogo Encantado, Móveis Coloniais De Acaju, Teatro Mágico, Elis Regina, Nara Leão e Cartola.


“Essas bandas são muito manipuladas pelas gravadoras, assim a gravadora torce até sair o caldo, e quando as fontes secam elas arrumam outra”.


M.M. - O que acha de Amy Winehouse?

I.V. - A Amy tem um talento incrível, sua voz é incrível, mas acredito que ela é imatura e ficou deslumbrada pelo sucesso, onde acarretou todos os problemas que ela vem tendo desde então, e sim, acredito que ela se recupere, pois não podemos perder um grande talento desses.

M.M. - Você acha que o Fresno e o NX Zero têm condições de sobreviver as constantes mudanças da indústria fonográfica?

I.V. - Não, bandas como NX Zero e Fresno aparecem todo ano, temos o caso do CPM 22, antes eles estavam em todos os programas de TV, lotavam shows e onde eles estão agora? Acredito que essas bandas são muito manipuladas pelas gravadoras, assim a gravadora torce até sair o caldo, e quando as fontes secam elas arrumam outra.

M.M. - Você é contra ou a favor da pirataria, justifique?

I.V. - Sou contra, pois acredito que um CD não é só música, existe todo um trabalho gráfico e que merece ser reconhecido, com a pirataria, quem sofre não é apenas o artista e sim toda a produção que existe por trás de um simples CD.

M.M. - Você acha que mesmo com o preço do CD original sendo muito alto e muito aquém das condições médias do brasileiro, a pirataria é ruim?

I.V. - Sim, é claro que as gravadoras deveriam tomar medidas para que isso fosse evitado, como por exemplo, diminuir o preço dos CDs, mas eu, quando gosto de uma artista e baixo pela internet, costumo comprar o CD original, pois se gostei do trabalho daquele artista quero que ele progrida cada vez mais, ainda mais quando é algum artista que não tem espaço na mídia.


“Os jovens de hoje estão muito acomodados, achando que está tudo bem, mais não está, muitos não vêem que lá fora existem guerras e miséria, entre outras coisas”.

“Muitas idéias feministas não devem ser ignoradas, como a legalização do aborto e a igualdade de salário entre homens e mulheres”.



M.M. - Você acha que a música tem algum papel social?

I.V. - Sim, música é arte, arte é cultura e uma coisa leva a outra, como moro na periferia percebo que muitos jovens que se envolvem com algum tipo de arte, tem a cabeça mais aberta, e dificilmente se envolvem com problemas comuns aos jovens de periferia.

M.M. - Falando em periferia, o que você acha do rap, do funk e do pagode, ritmos que são bastante populares entre jovens de periferia?

I.V. - Não é o tipo de música que eu escuto, por exemplo; acho que o funk tem letras preconceituosas em relação à mulher. Tenho um grande respeito pelo rap, pois retrata muito a situação da comunidade.

M.M. - A música é um elemento de contestação?

I.V. - Claro, dependendo do tipo de música sim é uma forma de debate.

M.M. - Que tipo de música você considera forma de debate, quem você destaca nesse contexto?

I.V. - O rap é uma estilo protestante, e dentro do rock tem o Dead Fish , que é uma banda que fala exatamente o que penso da sociedade.

M.M. - Em sua opinião qual é o papel do jovem na sociedade?

I.V. - Sou a favor de ONGs, protestos, enfim, todo tipo de atitude é válido.

M.M. - O que o jovem pode fazer para mudar o mundo hoje?

I.V. - Ser informando, usar a internet como meio de fazer algo, por meio de ONGs , e pelo que tenho visto, os jovens de hoje estão muito acomodados, achando que está tudo bem, mais não está, muitos não vêem que lá fora existem guerras e miséria, entre outras coisas.

M.M. - O que você acha do feminismo hoje, ele ainda vive?

I.V. - Sou totalmente a favor do feminismo e ele existe hoje sim, sempre existe mulheres em algum lugar no mundo lutando por um ideal, e muitas idéias feministas não devem ser ignoradas, como a legalização do aborto e a igualdade de salário entre homens e mulheres.

M.M. - Mulheres lutando por um ideal, qual é o ideal das mulheres, o que querem as mulheres?

I.V. - Respeito, ser reconhecidas pela inteligência e não pelo corpo e sempre ter seu espaço na sociedade. Hoje em dia muitas não querem ser reconhecidas pelo belo serviço doméstico que fazem e sim pela sua capacidade de fazer novas atividades.

M.M. - Com quais mulheres você se identifica e qual você admira?

I.V. - Bjork pela excentricidade, Elis Regina por não ter vergonha de demonstrar o que realmente estava sentindo e Marilyn Monroe pela ousadia.


“Respeito, ser reconhecidas pela inteligência e não pelo corpo e sempre ter seu espaço na sociedade. Hoje em dia muitas não querem ser reconhecidas pelo belo serviço doméstico que fazem e sim pela sua capacidade de fazer novas atividades”.

sexta-feira, 13 de março de 2009


Frank Zappa – The Grand Wazoo.

por Marlon Marques e Dusty O´Connor.


























(Zappa Records, 1972.)

Costumo dizer a todos os meus amigos, que Frank Zappa é o grande gênio do underground do século XX. Ele é tão importante para o rock quanto John Lennon e Elvis Presley, porém com um mínimo de badalação e fama. No meio musical foi [e é] muito respeitado, pois além de instrumentista, cantor e compositor, era também maestro. É um dos pioneiros da fusão jazz e rock, e esse esplendoroso trabalho, “Grand Wazzo”, mostra muito bem isso. O disco além de virtuoso e bastante trabalhado, é muito diferente do então em voga rock progressivo. Grand Wazoo foi lançado em 1972, ano muito prolífico para o rock, são dessa década "Harvest" de Neil Young, "Transformer" de Lou Reed, "[...]Ziggy Stardust[...]" de David Bowie, "Exile On Main St." Dos Stones, além de lançamentos dos finados Nick Drake e Tim Buckley, ou seja, o segundo ano da década de 70, sempre se esquece desse grande disco de Zappa. Mas é sempre assim, os grandes discos são sempre esquecidos e só o tempo faz a devida justiça. Grand Wazzo tem apenas 5 faixas, porém peças de rara técnica e beleza, temas instrumentais riquissímos, cheios de magia e sofisticação. Esse álbum mostra bem a diferença entre o caminho escolhido por Zappa em relação aos artistas progressivos, enquanto esses mergulhavam nos teclados e sintetizadores [justiça seja feita ao Tangerine Dream], Zappa armou-se de uma super banda, com teclados discretos, e uma gama variada de instrumentos, é uma pequena orquestra a serviço do jazz e do rock. Sopros diversos, inclusive trompa, percussão e bateria juntas e harmoniosamente introsadas, e tudo sob a batuta do maestro Zappa, e não é por acaso. Zappa vem de uma formação erudita, fã de Varese e Stravinsky, foi companheiro de sala de Stockhausen, e junto com esse, podem ser considerados os maiores difusores da fusão entre música erudita e popular. Embora Zappa tenha seguido um caminho diferente de Stockhausen, preferindo elevar o rock a um status mais elevado. O resultado é esse grande disco, diferente de tudo em sua época, um disco único, grandioso e de fácil audição. “For Calvin” é um jazz redusido a compassos de valsa e enriquecido com o corpo dos metais em profusão, Mr. Bungle deve muito a essa música com certeza, a faixa título “Grand Wazoo”, é muito marcada por solos de guitarra e acompanhamento de bateria, chega a lembrar um grande asilo de loucos quando os sopros disparam frenéticamente, mas a parte final dessa peça é épica, sem igual em todo o rock da época. “Cletus Awreetus-Awrightus”, lembra muito as fanfarras do leste europeu, “Eat That Question” tem um grande trabalho de piano, um solo virtuoso fazendo um duelo impressionante com a bateria, mais para o final Zappa mostra toda sua competência de instrumentista num belo solo de guitarra, para terminar a peça como uma pomposa marcha militar. “Blessed Relief” é a última faixa, de andamento lento, aposta em sons mais minimalistas e suavizantes, fazendo uma atmosfera de clube noturno onde moças de roupas íntimas dançam entre copos de uísque e aperitivos baratos. Em resumo esse é um álbum que prima pelo bom senso e pelo equilíbrio das harmonias, e logo nos anos 70, onde tudo era motivo para exceder, até nisso Zappa foi grande, porém ganhou mas não levou.

download.

Entrevista.

Dusty O´Connor.

Dusty O´Connor é um jornalista nascido em Ohio, filho de uma brasileira com um americano, tem como principal ocupação escrever sobre música, com maior atenção para o rock e o jazz. Graduou-se pela Ohio University, tendo concluído seus estudos na University Of Michigan, especializando-se em música e estudos culturais. O´Connor nunca conseguiu ser músico, porém compensou sua falta de talento com uma incrível visão sobre o mundo da música, cultura e artes, passou a escrever para blogs, revistas e publicou textos em alguns jornais locais. Atualmente Dusty reside na Filadélfia no vizinho estado da Pensilvânia, com seus dois filhos e sua segunda mulher. Nos conhecemos através do programa Soulseek, passamos a nos comunicar devido ao seu acesso em meu browser, estava baixando música brasileira, então resolveu me perguntar o que mais eu tinha fora o que estava disponível, foi então que passamos a nos corresponder, trocar músicas, arquivos e por fim estabelecemos uma parceria em artigos e textos, convidei-o a escrever para o blog “iosbilario”, e então surgiu a entrevista que você lê a seguir.

Marlon Marques.

Marlon Marques - O que você achou da eleição de Barack Obama?

Dusty O´Connor - Olha, não há como não dizer que o mundo não está mais esperançoso com a vitória do Obama, porém eu ainda acho cedo para apontá-lo como o salvador do mundo. A vitória do Obama representa a ruptura com uma era de desastres de todas as naturezas, sociais, ambientais, econômicos, políticos, essa é a herança nefasta que o Bush deixou para o Obama, e é nisso que eu fico um pouco cético. Mas acho que ele começou bem, escolheu bem a sua equipe de governo, porém acho que a Hilary se sairia melhor em algum cargo interno, algo como uma secretaria de políticas para as mulheres, ou até para os imigrantes, mas não a secretaria de estado. Acho que para um cargo dessa importância é necessário alguém com mais experiência e que seja da área de relações internacionais, não um Kenneth Waltz ou o Kissinger, alguém mais ponderado, mas quem?

M.M. - É o fim do império americano?

D.O. - Não sei se império é a melhor definição para os Estados Unidos. Agora quanto a perda de poder e importância dos Estados Unidos, isso não, acho que um gigante como os Estados Unidos, pode cair muitas vezes, mas morrer não. Talvez a teoria do Huntington se comprove no tocante ao que diz a respeito da multipolaridade. Acho que a China, a União Européia e a Rússia podem equilibrar a balança de poder internacional não deixando os Estados Unidos decidirem o rumo do mundo sozinhos, porém como disse a Hilary Clinton, os Estados Unidos não podem resolver tudo sem o mundo, mas o mundo também não pode resolver os problemas sem os Estados Unidos.

M.M. - O que mudou nos Estados Unidos após o atentado de 11 de setembro?

D.O. - Vejo duas mudanças principais depois do ataque. A primeira é sobre a reflexão por parte da sociedade de que não somos inatingíveis, e mesmo com todo o poder econômico, militar e político, podemos ser atingidos. A segunda é que a antiga sensação de conforto já não existe mais de forma plena, eu vivo na Pensilvânia, mas conheço pessoas em Washington e Nova Iorque, todos me dizem que ainda vivem com um certo receio de que algo aconteça, dizem que suas noites não são mais as mesmas, e que a sensação embora aparente ser de tranquilidade e paz, não é plenamente. Então vem a questão de que é necessária uma mudança política e cultural nos Estados Unidos, as pessoas precisam saber que não são melhores do que as outras, pois é a sensação da diferença e de inferioridade que causa muitos males pelos quais enfrentamos.

É necessária uma mudança política e cultural nos Estados Unidos, as pessoas precisam saber que não são melhores do que as outras, pois é a sensação da diferença e de inferioridade que causa muitos males pelos quais enfrentamos”.


M.M. - Como você vê o Brasil?

D.O. - Vejo o Brasil como um país com muito potêncial, mas com pouco planejamento. O Brasil deveria direcionar a maior parte do seu PIB para a educação, a tecnologia e a geração de novos empregos, e porque? A educação melhora os cidadãos, qualifica a mão-de-obra e ainda proporciona avanços na tecnologia. A tecnologia, faz um país tornar-se menos dependente dos que detém essa tecnologia, por exemplo, o Brasil tem petróleo, mas quase toda a tecnologia de extração vem de fora, então o Brasil deixaria de gastar no longo prazo na importação de tecnologia. A Índia já esta fazendo isso. E o trabalho melhora a auto-estima das pessoas, mantém a economia aquecida, pois com dinheiro e produtos nacionais baratos, todos ganham, no consumo e na geração de receitas. É um país rico em recursos naturais, muito bonito, porém a desigualdade eleva os índices de violência e a corrupção entrava o crescimento real e mais igualitário do país.

M.M. - Você é filho de uma brasileira com um americano, como americano, o quais os principais problemas do Brasil?

D.O. - Corrupção e desigualdade. A corrupção é o mecanismo que proporciona as coisas ficarem do jeito que estão, desiguais. A desigualdade provoca um caminho de mão dupla, ou seja, ou o cidadão se desilude com o país e estagna, ou parte para o crime e para a violência. Como eu já disse, o Brasil possue um grande potencial, porém sem o direcionamento certo, sem canalizar direito as riquezas que o país possue, muitos continuaram com pouco, e poucos continuaram com muito.

“É um país rico em recursos naturais, muito bonito, porém a desigualdade eleva os índices de violência e a corrupção entrava o crescimento real e mais igualitário do país”.

M.M. - Como você avalia a situação atual da música americana?

D.O. - Olha não estou muito por dentro da atual música americana, estou me dedicando mais a música de outros países. Porém o que eu vejo hoje é um grande predomínio do Rap, do pop de rádio e do R&B, as paradas estão inundadas por nomes como Kate Perry, Rihana, Pussy Cat Dolls, Justin Timberlake, Chris Brown, entre outros. Vejo pouco talento nessa gente, mas isso se deve pela atual crise intelectual nos Estados Unidos, isso se estende do cinema à literatura.

M.M. - O que você tem ouvido ultimamente?

D.O. - Pink Floyd, Captain Beefheart, música cubana, brasileira e alguma coisa de Angola, Moçambique e Guiné Equatorial.

M.M. - Quais os discos que mais te influenciaram?

D.O. - Olha não são bem discos, mas sim artistas. Cito o próprio Pink Floyd, com certeza Leonard Cohen e Nick Drake. Sempre ouvi muito Frank Sinatra e Ella Fitzgerald, meus pais ouviam muito, e com certeza os meus dois ídolos, The Byrds e Neil Young.

M.M. - Bruce Springsteen é um exemplo de patriotismo na música, o que você acha disso?

D.O. - Acho positivo desde que isso seja uma convicção de fato do artista. Alguns fazem só pra se promover, outros aparecem mais por conta do engajamento do que pela música. Não posso dizer que Springsteen não tenha seu valor, e que aparece só pelo engajamento, mas é fato dizer que ele andava um tanto sumido, e que aparecer ao lado de Obama na festa da posse foi uma oportunidade e tanto de se mostrar, não que precise disso, mas estava precisando naquele momento. A música pode ser usada como instrumento político e de conscientização do povo, mas isso não pode ser de forma falsa, se não vira mera promoção.

M.M. - Você é patriota?

D.O. - No bom sentido sim. Gosto de meu país, e por viver numa democracia, tenho o direito de dizer tudo o que não gosto nele, da política à cultura. E por isso sou um patriota, pois quero o melhor para o meu país, então votei em Obama e não compro nenhum disco do 50 Cent.


“Sou um patriota, pois quero o melhor para o meu país, então votei em Obama e não compro nenhum disco do 50 Cent”.


M.M. - O que você acha das ações humanitárias e envolvimento político de artistas, refiro-me a Bono Vox, por exemplo?

D.O. - Acho que Bono é muito mais uma celebridade do que um artista. Vejo nessas ações de Bono muito mais compensação pela má fase do U2, que já dura muito tempo, do que preocupação com o mundo. O que ele faz com a fortuna que ganha com as mega turnês do U2, doa aos pobres? Angelina Jolie e Brad Pitt enganam o mundo com essa pose de casal pós-moderno e multicultural, porém o que fazem é mostrar para o mundo que são artistas com consciência social, e isso soa muito bem para os produtores de cinema, que sempre os convidarão para fazer seus filmes, um ajuda o outro, e todos ganham muito. Agora veja, eles não deixam sua vida de luxo e excessos, gastando quantidades enormes de papel, água, comida e combustível contribuindo diretamente para a desestruturação ambiental? E não é só eles, Madonna, Leonardo Di Capri, Mel Gibson, são todos hipócritas.

M.M. - Qual a função da música?

D.O. - Divertir e informar. Vou na contra-corrente daqueles que defendem a música como instrumento de educação e como meio intelectual apenas. Não acho que toda música tenha que ter uma mensagem, pois se fosse assim, tudo seria muito igual e enjoariamos logo. Tome como exemplo a New Wave, você tinnha o Police que era politizado, mas havia também o Human League que era dançante e futil, mas não desrespeitoso como o Funk brasileiro ou o Rap americano, se falam de luxo e sexo explícitamente sem poupar qualquer palavra. Música também é pra se divertir, para dançar, ou simplesmente para ouvir, como temas instrumentais, ou ambient music. Não acho que a música deve educar ninguém, educação é função da família e da escola, isso é transferência de responsabilidade. A função da música é dialogar com nosso coração, nos fazer bem e nos deixar felizes e relaxados, é como uma terapia, nos leva para um mundo longe dos problemas cotidianos, além de nos provocar reflexão quando os temas são políticos e sociais, nos proporcionar amor, quando a música é romântica, ou deixar-nos num clima de paixão, tipo Chris Isaak. Acho mesmo que a música serve para nos ajudar a evoluir, pois a música tem o poder de penetrar em nosso íntimo e causar as sensações mais diversas e mostrar o que o ser humano realmente é, e é muito paradoxal, Bob Geldof inspirado na música criou o Live Aid, e Mark Shapman amando a música matou John Lennon, seja terna ou cruel a música nos define e nos desnuda, nos mostra quem somos, nos surpreende, nos emociona e nos faz viver dias melhores.

“Angelina Jolie e Brad Pitt enganam o mundo com essa pose de casal pós-moderno e multicultural, porém o que fazem é mostrar para o mundo que são artistas com consciência social, e isso soa muito bem para os produtores de cinema, que sempre os convidarão para fazer seus filmes, um ajuda o outro, e todos ganham muito. Agora veja, eles não deixam sua vida de luxo e excessos, gastando quantidades enormes de papel, água, comida e combustível contribuindo diretamente para a desestruturação ambiental”.

“É muito paradoxal, Bob Geldof inspirado na música criou o Live Aid, e Mark Shapman amando a música matou John Lennon, seja terna ou cruel a música nos define e nos desnuda, nos mostra quem somos”.


quarta-feira, 11 de março de 2009

Artigo.

Superação?

por Marlon Marques e Dusty O´Connor.




















O dia 08 de março de 2009 entrará para os anais da história do campeonato paulista, pois foi o dia em que Ronaldo Nazário marcou seu primeiro gol com a camisa alvi-negra. Porém esse não foi apenas mais um gol, foi o gol da superação, da superação da contusão e principalmente da desconfiança que pairava [ou paira] sobre o jogador. Retornar não é o difícil, o difícil é manter um nível aceitável de qualidade e um mínimo de condições de jogo, pois o nome entra em campo, mas não marca gol. Muito embora o gol marcado no Derby contra o Palmeiras tenha um grande significado, não podemos tomá-lo de forma isolada e a partir daí alavancar-mos uma afirmação de que o craque voltou, o fenômeno está de volta e tudo o que ele fez no passado com certeza o fará, paremos por aí. Talvez ele faça, talvez não, é necessário ainda uma sequência de jogos, para que Ronaldo possa se condicionar melhor, perder mais peso [e abdômen], ganhar mais mobilidade, e tudo isso só se consegue com treino e jogo, porém metabólicamente ele não é mais o mesmo [suponho eu], a medida que envelhecemos, perdemos muitas características que tinhamos quando jovens, e o futebol atual exige muito mais força e velocidade, do que técnica e cadência. Fazendo apenas uma projeção, se o Ademir Da Guia jogasse hoje, teria de se adaptar, teria talvez que ser mais rápido, teria que ajudar na marcação do meio campo, é como se a teoria de Darwin da seleção natural das espécies se aplicasse ao futebol, ou você se adapta ou fica para trás. Agora não há o que se discutir quanto ao faro de gol de Ronaldo, sua qualidade nas finalizações, e ainda com a contribuição dos zagueiros adversários, ele faz mesmo, é seu ofício, assim como o de Sérginho Chulapa, Dadá Maravilha, Túlio, Romário, Alex Mineiro, Kléber Pereira, Keirrison, entre outros, são jogadores que teêm intimidade com o gol, conhecem seus atalhos, mas é nítido que o Romário do milésimo gol já não era mais aquele do tetra, e o persistente Túlio do Itumbiara, já não é mais aquele do título do Botafogo em 95, agora por que o Ronaldo será o mesmo de sete anos atrás da copa de 2002? Acredito que ele marcará gols com a camisa do Corinthians, mas não irá repetir o mesmo sucesso de antes, porém a imprensa insiste em crer que ele voltou, ou melhor, voltar ele voltou, porém é o tempo e as partidas que vão dizer sobre a relevância dessa volta. O que a imprensa e a torcida de massa confunde, é o fato de torcer pela sua recuperação [isso é humanidade] e de esperar muita coisa dele, as vezes sobra vontade e capacidade [que ele tem] e falta condições, além do que nem todos irão ve-lo passear em campo e caminhar livremente até o gol, haverá marcação, pancadas, empurrões, cartões vermelhos, carrinhos, isso é o futebol, o Ronaldo não pode estar acima disso. O Corinthians terá muitos jogos pela frente, e será através desse jogos que poderemos ver o que ele de fato ainda pode render, é como uma projeção, teremos que avalia-lo em diversos quesitos para aí sim podermos dizer algo mais próximo da realidade.


“É necessário ainda uma sequência de jogos, para que Ronaldo possa se condicionar melhor, perder mais peso [e abdômen], ganhar mais mobilidade, e tudo isso só se consegue com treino e jogo, porém metabólicamente ele não é mais o mesmo [suponho eu], a medida que envelhecemos, perdemos muitas características que tinhamos quando jovens, e o futebol atual exige muito mais força e velocidade, do que técnica e cadência.”


Porém de qualquer forma é um fato louvável a volta de um grande jogador, depois de ter passado tudo o que passou, de ter se envolvido em diversos escândalos, ter se descuidado fumando, bebendo, comendo e saindo em demasia, para de fato voltar [o jogo do Itumbiara foi um prelúdio] num clássico do tamanho de um Corinthians e Palmeiras, e perdendo por um a zero, aos 47 minutos empatar um jogo quase perdido, é um feito e tanto, é digno de aplauso, pois um Derby não é um jogo qualquer, é o clássico de maior rivalidade no estado de São Paulo. O escanteio batido pelo apagado Douglas [que se redimiu por não ter passado a bola no jogo contra o Itumbiara à Ronaldo] fez uma curva incrível paralisando toda a zaga do Palmeiras, os zagueiros pareciam juvenis sem saber o que fazer, o goleiro Bruno foi tomado pela incerteza, saiu do gol, não interceptou a bola e no momento em que a bola caiu na altura da cabeça de Ronaldo, Bruno estava a caminho da trave direita, mas a bola foi mais rápida. O gol de Ronaldo se assemelha muito com o gol de Ricardinho na semi-final do paulista de 2001 contra o Santos, era o jogador certo, no lugar certo, na hora certa, veja, talvez se no lugar do Ronaldo estivesse o Souza, a história poderia ter sido outra, e se no lugar do Ricardinho estivesse o Gilmar Fubá ou o Márcio Costa, talvez o gol não tivesse saído. Ronaldo tem a sorte e a competência dos grandes jogadores, é fato que conseguiu voltar, como ele mesmo disse, seu objetivo já cumpriu, voltou, agora nos resta saber se Ronaldo estará mais para o Júnior, que aos 38 anos comandou o Flamengo na conquista do campeonato brasileiro de 1992, ou Romário que aos 39 anos [mesmo sem condições de atuar] foi artilheiro do campeonato brasileiro com 22 gols, ou para Maradona que aos 37 anos voltou melancólicamente a vestir a camisa do Boca Juniors, foi uma passagem desastrosa, foram 31 jogos em dois anos, gordo, fora de forma, sem mobilidade, ainda craque, com muita inteligência, visão de jogo e qualidade, mas sem as mesma condições, não dava mais, porém provou ao mundo que voltou, assim como Ronaldo, pois não basta voltar, é necessário ser útil ao clube, participar dos jogos e ajudar o clube a conquistar títulos. Romário aos 34 anos foi campeão brasileiro pelo Vasco e artilheiro do torneio com 20 gols, ou seja, ajudou o seu clube a conquistar o título, não estou comparando um ou outro, são estilos e técnicas diferentes, só estou comparando as situações, um era a idade [Romário] e o outro a idade, peso e contusões [Ronaldo], então é por conta disso que acho cedo para dizer-mos que o Ronaldo voltará a exibir o mesmo futebol que o consagrou. Bom, então para celebrar a superação, segue o post do álbum “A Momentary Lapse Of Reason” do Pink Floyd, uma verdadeira história de superação, porém não plena, mas de superação. Esse álbum é o primeiro sem Roger Waters, que ao sair da banda anunciou que o Pink Floyd sem ele não conseguiria sobreviver, e após uma extensa batalha judicial pelo uso do nome, Gilmour ganhou e junto com Nick Manson e Richard Wright, lançou esse bom álbum em 1987, que chegou ao terceiro lugar em vendas no Reino Unido. O álbum mostra a força e a vitalidade da banda mesmo sem um de seus líderes e principais compositores, emplacou pelo menos dois singles, principalmente “Learning To Fly”, é um disco bem executado, com uma sonoridade própria, e realmente sem o toque de Waters, o Pink Floyd mostrou ao mundo que podia voltar, e mesmo fazendo bonito, não conseguiu recuperar a forma da época de “Dark Side Of The Moon”, “Wish You Were Here” e “The Wall”, porém se Ronaldo conseguir o mesmo feito do Pink Floyd, já será muita coisa, é o mínimo que esperamos para o final de uma história de alegrias, tristezas, gols e solos de guitarra.


“Não basta voltar, é necessário ser útil ao clube, participar dos jogos e ajudar o clube a conquistar títulos.”


“O Romário do milésimo gol já não era mais aquele do tetra, e o persistente Túlio do Itumbiara, já não é mais aquele do título do Botafogo em 95, agora por que o Ronaldo será o mesmo de sete anos atrás da copa de 2002?”

























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domingo, 8 de março de 2009

O delírio da razão.

por M.M. e Dirce Dalila.

Certa vez o ex-prefeito da cidade de São Paulo, Paulo Maluf disse: “estupra mais não mata!”, a frase causou um grande alvoroço, o político foi chamado de inescrupuloso, entre outras coisas, e além de ter sido execrado, sofreu consequências politicas posteriormente. Realmente é algo abominável, pois não é preferível estrupar à matar, pois ambas as atitudes não devem acontecer [é claro que continuarão infelizmente], porém qual a diferença do que disse Paulo Maluf em relação ao que disse o arcebispo de Olinda e Recife, Dom Cardoso Sobrinho. O religioso disse, que o aborto é pior do que o estupro, ou seja, com outras palavras e em um contexto diferente, disse o mesmo que Maluf, que o aborto [morte] é pior do que estupro, e que a ação da equipe médica é mais condenável do que a do estuprador. Realmente há claramente aí uma falta de ponderação das coisas, além dos resquícios do embate histórico entre Igreja e Estado. O presidente Lula foi contra a decisão da Igreja, o ministro da saúde José Gomes Temporão também, uma grande parte da população também, porém se o Brasil é um país de maioria católica e seguem as diretrizes da Igreja, então a maioria dos brasileiros foi contra a decisão [acertada ao meu ver] dos médicos. Uma convicção religiosa não pode ser maior do que a lógica, pois o melhor para a criança [de 9 anos] foi a interrupção da gravidez, pois a menina não teria condições físicas para gerir dois fetos [grávida de gêmeos], seu corpo não está devidamente preparado para suportar uma gravidez, e as consequências poderiam ter sido piores, pois com certeza [caso a gravidez fosse levada a diante] poderia haver um aborto espontâneo, ou até mesmo complicações de parto, pondo em risco não só a vida das crianças, mas a da mãe também. Talvez a Igreja não tenha medido a situação no longo prazo, que ao invés de duas vidas, poderia ter perdido três vidas, apesar de que há um grande debate ainda em andamento sobre quando começa a vida, qual o instante primordial, portanto, não há como dizer que a vida foi interrompida, pois ainda não se tem plena certeza do momento exato em que se possa afirmar que o embrião de fato é algo vivo. Entretanto, essa e outras questões polêmicas parecem estar estácionadas na pauta de debates do Vaticano, principalmente pela atuação e pela personalidade do papa Bento XVI, conservador e pouco aberto ao diálogo com a sociedade na direção de uma ponderação sobre certas questões. Quem não se lembra do drama de Eluana Englaro, que ficou em coma por 17 anos, cujo o caso foi a justiça italiana e comoveu o mundo, pois a Igreja é contra a eutanásia, agora fica a questão, Deus não nos deu o livre arbítrio, então porque a Igreja deve gerenciar um direito nos dado por Deus? Em Mateus 16,18, Cristo diz a Pedro que “tudo o que ligares na terra, será ligado no céu”, ou seja, tudo o que Pedro decidir aqui na terra será acatado no céu, e como a Igreja é liderada pelo sucessor de Pedro, a instituição se acha no direito de interferir na vida das pessoas. Toda liderança precisa ser flexível, pois existem questões que estrapolam o dogmatismo religioso, pois esbarram na vida das pessoas, e nas escolhas que as próprias pessoas devem fazer, e no caso da menor de idade, o que seus pais acreditam ser o melhor, e mesmo que isso não seja o que Igreja considera o melhor. O embate entre leigos e religiosos chega ao ponto da censura e da impossibilidade da discordância, pois a Igreja reprime e condena aqueles que não aceitam suas posições, inclusive dentro da própria Igreja, veja o caso de Hans Kung [teólogo suiço] e Leonardo Boff, fica mais uma vez uma questão, é proibido discordar? Como cresceremos sem diálogo, que é a interação entre duas ou mais pessoas, muitas vezes com opiniões diferentes, que no processo dialético formam uma outra concepção, diferente, as vezes enriquecida por pontos que uma das partes desconhecia. A Igreja por vezes se posiciona irredutível por não querer rever certas posições, embora papa e líder da Igreja, João Paulo II era freado por setores mais conservadores da Igreja, ou não é pelo menos aceitável o fato de que João Paulo II iria continuar as diretrizes do Concílio Vaticano II [possibilidade]? A Igreja parece andar para trás quando deveria andar para frente, pelo simples motivo de que cresce o número de não-religiosos no maior país católico do mundo, isso preocupa, porém a Igreja não possui mais a mesma força de antes da Revolução Francesa [1789], ou melhor, o declínio de fato da Igreja começou quando Napoleão postergou a coroação oficial ao tomar das mãos papa Pio VII, simbolizando a vitória do mundo laico sobre o religioso. É fato que a Igreja não tem como mais combater de forma eficaz com o Estado e nem com a população, pois o Estado é amparado pelo direito, pela constituição, e os cidadãos possuem opções religiosas nesse mundo globalizado, seja o protestantismo [a maior ameaça católica], seja a espiritualidade pop [zen budismo, ioga]. É necessário que haja um diálogo mais aberto entre a Igreja e a população, pois religião não deve ser para separar, mas sim para agregar, porém o que vemos é olhares em direções opostas, e nesse caso do estupro da menina de 9 anos, a Igreja parece ir contra a lógica, criando argumentos de inversão lógica, citando o holocausto como exemplo, e se esquecendo que Pio XII se omitiu diante do mesmo holocausto. Muitas vezes morremos mesmo estando vivos, há muitos tipos de morte, morte moral, psicológica, física, porém a Igreja só se preocupa com a morte física, veja o trauma provocado pelo holocausto, os judeus sofrem até hoje por conta desse episódio, a menina também sofrerá com toda a situação, em momento nenhum [que eu tenha visto] a Igreja se mostrou solidária com a menina e com sua família, onde está o humanismo, o zelo pela família e a condenação ao mal? Entretanto cabe uma reflexão em relação ao aborto, sobre sua legalização e principalmente sobre a condenação e as ações preventivas para que não volte a ocorrer, por isso, recomendo que todos procurem se interar a respeito, formar opinião, combater, ouça Tori Amos e pense que isso pode acontecer com qualquer um de nós e de nossa família, e a dor dos outros nunca é tão dolorida quanto a nossa própria dor.

“Deus não nos deu o livre arbítrio, então porque a Igreja deve gerenciar um direito nos dado por Deus?”

























"O embate entre leigos e religiosos chega ao ponto da censura e da impossibilidade da discordância, pois a Igreja reprime e condena aqueles que não aceitam suas posições, inclusive dentro da própria Igreja, veja o caso de Hans Kung [teólogo suiço] e Leonardo Boff, fica mais uma vez uma questão, é proibido discordar?"

"Pense que isso pode acontecer com qualquer um de nós e de nossa família, e a dor dos outros nunca é tão dolorida quanto a nossa própria dor."
























(From The Choirgirl Hotel - Atlantic/ WEA, 1998)

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