domingo, 26 de abril de 2009

Artigo.

A sensibilidade e inocência do mal: Hitler, Korn e Black Box Recorder.



por Marlon Marques.



























O argumento desse artigo, é que o mal pode ser sútil e sensivel. A idéia é que uma coisa ruim pode se travestir de inofensiva, como nas armadilhas dos desenhos animados, é só lembrar de Coiote e Papa-léguas, quantas vezes o Coiote montou armadilhas para o Papa-léguas lhe oferecendo alpiste [sua comida preferida]. Era uma coisa boa com uma má intenção por trás. Num mundo de aparências como o nosso, não é bom acreditarmos em tudo o que é belo e bom, quantos casos já não ouvimos de pessoas que param na estrada fingindo estar com problemas mecânicos no carro, alguém para para ajudar e é surpreedido por um assalto. Ou ainda, pessoas que se oferecem para ajudar idosos para no final assaltá-los, ou até matá-los. A beleza pode esconder muitas coisas, e a bondade muito excessiva também, afinal porque será que existem ditados como “por fora bela viola, por dentro pão bolorento” e “quando a esmola é demais o santo desconfia”. A banda norte-americana Korn e a inglesa Black Box Recorder se utilizaram desses recursos em seus discos de estréia. Da capa a algumas canções, é tudo inofensivo, há diálogos com o mundo infantil, com a inocência, para que as más intenções não sejam percebidas, pois quem irá desconfiar de algo belo e sútil como uma criança. O mesmo artifício usou a bruxa má no conto “A bela adormecida”, travestida de mendiga[1] [aparentemente inofensiva], deu a bela jovem uma maça envenenada, quem no lugar da moça iria desconfiar de uma velhinha inocente? O mal assume diversas formas, é o caso do Diabo: “a idéia de que o maligno podia assumir qualquer forma que desejasse também foi fortalecida pela comparação de Satanás com a serpente que tentou Adão e Eva”[2], porém uma das fornas mais utilizadas por Satanás é a sua original. Lúcifer foi um dos anjos mais próximos de Deus antes da queda, e o significado de Lúcifer é anjo de luz, e como diz Paulo em sua segunda epístola aos Corítios, “Satanás podia se transformar-se num anjo de luz para poder nos lubibriar”[3]. A capa do primeiro disco do Korn [homônimo], traz uma menina brincando numa balança num parque, assustada ao ver uma pessoa que segura algo na mão direita. A pessoa não aparece na fotografia, vemos apenas sua sombra projetada no chão, iluminada pelo sol, mas olhando melhor, a pessoa segura algo nas duas mãos, não apenas na direita, porém nessa mão o objeto – um estribo de montaria[4] – forma um símbolo ambigüo, que tanto significa o culto ao heavy metal, quanto ao demônio [em outras interpretações]. O ercarte do disco do Korn apresenta brinquedoa infantis – bonecas – em meio a revistas adultas, numa relação da perversidade da pedofilia, que muitas vezes ocorre de um pai ou uma mãe – figuras de quem a criança não desconfia que irá lhe fazer algo de ruim. Duas músicas em especial demonstram essa perversidade camuflada, a última faixa “Daddy”, possui alguns elementos dessa relação. O começo algo meio sacro, uma levada hipnótica, sugerindo um quarto escuro, vozes, um clima pesado, meio Roman Polanski. A música é bastante tensa, só que não é tão pesada quanto as demais, é mais climática e os vocais de Jonathan Davis são emocionais e ora sussurrados, trazendo a tona uma inocência, ou uma violação dessa inocência. A proposta é de cantar algo macabro e perveso de uma forma sútil, assim como fazem em “Shoots And Ladders”. A música é cheia de referências malignas, de fundo um canto suave, um ritmo cadenciado, levemente pesado [sic]. A letra na primeira estrofe fala de morte [Roda em volta das rosas, bolso cheio de flores, cinzas, cinzas, todo mundo cai], a composição segue a mesma estrutura dos contos infantis, numas das partes a música diz: “três, quatro, feche a porta”, e em outra, diz: “dê um osso ao cachorro, esse velho veio rolando até em casa”, seria a mesma pessoa da capa do disco, perseguindo as crianças desde o parque? Entretanto há duas partes muito sinistras nessa música – e o detalhe, quem ouve a música sem saber o que diz a letra, é levado a pensar que trata-se algo bom – logo depois da contagem, a canção prossegue com o verso: “A ponte de Londres está caindo, está caindo, está caindo, a ponte de Londres está caindo, minha bela senhorita”, não há como negar que a estrutura não é de músicas infantis. Em seguida, uma assustadora sentença: “Cantigas de crianças são ditas, versos em minha cabeça. Durante a minha infância eles foram ensinados. A violência escondida é revelada, uma obscuridade que parece real. Veja nas páginas a causa de todo esse mal”, essa mesma passagem consta no interior do encarte do disco, ao lado, vê-se um boneca sendo atacada por um escaravelho, numa referência a maldade contra crianças. Shoots And Ladders é uma música que fala sobre morte e pedofilia, sobre a forma como o mal pode estar nas coisas mais inocentes, o encarte ainda explora a faceta mais macabra dos brinquedos infantis, o olhar de assassinas ou de cúmplices das bonecas, tesouras jogadas, como quem esperando uma oportunidade para atacar, aliás, os brinquedos são os melhores amigos das crianças. O Black Box Recorder também joga com essa questão de inocência e perversidade, os instrumentais de John Moore e Luke Haines são doces e sutis, enquanto a voz de Sarah Nixey é suave como de uma criança, embala-nos em sonhos amargos e cheios sombras. Assim como o Korn, o Black Box também trouxe referências logo na capa e no encarte do primeiro disco, “England Made Me”. A capa traz um bela e doce criança deitada numa cama, porém a menina olha para baixo, parece triste, sua tristeza reflete o tom amargo e depressivo da vida do final do século [o disoc é de 1999]. No quadro na parte inferior da capa, vê-se um acidente, um avião caindo no mar – seriam as letras as recordações da caixa preta [black box] desse avião? – e ao lado um homem, provalvelmente um comissário de um trêm [se é que existe], que acabou de bater e está em chamas. Lê-se na placa, “Life is Unfair” [A vida é injusta], ou seja, ocorreu um acidente, e os que morreram certamente devem ter se questionado do porque ocorrera com eles, logo com eles, então chegam a conclusão de que a vida é injusta. Porém se juntarmos uma coisa com a outra, depressão e tristeza [da menina] mais morte e desilusão com a vida [quadros da capa], é igual a suicidío. Abrindo o encarte, se vê uma bela paisagem, um penhasco com vista para o mar, abaixo muitas pedras a uma altura imensa, uma sugestão, um convite ao suicidío também, é outra chave dessa questão muito presente na iconografia do Black Box Recorder. “O disco derrubou a crítica no chão por seu excesso depressivo” observou Marcel Plasse[5], canções como “Swinging”, “Hated Sunday” e “It´s Only The End Of The World”, trazem também elementos depressivos, algumas como Hated Sunday, dão a entender que trata-se de uma saudade, de um tempo, ou de uma condição que não se tem mais, é como se alguém tivesse se matado e hoje estivesse relembrando, como em Memórias Póstumas de Brás Cubas ou no filme Beleza Americana. Essa mesma impressão se tem ao ouvir a primeira faixa “Girl Singing In The Wreckage”, há um certo desconforto com a vida, uma sensação de fim, A.Alvarez comenta que o suicida “joga sua vida fora para poder, enfim, viver direito”[6]. Outro ponto das canções do Black Box é a sutileza dos intrumentais, “Swinging” é quase uma canção de ninar – talvez a que a menina ouvia na cama na capa do disco – enquanto que “Ideal Home” tem uma levada de pianos de brinquedo, uma atmosfera de quarto de criança, de silêncio inviolável, sem contar a voz de Sarah Nixey, proposital e perversamente infantil. Porém o grande momento do disco fica por conta da sexta faixa do álbum, “Child Psychologist”, um tratado sobre a depressão e sobre as vidas destruídas das famílias que se dizem normais. A música “foi banida das rádios inglesas e teve seu clipe vetado na MTV, graças ao refrão: [a vida é injusta, mate-se ou supere isso]”[7], e mesmo antes da retirada de circulação, a música teve seu refrão censurado. A letra da música fala de uma garota chamada Julie, que levava um vida tediosa, turbulenta, presenciando brigas de seus pais e a mesmice da vida desses tempos. A menina tinha parado de falar, havia expressado seu desgosto com a vida [não queria ter nada mais a ver com o mundo lá fora], seus pais a levaram a médicos na tentativa de resolver o problema [fonoaudiólogos e psicológos], mas nada disso adiantou, foi expulsa da escola por sua falta de interesse nas aulas – e talvez no futuro em si – isso nada significou para ela. Essa história foi contado sobre uma base instrumental simples, suave, com pequenos efeitos de sinos de berçario, um fundo tenso e amargo no ar, Sarah contando e não cantando exatamente, exceto no pesado refrão. O Black Box expôs a todos um problema quase oculto na sociedade, o reflexo dos problemas domésticos nas crianças, briga dos pais, violência, problemas financeiros, conflito de gerações, tudo isso acontece, mas as sociedades fecham os olhos para não ver, então quando alguém ou uma banda diz isso dessa forma tão franca e sútil como o Black Box Recorder fez, ou é boicotado ou censurado. Esse tipo de mensagem é quase subliminar, nos diz mas não de forma clara, nas entrelinhas, só que nesses caso aqui citados, a forma utilizada foi a inocência do mundo das crianças, assim como acusam Walt Disney e Xuxa de inserirem mensagens satânicas em seus desenhos e músicas respectivamente, talvez o mal pense que dessa forma não iremos desconfiar, afinal, como pensar que coisas tão belas e encantadas são tão perversas, isso não se passa na cabeça dos pais na hora de escolher um brinquedo ou um filme infantil para seus filhos pequenos. Falar de Adolf Hitler hoje tornou-se fácil pela quantidade de biografias, documentos, artigos, filmes e comentários que foram produzidos a seu respeito. Muitos tentaram analisar sua mente e sua vida atrás de pistas que nos levassem a entender como ele foi possível, como pode acontecer tamanha mostruosidade. O mesmo questionamento pode-se dizer de Joe Fritzl, as pessoas jamais desconfiariam que um pai fizesse o que ele fez com uma filha, uma brutalidade, o mesmo se diria então do jovem Hitler se o analisássemos através de suas telas. É sabido pela história que a acadêmia de belas artes de Viena recusou seus quadros e telas por consider suas peças insuficientes e de qualidade inferior aos rigores da grande arte e das academias. Porém hoje, sabe-se que suas obras possuem algum valor, foram a leilão algumas telas de sua autoria, valendo cerca de duas mil libras no total. Porém se analisarmos mais atentamente, não está só em questão o fato de ser uma tela de um dos principais personagens da história, mas também a qualidade, média segundo Herbert Weidler, dono da Weidler Auction House, promotora do evento. Realmente, as telas em questão mostram um certa sensibilidade no autor, uma visão no mínimo sóbria do mundo, e principalmente num mundo em guerra, algumas dessas telas foram feitas entre as décadas de 10 e 20 do século XX. Os traços de Hitler são leves, porém firmes. Não se vê nos traços a força com que comandaria a Alemanha anos mais tarde, e muito menos o ódio que expressou pelas minorias que tanto lhe desagradava. A aquarela “Farmstead” de 1914, mostra um autor um tanto tradicionalista, pois não há diálogo com as vanguardas artísticas desse século [e dessa época], como a arte de Duchamp ou Mondrian. Pelo contrário, essa aquarela se parece mais com o trabalho de Turner e com ecos no fundo das paisagens de Constable. Claro que não chega perto desses dois grandes mestres, mas não há como negar um mínimo de ressonância desses no jovem Hitler – provalvemente inconsciente. Outra aquarela do jovem Hitler mostra um homem sentado em uma ponte, o quadro é belo e simples, pintado em cores leves, passa uma sensação de paz e tranquilidade. O especialista em documentos históricos da empresa Mullock´s, Richard Westwood-Brookes, disse: “as pessoas esperam que suas pinturas reflitam imagens agressivas, temas militares, batalhas e gente sendo assassinada, mas não há nada em sua produção que sugira isso”[8], ou seja, se alguém que nascer hoje e não souber da história do autor e for desafiado a imaginar o que alguém que pintou tais telas fez nos seus anos seguintes, provavelmente a resposta não será tornou-se um ditador. Como o mal pode ter sido sensível? Como um artista pode se tornar um megalomaníaco comandante de uma tragédia como o holocausto? Como ele pode se tornar tão perverso, sendo que seus trabalhos artísticos nada revelam sobre essa sua faceta, como disse Westwood-Brookes? Isso nos mostra que o lobo na maioria das vezes vem em pele de cordeiro, e coisas aparentemente boas podem ser ruins na essência. A semente do mal pode ser cultivada sem que percebamos, portanto é necessário estarmos sempre atentos a tudo, ao mundo que nos cerca, as relações humanas, pois as vezes levamos inimigos para casa pensando serem nossos amigos, as vezes compramos gato por lebre e no final da história sempre ocorre algum malefício para quem não percebe o perigo iminente em atos, gestos e conjunturas sociais. Portanto fiquemos atentos aos desenhos de nossas crianças, vejamos o que querem dizer, pois as vezes por trás de rabiscos simples e tortos, estão traços de uma personalidade ruim e maléfica, e assim como não desconfiariamos de um pintor com a sensibilidade de Hitler ou de letras de música evocativas do universo infantil, não desconfiaremos das crianças, mas veja nas páginas da infância a origem de todo mal.



[1] WARNER, Marina. Da Fera à Loira. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. p.255.

[2] O´GRADY, Joan. Satã, O príncipe das trevas. São Paulo: Mercuryo, 1991. p.55.

[3] Ibid.

[4] BRAGATTO, Marcos. Korn – Música nervosa para pessoas nervosas. Rock Press. Rio de Janeiro, Nº 04, p.25, abril. 2000.

[5] PLASSE, Marcel. Black Box Recorder. Showbizz. São Paulo, Nº 05, Edição 190, p.12, maio. 2001.

[6] ALVAREZ, A. O Deus selvagem. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. p.115.

[7] PLASSE, Marcel. Idem.

[8] Quadros pintados por Hitler são leiloados no Reino Unido. O Estado de São Paulo, São Paulo, 23 de abril. 2009. Caderno 2/Variedades.



























































Korn - Korn [Sony, 1994].

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Black Box Recorder - England Made Me [Jet Set Records, 1999].

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sábado, 25 de abril de 2009

Ensaio.

Perdendo a fé não!, perdendo a religião (Loosing My Religion).


por Dirce Dalila & M.M.






















[A incredulidade de São Tomé - Caravaggio, 1599].


É muito comum relacionar fé e religião, porém embora sejam elementos contigüos, são dissossiáveis, mas a religião não sobrevive sem a fé, mas a fé existe sem religião. A religião é o meio em que um humano chega a Deus através de um outro humano, ambos iguais, agora a fé é o meio onde um humano chega até Deus diretamente, sem intermediários. As religiões se apropriam de Deus como se Deus fosse um produto, porém isso é fruto do próprio capitalismo, que transforma tudo em produto dotando tudo também de valor monetário. Uma das qualidades de Deus é a onipresença, ou seja, ele está em todos os lugares, e onde estiver dois ou três ajuntados em meu nome ali eu estarei, indica que isso pode ser em qualquer lugar, não há um contrato de exclusividade com uma cláusula que diga que Deus é das religiões e só está nas igrejas. Ele está lá também, mas como disse Hermes Trismegistus: “Deus é um círculo cujo centro está em todos os lugares e cuja circunferência não está em lugar nenhum”. As igrejas não são locais ruins, pelo contrário, são celebrações do nome Deus, são cantados louvores e feitas orações, porém não concordo com o Papa Bonifácio VIII, “não existe salvação fora da igreja”, isso é ele quem diz, pois Cristo diz: “eu sou o caminho a verdade e a vida, e ninguém vai ao pai se não por mim” [João 14:6]. Religiões são impositivas, algumas até ditatoriais, são discriminatórias, excludentes, intolerantes – é só pensar no conflito entre cristãos e muçulmanos, e entre católicos e protestantes, ambos cristãos. É um erro usar o nome de Deus para justificar barbaries, as cruzadas, o ataque as torres gêmeas, suicídios coletivos, todos esses atos tiveram justificativas sagradas, todos os que matam ou morrem se dizem arautos da paz e de Deus, mas será que realmente Deus concorda com isso? A fé é uma particularidade de cada pessoa, como se diz, “ a fé é individual”, é a capacidade de cada um de crer com real convicção em algo, em acreditar na realização de alguma coisa, é a comunicação transcendente com Deus ou com a divindade em que se crê. Não há como julgar fé ou quantificá-la, fé não se coleta no sangue, não sai na urina e nem consta na inscrição do DNA, é algo sensorial, que se dá no espiríto, não na matéria. Fé não se transplanta em hospitais, e nem se adquire em nenhum lugar, nem mesmo na igreja, não se obtem através da religião. Porém a religião tende a descredibilizar a fé das pessoas que estão fora dela, essa fé parece não valer nada, parece não ter resultado. Os programas de TV religiosos vivem a exibir seus resultados, vê-se sempre coisas do tipo – venha para minha igreja, aqui você conseguirá dinheiro, curas, emprego – ou – está com problemas conjugais?, deve ser inveja, trabalho feito ou macumba, nós temos a solução. E a gana de conseguir novos adeptos faz com que as pessoas se sintam desconfortáveis com os modos de abordagem de missionários, seguidores e irmãos. Te abordam na rua colocando as mãos em você, te puxando pelo braço ou pelo ombro, dizendo que Deus quer abençoar sua vida, como se sua vida já não fosse abençoada por ele, como se nós também não fossemos seus filhos e não fizessemos o bem, que é a sua vontade, presumo eu. Se você aceita um convite e vai a uma igreja, logo vira o centro das atenções, pois os fiéis sabem que você não pertence aquele grupo, eles sentem o cheiro de carne nova, e começam a te convidar a voltar mal você sentou, e minutos antes de acabar a reunião ou culto, algum te lembra que na próxima semana tem mais e contamos com sua presença. Se você demorar um mês para aparecer, logo irão perguntar o que aconteceu, e vão te dizer que há algo de especial para acontecer na sua vida e que ali é seu lugar, e que você não deve mais sair, deve voltar sempre e se batizar, se converter, mesmo que você diga que não é a hora certa, eles diram que Deus revelou que é. Não questiono o sistema de revelação divina, Deus usa as pessoas como instrumento, questiono o fato de que Deus toca no coração das pessoas, você sente sua presença e seu poder, como que penetrar em seu corpo, e Deus muitas vezes chega a alguém diretamente, aliás, ele é onipotente também. As religiões causam desconforto, pressionam as pessoas, e usam Deus como peso de consciência, como quem quer dizer, “se você não for a igreja Deus irá castigá-lo”. Não é boa a sensação da pressão, assim como não é bom sentar em um banco menor do que as proporções de seu corpo, é desconfortável, isso afasta as pessoas das igrejas, porém as pessoas não perdem a fé, perdem a religião. Você nasce e a força da tradição faz seus pais procurarem alguém de quem gostam no momento para ser seu padrinho, então vão a igreja mais próxima e banhão-te nas águas benzidas por um padre e pronto, você é mais um católico. Na verdade você não sabe disso, você é mais um número numa estatística que diz que o Brasil é o maior país católico do mundo, mas efetivamente muitos se dizem sem religião, então vêm os religiosos e chamam essas pessoas de ateus. Pois eles não concebem a idéia de que existe Deus sem religião, e que mesmo você não fazendo parte de nenhuma denominação, poderá ser salvo, se fizer o bem e tiver fé [de modo pouco aprofundado]. A religião é um instrumento de alienação, Deus não, a religião não controla a medida de seus atos, Deus tem a medida certa para tudo, é o arquiteto do universo, o geômetra de William Blake, a religião foi criada e é feita por homens, portanto imperfeita, Deus não, é perfeito, embora tenha nos criado e somos imperfeitos, nos criou perfeitos, sua imagem e semelhança, porém nos dotou de livre arbitrío, o desobedecemos e caímos, nos tornamos imperfeitos. Somos incrédulos não como Tomé que duvidou que era mesmo Jesus ressurecto, somos incrédulos de que a religião irá resolver os problemas do mundo, trazer mais harmonia aos homens, propagar a mensagem de Deus com o objetivo de salvar vidas, não de conquistar novos adeptos e angariar fundos. Deus não é um produto comercial, nem mesmo um produto social como nas concepções de Marx e Comte, Deus é a transcendência do amor e da esperança, é o criador de tudo, o cobertor do que tem frio, a luz dos que vivem na escuridão, é o alfa e o ômega, o início e o fim, é onde todos os anseios e medos se esvaem, é onde se canaliza a última porção de esperança desse mundo. Não estamos deixando a fé em Deus, estamos deixando de crer na religião, nos homens infalíveis e nos de de ternos bem engomados, não cremos mais na venda da salvação e na imobiliária celeste, não, não rezem por nós, pois assim está escrito: “crê no senhor Jesus que estarás salvo tu e tua casa” [Atos 16:31], crê no senhor Jesus, não na religião X ou Y, ou na igreja Y ou Z, no senhor Jesus, portanto, não perca sua fé, pois se perder sua religião ainda nada estará perdido.


"É um erro usar o nome de Deus para justificar barbaries, as cruzadas, o ataque as torres gêmeas, suicídios coletivos, todos esses atos tiveram justificativas sagradas, todos os que matam ou morrem se dizem arautos da paz e de Deus, mas será que realmente Deus concorda com isso?"

"As religiões causam desconforto, pressionam as pessoas, e usam Deus como peso de consciência, como quem quer dizer, “se você não for a igreja Deus irá castigá-lo”. Não é boa a sensação da pressão, assim como não é bom sentar em um banco menor do que as proporções de seu corpo, é desconfortável, isso afasta as pessoas das igrejas, porém as pessoas não perdem a fé, perdem a religião."


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Artigo.

Para além do clichê: Sinéad O´Connor e R.E.M. , os hits não são maiores do que os discos.



por Marlon Marques & Eliseu Horácio.


























O ouvinte comum costuma associar as bandas a seus hits, o que é um equívoco, pois muitas vezes a qualidade de um disco é suplantada por uma única música. Quantas vezes não nos deparamos com conversas do tipo – você conhece o Spin Doctors? – Não é aquela banda que toca “Two Princess”? – É essa sim!, ou seja, a banda é conhecida por sua música mais famosa, não por outros atributos, se os tiver é claro. R.E.M. e Sinéad O´Connor sofrem desse mesmo problema, pois tanto “Loosing My Religion”, quanto “Nothing Comparses 2 U”, foram [e são ainda] grandes hits, e o sucesso dessas canções, ofuscou os trabalhos dessas bandas, no caso do R.E.M. o álbum “Out Of Time”, e no caso da cantora irlandesa, o seu primeiro disco “The Lion And The Cobra” [embora a canção referida não faça parte desse disco]. O R.E.M. é uma banda que dispensa grandes comentários, possui uma carreira bastante sólida e uma respeitabilidade internacional, o agora trio de Athens, sempre lançou trabalhos acima da média, e não há realmente o que dizer de uma banda que lança uma sequência discos como “Document [1987], Green [1988], Out Of Time [1991] e Automatic For The People [1992]”. Já Sinéad O´Connor possui um carreira menos brilhante e mais polêmica, dona de uma bela voz, há que se reconhecer seu talento como compositora e como polemista. Sinéad não teve problemas apenas com o Vaticano, rompeu com gravadoras, teve abortos espontâneos, tentou suicídio, mas conheceu sucesso mundial cantando a já citada Nothing Comparses 2 U. A questão é que mesmo não sendo uma eminência no mundo da música, fez coisas mais relevantes do que esse hit, seu primeiro álbum por exemplo está cheio de bons momentos, constrastando com os momentos ruins que sua carreira passaria anos mais tarde. Out Of Time representa uma ruptura sonora e temática em relação a seu antecessor Green, enquanto esse era pungente e político, Out Of Time é lírico e existencial. O disco conta com uma gama de instrumentos variados, de cordas a sopros, de cravo a piano, fazendo com que o álbum soe como um pop-folk refinado e etéreo. O disco é pouco citado pela crítica em geral e pelo público, apesar de ser um trabalho honesto e diferente – talvez tenha sido por essa diferença a pouca receptividade do álbum, embora tenha emplacado dois megahits, “Loosing My Religion” e “Shine Happy People”. “Out Of Time soa como um poderoso libelo antimodismos; uma bofetada na cara de uma era em que o número de BPMs emitidas a cada canção e conceitos tão voláteis quanto imagem e estilo é tudo que importa”[1] disse o crítico Arthur Couto Duarte, realmente, o disco apontava para um direção contrária, viviamos os anos grunge, barulho e sujeira a altos decibéis, não cabia espaço para concertos campestres e emulação de música de câmara. O disco traz também incursões country, como é o caso da ótima “Me In Honey” e das também ótimas “Texarkana” e “Country Feedback”, que caso fossem trilha sonara de Lendas da Paixão não seria nenhum surpresa. Um das mais belas canções do disco é “Endgame”, com um arrasador timbre de metais [flugelhorn, clarinte, sax] e um coral quase gospel, é quase um cortejo fúnebre, passiva e lamuriosa, é realmente uma peça musical. “Belong” e “Near Wild Heaven”, são pop songs de alta qualidade, essa ultima com uma introdução quase cureana [The Cure], dá o tom, coraisinhos de leve e dedilhados de guitarra dão ternura e beleza a essa canção. Em “Radio Song” e “Half A World Way”, Michael Stipe mostra toda sua habilidade vocal, ora mais expressivo na primeira, ora mais intenso na segunda, a primeira é uma balada com orgão, arranjo sofisticado e cordas, aproxima o grande público da finesse, já a segunda é quase um lamento, brilhantemente tocada e ricamente arranjada, exibe uma suíte de violinos, violoncelos, violas e o belo bandolim de Peter Buck, emocionante. Realmente Out Of Time é um grande disco, bem além da grande Loosing My Religion, é um disco cheio de luz e grandeza, “alheio as fórmulas, ao sucesso, fora do alcance das idéias preconcebidas”[2], longe dos clichês e dos louros da fama, é mais uma das obras menospresadas e esquecidas nos confins já longínquos dos anos 90. The Lion And The Cobra é um disco que começa tenso, “Jackie”, a voz de Sinéad é o cartão de visitas, um híbrido de Siouxsie Sioux e Kate Bush[3], ecos fantasmagóricos numa velha igreja, sua voz quase a capela vibra alto nos ouvidos. “Mandinka” e “Jerusalem” são filhas legítimas do pop new wave dos anos 80, sendo a primeira uma antecipação do que seus conterrâneos do Cranberries iriam fazer anos mais tarde. “Just Like U Said It Would B” tem arranjo folk e toque celta, tem corais e um acompanhamento cadenciado sobre a aveludada voz de O´Connor, “Never Get Old”, é um tributo a Era e Enya, aqui não mais nova onda [new wave], mas nova era [new age], um arranjo sensacional de piano, duelando com bateria, baixo, guitarra e voz, num duelo quase medieval. “Troy” é onde a bela voz de Sinéad se mostra de vez, “uma beleza peculiar”[4], o arranjo também é bastante elaborado, violinos, sopros, e um clima pesado, como uma sinfonia noir. Até qui o disco alterna momentos de luz e momentos de sombras, porém em um caso e em outro, Sinéad com sua poderosa voz dá o tom, interpretando com bastante emoção cada canção [perceba em Troy]. Há momentos pop das paradas de rádio também, “I Want Your (Hands On Me), e baladas deprê “Drink Before The War” e “Just Call Me Joe”, guitarras baixas, levemente distorcidas, pesarosas, contribuem para o tom obscuro – principalmente – de Just Call Me Joe, um pedido de socorro, de um mundo povoado por sombras, vozes e desespero – quase como uma crônica de uma morte anunciada, como seria o decorrer de sua carreira, cheia de momentos de altenância, porém com um predominío para as sombras. Em suma, trata-se de um disco ótimo “Out Of Time”, e de um medianamente bom “The Lion And The Cobra”, discos que primam por serem diferentes em suas épocas, por terem arranjos elaborados, por celebrarem as raízes de seus países [no caso do R.E.M. o country americano, e no caso de Sinéad O´Connor a música celta irlandesa], e por destacarem as vozes de seus cantores, um uma revelação [Sinéad O´Connor] e outro uma surpresa [o disco Out Of Time], porém ambos esquecidos e ignorados, será que o tempo irá os redimir?


[1] COUTO DUARTE, Arthur G. Out Of Time – R.E.M. ShowBizz. São Paulo, Nº 06, Edição 71, p.67, junho. 1991.

[2] Idem. p.65.

[3] LEMOS, José Augusto. The Lion And The Cobra – Sinéad O´Connor. Showbizz. São Paulo, Nº 09, p. 25, setembro. 1988.

[4] Idem. p. 25.




























R.E.M. - Out Of Time [Warner/WEA, 1991]

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Sinéad O`Connor - The Lion And The Cobra [CBS, 1988]

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sexta-feira, 24 de abril de 2009


Ensaio.

Equilíbrio de
Force.

por Marlon Marques.


























Domingo dia 26 de abril de 2009, é o primeiro jogo da final do campeonato paulista. Estaram frente a frente no gramado da Vila Belmiro, Santos e Corinthians. O clássico mais antigo entre os grandes do futebol paulista, disputado desde 1913, terá nesse domingo mais um episódio que entrerá para história. Esse clássico é cercado de mística e tabus, Pelé e Robinho foram carrascos do time de parque São Jorge por longo período, enquanto a era Marcelinho Carioca viu o timão levar mais vantagens sobre o peixe. Talvez em toda essa história quase centenária desse clássico [96 anos], esse seja o momento de maior equilíbrio entre as duas equipes. Ambas fizeram campanhas similares, o Corinthians não perdeu ainda, porém empatou muito, o Santos ganhou mais, porém teve derrotas no caminho. O ataque corinthiano fez mais gols, ao passo que sua defesa é a menos vasada do campeonato, no lado santista, tem um dos concorrentes a artilharia, Kléber Pereira, e um dos melhores, se não o melhor goleiro do campeonato, Fábio Costa. No único duelo entre as equipes nesse ano, deu Corinthians, 1 a 0 no Pacaembu, no dia 22 de março de 2009. O Corinthians terminou a fase de pontos em terceiro lugar, já o Santos foi o quarto colocado após disputa dramática com a Portuguesa, e uma conturbada e emocionante partida contra a Ponte Preta em Campinas, terminda em 3 X 2 para o Santos numa virada histórica. Nessas colocações, os dois alvinegros graduaram-se a enfrentar Palmeiras e São Paulo nas semi-finais, um fato que não ocorria a mais de dez anos, os quatro grandes times do estado chegarem nas fases finais do campeonato. O equilíbrio e a igualdade do clássico começa justamente aqui, tanto Santos quanto Corinthians por terem campanhas inferiores as de São Paulo e Palmeiras, jogaram em desvantagem, porém fazendo a primeira partida em suas casas. O fator casa parecer ter sido decisivo, apesar de que essa lógica não foi confirmada nesses jogos, pois os alvinegros venceram as duas partidas, dentro e fora de casa, Santos 2 x 1 no Palmeiras na Vila Belmiro e no Parque Antártica, e na outra semi-final, deu Corinthians, 2 x 1 no São Paulo no Pacaembu, com direito a gol dramático no final, e 2 X 0 no Morumbi. A imprensa bateu muita na tecla dizendo que São Paulo e Palmeiras foram irreconhecíveis, concordo que jogaram abaixo de suas médias, principalmente o São Paulo, mas há que se ressaltar a superioridade de Santos e Corinthians nas duas partidas, pois futebol é resultado, no placar e no gramado. Na somatória dos pontos, o Corinthians jogará a final com a vantagem de dois resultados iguais, isso significa que pode perder a primeira e ganhar a segunda, ou vice versa, pode empatar as duas, empatar a primeira e vencer a segunda, e vice versa, ou seja, o Corinthians por seus méritos tem a vantagem, que pelo que ocorreu na semi-final talvez seja uma vantagem relativa. Se o Santos conseguir o mesmo feito que conseguiu contra o Palmeiras, ganhar em casa e partir pra cima na casa do adversário, terá ao seu favor a possibilidade de ganhar ou empatar para ficar com o título. E como jogar na Vila Belmiro é sempre uma tarefa árdua, o Corinthians precisa estar em alerta e entrar no primeiro jogo pensando em todas as possibilidades. Ambas as equipes tem seus pontos fortes e pontos fracos, vamos explorar um pouco alguns deles. O Santos, tem como pontos positivos, o fato de ter um time mesclado, há jovens como Neymar, Paulo Henrique, Robson, Madson, e experientes como Kléber Pereira, Lúcio Flávio, Fábio Costa, Fabão, Fabiano Eller, Rodrigo Souto, jogares que já passaram por grandes clubes, jogaram grandes clássicos e grandes finais, acostumados com decisões e pressões. O time santista é rápido e leve, teve uma grande evolução no setor defensivo, além de ter conseguido boa consistência no meio campo, tanto na parte defensiva [Roberto Brum cresceu no campeonato], quanto na criação, com Madson e Neymar voltando e criando oportunidades para o artilheiro Kléber Pereira. O Santos ainda conta com a classificação da imprensa como azarão, surpresa e não está cotado como favorito, ou como favorito também, isso representa que toda a responsabilidade está com o adversário, e o Santos entra assim nas finais sem pressão [o que eu discordo, acho que ambos são favoritos – os dois podem ganhar em condições iguais]. Os pontos negativos são, as alterações equivocadas do técnico Vágner Mancini, insiste em jogadores improdutivos [Robinho, Lúcio Flávio e Luisinho], e sempre substitui jogadores chave no time [Madson e Neymar], além de ter queimado Molina, nunca utilizado-o. O time da vila tem uma postura de sempre recuar quando sai na frente ou quando tem o resultado a seu favor, isso faz com o time sofra pressão e fique muito suscetível a sofrer gols, além do problema crônico de tomar gols no início dos jogos. O Santos joga com pouca raça [exceto contra o Palmeiras], embora tenha bastante técnica, a técnica sem a raça, é como fé sem obras, nada vale, todo time precisa de um Pierre, de um Marcão, de um Dunga, todos precisam de destruição de jogadas, de pegada firme, pois se deixar Douglas, Felipe, Djalminha livres, eles acabam com o jogo e deixam os artilheiros sempre na cara do gol. Já o Corinthians tem como pontos fortes, a raça do time, jogadores como Elias e Cristian [não pelo gol contra o São Paulo], tem demonstrado força de vontade e superação, correndo em campo pelos onze jogadores. O timão conta ainda com a força das alas, o fraco Alessandro parece ter se encontrado, já o ótimo André Santos, embora não viva seus melhores dias, tem evoluído nas últimas partidas, chega ao ataque com eficiência, faz gols, cobra faltas, corre, orienta, é um dos pontos principais da equipe. Douglas é de lua, tem jogos que aparece, tem jogos que não, porém quando aparece tem condições de deixar os companheiros em boas condições de jogo, além dos atacantes Dentinho e Jorge Henrique, velozes, habilidosos, e chatos – para os zagueiros, além da estabilidade da zaga e do bom retrospecto de Ronaldo. Pontos negativos, a instabilidade de Felipe, esse alterna bons e maus momentos, embora seja um grande goleiro, precisa de uma sequência mais segura para ser unânimidade no gol do timão, Henrique é muito bom na sobra, no mano a mano deixa a desejar porque é muito lento, pode a exemplo de Rodrigo do São Paulo, ser surpreendido pela velocidade dos jovens santistas. Os dois alas também são pontos de atenção, pois pela evolução do futebol, os alas foram programados somente a atacar, não tem características defensivas, então, são pontos que podem ser explorados pelo time santista, Ronaldo embora seja muito perigoso, se bem marcado não parece mais ter a capacidade de se desvencilhar de uma marcação forte, e caso fique preso nessa marcação, torna-se improdutivo para o time, além também das opções retranqueiras do bom Mano Menezes. O mesmo pode-se dizer de Douglas, se bem marcado, some em campo, chegou até a ser hostilizado pela torcida antes da segunda semi-final contra o São Paulo, e sendo ele o elo entre o meio campo e o ataque, caso o Corinthians coloque nesse jogador suas esperanças, pode ter problemas. O segredo para ambos os times vencerem e serem campeões é explorar cada um as deficiências do outro, e corrigir também seus pontos negativos. O tão falado fator casa precisa ser explorado com eficiência, pois vencer em casa garante ao Santos tranquilidade para tentar segurar o timão no Pacaembu, e mesmo que perca na Vila, basta ao Corinthians vencer o peixe em casa que leva o paulistão para o parque São Jorge. Portanto, vencer é preciso, mas o empate também é bom ao Corinthians, mas é sempre perigoso jogar com resultados e com regulamentos embaixo do braço, isso traz acomodação e zona de conforto, podendo causar em campo perda de rendimento. Há muitos elementos que apontam esse equilíbrio dentro e fora de campo, são dois gigantes do futebol, tanto paulista, quanto brasileiro, cada uma das equipes sabe que do outro lado há grandes jogadores, uns começando agora, outros consagrados, mais ambos capazes de proporcionar ao espetáculo belos lances, jogadas geniais e gols, e tanto Neymar, quanto Ronaldo podem ser decisivos a suas equipes. É muito arriscado emitir um palpite numa situação como essa, pois não vejo favoritismo em clássicos, ainda mais em final, as forças se igualam mais ainda, o Santos é o time da virada, o Corinthians tira forças dos gritos da fiel torcida, os dois se agigantam, crescem em decisões, os Corinthians tem histórico de ganhar do peixe em semi-finais históricas, tirou o time da vila em 98 na semi do brasileiro e na semi do paulistão de 2001, onde Edilson, o capetinha, e Ricardinho foram os carrascos respectivamente. Já o peixe ganhou duas finais do timão [para citar apenas duas mais recentes], uma em 84 no mesmo campeonato paulista, 1 X 0 gol do Chulapa, e nas mesmas condições em 2002 no brasileiro, com um time entrosado e com um fora de série chamado Robinho. Realmente é arriscado apontar um favorito quando ambos vêem de partidas irreparáveis para essa final, foram inconstestáveis suas partidas contra os outros dois grandes paulistas, e qualquer prognóstico pode ser muito certo, ou muito errado. Porém acho que tudo pode depender do primeiro jogo, vai depender da forma como os dois times vão encarar a primeira partida, da postura que vão entrar para o jogo. O Santos joga em casa, tem obrigação de vencer, porém não será surpresa caso o Cortinthians vença, afinal é o Cortinthians, porém, mesmo que o timão empate na Vila, o peixe pode ganhar no Pacaembu, afinal é o Santos e em clássico não há surpresa. O Santos terá que tomar a iniciativa do jogo, tentar ganhar o jogo mesmo que de 1 X 0 apenas, pois vitória é vitória, mesmo de meio a zero, isso fará com que o Corinthians saia no Pacembu, se exponha ao contra-ataque e fique mais suscetível a abrir o placar, ou a ter o placar aberto. Se o Corinthians ir para cima do Santos já na Vila Belmiro, pode tomar, mas pode fazer, porém sem muito risco, pois ainda terá a segunda partida, tendo que depender dele apenas caso perca, pois precisará de uma vitória para levar o título. O que vemos é que há uma série de possibilidades, tudo pode acontecer, do impossível ao improvável, e realmente não dá pra dizer quem será o campeão. Como chegaram até aqui, ambos tem jeito e condições de campeão, e mesmo que um tenha vantagem dos resultados, o outro pode reverte-la, e mesmo assim isso não significará nada perto do que essas equipes podem fazer. O Corinthians precisar ficar de olho em Neymar e Kléber Pereira, jogadores decisivos e capazes de criar jogadas e liquidarem com jogos, um com seus dribles, passes e movimentação, e mesmo sendo muito jovem e franzino, joga como um veterano em muitos momentos, e quando precisou decidir, deu o passe do gol de Madson e sofreu o pênalti no clássico contra o time verde. Já o outro é um matador nato, seu nome é Kléber e seu sobrenome é gol, tem 10 nesse paulistão e pode até chegar a igualar o artilheiro da competição, Keirrison, com 13, pois na área ele não deve nada a nenhum dos grandes camisas 9 do futebol brasileiro, se deixar ele põe na rede. Do lado do timão, é bom o peixe pensar bem em Ronaldo e André Santos. O segundo é um ala muito eficiênte, chega a frente com facilidade, é um lider em campo, orienta os demais jogadores e é referência no time, faz gols, dá passes, e ainda é um bom cobrador de faltas, podendo decidir dessa forma, como um antigo e inesquecível camisa 7 que jogo e brilhou com a camisa do Corinthians. Já o primeiro dispensa maiores apresentações, Ronaldo, campeão mundial, maior artilheiro da história das copas do mundo, três vezes o melhor jogador do mundo, tem um curriculum pessoal invejável, mas não está vivendo de seu passado não, embora longe daquele Ronaldo de eras atrás, continua muito perigoso. Provou do que é capaz contra o São Paulo, arrancando surpreendentemente atrás do zagueiro Rodrigo, e finalizando com toda a categoria que tem na saída de Bosco, além dos demais gols que fez ajudando o timão a chegar na final da competição, portanto, ainda consegue realizar jogadas, correr e fazer gols, sua especialidade, e todo cuidado é pouco, mesmo não sendo mais fenômeno. Esse clássico tem tudo para render duas grandes partidas, porém é tudo muito igual, tudo muito parelho, mesmo que um dos dois ganhe o primeiro jogo, ou no caso do Corinthians empate, nada estará decidido, pois como diz o filósofo, o jogo só acaba quando termina, e num jogo de 180 minutos, nem aos 45 do segundo tempo do último jogo poderemos dizer algo, só quando o árbitro apitar e apontar para o centro do campo. O que posso dizer é que as condições são iguais, e que qualquer um que for campeão será com justiça e louvor, e mesmo aquele que perder isso não representará absolutamente nada, pois o Corinthians é muito maior do que dois jogos de final, e o Santos também, é muito maior do que qualquer eventual derrota numa final, ambos continuaram a existir, Ronaldos, Neymars, Pelés, Rivelinos e Marcelinhos passaram e passarão, mas Santos e Corinthians continuarão, para sempre, e sempre grandes.


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domingo, 19 de abril de 2009

Crítica.

Stereophonics – Pull The Pin.


por L
adislau Smack.









































Pull The Pin é o sexto álbum de estúdio do Stereophonics, foi lançado em 2007 pela V2 Int´l. É um bom disco no geral, embora haja nele elementos negativos, mais na média final dá pra passar de ano [rs]. O disco conta com uma produção muito boa, a cargo do próprio Kelly Jones junto com o cantor americano Jim Lowe, a dupla conseguiu equilibrar bem os intrumentos, e não exageram na engenharia, o que é muito importante, pois sendo assim o disco soa demais artificial. Pull The Pin na minha visão consegue a proeza de misturar rock setentista, cacos de anos 60 e rock moderno numa panela de pressão que consegue manter a temperatura sempre média. Digo isso pelas alternâncias entre momentos fortes e pesados e outros mais calmos e suaves, a voz de Jones também acompanha essa linha. Outro destaque também são os instrumentais, o disco é muito bem arranjado, nota-se diversos efeitos nas músicas, mas moderadamente usados, pois a base do disco é rock, embora haja até uma pequena incursão eletrônica no disco. Um dos pontos negativos do disco é que Kelly Jones continua [em menor proporção] a emular Liam Gallagher, é notável que ele se sai muito melhor sendo ele mesmo, com seu tom rouco e semi desesperado. A capa do disco diz bem o que o disco é, uma ameaça de explosão, como eu disse anteriormente, o disco consegue esse equilíbrio, e a capa [muito boa por sinal] mostra um pino de uma granada sendo puxado, onde uma boca bem insinuante puxa e a outra segura a haste, o rosa quase chok provoca um choque visual bem interessante, destacando-se bem num fundo todo negro. As músicas do disco seguem uma linha também equilíbrada, porém há mais músicas boas e razoáveis do que ruins, o que sinaliza que o disco é bom, pois disco cem por cento bom só mesmo o Revolver e Sgt. Peppers dos Beatles. Vejo nesse álbum um Stereophonics mais maduro, no sentido de buscar uma sonoridade mais única, mais característica, fugindo um pouco do clichê e das dicotomias britânicas de Blur e Oasis, vejo uma banda mais aberta a outras influências, disposta a trilhar novos caminhos, exceto Jones com aquela questão posta anteriormente. O disco é bem humano, possui seus erros, mas possui outras tantas virtudes, é um disco um tanto menos pop, um disco menos de rádio e mais de ouvintes experientes, que vão justamente enxergar no disco os pontos chaves e entender as canções, mesmo que elas não sejam hits radiofônicos. A veia setentista do disco começa logo na primeira faixa, “Soldiers Make Good Targets” é uma canção forte, pungente e com bons riffs de guitarra, “I Could Lose Ya”, também segue uma linha anos setenta, Jones canta meio desleixado [proposital], há ecos de guitarra e overdubs aos montes, é bem energética. Algumas canções do disco seguem uma linha moderna, quando me refiro a moderno faço referência ao som de bandas como Strokes, White Stripes e Arctic Monkeys. Vejo algo de suspeito nessas bandas, não vejo consistência, e aí acho que o Stereophonics pecou nesse disco, em repetir essas fórmulas de deixar o som cru demais, de soar setentista demais, e exaltar demais as guitarras, e é sempre assim, extremos, ou sem guitarras como o Radiohead em Kid A e Amenesiac ou só guitarras como essas bandas, é um culto falso ao MC5, e no final das contas, você vira o hype do momento mas não soa como a banda que queria soar. Vejo essa síndrome nas canções “Bank Holiday”, “My Friends” e “Crush”, vocais sequências, músicas urgentes, como se o mundo fosse acabar, guitarras bem altas, no caso de My Friends a boa produção faz o baixo de Richard Jones aparecer bem. Crush chega a ser irritante de tão White Stripes e Hellacopters que parece, forçosamente simples, muitas guitarras, só o refrão que parece Stereophonics, mais o corpo dessas músicas soa assim, moderno de mais, oco, um vazio, preenchido por guitarras altas metidas em amplificadores velhos. O posto de pior do disco fica para “Daisy Lane”, monótona, batidas eletrônicas, a música parece o remédio dramin, dá sono de ouvir. “Pass The Buck” é boa porque é simples, no arranjo e na forma de Jones cantar, backing vocals bonitinhos, bem construída e com um refrão bem feito, e antes que soe contraditório, é uma canção simples sem ser setentista [e nada conta os anos 70]. O disco vai mostrando suas diferenças a medida que o ouvinte vai percebendo que as músicas não se parecem tanto entre si como em outros discos [Performance and Cocktails por exemplo], cada uma parece ter vida própria, e o disco não se torna chato assim, monoritmico, tipo Ana Carolina, ouviu a primeira faixa ouviu o disco inteiro. “It Means Nothing” é uma das mais bonitas do disco, Kelly Jones canta rouco e intenso, num tom médio, tanto a introdução como o corpo da canção apresentam um dedilhado bonito, a música parece um passeio por um bosque olhando a tarde cair, eu fiz o teste [do passeio no bosque ouvindo a música] e deu certo, parece feita para momentos como esse. “Bright Red Star” é a única acústica presente no álbum, outra canção simples, só no fundo, bem no fundo, se ouve pequenos efeitos de teclado, mais só, o resto é só a voz de Kelly Jones e o arranjo, que poderia ser mais explorado, mas é uma canção simpática e bonita. “Stone” é muito criativa, é um dos pontos altos do disco, tem um introdução muito bela, é uma canção progressiva, no sentido de que vai ascendendo ao céu a medida que os minutos vão passando. Kelly aqui canta intensamente, o refrão é muito emocional, ecos de guitarra e passagens abafadas dão o tom da música, a bateria chega a ser impressionista, só com baquetas de pluma pode se atingir uma levesa como essa. É com músicas como Stone que digo que o Stereophonics está mais maduro e buscando uma sonoridade própria, é uma música diferente, sublimada, assim como a pesada e pesarosa “Lady Luck”. Lady Luck é sonoramente como Atlas, o titã grego que foi condenado a carregar o mundo nas costas, essa música nos traz um sentimento de culpa, de remorso, nos sentimos pesados com a atmosfera conseguida pelo Stereophonics. Kelly mais uma vez atinge pontos de uma emoção forte e comovente, destaco também o trabalho de Adam Zindani, muito consistente na guitarra. Outra canção que foge do padrão e aponta para horizontes mais criativos é “Drowning”, começa com voz e uma perciana de guitarra fina por trás, depois a bateria entra marcando sorrateiramente, como se fizesse parte da música desde o começo, o refrão é uma balança medindo e equilibrando forças, vocal emocional e intenso, é o que o Bush estaria fazendo hoje caso estivesse na ativa, um som meio tom, peso e leveza misturados num degradê agradável aos ouvidos. Pull The Pin é um bom disco, está longe de ser ótimo, mas também longe de ser ruim, é um disco na medida certa, na medida de ouvidos cansados da mesmice que toca nas FM´s, embora Kelly Jones tenha que exorcizar Liam Gallagher, mostrou-se nesse álbum que tem potencial para realizar boas canções, Drowning é um exemplo disso, é um disco de altos e baixos, mais altos do que baixos, boa produção como já ressaltado, conjumina como os momentos de instabilidade do mundo atual, nada muito coeso, tudo muito incerto, porém equilíbrio é palavra mais certa para definir esse disco.

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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Ensaio.

As vezes falar demais é desnecessário.


por Marlon Marques & Bartira Suansson1.
























2.























Dizem os sábios que se tivessemos que falar mais teriamos duas bocas ao invés de uma, sendo dessa forma, seriamos tão bonitos quanto qualquer figura de Picasso. Em todos os lugares ouvimos vozes, “blá, blá, blá”, ruídos, sons, e toda sorte de poluição sonora, algumas são inevitáveis, porém outras dispensáveis. A voz humana é o nosso instrumento de comunição com o mundo, porém há uma ingrata variável nessa equação, a voz pode ser bela como de uma soprano, ou totalmente enjoativa, desagradável, irritável aos ouvidos. A voz é o imperativo da ordem, é a alegoria pelo qual Deus é representado, é a imaginação através das ondas do rádio e foi pela voz que Adão nominou todos os animais. A sociedade industrial é o ponto de partida das “sinfonias metropolitanas”, o rock industrial surge para emular esses sons, que o modo da sentença de Brian Eno, integrou-se a nossa paisagem e parece dela parte indissoluvel. Entretanto é necessário dotar a voz de sentido, e música nada mais é do que harmonizar sons e deixá-los agradáveis aos nossos ouvidos, mas nem todos são Bach ou Mozart, e mesmo Burt Bacharach e Chico Buarque, porém nem sempre se há bom senso, e na contemporâneidade onde tudo é permitido [vide arte], as pessoas se sentem no direito de considerar nossos ouvidos lixeira. Os transportes urbanos são locais de coletividade involuntária, nesses espaços se convive nem sempre harmoniozamente com o diferente, mas massas não são dotadas de bom senso e respeito, ligam seus aparelhos sonoras com auto-falantes externos, fazendo com que todos ouçam músicas que nem sempre agradam a todos, além das conversas. Conversa nem sempre é sinônimo de conteúdo, mas o fato é que não nos damos conta da quantidade de decibéis a que somos expostos todos os dias, portanto, se não há conteúdo, é melhor calar, precisamos aprender a apreciar o silêncio [enjoy the silence], apurar mais os outros sentidos, ver e ouvir mais, e falar menos. Quando você fala mais, corre mais o risco de falar mais coisas certas e mais coisas erradas, e palavras bonitas o vento leva, as palavras erradas ficam, Rubens Ricupero e Paulo Maluf sabem bem disso. Jesus disse: “não deis aos cães as coisas santas e nem deiteis aos porcos as vossas pérolas”, isso significa que não devemos sair por aí falando aos borbotões e a todas as pessoas, nem todos estão prontos para ouvir e nem todos sabem o que fazer com aquilo. Falar as vezes é irritante, o som das vozes e o emaranhado delas formam um som horrível, ininteligível, um zunir nos ouvidos. Certos comentários são irrelevantes, certas conversas vazias, certas vozes horríveis e muitas músicas ruins, outras obscenas, criam um ambiente ruim. Cristãos falam alto, crianças gritam e fazem birra, velhos reclamam, funkeiros falam obscenidades, torcedores palavrões, namorados irritantes declarações de [falso] amor, é um mosaico insuportável de sons, e o que é pior, sem ordenação e sentido. Me cansei de falar, me cansei da minha própria voz, o vazio das pessoas e preenchido por coisas fúteis, só falam de sexo, futebol, consumo, big brother, baladas, crepúsculo, chega! Vamos fazer silêncio, fiquemos por alguns segundos sem proferir uma sílaba se quer, vejamos os benefícios do calar, do ver e ficar quieto, do ouvir e não responder, de nos limitarmos a mera educação de retribuir um olá, ou um bom dia, deixemos de lado nossa petulância e sapiencial de opinar sobre tudo. Falamos demais, desperdiçamos palavras a todo instante, enchemos uns aos outros co nossos problemas, idéias, perguntas, choro, desabafo, isso as vezes é desnecessário, temos que falar menos, dizer só o necessário, se for necessário dizer. A modernidade nos deu de presente o progresso, o progresso trouxe carros, máquinas e poluição, a vida instável trouxe natalidade, trânsito e barulho, vazio e bobagens, sons que não nos dizem nada, e como consequência nos deu enxaqueca de tanto falar e ouvir, e como se diz, falar demais não é necessariamente se comunicar. As relações humanas seriam muito melhores se fossemos mais comedidos e econômicos, se fizessemos menos questão de sermos melhores do que os outros, comprariamos menos, brigariamos menos e falariamos menos também, uma sociedade sem guerras e com menos barulho, seria mais harmonioza e um lugar melhor para todos.



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Ouçam: "E estamos conversados" [Arnaldo Antunes/Paulo Tatit].

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Notas.

1. Formada em História pela UFRJ, possui pós-graduação em História da Arte pela PUC-RJ e em Sociologia pela UERJ. Atualmente é escritora em blogs e periódicos e atual como consultora social em ONG´s no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.

2. Figuras, 1945. Óleo sobre tela - 55,4 X 46,6 cm. MAC-USP.

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Mr. Bungle - California.

por Marlon Marques & Guy Anderson.






























Esse terceiro e último disco do Mr. Bungle é sem dúvida o trabalho mais acessível da banda. “California” lançado em 1999 pela mesma Warner, é o mais cantado, mais próximo do estilo convencional de fazer música e também a melhor introdução ao mundo “misterbungleniano”[sic]. Muitos dizem ser o “pior” disco da banda, discordo veementemente, outros enxergam uma ruptura, também discordo, o que vejo é uma proposta diferente, o disco continua experimental e de alto nível, canções belíssimas e com instrumental acima da média, um disco também acima da média, mas subestimado, assim como o “King For A Day” do Faith No More. O disco é bastante alegre e descontraído, há passagens pop e outras ultra experimentais, porém no mesmo nível dos outros trabalhos, sempre primando pelos intrumentais elaborados e realmente Mike Patton se distancia dos demais vocalistas pela sua incrível performance nesse álbum. California representa a nosso ver a confirmação de que o Mr. Bungle é uma grande banda, isso porque sendo esse o último álbum, o vemos como cumprimento de contrato, as músicas são mais curtas em duração e como já dito antes mais acessíveis, tudo isso indica que se com essas condições a banda produz um material de tanta qualidade, imagine em outra situação. O disco é bastante heterogêneo, muito eclético e culturalmente variado, são pedaços de vários tipos de música colados um no outro, como irmãos siameses. A trupe de Eureka liderada por Patton abre a caixa de Pandora musical, dela não saem monstros, saem sonhos, delírios e estranhezas, porém estranhezas mais familiares, mais próximas da nossa loucura, algo que mais pessoas podem entender e apreciar. “Sweet Charity”, é um sonho, é uma bela e sofisticada peça quase que saída de um musical de Minelli, nela há um pouco de bossa nova, música hawaiana e swing, mas muito da boa canção americana da broadway, Patton faz as vezes de crooner numa linda interpretação, cheia de luz e emoção. A mesma emoção está contida em “Pink Cigarette”, outra linda canção, emula a fórmula das “chansons francesas”, muito requinte nos arranjos e um ar de sofisticação. Se fosse uma bebida seria um dry martini, há sussurros e um canto suave, sugerido apenas, sensual, mais uma vez há ecos de Serge Gainsbourg e Henri Mancini, esse ultimo influência visível de Mike Patton. “Vanity Fair”, não a revista, mais a música, é um tributo a Four Tops e Temptations, é um soul emocional, com direito a efeitos e orgão gospel, já “Golem II: The Bionic Vapour” é o que podemos chamar de infantokraftwerk [sic], pois é uma mistura de temas de videogame, vozes sampleadas, batidas eletrônicas e efeitos Kraftwerk, é divertida e engraçada. “He Holy Filament” e “Goodbye Sober Day”, são músicas mais progressivas e compassadas, temas arrastados e lentos [a primeira], e a segunda um verdadeiro vulcão, começa lenta para no final explodir. Pelos dois minutos de música, Patton entoa um canto estranho, uma espécie de lamento, um mantra repetido por uma multidão, que aparece no final da música também, depois a música trafega por terrenos arenosos, pesos, gritos, insanidade são elevados a décima potência, até cair numa espécie de salsa com pianos e efeitos. “Retrovertigo” é a balada do disco, tem até um refrão, pois é um refrão, cantável e tudo. Contudo, depois de Sweet Charity, as grandes canções do disco são “None Of Them Knew They Were Robots”, “The Air-Conditioned” e “Ars Moriendi”. A primeira tem uma introdução sombria, uma marcha cheia de teclados carregados e guitarras pesadas, lembra os temas mal assombrados de Misfits e Dead Kennedys [sugestão], é uma música cheia de nuances de jazz, de contra variações, Patton dá um show nas vocalizações. Os metais roubam a cena, junto com efeitos de batidas, os pling plongs espalhados aleatoriamente pela música, atmosferas, ecos, sombras, esse pesadelo sonoro só encontra equivalente nos sonhos musicais do Olivia Tremor Control. A segunda começa como se uma serenata estivesse no final, mas aqui há castanholas e chocalhos, logo em seguida gritinhos de praia na onda dos Beach Boys, modulações de guitarra e um backing vocal pairando no ar. A música tem um tom de leve desespero, Patton interpreta diversas vozes, algumas finas, outras calmas, outras apenas Patton mesmo, todas com uma competencia magistral, os sons lembram algo como um lounge-soul-surf, com efeitos de cinema e muita, muita emoção. A terceira é uma incursão na música árabe logo na introdução, porém a banda mistura muitas influências, transformando essa música num verdadeiro caldeirão cultural. São misturados elementos árabes, com acordeon e eletrônica dura, reta, a dizer tecno, há também muita guitarra, há fanfarra européia, vocalizações de Patton e uma técnica impressionante dos músicos, temas sofisticadas, mudanças repentinas de um estado para o outro, pulando ora da fanfarra alegre, para vocais russos, danças orientais e peso. California é um disco curto, tem apenas dez faixas, porém todas nos oferecem emoções diferentes e garantia de bom gosto, diversidade e técnica extraordinária, são músicos de uma competência indiscutível, e um vocalista camaleão, o homem das mil vozes, o bardo, aquele que carrega em si o dom da diversidade, que é a grande qualidade desse álbum.



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domingo, 12 de abril de 2009

Faith no More - "Full"

Por Joe Woo.

Acervo.




Faith No More foi uma banda norte-americana formada em São Francisco, Califórnia em 1982, e foi considerado um dos maiores grupos de rock dos anos 90. As suas canções de maior sucesso no Brasil foram “Epic” e “Falling to Pieces” do disco The Real Thing de 1989 e “Easy”, canção cover do grupo norte-americano The Commodores, do álbum Angel Dust de 1992. A banda ganhou notoriedade na Brasil com a passagem constante do vídeo musical de “Epic” na MTV Brasil e com uma aclamada apresentação no Rock in Rio II.
O estilo musical é de difícil categorização, visto que a banda possui uma série de vertentes e gêneros distintos, como heavy metal, rock alternativo, funk e rap. Alguns chegaram a chamaram seu estilo de funk metal. Outro fator crucial para a popularidade dos Faith No More foi a entrada de Mike Patton em 1988, cujos vocais característicos podem ter sido o maior motivo do êxito comercial do grupo.
O grupo surgiu em 1982, vindo das cinzas do Faith No Man, banda formada e liderada por Mike “The Man” Morris. Roddy Bottum, Mike Bordin e Bill Gould, então integrantes do grupo, decidiram livrar-se de Morris e ao invés de demití-lo, preferiram formar uma nova banda. Por sugestão de um amigo, o nome escolhido foi Faith No More, já que “The Man” (Morris) “não mais” (no more, em inglês) faria parte do grupo.[1] No lugar de Morris, foi recrutado Jim Martin na guitarra. Diversos músicos ocuparam a vaga de vocalista nesta fase - dentre eles Courtney Love - até os membros optarem por Chuck Mosley, que participaria apenas dos dois primeiros discos da banda: We Care a Lot, de 1985, e Introduce Yourself, de 1987.
Mosley foi demitido em 1988 e os motivos da sua saída ainda geram certa discussão entre os fãs de Faith No More. A versão oficial seria de que Chuck foi mandado embora por ser alcoólatra e por ter causado problemas em alguns shows da banda. Entretanto muitos acreditam que o real motivo da demissão foi o fato de Mosley ser um vocalista limitado. Com a nessecidade de um novo vocalista, a banda contou com a ajuda de Cliff Burton, baixista do Metallica para selecionar alguém ao posto, e Mike Patton foi o primeiro nome em mente, ele que em pouco tempo se tornaria o líder e a figura mais emblemática do grupo. Mas enfim, vamos deixar essa discussão de lado e apreciar um belíssimo acervo discográfico que humildemente separei para os fãns:


We Care A Lot (1985)




















1. We Care A Lot

2. The Jungle
3. Mark Bowen
4. Jim
5. Why Do You Bother
6. Greed
7. Pills For Breakfast
8. As the Worm Turns
9. Arabian Disco
10. New Beginnings

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Introduce Yourself (1987)




















1. Faster Disco
2. Anne s Song
3. Introduce Yourself
4. Chinese Arithmetic
5. Death March
6. We Care A Lot
7. R n R
8. Crab Song
9. Blood
10. Spirit

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The Real Thing (1989)



















1. From Out of Nowhere
2. Epic
3. Falling To Pieces
4. Surprise! You’re Dead!
5. Zombie Eaters
6. The Real Thing
7. Underwater Love
8. The Morning After
9. Woodpecker From Mars
10. War Pigs
11. Edge of the World


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Live At Brixton Academy (1990)



















1. Falling To Pieces
2. The Real Thing
3. Epic
4. War Pigs
5. From Out of Nowhere
6. We Care A Lot
7. Zombie Eaters
8. Edge of the World
9. The Grade
10. The Cowboy Song

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Angel Dust (1992)



















1. Land of Sunshine
2. Caffeine
3. Midlife Crisis
4. RV
5. Smaller and Smaller
6. Everything’s Ruined
7. Malpractice
8. Kindergarten
9. Be Aggressive
10. A Small Victory
11. Crack Hitler
12. Jizzlobber
13. Midnight Cowboy
14. Easy
15. As the Worm Turns

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King for a Day, Fool for a Lifetime (1995)



















1. Get Out
2. Ricochet
3. Evidence
4. The Gentle Art of Making Enemies
5. Star A.D.
6. Cuckoo for Caca
7. Caralho Voador
8. Ugly in the Morning
9. Digging the Grave
10. Take this Bottle
11. King For A Day
12. What A Day
13. The Last to Know
14. Just a Man
15. Absolute Zero/I Started a Joke/Evidence (Spanish Version)

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Album Of The Year (1997)












1. Collision
2. Stripsearch
3. Last Cup of Sorrow
4. Naked in Front of the Computer
5. Helpless
6. Mouth to Mouth
7. Ashes to Ashes
8. She Loves Me Not
9. Got that Feeling
10. Paths of Glory
11. Home Sick Home
12. Pristina
13. Light Up and Let Go
14. Big Kahuna


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Who Cares a Lot: Greatest Hits (1998)


















CD 1.
1. We Care A Lot (Original Version)
2. Introduce Yourself
3. From Out Of Nowhere
4. Epic
5. Falling To Pieces
6. Midlife Crisis
7. A Small Victory
8. Easy
9. Digging The Grave
10. The Gentle Art Of Making Enemies
11. Evidence
12. I Started A Joke
13. Last Cup Of Sorrow
14. Ashes To Ashes
15. Stripsearch

CD 2.
1. The World Is Yours
2. Hippie Jam Song
3. Instrumental
4. I Won’t Forget You
5. Introduce Yourself (4-Track Demos)
6. Highway Star
7. Theme From Midnight Cowboy
8. This Guy’s In Love With You

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This Is It: The Best of Faith No More (2003)











1. Arabian Disco
2. We Care a Lot [Slash Version]
3. Anne’s Song
4. Introduce Yourself
5. From Out of Nowhere
6. Epic
7. Falling to Pieces
8. War Pigs
9. Cowboy Song
10. As the Worm Turns [Live]
11. Midlife Crisis
12. Small Victory
13. Be Aggressive
14. Easy
15. Digging the Grave
16. Evidence
17. Last Cup of Sorrow
18. Ashes to Ashes
19. Perfect Crime

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