sábado, 28 de fevereiro de 2009

Entrevista.

Ladislau Smack é um crítico de música muito inspirado no trabalho de nomes como Greil Marcus e Simon Reynolds, tendo colaborado com blogs, fanzines e revistas eletrônicas com artigos e ensaios sobre música em geral, especialmente rock. Embora Ladislau não aprecie somente o rock, tem nesse tipo de música sua predileção, e assim como Camille Paglia, considera o rock como arte, mesmo sendo pop e contemporânea, mas arte. Além disso faz conexões entre a sociologia, a filosofia e a música, dizendo que o rock tem um papél muito importante na sociedade e na cultura jovem. Essa entrevista foi feita via e-mail devido aos muitos compromissos que atualmente Ladislau possui, mas gentilmente respondeu a todas as questões postas, falou de política, de Barack Obama, do rock atual, e outras coisas mais, confira agora como foi essa conversa.

por Marlon Marques.





















Ladislau Smack. (acervo, 2008)


Marlon Marques – Como se deu seu primeiro contato com a música e posteriormente com a crítica de música?

Ladislau Smack - O primeiro contato foi através de meus pais, que sempre gostaram de música sertaneja, moda de viola, etc., eu ouvia mas não gostava, até que em 1985, aos 13 anos, uma colega de escola me falou de uns sons que ele ouvia. Esses sons eram bastante diversos, mas o que me chamou mesmo atenção foi o Smiths, o The Cure e o Metallica, esses me impressionaram de primeira, e então passei a fazer parte de algo que eu me identificava. Agora quanto a crítica de música aconteceu naturalmente quando eu ainda era um estudante de Letras na universidade. Criamos um zine, aqueles xerocados sabe, e passamos a escrever sobre autores preferidos, filmes e música. Depois de uns dois volumes do zine, ele foi ficando mais sério e organizado, um dos meus amigos na época resolveu dividir o pessoal por áreas, eu então fiquei encarregado da música, que a princípio eu não queria, foi assim que comecei.

M.M. – Essa época que você começou é bastante emblemática pela diversidade de tribos que habitavam o mundo do rock, góticos, punks, metaleiros, entre outros, você chegou a participar ou se indeficar com algum desses grupos?

L.S. – Participar não, digo diretamente, mas me identificar sim. Eu andava na época com uns caras que curtiam o som punk, tipo The Clash, Black Flag, Dead Kennedys, e de certa forma eu me indentificava com as letras, com a forma de encarar a vida e os problemas sociais que essas bandas tratavam.

M.M. – Então pra você qual é o objetivo do rock?

L.S. – Não acho que o rock tenha um objetivo específico, mas se tiver com certeza é a diversão e a sinceridade. Diversão no sentido de que o rock surgiu como contraponto da seriedade dos pais em relação aos filhos, a vida não é só trabalho, mas deve ser alegre, como a New Wave nos mostrou. E sinceridade porque um artista nunca deve menosprezar o seu público, se vendendo a uma corporação, mentindo, ou cantando uma coisa que de fato não o é.

M.M. – Na sua opinião quais são os melhores cantores de rock de todos os tempos?

L.S. – Gosto muito da voz do Shane MacGowan do Pogues, gosto também do timbre bem colocado do Michael Stipe do R.E.M., deixa ver quem mais[…], há, o Maynard James Keenan, pra mim é a melhor voz em atividade, é suave e tem uma grande potência.

M.M. – E quais os cinco melhores discos que você já ouviu?

L.S. – Pergunta difícil. [rs] Pet Sounds dos Beach Boys é perfeito, lindo, magistral, definiu junto com o Revolver do Beatles o pop de todas as décadas até hoje. O Revolver também, marcou muito, traz todas as inovações e todo brilhantismo do pop antes mesmo dos Byrds, Kinks e dos próprios Beach Boys. Out Of Time, é um disco muito coeso, e muito além do que Loosing My Religion, é que as pessoas não ouvem os discos direito e ficam com uma impressão muito rasteira das coisas. Acho OK Computer um ótimo disco também, é um marco na história do rock, nos indaga sobre nossas próprias incertezas e sobre o futuro, e o último, Angel Dust do Faith No More, ignorado quando saiu, mas o tempo o redimiu, esse disco apontou o futuro da música pesada, além de trazer um FNM num momento muito inspirado.


O que o rock precisa não é de salvadores, mas sim de transgressores, inovadores, revolucionários.”


M.M. – O rock está morrendo?

L.S. – Não! Acho que está na U.T.I., mas morrendo não. Acredito que o rock está passando por uma fase muito ruim, onde estão acontecendo dois fenômenos interessantes. Para compensar a falta de criatividade, as bandas do hype se inspiram e imitam sons setentistas, soando antigas e simples, ou seja, imitam fórmulas apenas, não criam nada novo. Veja, se o rock somente fosse assim, não teriamos, metal, punk, progressivo, hard core, folk rock, pois todos soariam como Little Richard e Elvis e não quebrariam as barreiras de seu tempo. E devido a carência de artistas musicalmente relevantes, elegemos, isso mesmo, nós todos, qualquer um como a salvação do rock. O que o rock precisa não é de salvadores, mas sim de trangressores, inovadores, revolucionários.

M.M. – Falando em revolução, você acha que a revolução nos moldes marxistas é uma utopia ou é possivel ainda?

L.S. – Acredito que o sonho da revolução hoje faz todo o sentido no que tange a situação do mundo e sua falta de referenciais. Agora efetivamente, a revolução caiu junto com o muro de Berlim e com a desintegração da U.R.S.S., que estava bancando o sonho socialista a um preço muito alto, do qual não consegui manter por muito tempo. A esquera se diluiu muito, principalmente à partir das descobertas dos crimes de Stálin, e perdendo a unidade, a esquerda se enfraqueceu muito, além do que os objetivos também sofreram mudanças, ao invés de lutar por um mundo melhor e mais igualitário, a luta tornou-se pelo poder. Muitos regimes que se consideram de esquerda tornaram-se contraditórios ao tolir a liberdade e isolarem-se no poder, são as chamadas ditaduras de esquerda. Então hoje é mais uma fuga acreditar na revolução do que algo realizável.

M.M. – Você disse que o mundo não tem referenciais, como você vê a figura de Barack Obama?

L.S. – Sabe aquele ditado “de boas intenções o inferno está cheio”, é assim que vejo Obama. Digo isso no seguinte sentido, ele até se mostra bem intencionado, mas uma coisa é torcer pelo pênalti da poltrona de casa, outra diferente é bater o pênalti em campo, Obama herdou um país com muitos grandes problemas para resolver, e por representar algo muito diferente do que tinhamos, tornou-se o grande símbolo de esperança do mundo. Porém acho que temos que ter esperança com uma dose grande de realismo, pois não sei se Obama será capaz de mudar o mundo como se espera dele, e talvez esse excesso de confiança possa se virar contra ele, pois no momento que as espectativas não forem supridas, ele será cobrado. Mas há o lado bom disso também, Obama representa unidade e diálogo, e parece ser bastante trabalhador, o que nos indica que com trabalho duro e cooperação, o mundo pode sonhar com dias melhores.


“Hoje é mais uma fuga acreditar na revolução do que algo realizável.”


“Obama representa unidade e diálogo, e parece ser bastante trabalhador, o que nos indica que com trabalho duro e cooperação, o mundo pode sonhar com dias melhores.”


M.M. – O que você acha do Funk?

L.S. – Não gosto do funk por muitos motivos. Primeiro, não há bons cantores, bons compositores e bons intrumentistas. Acho que isso faz a música, uma banda ou um artista pode deixar de ter até dois desses elementos, mas todos não dá. Além do que é um tipo de música repetitiva e vulgar. Talvez se o funk carioca fosse tocado e falasse sobre amor, vida e problemas sociais que o Rio de Janeiro tem de monte, eu até poderia falar bem do funk, e principalmente porque o maior atrativo não é a música, e sim as bundas.

M.M. – A música tem um papél social, já que você falou que o funk poderia expor nas letras os problemas do Rio de Janeiro?

L.S. – Nesse caso é diferente de ter um objetivo, acaba sendo uma consequência do que você faz. Você é um objeto dentro de uma realidade e é muito pretenção sua achar que não é atingido por ela. Uma coisa é você ignora-la, mas não há como dizer que você não é impactado por ela. Então, o público do funk é em maior parte o pessoal do morro, do subúrbio, das comunidades pobres, será que eles não tem problemas, como drogas, violência, etc? Veja o que faz uma parte do rap brasileiro, cantam a realidade, a pobreza, o preconceito, pois é o que eles vivem, os funkeiros também vivem isso, mas não cantam, e as vezes acabam fazendo um deserviço, pois muitas vezes fazem apologia ao sexo, crime, promiscuidade, machismo, assim como o rap também em alguns casos, mas no caso do funk você não tem um Racionais MC´s.

M.M. – O que te atrai no rock atual e o que não te atrai?

L.S. – O que acho que é um grande avanço é o post rock, pós rock, há bandas muito boas fazendo um som bem diferente, isso mostra que o rock não está morrendo, está na verdade se modificando, absorvendo outras tendências, apontando para outras direções e discutindo outros temas e as vezes sem proferir uma única palavra. Destaco o Slint, o Mogwai e o Explosions In The Sky, a cena do Canadá e do Japão são as grandes Mecas do estilo. Agora o que não me atrai é o rock cru do White Stripes, o pseudo-rock de arena de gente como Fall Out Boy e My Chemical Romance, além do que se chama de emo, tanto no Brasil como no mundo anglo-americano, e acho que por ser um modismo, passará.


“Você é um objeto dentro de uma realidade e é muita pretenção sua achar que não é atingido por ela. Uma coisa é você ignorá-la, mas não há como dizer que você não é impactado por ela.”


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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Frédéric Chopin - By Iosbilario


por Ary Scheffer.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Invisible Ink - Continuação

Essa é a parte 2 do artigo do Edu (Guitarrista) da nossa banda de Incubus Cover!!! Muito legal valew Edu!!!!!!!!!!
"clique aqui"

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Platypus… Tasmania

Frank Zappa - Mothers of Invention - Tis The Season To Be Jelly (1967)

Por James Reston Offenbach

Origem: EUA
Produtor: Tom Wilson
Formação Principal no Disco: Frank Zappa - Jimmy Carl Black - Ray Collins - Elliot Ingber - Roy Estrada - Gene Estes - Eugene Di Novi
Estilo: Rock / Experimental
Relacionados: Qualquer outra coisa feita por Zappa, o único capaz de fazer coisas de Zappa.
Destaque: You're Probably Wondering Why I'm Here
Melhor Posição na Billboard: 130º

Opinião do leitor:
Todo gênio precisa ter um pouco de louco. Mas Zappa era um exagero. Tão genial quanto louco e vice-versa. E sabia usar seu maior trunfo. Em Freak Out!, álbum de estréia de sua banda, Zappa usa e abusa do seu senso crítico ácido e de seu estilo inovador de escrita musical (escrevendo direto na partitura antes de experimentar a música na guitarra) para compor um álbum duplo devastador. Claro, como algumas pessoas dizem, é necessário ter uma noção de teoria musical e ouvidos muito abertos para tentar entender Zappa. Ainda mais se tratando de Freak Out!, o primeiro álbum conceitual da história do rock, antecipando-se ao Sgt. Peppers dos Beatles. Tudo o que vem após os primeiros acordes de Hungry Freaks Daddy, uma ótima canção rock com crítica à sociedade de consumo americana (e isso se segue por todo o disco), é inovação. Zappa cutuca as letras de amor características do rock contemporâneo em Go Cry On Somebody Else's Shoulder. Zappa critica a estupidez em You're Probably Wondering Why I'm Here. Zappa fala de tudo e com isso vai além de tudo já feito anteriormente. Experimenta tudo em todas as músicas e comete o exagero experimental supremo na última faixa do disco (que ocupava o Lado B inteiro do Disco 2 na edição original). Zappa com a canção The Return of the Son of Monster Magnet - Unfinished Ballet in Two Tableaux escancara as portas da percepção. Você provavelmente se perguntará no final do disco "O que aconteceu aqui?". Zappa é a resposta.

Ouvi de cara feia, e daí?
por Ladislau Smack.

1.












Em primeiro lugar é proibido proibir, e em segundo lugar vivemos numa democracia e por tanto superamos a censura. Então não é pecado e nem sacrilégio falar mal do disco “Nós”, primeiro solo de Marcelo Camelo [Los Hermanos]. Isso mesmo, não coloquei ex-Los Hermanos, porque a banda não acabou e porque o Marcelo Camelo também não saiu dela. A questão é que o disco para mim é insuficiente, ficou abaixo da média e aquém do que Camelo pode fazer. É claro que não se trata de um disco convêncional, é um tanto difícil, mas de qualquer forma chega a ser enfadonho e impalatável em muitos momentos. Não sejamos hipócritas em dizer que não esperávamos um disco baseado em Los Hermanos, mas também não sejamos fiés [no sentido religioso mesmo] ao ponto de não blasfemar contra o Camelo em dizer que não esperávamos mais desse disco. É claro que a poesia de Camelo continua muito bela, mas menos inspirada do que outrora, a música também, e bem menos, reduziu-se a um folk experimental duras penas, com aqui acolá de intrumentos complementares, que não salvam o disco da monoritmia. A voz de Marcelo também está muito baixa, para entende-lo deve-se ou estar em um lugar calmo demais ou a noite, sem ruídos, caso o contrário a audição é quase impossível, e definitivamente, não é um disco para se ouvir de dia. É um disco bastante disparatado mesmo, a Rolling Stone elegeu “Janta” como a melhor música de 2008, já eu a considero uma música muito ruim, graças a participação de Mallu Magalhães, a letra é belissíma, um primor, mas a voz dela, e as intercaladas em inglês [sic], tornam a música um tédio. “Téo e a gaivota” é uma canção boa, assim como “Doce Solidão” e “Santa Chuva”, para mim os destaques do álbum. No mais, cabe as tentativas de “Liberdade” e de “Copacabana” de dar uma ar mais diversificado ao álbum, que quem sabe até consigam deixar-nos menos carrancudos, o certo é que na média geral do disco, o resultado é abaixo do esperado. Tomemos a seguinte regra para embasar o citação anterior, levaremos em consideração três itens importantes, letra, música e participações. No quesito letra, não há discussão, continuam muito boas, e essas sim, acima da méida [não é Maria Rita], agora no quesito música e participações, o excesso de voz e violão, a síndrome de trovador macambuzio, voz tom abaixo e a desastrosa parceria [musical] com a menina que compunha singles [referência ao livro “A menina que roubava livros"], realmente fazem com que na somatória geral, o placar fique em 2 à 1 para os pontos negativos, e que embora dizer que o disco seja péssimo, muito ruim ou horrível seja um exagero, dizer também que os Los Hermanos não deixam saudade é uma grande balela [Zaidan].




1. Paul Strand - Portrait, washington square park - 1916.










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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009


Meus olhos ainda maquiados negros, borrados meus cabelos embaraçados minha cara de bêbada minha roupa mal-comportada toda a minha descompostura assina minha culpa minha máxima culpa eu quis, eu desejei eu busquei, e errei eu sei.


Por Francislei Malorbierk Von Bach.



terça-feira, 10 de fevereiro de 2009



































Ensaio.

A arte da obra e a sobra.

por Ladislau Smack.

Em comum somente a aparência da capa. As diferenças, muitas, a mais aparente, uma é uma obra de arte e a outra um sobra, não de arte, mas de estúdio, pois soa tão igual, tão previsível, que mais parece sobras da mesma coisa. Você pode até questionar, qual o problema de sobras de estúdio?, eu vou dizer, nenhum!, mas isso quando se fala de sobras de Pixies, Sonic Youth, Radiohead – basta lembrar de Kid A e Amenesiac – mas e quando você não tem nada ou tem muito pouco a dizer[…]. Bom, não vou dizer que o Stereophonics seja ruim, longe disso, mas também não vou elevar muito o moral da banda e intitula-los como os salvadores do rock como fizeram com Strokes, White Stripes, The Vines e similares, como em tudo na vida, há um lado bom e um outro ruim, e com esses galêses de Cwmaman não é diferente. Lançado no ano de 1999, o álbum “Performance and Cocktails” é britpop, puro britpop, porém na versão mais assustadoramente massante e arrogante do britpop, mas sem o brilho dos melhores momentos do Oasis e do Blur, aliás, Kelly Jones até soa como Noel Gallagher em “Roll Up And Shine”. Essa uma grande amostra do power pop [pejorativo] de gosto dúvidoso e pré-moldado no estilo Lenny Kravitz, e o que é pior é todo o barulho que imprensa britânica faz em torno da banda, típico do provincianismo britânico. O álbum todo é muito parecido, ora mais pesado, ora menos pesado, as cadências de todas as faixas são muito parecidas, e não que seja um álbum ruim, mas é que soa muito datado, muito falso, muito billboard, um disco feito para vender, é só ver pelos feitos do disco, foi álbum número um do Reino Unido em março de 1999, recebeu boa crítica do NME, Q Magazine e Rolling Stone, e emplacou cinco singles nas paradas inglesas, com destaque para “Bartender and the Thief”. Dentre os singles, uma boa canção é “I Wouldnt Believe You Radio”, uma balada concisa e elegante, com belo arranjo, talvez seja a melhor do disco todo, é onde Kelly se sai melhor, menos Noel Gallagher, e muito menos ainda Robbie Williams, a música ainda traz um solo de guitarra bonito e simples, e além de ter quase quatro minutos, é extremamente agradável. “T-Shirt Sun Tan” lembra muito Couting Crowes, no tipo de rock simples, é audível, menos chata do que “Pick A Part Thats New”, de longe a mais pop chiclete do álbum, com arranjo extremamente comprado em loja de supermercado de tão pronto, e refrão de cantar junto. Posso até ser leviano no que vou dizer agora, mas o Stereophonics é para a Grã-Bretanha o que o Nickelback é para os Estados Unidos, uma máquina de fazer hits baratos, pois apela para o mesmo formato do grupo americano, ora baladinhas tristezinhas, para meninas chorarem amores pedantes no quarto, “Is Yesterday, Tomorrow, Today”, “A Minute Longer” e “She Takes Her Clothes Off” [boa], ora a velha cartilha do “começo leve, meio pesado, refrão, peso de novo”, casos de “Roll Up And Shine”, “Hurry Up And Wait” e “Plastic California”. Ouvindo o disco atentamente nada mais é do que a sobra do que o próprio Stereophonics já fez, é claro que um pouco melhor produzido, um “up” mais pop, e um apelo emocional vazio, e até mesmo a sobra do próprio pop britânico do fim dos anos 90 e começo dos anos 2000 [sic], um belo retrato da apatia burocrática do período Tony Blair. A capa do disco aliás é muito parecida com a celébre fotografia “O Beijo do Hotel de Ville” do grande fotógrafo francês Robert Doisneau, sendo uma distante da outra no tempo 57anos. Doisneua registrou o belo e simples beijo em 1950 em Paris, a cena de um jovem casal se beijando no meio de uma movimentada rua, a arte dessa imagem encontra-se em vários elementos constitutivos, veja a expressão do homem a esquerda, ele é totalmente indiferente ao casal e ao fotógrafo, concentrado indo ao trabalho [talvez], os dois homens um no primeiro plano de costas e um a direito saindo da fotografia, mesmo cortados, servem de moldura e destacam ainda mais o casal. A cena ganha mais emoção pelo fato de que foi um registro casual, inesperado, obra do acaso, do instante mágico, influência clara de Cartier-Bresson em Doisneau, de captar uma imagem única, como a angústia de nada ser como antes em Heráclito, pois por mais que esse beijo se repetisse, ou que milhares de casais de outras grandes capitais, como Cardiff, Londres, Lisboa, se beijem, aquele beijo é único e imortal. A senhora no ombro do rapaz tem um olhar vazio, na mesma direção do homem de pasta indo ao trabalho, já no sentido contrário e ao lado dessa senhora, vemos apenas o vulto apressado de um outro homem, que assim como todo o fundo, e sobretudo o edifício esvaindo-se na névoa pálida de um dia parisiense, dão uma dramaticidade brutal a foto, servindo apenas como coadjuvantes da cena dentro da quadro do casal se beijando. Já a foto de 2007 [da capa do disco] feita por Scarlet Page, fotógrafa inglesa filha de Jimmy Page do Led Zeppelin, soa artificial como o álbum. Embora seja uma boa foto, uma capa interessante, não há dúvida que a foto emula a celébre foto de Doisneau, não que Pages estivesse com o francês em mente, mas com certeza ela conhece o famoso beijo. Embora a foto também seja feita em preto e branco, o close de Pages expõe muito mais a cena, que é milimetricamente montada, nada espontânea, como o rock deve ser, e até nisso capa e disco se parecem, o casal de Doisneua se beija com amor, de olhos fechados e sem saber que estão sendo clicados, o casal de Pages sabe, a moça inclina levemente seus olhos indiferentes para o céu, o homem com o ímpeto típico dos homens, encara a cena como se o mundo fosse acabar, enquanto a esquerda dois jovens converssam [um deles ri – amarelamente, embora preto e branco] e a direita, um expectador, um garoto no colo do pai [possivelmente], olha o beijo principal e não se dá conta de que seus próprios pais também o fazem. Pages poderia ter desfocado levemente o fundo, e não ter feito close, dado uma certa distãncia do espectador, além do que esse beijo é bastante agressivo, veja o detalhe dos músculos do rosto do homem, esse não tem a discrição do jovem de Doisneau, que ergue impulsivamente a mão direita de súbito, enquanto toma nos braços a dama que debruça-se no ar, num movimento imaginativo de transição de uma postura rígida, dura, para uma confortavel, num segundo momento. E também a posição é a mesma do casal, o homem a direita [de quem vê] e a mulher a esquerda, um beijo com amor e emoção, o outro sem amor, sem emoção, e assim como diz o ditado a vida imita a arte, nesse caso o disco imita a arte [no sentido figurativo], uma capa com um beijo falso, um disco com músicas falsas, olhando hoje – dez anos mais tarde – o Stereophonics traiu seu público como Judas traiu Cristo, com uma diferença e uma semelhança, a diferença é que Judas traiu por 30 moedas, já o Stereophonics arrecadou muito com o álbum, e a semelhança é que ambos foram com um beijo.

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Invisible Ink.

Artigo do Guitarrista Edu sobre nossa banda (Incubus Cover)... super interessante!!!

Abraço!!!

Belzeboo! - La locura nostra de cada dia


Albúm experimental e totalmente instrumental, gravado no ano de 2005 em uma das mais desconhecidas e misteriosas gravadoras alternativa a " Aymoze as Moizes recording".
Leandro Borges



















Lush - Spooky.

por Dirce Dalila.

O Lush é uma banda muito interessante. O canto contido de Emma Anderson já nos apresenta as evidências do som dessa banda inglesa que mescla pós-punk climático com a pungência de um My Blood Valentine. Não é por acaso que colocam o Lush [a crítica americana] no caldeirão pouco definido do “Shoegaze”. A sonoridade desse bom “Spooky” [4AD, 1992] parece sair de uma velha caixa de som apenas pelo mono, o que envelhece o som da banda, dando um tom meio cinzento ao álbum, fruto da produção do soturno Robin Guthrie. O Lush por vezes soa como um Cranberries viajante, um tanto psicodélico eu diria, mas consciente do que estão fazendo e com o controle da situação a todo momento. A vantagem do Lush ao meu ver, é que eles conseguem um meio termo muito coeso entre a depressão do Cocteau Twins, a pretensão do Oasis e alegria inesplicável do Blur, é uma música calma, mas fluente, contínua. Lembre em alguns momentos New Order, como no caso de “Ocean”, em outros Dead Can Dance, “Nothing Natural”. “For Love” é o resultado extremamente adocicado do encontro entre Belle & Sebastian e The Jesus And Mary Chain, é um pop fofinho com corinhos de apertar a bochecha, como as tias velhas faziam, ou fazem ainda. “Superblast!” é um country espacial, não é uma boa canção, mas no conjunto ótimo do disco não chega a atrapalhar.

No final das contas é alternativo, rock alternativo inteligênte, bem tocado e bastante original, fazendo muito com pouco, utilizando-se de efeitos de forma moderada, fazem um som agradavel aos ouvidos, com um pé ancestral no punk, tem muito o que ensinar a muita gente, como Veruca Salt e The Breeders [muito bons por sinal]. “Take” soa muito Cranberries, Emma Anderson tem o mesmo timbre vocal de Dolores, porém a cozinha do Lush se sae melhor, pois não conta com o aparato e nem com a produção da banda irlandesa, Spooky foi lançado pela indie 4AD. O álbum todo soa como uma trilha sonora de fim de tarde, mas nenhuma das dozes faixas traduz melhor esse momento do que a última “Monochrome”, linda e frágil como um cristal, hipnotiza-nos com sua guitarra suave, mezzo psicodélica, dedilhados no ar, brisa no rosto e um sonho de liberdade, de voar, mas serve também para dias de fog saindo de um pub inglês qualquer.
















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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009































Incubus - S.C.I.E.N.C.E.

M.M.

S.C.I.E.N.C.E. é o segundo álbum do Incubus, lançado no ano de 1997, é de longe o mais pesado da carreira da banda e o melhor da chamada primeira fase da banda [1995 – Fungus Amongus, 1997 – S.C.I.E.N.C.E., 1999 – Make Yourself]. Embora seja considerado um disco de metal, esse disco abrange pelo menos dois aspectos muito marcantes dessa primeira fase da banda, a influência clara de Faith More, e a ampliação de possibilidades no metal, misturando funk e jazz à guitarras distorcidas, numa linha que começa com o Primus e termina em bandas como Meshuggah, Tool, Amorphis e Opeth. Não que o Incubus tenha alguma relação ou influência dessas bandas citadas [exceção do Primus], mas o fato é que são bandas que apesar de terem sua base calcada no metal, utilizam-se de outros estilos para enriquecer o seu som. E isso o Incubus faz como poucas bandas, sobre bases extremamente criativas e altamente técnicas, destaca-se o talento individual de cada um dos integrantes, dando coesão ao todo. O som do Incubus nesse S.C.I.E.N.C.E. nunca chega a ser enfadonho, pois a diversidade das músicas marcam esse trabalho, peso, emoção, fúria e suavidade convivem harmoniosamente bem, juntando-se a vinhetas instrumentais distribuidas pelo álbum. A voz de Brandon Boyd é um dos principais destaques, forte, porém limpída, por vezes faz falsete para lembrar Mike Patton, e conseguindo esse intento, mas seu timbre peculiar enquadra-se perfeitamente bem a propósta musical do Incubus, e como um camaleão, tanto o som da banda com a voz de seu cantor, adaptam-se as alternâncias e guinadas que o álbum dá ao longo de 12 faixas extremamente heterogêneas. O disco abre com a ótima “Redefine”, peso na medida certa, scratchs e uma base de forte marcação do baixo de Alex Katunich, e da bateria de Jose Pasillas, segue-se a também boa “Vitamin”, pulsante e bastante suingada. Outra grande música do disco é “New Skin”, ritmo forte, peso e vocal altamente melódico de Boyd, fala sobre renovação da vida, “Quando vamos ser pele nova?/ When Will We Be New Skin?”.

“Idiot Box”, é um grande exemplo de peso condensado, começa com uma base pesada, pra se desenrolar numa levada lenta, explodindo novamente nos refrões, “TV, o que eu preciso?, Me diga no que acreditar, Qual a utilidade da autonomia, quando um botão faz tudo?/ T.V., What do I need, Tell me who to believe!, What´s the use of autonomy, when a button does it all?”. É uma feroz crítica a televisão, enquanto alienação coletiva e inconscientização do povo, ditando os modos de vida numa sociedade de consumo altamente dependente da tecnologia. “Glass” é bem funkeada, enquanto “Magic Medicine” é um drum and bass psicodélico, servindo de prelúdio para o grande hit do álbum, “A Certain Shade Of Green”. Esse certo tom de verde da letra, é uma menção ao fim do mundo, que segundo o calendário Maia irá acontecer no ano de 2.012 D.C., e o sinal para consumação de tudo, será um tom de verde no céu, Boyd sob uma base de muito groove e guitarras distorcidas, profetiza ironico se é disso que você realmente precisa, de redenção ou condenação. O disco segue com a música mais rock do álbum, “Favorite Things”, um som simples, contagiante, rápido, onde Boyd solta a voz mostrando todos os seus atributos vocais. Outro ponto do disco é “Summer Romance”, uma bela canção de amor, jazzística, com direito a corais no refrão [é só ouvir com atenção], segue-se até uma base que emula samba, bossa e salsa com peso, samba?, sim samba, um ritmo meio macumbado, assim como em “Sympathy For The Devil” dos Rolling Stones, um som muito diferente, que coloca o Incubus num patamar diferente de outras bandas contemporâneas a eles. “Nebula” é a mais parecida com Faith No More do álbum, pesada, doentia e barulhenta, já “Deep Inside” é funk ao modo Marvin Gaye, sensual e violenta ao mesmo tempo, meio sexual eu diria, doce e amarga, bastante dual, pois da mesma forma que Mike Einzinger faz um belo solo de jazz ensolarado aos 02´18s de música [vide Andy Summers], aos 02´53 a música cai na mais pura brutalidade no melhor molde Dillinger Escape Plan. O álbum fecha com a espacial e agitada “Calgone”, cheia de efeitos de Dub e batidas eletrônicas espalhadas aleatóriamente pela música, Boyd mais uma vez se mostra virtuoso com sua voz prodigiosa, brincando de ser lírico e bruto, sem ser, mostrando uma força que vem de dentro, desse caldeirão de influências e gostos variados, S.C.I.E.N.C.E. deve ser celebrado como um álbum que trouxe diversidade e confusão a um mundo repleto de unidade, repetição e exclarecimento.

Marlon Marques.

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