sexta-feira, 27 de novembro de 2009


Artigo.

As desculpas que todo mundo acredita.


por Marlon Marques.


































Tenho ouvido ultimamente que o Corinthians (apesar de já classificado para Libertadores) não está jogando bem, pelo fato de que o time se desmanchou. É pensamento corrente que o timão está sentindo a falta de André Santos, Cristian e Douglas. Pensando numéricamente, um time é composto de 11 jogadores. 3 (é óbvio) é menos da metade. Então acho falsa essa justificativa de queda de rendimento por conta de 3 jogadores (mesmo sendo jogadores chave). Outro aspecto é que esses três não são foras de série, insubstituíveis, etc. São jogadores bons, não craques. O time estava bem entrosado com eles, é fato, agora a dizer que a culpa pelo fato do time estar mal é a ausência desses jogadores, é demais. Diz o bom planejamento do futebol que um time sempre deve repor peças de qualidade igual ou superior as perdidas. O Corinthians fez isso parcialmente. Para os lugares de Douglas e Cristian, o time de parque São Jorge trouxe Edno, Defederico, Edu e Marcelo Matos. Só para vaga de André Santos é que não veio ninguém do nível. O meia argentino ainda é uma incógnita, mas não dá pra dizer que o Douglas é melhor do que o Edno. O Douglas pode ter dado certo no esquema, pode ter entrosado com o grupo, mas futebol, o Edno tem mais, tanto jogando de meia, quanto de atacante. O Cristian deu certo no Corinthians e só, é um jogador comum com muita vontade dentro de campo. Em quê o Edu e o Marcelo Matos ficam devendo á ele? Veja só a diferença. O André Santos continua na mídia não só pelas convocações á seleção brasileira, mas por suas atuações (inclusive com gols) pelo Fenerbahçe. Desde que saiu do Corinthians para o mesmo time turco de André Santos, nunca mais ouvimos falar de Cristian. Acho esse alvoroço desnecessário de um lado e necessário de outro. Desnecessário porque – como já disse – saíram apenas três jogadores, a base é a mesma, ainda adicionada por jogadores de grande qualidade (os quatro citados acima). E necessário porque é uma forma de camuflar o fato de que o Mano Menezes (que é ótimo técnico) não conseguiu encaixar as peças contratadas de forma adequada e também pelo fato de terem descoberto como o Corinthians joga. Não é mais novidade como foi no Campeonato Paulista e na Copa do Brasil. Há, mas o Corinthians teve várias contusões. Faz parte do futebol e todos os clubes passam por isso. O outro fato é que o Corinthians não soube aproveitar o segundo turno do campeonato para se preparar para o ano do centenário. Trabalhar com as peças que aí estão e as demais que virão no futuro que se encaixem no time. Tome como base o time que enfrentou o Palmeiras no último clássico em Presidente Prudente (2x2 em 1/11). Dos remanescentes do time do primeiro semestre, apenas o Alessandro não jogou (machucado), o resto todos, tendo o Edu no lugar do Cristian, o Defederico no lugar do Douglas e o Jucilei improvisado no lugar do André Santos. Agora me diga, que diferença tão colossal é essa? Vejo mais aí um sensacionalismo provinciano para justificar o mau desempenho no campeonato nacional. E essa história de desmanche não é nova – só uma parêntese, não foi um desmanche. Muitos times, não só do Brasil, sofrem com a diáspora européia. Basta lembrarmos do Corinthians campeão mundial em 2000. Um time fantástico (que nem se compara a esse), entrosado, jogando por música e com mais de um jogador decisivo (hoje só tem o Ronaldo). Esse time foi quase todo desfeito (e em proporção bem maior do que a desse time de 2009). Compare. O time de 2000 era: Dida, Índio, Adilson, Fábio Luciano e Kleber, Vampeta, Rincón, Marcelinho e Ricardinho, Edílson e Luisão. Com esse time, o mediano Oswaldo de Oliveira foi campeão mundial. O time de 2001 era: Maurício, Rogério, João Carlos, Scheidt e Kleber, Marcos Senna, André Luiz, Marcelinho e Ricardinho, Gil e Ewerthon. O tempo de desmanche do primeiro e da formação do segundo, foi de 1 ano e 4 meses (final do mundial, 14/01/2000 – final do paulista, 27/05/2001). O Corinthians mesmo com um time bem inferior, foi campeão paulista (2001) jogando um bom futebol. Passou por um desmanche bem maior e mesmo assim não usou isso como desculpa para um também segundo semestre ruim em 2001, foi apenas o décimo oitavo no Campeonato Brasileiro desse ano. A grande questão é que não querem admitir que o planejamento foi (e está sendo) ruim, e que a queda de rendimento da equipe não se deu pela perda desses jogadores, mas sim pelas limitações do elenco e pela inabilidade de seu técnico em encaixar as boas peças que chegaram. Portanto abaixo á tais desculpas manjadas, ou seriam apenas desculpas tão comuns a um caro corinthianismo* que temos que agüentar.

* Escrito dessa forma mesmo por opção do autor.


















































































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quarta-feira, 25 de novembro de 2009


Artigo.

Irã – uma ponderação.


Marlon Marques*.














































Li muitos comentários a respeito da visita de Ahmadinejad ao Brasil. As visões são as mais dispares possíveis. Acho que supervalorizaram demais a figura do presidente do Irã – esquecendo-se que seu poder é bastante limitado. O Irã eu diria que é um país misto, bastante complexo politicamente. Pois ao mesmo tempo em que tem contornos de democracia (regime presidencialista, eleições diretas, etc. – embora seja mais amplo), o poder de fato é exercido pelo supremo imã, o aiatolá Ali Khamenei. Khamenei é o continuador da reforma trazida pela revolução islâmica de 1979. Segue os mesmos princípios de Khomeini. O irônico é que a revolução depôs uma ditadura e estalou outra, saindo a ditadura secular e entrando a ditadura religiosa. Nos países ocidentais o marco da separação entre igreja e estado se deu na revolução francesa. No ocidente acima de todos os cidadãos, inclusive dos que exercem o poder, está a constituição. No Irã é diferente. Existe uma constituição, mas essa é submetida as leis islâmicas, consideradas sagradas. E são elas que limitam a atuação de Ahmadinejad. É o mesmo lema da revolução francesa, “o rei está morto, viva o rei”. Não importa quem seja o presidente do Irã, sempre estará submetido ao imã supremo e ao islã. Então mais do que democracia, o Irã precisa de secularismo. Os xiitas já são radicais por natureza. Carregam consigo a herança do sangue do profeta Mohammad – o que significa (entre muitas outras coisas), uma proximidade maior com a tradição e com a ideia de que religião e política são contíguas. O pluralismo ocidental não combina com o purismo xiita, por conta disso é que a revolução se deu, iniciando o embate entre Estados Unidos e Irã, entre o islã e a modernidade ocidental – encarnada nos EUA. Há um ditado que diz que dois bicudos não se beijam. E é verdade. Enquanto houver radicais em todas as partes, o entendimento ficará cada vez mais distante. Veja o tabuleiro. Hamas (Palestina) X Benjamin Netanyahu (Israel). Bush (Estados Unidos) X Ahmadinejad (Irã). Com essas figuras e organizações a frente de tais conflitos, á sombra da solução é muito distante. E críticas á parte, os Estados Unidos elegendo Obama, parece ter largado na frente. No caso do Irã é necessário que caia o regime sagrado e se instale um regime totalmente secular [para dar um início]. Pois a sucessão do imã é dada por morte, assim como foi com o Khomeini, será com Khamenei, e outro igual – seguindo os mesmo princípios – ocupará o seu lugar. Quanto ao Ahmadinejad e seu estilo, me parece mais retórica [incluindo a questão do holocausto]. Ele é o Hugo Chávez do Oriente Médio (liderança que ascendeu após o ocaso de Khadaffi e a morte de Saddam), verborrágico (nem tanto), polêmico e intimidador. Há ele caiu bem o discurso anti-americano para trazer o Irã ao centro das atenções. É aquilo de atacando o outro você chama atenção para si. O que no fundo quer Ahmadinejad é liderar o Oriente Médio, elevando o Irã a potência local [e depois global] e pressionar o ocidente a respeitar o islã e a ceder em questões comerciais, econômicos e até sociais [incluindo direitos humanos]. A Coréia do Norte por exemplo cedeu após a tentação de benefícios econômicos. Com o Irã não é diferente. Quanto a questão nuclear, o grande problema é a finalidade a ser buscada pelo governo. Fins bélicos ou energéticos? De um lado se pensarmos na questão ambiental, ponto para o Irã em se preocupar em buscar alternativas ao petróleo e a sua dependência [não que pensem assim com essa consciência ecológica]. Porém no quesito bélico é diferente. Embora eu seja crítico da ideia de clube privado nuclear, ter mais um país no mundo com esse potencial é incoerente. No mundo ideal, as nações que tinham armas nucleares até a criação do tratado de não proliferação de armas nucleares (1968), deveriam destruí-las em prol de dar exemplo aos postulantes a potência nucleares. Como estamos no mundo real a coisa é bem diferente. Então face a realidade – alguns vão continuar com as armas – e um país a mais com a arma faz uma diferença enorme. Principalmente para a Índia. No islã há um princípio de cooperação e fraternidade muito grande – mesmo a despeito do conflito xiitas e sunitas. Então quando algum país não-muçulmano declara guerra [ou ataca] a um país muçulmano, a comunidade islâmica se mobiliza. A Índia que faz fronteira com o Paquistão (que faz fronteira com o Irã), fica num jogo de dois contra um. Imagine os três com armas nucleares (já que dois desses já possuem), o desequilíbrio, e o prejuízo para a Índia. Para o sistema internacional, um Irã nuclear é sinônimo de ameaça. Um Irã nuclear é o pior cenário possível para uma paz tão sonhada e distante no Oriente Médio. O Irã [com seu discurso e postura atual] daria guarida aos demais países da região a iniciarem seus programas nucleares, dando suporte técnico e logístico. Além do que com a via bélica aberta, o dilogo e os princípios do direito internacional seriam deixados de lado pela premissa primeira da força. Imagine uma democratização nuclear. Como seriam os conflitos nos Bálcãs com Croácia, Sérvia, Albânia, Kosovo, todos nucleares? Acredito que impedir que o Irã tenha a arma seja mais fácil do que destruir as já existentes. Então em nome da coerência o lobby contra o Irã nesse quesito é válido. Porém não podemos confundir isso com ser contra o desenvolvimento do país, uma vez que o Irã é uma nação soberana. São mundos diferentes, e enquanto continuarmos na visão “eles e nós” – nesse distanciamento a que se refere Carlo Ginzburg, o entendimento estará distante. É preciso chegar perto deles. Fazer como fez Obama, se dirigir a eles como quem se dirigindo a nós (ou a eles americanos). Não sei a eficácia disso, mas é uma tentativa. Só o fato de Ahmadinejad vir ao Brasil, dialogar com um país claramente aliado dos Estados Unidos, é um sinal de mudança. É um início de diálogo. E Barack Obama percebeu isso ao declarar que quer usar o Brasil (Lula) para se aproximar de Ahmadinejad. E verdade seja dita, o presidente Lula disse algo que resume muito dessa esperança, ou melhor, dará o rumo dessa esperança ao futuro da diplomacia. O presidente disse: “é preciso descobrir quem não quer a paz no Oriente Médio e colocar para escanteio”. Bush tinha certeza, o Irã é do mal (referindo-se ao tal eixo do mal). Obama tem dúvidas entre dialogar ou atacar o Irã. Porém cabe a Lula nos mostrar a verdade. Acredito que os caminhos sejam esses. Identificar quem quer o diálogo e chegar a paz. Depois disso traçar uma estratégia não de buscar a paz, mas de evitar a guerra. Concluo dizendo que enquanto o regime iraniano for religioso e ainda mais, xiita, não haverá boa vontade em resolver, por é mais do que um embate terreno, é um embate celestial.







































































*Marlon Marques é Historiador pela UNG, pós-graduado em Política e Relações Internacionais pela FESPSP, tendo participado do programa de pós-graduação em História Social na USP. Cursou Islamismo na Faculdade Unisantana.





















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sábado, 21 de novembro de 2009

Artigo.

A guerra dos clones*.

por Marlon Marques.

















































Clonagem pode ser definida como uma cópia fidedigna de algo. É claro que isso é uma definição simplória. A definição científica não se faz necessária aqui. Muita gente não consegue entender a diferença entre plágio e mimesis. Quando se mimetisa algo ou alguém, é o mesmo que usá-lo como influência, é copiar sua técnica a serviço da criação de algo novo. A mimesis é um compromisso com a originalidade. O plágio é a cópia descarada do original. É não ser original. É ser o outro – por admiração ou por falta de talento. É a linha tênue entre o ódio e o amor. Usando uma licença freudiana, quando você ama alguém mas não pode te-lo, prefere-se ver esse alguém morto do que com outro que não você. Ou de uma forma mais branda – você se realiza na vitória do outro só no instante inicial, no instante seguinte quer destruí-lo – de inveja. Outro paradoxo – a inveja e a admiração. E é na esteira de não conseguir ser como o ídolo que as forças destruidoras entram no jogo. Esse é só um prólogo. Isso diz respeito a apenas um dos exemplos que serão usados nesse artigo. Após o nascimento de Marcelo Sangalo, filho de Ivete Sangalo em 2 de outubro de 2009, o presidente Lula, acompanhado por Dilma Rousseff, foram visitar a estrela baiana no hospital. A também baiana Claudia Leite (segundo fontes), ficou enraivecida. Isso porque o presidente visitou Ivete e não a visitou após sua gravidez. Naquele momento Claudia Leite sonhou ser o Saturno do quadro de Goya, e engolir o filha de Ivete. Inveja. É a essa a força motriz que fez com que Claudia Leite se tornasse o que é. Ela é uma Ivete loira, menos encorpada e pequena. Porém ela tem a necessidade de se mostrar muito, para aparecer mais. No dia que ela foi no programa do Jô, foi que eu tive essa dimensão. Ela falava alto, sem parar, fazia piada, mexia com o público, sentada descalça, entre outras coisas. É uma forma de chamar atenção – é uma forma de criar idiossincrasia. Se não for dessa forma, como ela irá se diferenciar de Ivete? Mas ela não quer se diferenciar. Ela quer ser igual. Ela deseja tudo o que Ivete tem. Até propaganda de shampoo ela também fez (assim como Ivete). Claudia começou no grupo Babado Novo – Ivete na Banda Eva. Ivete largou a banda e seguiu carreira solo de sucesso. Claudia fez o mesmo, porém embora sua carreira solo seja um sucesso, não o é como a de Ivete. Ivete Sangalo já disse que jamais sairia nua em uma revista masculina, Claudia também já recusou tal convite. Porém senhores editores e diretores de revistas (não citaremos nomes), caso um dia convençam Ivete Sangalo, ganharam Claudia Leite de brinde. Pois é óbvio que se a estrela 1 aceitasse o convite, a estrela 2 também aceitaria. A Claudia Leite é bonita e canta até de forma razoável, porém o que a estraga é esse excesso de ivetismo. A falta de personalidade a torna apenas um clone, não uma artista de verdade. É só voltar a questão da mimesis. Se ela usasse Ivete apenas como inspiração, como ponto de partida (mesmo fazendo a mesma música), isso reverteria parte da antipatia que muita gente tem por ela e que até a própria Ivete tem. Ou vocês acham que a Ivete acha tudo isso lindo como uma boa baiana? Claro que não. As mesmas fontes secretas aí de cima, garantem que Ivete detesta essas comparações, as imitações de Claudia Leite, os trejeitos, as gírias, essa baianidade forçada. Se compararmos por exemplo, Kelly Key e Perlla, não há de forma tão descarada essa competição de um só. Explico. Competição de um só, é porque a competição só existe para uma das partes. A Claudia Leite compete com a Ivete, mas a Ivete não compete com a Claudia Leite. A Perlla compete com a Kelly Key, mas a Kelly Key não compete com a Perlla. É a relação discípulo e mestre. Em um eterno jogo de superação por parte do discípulo. No caso das cariocas existe inveja, imitação – de estilo e de roupa, de voz – mas não tão extremado com no primeiro caso. A Perlla pelo menos só canta, dança e se veste igual a Kelly Key, agora a Claudia Leite é tudo, todos os gestos, movimentos, desejos, sonhos, mobília, maquiagem e jeito de falar. A clonagem artística é um fenômeno do final de século XX – advindo da decadência de todas as coisas e da falta de referencial, de utopias e de vanguardas. Já que isso é parte do futuro, o que nos resta é torcer para que isso não se democratize, já que tudo na pós-modernidade tende a se democratizar.
















































































* A referência à clone, diz-se apenas as cópias obviamente.




















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segunda-feira, 16 de novembro de 2009


Artigo.

O hábito não faz o monge.

por Marlon Marques.



















Recentemente eu estava almoçando com minha família, quando despretensiosamente o assunto na mesa tornou-se futebol. Todos estavam emitindo suas opiniões, quando de repente ouço alguém dizer que os insucessos do Palmeiras nos últimos tempos se devem ao fato de jogar com uma camisa azul. Confesso que fiquei bastante tempo pensando nessa questão. E hoje discordo veementemente disso. Discordo porque não é o hábito que faz o monge. Com a bola que o Palmeiras vem jogando, mesmo se jogar sem uniforme não dará resultado. A questão da camisa é apenas um mero detalhe promocional, ou seja, ao usar a camisa em jogos oficiais, o time incentiva o torcedor a usá-la também. Camisas sós não entram em campo. Torcida não ganha jogo. Esses são ditados as vezes controvertidos no meio do futebol, mas que refletem a mais pura verdade. Quando os esquadrões são bons e jogam bem, pouco importa a cor da camisa, ou o tecido, ou design, o bom futebol prevalecerá. O grande problema do Palmeiras é a ausência de bom futebol. Não que tivesse sido brilhante no restante passado do campeonato, mas com o que estava jogando era o suficiente para ser campeão. Inexplicavelmente o time parou (e não bote a culpa nas lesões). Passou de mediano para péssimo. E os resultados ruins começaram a aparecer. Veja a seqüência nefasta. Empate em 2 á 2 com o Avaí em casa, derrota para o Náutico nos aflitos, 3 á 0, derrota para o Flamengo em casa, 2 á 0, derrota para o Santo André fora, 2 á 0. Esse foi o ponto de partida para o Palmeiras deixar sua cômoda posição de líder com pontos na frente do segundo colocado, para ser líder no critério dependendo do resultado dos outros. De 12 pontos o Palmeiras somou apenas 1, o que não é pouco, é pouquíssimo. Seqüências como essa são até toleráveis no começo do campeonato, não no fim. O discurso a cada tropeço era sempre o mesmo: “ainda somos líderes, e nossos concorrentes diretos também tropeçaram”. Esse excesso de confiança na derrota dos adversários fez justamente com que o São Paulo passasse a frente do clube verde. É o mesmo que vender sua casa própria num bairro mediano e ir morar de aluguél num bairro bom. Não vejo evolução nisso. É o mesmo que digo do Palmeiras, ser líder no critério esperando (e secando) o jogo do São Paulo não é algo para se orgulhar (embora dê o título). Agora voltando a questão das camisas, faremos uma retrospectiva para ver se meus familiares tinham ou não razão ao atribuir a camisa azul o mau agouro alviverde. Nessa seqüência supracitada, o Palmeiras atuou de verde contra o Avaí, Náutico e Santo André, e de azul contra o Flamengo. O jogo contra o Goiás serviu de interlúdio para uma nova seqüência de resultados ruins. No empate contra o Corinthians jogou de branco, de azul na derrota para o Fluminense e de verde no empate com o Sport. Lembrando que dentre esses adversários citados, o Palmeiras conseguiu a proeza de perder para os quatro últimos classificados (na seqüência Náutico, Santo André, Fluminense e Sport). Com o que está jogando e com esses números, é simplista por culpa só na arbitragem e nos uniformes (e nas lesões). É necessária uma dose de auto-crítica (como bem tem o goleiro Marcos) para assumir que o time a tempos não joga bem, e que suas principais peças deixaram de funcionar na hora mais necessária. Acho que muito mais do que mística de camisas, superstição ou mandinga, tem o jogo em campo. O primeiro tempo do Palmeiras contra o Sport foi irreconhecível, o time não jogou nada, e de nada adiantaria trocar o terno de camisas (para usar uma expressão antiga), tanto a branca, como a azul nada fariam de diferente do que fez a verde. Pois a diferença quem faz é que as veste, e só para brincar com uma máxima do saudoso Neném Prancha, “se camisa sozinha ganhasse jogo, campeonato de varal e gaveta terminava sempre empatado”.





























































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quinta-feira, 12 de novembro de 2009


Artigo.

A páscoa verde.

por Marlon Marques.





















Sabe aquela velha brincadeira que os pais fazem na páscoa escondendo os ovos pela casa, deixando-nos pistas para encontrá-los? Aconteceu o mesmo com o Palmeiras. Após uma má seqüência com derrotas e empates, o Palmeiras voltou a jogar bem contra o Goiás, porém no clássico voltou a letargia. Verdade seja dita, o Palmeiras achou os dois gols – da mesma forma que o São Paulo achou o gol contra o Inter. O Corinthians jogou bem melhor do que o Palmeiras, teve mais chances de gol, fez gols trabalhados, ou seja, de jogadas construídas, e sai de Prudente com um empate injusto. O domingo que precedeu finados, bem poderia ser um domingo de páscoa. Digo isso justamente pelo fato dos dois gols achados. Vamos a eles. O Corinthians melhor no jogo fez seu primeiro gol aos 20 minutos do primeiro tempo. No lance do pênalti o goleiro Marcos foi expulso de campo, e o escolhido para dar lugar ao goleiro reserva Bruno foi o atacante Obina. O Palmeiras que já estava sem poder de ataque (uma vez que o Vagner Love não entrou em campo), ficou ainda mais enfraquecido nesse setor. O Corinthians continuo melhor, tocando a bola e chegando no ataque as vezes. No início do segundo tempo, aos 6 minutos, Figueroa centra a bola na área, o goleiro Felipe falha, junto com a zaga alvinegra, e Danilo faz o gol de empate. Detalhe: gol de cabeça no mesmo lado onde Ronaldo fez seu primeiro gol. O gol ao invés de equilibrar o jogo e dar moral para o Palmeiras (afinal, o maior interessado na vitória era o Palmeiras), não, equilibrou momentaneamente, e com um a mais, o Corinthians voltou a ser o senhor das ações. Tanto que aos 37 minutos dessa segunda etapa, Defederico lança Ronaldo em profundidade e por trás da zaga, o atacante se livra de Bruno (que receou fazer o pênalti tal como Marcos) e faz o gol de desempate. Corinthians 2 x 1 no Palmeiras. Aos 37 minutos, o time não jogando bem (apesar das mudanças feitas por Muricy), não chutando a gol, não havia nenhum pista de que um empate ocorreria. E é aí (mais do que no primeiro gol) que a páscoa entra. Gol de bola parada por mais que seja jogada treinada, é suspeito. E foi justamente assim, que o coelho da páscoa verde (que não é o América Mineiro), escondeu o gol para o alviverde achar. Figueroa novamente levantou na área, Maurício subiu mais que todo mundo para empatar o derby. Se o Palmeiras tivesse pressionando o Corinthians, se o Felipe tivesse fazendo defesas uma atrás da outra, se o Palmeiras tivesse todo no ataque, tudo bem, mereceu o gol – e para não ser injusto, é só rememorar o jogo contra o Goiás na última rodada. Agora, o time apático, morto em campo, onde seus craques (Diego Souza e Vagner Love), espelhando o time inteiro, estavam apagados, não há outra maneira de definir o empate como achado. O gol de Maurício foi um achado tal como um ovo de páscoa por uma criança. E foi dramático, quase épico. Com direito a explosão da torcida (sem derrubar alambrados), muita vibração do técnico e dos jogadores suplentes e da massa verde Brasil à fora. Pois conseguir um gol tão importante como esse, no final do jogo e jogando mal, é quase inexplicável. E foi esse empate salvador que proporcionou ao verdão a continuidade na liderança do brasileiro. E esse gosto bom da liderança, só se assemelha ao de um bom chocolate. Porém é necessário moderação nessa hora, para que o ovo verde não se torne amargo.





































Crédito das imagens: Portal Terra.





























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domingo, 8 de novembro de 2009

Está ficando quente....

Por Tim "Maia"
















A destruição

A terceira profecia diz que uma onda de calor aumentará a temperatura do planeta provocando mudanças climáticas, geológicas e sociais de magnitudes sem precedentes e a uma velocidade assombrosa.Os maias disseram que esse aquecimento se dará por vários fatores. Alguns deles pelo ser humano, que por sua falta de sincronismo com a natureza só poderá produzir processos de autodestruição. Outros fatores serão gerados pelo sol, que ao acelerar sua atividade pelo aumento da sua vibração, produzirá mais irradiação aumentando a temperatura do planeta.

Tornado

A atuação humana

Cada um de nós, de uma forma ou de outra, ajudamos a desflorestar o planeta ou a contaminá-lo. Com nossos automóveis, jogando lixo nas ruas ou parques públicos, contribuímos para que o clima do planeta volte-se contra nós. As mudanças já estão acontecendo, mas como estão acontecendo muito lentamente nos adaptamos a elas e nem as percebemos. O processo global de industrialização que teve lugar no século XX mudou dramaticamente a atmosfera com suas emissões de gases tóxicos.A chamada chuva ácida, um subproduto da queima de carvão ou derivados de petróleo e emissões de sulfetos e óxidos de nitrogênio das indústrias tem lugar no mundo todo e concentra-se nas áreas urbanas, corroem os monumentos e pontes, destrói a pintura externa, os bosques, causam danos à vida marinha e aos solos cultivados, transforma a água

potável em tóxica e reduz a visibilidade.

A poluição oriunda das fábricas afeta violentamente o ambiente. Em milhões de lugares no planeta ainda se cozinha a lenha, criando fogueiras que emitem grandes quantidades de fumaça, cinzas, vapor d’água e gás carbônico (CO²).Tudo isso deu lugar ao aparecimento do efeito estufa, pois a concentração de CO2 que ficam flutuando na atmosfera e reagem quimicamente com dióxidos aumentando a temperatura. O ar que respiramos está cheio de partículas de monóxido de carbono (CO), dióxido de nitrogênio (NO2) e metano (CO3) produto resultante da combustão da gasolina no motor de milhões de automóveis e de milhares de usinas térmicas e de geração d

e eletricidade.

Poluição

A depredação de selvas parra terras de cultivos ou para ampliar as cidades tornou-se uma prática comum. Os bosques que purificam o ar ao transformar gás carbônico em oxigênio, são incendiados.O ser humano não é consciente do mal que está causando ao planeta, nem que é preciso plantar para repor a vegetação que consome.

O planeta transformou-se em um grande depósito de lixo. Enviamos contêineres com resíduos radioativos para o fundo do mar, carregamos navios inteiros com substancias não-degradáveis. As variações climáticas, conseqüência das relações danosas do ser humano e das mudanças do comportamento do sol, produzem uma alteração das chuvas, diminuem sua intensidade

, quantidade e regularidade. O aumento da temperatura produzirá fortes ventos, furacões e tufões. Os furacões são tormentas gigantescas e violentas, um redemoinho de destruição e morte. São chamados de FURACÃO em homenagem ao deus do mal dos aborígines do Caribe. O furacão Mithi e os fenômenos associados ao El-niño são evidências da tendência para grandes desastres causados pelo clima.

Aquecimento Global

O sistema hídrico é fundamental, pois cerca de 70% da superfície do planeta está coberta por água. Com o aumento da temperatura, diminui a umidade relativa do ar que trará como conseqüência menos nuvens e maior exposição ao sol, agravando assim o problema, assim será evaporada a água dos solos, produzindo muitas secas e grandes incêndios em todo o planeta, o falto d’água produzirá grave inconveniente à vegetação, reduzindo seu crescimento e diminuindo consideravelmente o tamanho das colheitas. Ao reduzir-se a quantidade de água das chuvas, diminuirá também o fluxo dos açudes e lagos, criando sérios problemas à fauna da terra.

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Conseqüências diretas

Tudo isso causará um forte impacto na economia, haverá desabastecimento e muitos produtos que dependem do clima como a água, as folhagens, os cereais, os pescados e a geração de energia elétrica terão aumentos vertiginosos de preço, serão épocas de racionamento de eletricidade, de fome e descontentamento social, aumentará o numero de pragas, insetos e doenças tropicais como a malária. O comportamento do ser humano será crucial para suportar o aumento geral da temperatura causada pela sua própria conduta inconsciente e depredatória.

Enquanto isso Inri faz o seu trabalho de conscientização*:




























Descoberta Bactéria que não precisa de luz nem oxigênio para sobreviver....

É possivel a vida fora da nossa atmosfera???

Por Leandro Borges


Bactéria

Cientistas americanos descobriram na África do Sul um minúsculo organismo que vive inteiramente isolado, sem oxigênio e na escuridão total das profundezas da Terra. Acredita-se que a descoberta da bactéria, descrita na edição desta sexta-feira da revista científica “Science”, tenha revelado a criatura mais solitária do planeta e forneça pistas sobre como seria possível haver vida em outros planetas.

A bactéria foi batizada decandidatus desulforudis audaxviator, em referência a uma citação em latim contida no livro Viagem ao Centro da Terra, de Jules Verne. A referência encontrada pelo personagem-herói, um “viajante audaz” (Audax viator), termina inspirando-o a empreender a jornada. A D. audaxviator foi encontrada imersa em água em uma mina de ouro na África do Sul por uma equipe do Laboratório Nacional de Berkeley, da Califórnia (Estados Unidos).

Cientistas dizem que a bactéria é “completamente auto-suficiente” – é composta dos elementos que a circundam, incluindo carbono e nitrogênio, retira energia do hidrogênio e do sulfato e se reproduz dividindo a si mesma. “Isso é algo que sempre especulamos.Mas encontrar isso aqui na Terra é a confirmação da idéia de que se pode, na verdade, condensar os elementos originais de todo um ecossistema em um único genoma”, afirmou um dos pesquisadores, Dylan Chivian.

Primórdios

Os cientistas afirmam que a bactéria compõe 99,9% dos organismos que habitam a falha na qual foi encontrada – ou seja, vive completamente isolada de outras criaturas, em um ambiente quente, escuro e com oxigênio rarefeito. Chivian diz que a descoberta pode dar pistas sobre como eventuais organismos vivos poderiam sobreviver em planetas que, diferente da Terra, não contêm grande oferta de oxigênio. ”Em seus primórdios, a Terra e outros planetas não possuíam muito oxigênio, e a vida evoluiu para encontrar maneiras de obter energia”, afirmou Chivian. ”Se um dia descobrirmos a vida em outros planetas, pode muito bem ocorrer de (os organismos) viverem sem oxigênio, extraindo sua energia de elementos químicos como o sulfato.”


Fonte principal:

www.sciencemag.org

www.nasa.gov

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Artigo.

A mercantilização da Fé e a anti-ética da coação.


por Marlon Marques.

































Li recentemente num jornal evangélico de boa circulação, uma matéria intitulada: “Fé – um serviço de utilidade pública?”[1] Fiquei intrigado com o título, mas não decidi ler a matéria. Fiquei intrigado com essa questão da fé como um serviço. Eu confesso que não entendi o que os editores do jornal ou o colunista assinante da matéria quis dizer com “serviço”. O fato é que me pareceu um certo entregismo da parte deles ao se colocarem como mercadores da fé, como prestadores de serviço que eventualmente podem cobrar por ele. O que mais assusta é que, no estágio em que o capitalismo chegou, até a fé tornou-se um produto, manipulado por certos formadores de opinião auto intitulados arautos de Deus. A desculpa é sempre a mesma: “irmãos, para que possamos continuar lhes prestando esse serviço de fé com tanto empenho e eficácia, é necessário ajuda em dinheiro para nos mantermos no ar”. Só que esses programas são auto-referentes, pouco se fala em Deus ou em sua palavra (apenas uma oração no final), falam de suas ações, divulgam seus cantores (para venda de discos e dvds), vendem produtos, anunciam, afinal, a propaganda é a alma do negócio. Deus não é tratado como finalidade das coisas, mas sim como meio, um meio de se obter algo. A teologia da prosperidade é usada para conciliar Deus e dinheiro sem culpa. É só lembrar do ótimo livro “O desconforto da riqueza” de Simon Schama para entender essa questão a fundo. E o irônico de tudo isso é que tudo não passa de uma troca. Enquanto eu ganho na terra (os religiosos), vocês ganham no céu (os fiéis). Isso é literalmente vender terreno no céu. É um negócio muito lucrativo. Os judeus sempre tiveram uma relação bem diferente com o dinheiro. Permitiam a usura e o enriquecimento era (é) muito parecido com os dos cristãos flamengos (descritos no livro de Schama). Não era uma riqueza para ostentação, para o mundo, e sim para si, porém sem deixar de lado os compromissos com Deus e cair na auto-indulgência. E por falar em indulgência. É ridículo esse conflito claramente aberto entre católicos e evangélicos. Os primeiros se dizem certos por serem os guardiões da tradição, os segundo se dizem certos por serem os mais corretos e seguirem mais a palavra. E no final ambos estão equivocados. Justamente por que não seguem o mandamento supremo de Jesus, o amor. Na Irlanda via-se nitidamente a inversão da vontade de Cristo, pois ambos os cristãos, ao invés de se amarem, se odiavam. E nesse ponto, ambos se igualam. Lutero que era católico, iniciou o protestantismo justamente por querer uma igreja mais casta e honesta. Era realmente absurdo o que os clérigos católicos faziam com a fé. Venda de indulgências, de relíquias falsas, (simonia), etc. A fé solapando a razão proporcionava a cegueira do povo que piamente acreditavam em tudo. E manter o povo analfabeto foi justamente uma das estratégias mais perenes da igreja até a Idade Média. Mas, essa macula no passado católico em nada é diferente da prática contemporânea dos evangélicos - lembrando que não podemos generalizar em ambos os lados. Enquanto os fiéis se distraem com as estrelas da música gospel, com o aprendizado de instrumentos musicais e outras coisas (não lhes tirando a sua importância), se distanciam cada vez mais do livre exame das escrituras, um dos pilares do protestantismo (além do exame rigoroso). Isso é o mesmo que manter o povo analfabeto. Por outro lado, os evangélicos também são usados como financiadores das igrejas e de seus líderes. Pastores criam congressos aos montes sobre assuntos que deveriam ser abordados nos cultos (gratuitos), somente para cobrar a entrada e faturar. Isso sem contar os cachês caríssimos cobrados por estrelas gospel para cantarem em igrejas que não as suas. As pessoas levam tão a sério a fé, que são capazes de fazer muitas coisas irracionais em nome dela ou coagido por ela. Saramago condena muito o Deus do antigo testamento, mas se esquece que até mesmo Deus não está livre da (má)nipulação dos homens. Lembrem-se do pai da fé, Abraão. Que levou seu filho Isaac ao monte para sacrificá-lo em nome de sua fé. A palavra fé, tem um significado muito poderoso para as pessoas, pois está em cheque não apenas sua vida post mortem, mas também a sua vida na terra. Todos temem um castigo de Deus, todos temem a ira de Deus, e tal como Saramago, se esquecem que serão alvos da irá de Deus aqueles que agirem mal. Deus é amor também. Mas nem mesmo o amor, pode tolerar tudo. Deus é humano (no sentido literal de humanidade), pois além de ternos feito sua imagem e semelhança (reflexivo), também age como nós as vezes. Embora não seja personalista e passional como os deuses greco-romanos, também partilha de sentimentos tão humanos quanto os nossos. Me irrita muito a essa questão de os líderes espirituais a toda hora dizerem que se “você não fizer isso irá desagradar a Deus”. Isso é coação. Agora voltando a questão da fé como serviço, é de fato uma visão mercantil. A fé é tão importante na vida das pessoas quanto comer e dormir. Então esse é um serviço de que muitos precisam. E da mesma forma como a Igreja no passado condenou a usura judaica, dizendo que: “juros é cobrança sobre o tempo e o tempo pertence a Deus, portanto é errado”, o mesmo se fez e se faz hoje. A fé é a canalização de nossas esperanças em Deus, é nossa crença na providência de Deus, então aquele que manipula, vende ou comercializa a fé, se aproveita das coisas de Deus em benefício próprio, contradizendo Êxodo 20:3,: “Não terás outros deuses diante de mim”. Para finalizar, citarei dos exemplos emblemáticos. Um é o pastor Valdemiro Santiago, que é considerado pelos fiéis de sua igreja como um verdadeiro Deus, pois o seu suor é capaz de curar enfermidades (sem se quer evocar o nome de Deus muitas vezes).[2] O outro é o também pastor Silas Malafaia. Dia desses em seu programa estava o pastor Morris Cerullo, que teve a coragem de pedir ao vivo uma oferta de 900 reais. Concluo que a boa vontade não tem preço, e se a pessoa quiser ajudar sua agremiação, associação, igreja, o que for, ele é livre (arbítrio) para fazê-lo. Porém a indução desse ato sob coação de fé é o que questiono, e mais, usando o nome de Deus para chancelar tal atitude.[3] E nesse momento é necessário fazer como Cristo ao achar a moeda imperial no chão, “credite aos homens o é que é dos homens e credite a Deus o que é de Deus”, pois Deus não pode ser envolvido no oportunismo atemporal dos homens.



[1] Jornal Show da Fé – Ano 3, n. 44, setembro de 2009 – Igreja Internacional da Graça de Deus.

[2] Igreja Mundial do Poder de Deus.

[3] Ex. 20: 7.








































































































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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Artigo.

Ronaldo: 8 ou 80.


por Marlon Marques.



















































O Ronaldo é mesmo incrível. É capaz de coisas tão diferentes, como encobrir o goleiro Fábio Costa na final do paulista, quanto chutar portas em concentrações. Ele pode muita coisa mesmo, não só estar acima do bem e do mal. Ele pode oscilar do ridículo ao sublime, do sagrado ao profano. Ele pode ir da vitória das lesões á convulsão misteriosa [sic] da Copa de 98, da apoteótica atuação na final da Copa de 2002 ao episódio dos travestis. É um jogador realmente impressionante. Fenômeno? Eu nunca o achei. Grande jogador? Sem dúvida. Grande fazedor de gols? Sem dúvida nenhuma. Agora hoje não dá mais pra chamá-lo de fenômeno. Se foi um dia, cabe a crença pessoal de cada um, mas hoje. Hoje ele é o mesmo que o Romário há uns anos atrás, um misto de caricatura com persistente. Caricatura por continuar sem precisar. Do quê ele precisa mais afinal? Já conquistou tudo em sua carreira – será que precisa continuar oscilando tanto e em alguns momentos ser ridicularizado? Eu acho que não. Persistente porque ele força a barra da mesma forma que o Romário forçou. E ambos se humilharam (Romário mais) para ganhar um vaga na seleção. É muita hipocrisia da imprensa esse lobby para levar o Ronaldo. Ele não tem mais condições de jogar partidas tão duras como as das eliminatórias e Copa do Mundo. E por uma simples razão. Numa Copa do Mundo os zagueiros não iram pedir-lhe autógrafos. Os zagueiros não iram deixar-lhe passar como se ele fosse uma modelo numa passarela. Aqui no Brasil há uma devoção velada, uma admiração mítica, que se sobrepõe sobre o objetivo do jogo que é a vitória. O futebol é uma guerra simbólica. Não há espaços para trocas de elogios e carinhos. Numa Copa do Mundo todos querem ganhar, e tal qual as outras participações de Ronaldo em mundiais, sua marcação será dura. E aí é que está a outra diferença crucial. Outrora Ronaldo era outro jogador, que aliava duas características tão importantes em seu estilo. A velocidade e sua capacidade de marcar gols. Hoje somente a segunda se manteve intacta. Na Europa e no resto da América do Sul o futebol é mais duro. Certas faltas que os árbitros brasileiros marcam aqui, os árbitros desses continentes nem sequer olham para o lance. Então a pancada come solta, a marcação é mais dura e mais em cima. Veja a diferença do futebol italiano, alemão e argentino para o espanhol e o brasileiro. Nesse primeiros o campo é mais curto, as caras são mais feias e não há tietagem em cima de craques. Hoje o Ronaldo teria condições sim de marcar gols em uma Copa do Mundo, mas de decidi-la como decidiu os campeonatos no Brasil não mais. Ele envelheceu, engordou, e não é mais atleta [sem entrar em detalhes]. Hoje com a perda da mobilidade, se bem marcado, ele pode se livrar do primeiro marcador, mas em cima do lance, o segundo marcador logo rouba-lhe a bola. Veja o futebol mundial como está, todo na defensiva. Sem demérito, a Itália com um esquema com milhares de zagueiros ganhou a Copa do Mundo, e de quebra, Fábio Cannavaro, um zagueiro, foi eleito o melhor jogador do mundo. Os times são muito truculentos, rudes, pegadores. Tirando o Barcelona, os demais jogam com pedras e paus nas mãos esperando o primeiro partir pra cima. Ronaldo pelo que joga no Brasil e pela característica do futebol daqui, nada faria de mais especial numa Copa do Mundo. Há julgar pelo Ronaldo do mundial de 2006. Gols ele fez, era até óbvio. Mas o poder de decisão visto na copa anterior não foi o mesmo. Atuação discreta contra os franceses e eliminação. Ronaldo é uma mistura de ave Fênix com gato. Renasce das cinzas, mas as suas vidas são finitas (7). É falsa a crença de que todas as vezes que ele é humilhado, desacreditado, ele voltará por cima. Isso nem sempre acontece. Com tantas glórias em seu currículo, Ronaldo não precisava passar pelo que passou no jogo contra o Vitória no Barradão. As manchetes estampavam: “em atuação preguiçosa, Ronaldo pega na bola por 26 segundos”. É muito pouco para alguém que é o maior artilheiro de todas as Copas do Mundo. Chega a ser humilhante. 26 segundos é pouquíssimo. É quase nada. Para um jogador tão diferente assim, 26 segundos é algo impensável, improvável e impossível. Mas aconteceu. E ele é tão oscilante, que no jogo seguinte contra o Palmeiras, fez dois gols. Na Copa do Mundo não se pode contar com esse tipo de oscilação. Em 2002 ele foi constante, em 2006 ele oscilou. Os resultados foram esses, vitória em 2002 e derrota em 2006. O que falta para Ronaldo, faltou para Romário e para Edmundo. Terminaram melancolicamente suas carreiras tão brilhantes. Romário até conseguiu títulos e seus mil gols, assim como Ronaldo sendo campeão. E é justamente nisso que Pelé se diferencia de todos os demais. Soube parar na hora certa. Recusou ir a Copa de 74 não por medo, mas por saber que não era mais o mesmo Pelé de 70, isso em 4 anos. Nos mesmos 4 anos (que separam 2006 de 2010), será que Ronaldo seria a mesmo?





















































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